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Fichamento Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado

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industrialização.
Nas etapas em que aumenta a procura de bens de capital, tem-se um quadro de reduzido estímulo que existe para instalar as referidas indústrias nos países de economia dependente. “A procura de bens de capital cresceu exatamente numa época em que as possibilidades de importação eram as mais precárias possíveis”. A economia não somente havia encontrado estímulo dentro dela mesma para anular os efeitos depressivos vindos de fora e continuar crescendo, mas também havia conseguido fabricar parte dos materiais necessários à manutenção e à expansão de sua capacidade produtiva.
Possibilitando um melhor aproveitamento dos recursos de terra e mão de obra pré existentes, o impulso externo aumentou a produtividade que é o ponto de partida no processo de acumulação de capital. A massa de salários e outras remunerações criadas no setor de exportação representam o embrião do mercado interno. Ao reduzir-se o impulso externo, a contração conseqüente da renda monetária tende a criar desemprego ou subutilização da capacidade no setor ligado ao mercado interno.
Contudo, esse crescimento ou desenvolvimento do mercado interno gerou certos desequilíbrios. Quando se desenvolvia o mercado interno e se revalorizava a moeda no exterior, criava-se uma dmanda maior por produtos importados, diminuindo a demanda de produtos nacionais, o que gerava desempregos. Assim, a nascente economia de capitais no país se mostrava instável desde o seu momento embrionário.
33. O desequilíbrio externo e sua propagação
A alta taxa cambial reduziu praticamente na metade o poder aquisitivo externo da moeda brasileira. Esta situação permitiu um ampla barateamento relativo das mercadorias de produção interna.
A possibilidade de perdas de grandes proporções, ocasionada pelo brusco barateamento de mercadorias concorrentes importadas, desencorajaria as inversões no setor ligado ao mercado interno.
A pequena valorização externa da moeda brasileira entre 1934 e 1937 trouxe transtornos a setores industriais internos. 
Como o preço do café era fixado em acordos internacionais, a valorização da moeda significava prejuízos para a economia cafeeira. Assomava-se a isso os interesses dos produtores internos, e o governo mantinha taxas cambiais sobre a mercadoria importada. Ao se fixar a taxa cambial, sustentava-se o nível de renda monetária; na economia interna, criava-se o fluxo de poder de compra dentro da economia sem uma contrapartida na oferta de bens e serviços.
O índice de preços da exportação cresceu 75% entre 1937 e 1942, sendo muito forte o estímulo externo. Não sendo possível evitar a contração da oferta de produtos importados, todo o aumento de renda monetária e mais uma parte dessa renda que antes se gastava com importações eram representadas no mercado interno.
A queda na procura relativa das divisas acarretava (ou devia) na depreciação destas, evitando-se que o desequilíbrio externo se propagasse em toda a sua extensão ao sistema econômico. Por outro lado, significava que o fluxo de renda criado no setor exportador não tinha uma contrapartida real adequada na oferta de bens importados, sendo esse o ponto de partida do desequilíbrio.
AO reduzir-se a procura de divisas abaixo da oferta dessas, haveria uma baixa nos preços das mesmas, recebendo os exportadores menores somas por suas cambiais e reduzindo-se a renda monetária criada no setor de exportação. Essa redução de renda viria contrapesar a contração na oferta de bens e serviços importados, corrigindo-se assim o desequilíbrio.
O valor das reservas cambiais era aproximadamente igual ao excesso de renda criado no setor exportador sobre a contrapartida de bens e serviços importados.
O desequilíbrio se formava na medida em que se acumulavam as reservas; era inevitável que a pressão resultante do desequilíbrio entre o nível de renda monetária e o de oferta de bens e serviços se resolvesse em alta de preços, que se refletia nos custos do setor exportador e dificultava a execução de qualquer política tendente a conservar o nível de renda nesse setor. O desquelíbrio se teria formado com ou sem revalorização monetária.
34. Reajustamento do coeficiente de importações
35. Os dois lados do processo inflacionário
36. Perspectiva dos próximos decênios