A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
64 pág.
RESUMÃO DE CLINICA MEDICA I   Seminários Parte 2

Pré-visualização | Página 11 de 22

e a sintaxe. Na 
maioria dos indivíduos, o hemisfério esquerdo é o dominante para a linguagem, e é por isso que 
a maioria das afasias resulta de lesões desse hemisfério. 
 
 
 
Exame Físico 
O exame físico da linguagem deve incluir a avaliação da denominação da fala espontânea, 
da compreensão, da repetição, da leitura e da escrita. Deve-se testar todos esses aspectos. 
Termos semiológicos: 
Anomia – déficit da denominação, não consegue pronunciar a palavra apropriada; 
Parafasia – pronuncia errada da palavra. Pode ser semântica – quando erra a 
denominação, p. ex., “caneta” em lugar de “lápis”; ou pode ser fonêmica – quando aproxima-se 
da palavra correta mas troca fonemas, p. ex., “láfis” em vez de “lápis”. 
Perseveração – repetição de um mesmo vocábulo; 
Jargonofasia – uso de palavras novas “neologismos” incompreensíveis; 
Fala espontânea – é descrita como “fluente” se mantiver um volume de emissão, uma 
extensão das sentenças e melodia adequados, e “não fluente” se for esparsa, hesitante e a 
duração média das emissões for inferior a quatro palavras. 
Alexia – incapacidade de ler em voz alta ou compreender palavras isoladas e frases 
simples; 
Disfonia – alteração do timbre da voz, que se torna rouca ou bitonal. Depende da disfunção 
das cordas vocais por lesão do nervo acessório (XI). Quando por bilateral é afonia. 
Disartria – alteração da articulação da palavra falada ou fala, decorrente de algumas 
neuropatias centrais e/ou periférica. Centrais – paralisia pseudobulbar (misto de nasalada e 
explosiva), parkinsonismo (arrastada, lenta), síndrome cerebelar (escandida, explosiva); 
Periféricas – lesão dos nervos cranianos VII, IX, X e XII. 
Disritmolalia – perturbação do ritmo da fala. Taquilalia – alteração do ritmo da fala, 
tornando-se imprecisa; e Gagueira – interrupção do ritmo da fala, pode ser fisiológica ou 
evolutiva até o 3 anos de idade. 
Dislexia – dificuldade de capacitar-se para a leitura convencionalmente ensinada. Pode ter 
antecedentes de retardo na aprendizagem da fala. A dificuldade mais na composição das 
palavras do que na identificação das letras isoladas. O grau máximo dessa condição é a alexisa. 
Disgrafia – grafia irregular, fragmentada, a ponto de tornar-se ilegível. Existem a disgrafia 
espacial ou de evolução, na qual não se observam distúrbios neurológicos, e a disgrafia 
secundaria a problemas orgânicos, como o parkinsonismo (micrografia) e a cerebelopatia 
(macrografia). 
Afemia – deficiência grave na fluência (muita vezes mutismo) que não pode ser explicada 
por disfunção corticobulbar cerebelar ou extrapiramidal. A recuperação sempre ocorre. Não é um 
sindrome afásica verdadeira. 
A correspondência entre déficits individuais da função da linguagem a localização da lesão 
não exibe um relação rígida e deve ser concebida no contexto do modelo de redes distribuídas. 
Entretanto, a classificação das afasias em síndromes clínicas específicas ajuda a determinar a 
distribuição anatômica mais provável da doença neurológica subjacente e tem implicações para 
a etiologia e o prognóstico. 
 
Afasia de Wernicke 
 Também chamada de afasia receptiva ou sensorial. O paciente apresenta leve a extrema 
dificuldade para a compreensão da fala e da escrita desacompanhada de outro déficit motor, por 
comprometimento do giro póstero-superior do lobo temporal esquerdo. O paciente pode 
apresentar parafraseia, perseveração e jargonofasia. 
A emissão de linguagem é fluente, porém altamente parafásica e em circunlóquios 
(rodeios). O paciente tem extrema dificuldade para compreensão de ordens. Portanto, a fala é 
prolixa, porém, pouco informativa. Os pacientes desse tipo de afasia são agitados e pode ter 
comportamento paranoide. Não conseguem expressar seus pensamentos em palavras de 
significado apropriado, e não decodificam o significado das palavras em qualquer modalidade de 
comunicação. Portanto, essa afasia tem componentes expressivos e receptivo. A repetição, a 
denominação, a leitura e a escrita também são afetadas. 
A local mais comum da lesão dessa afasia é a parte posterior da rede de linguagem 
envolvendo as partes da área de Wernicke. A etiologia mais comum é um êmbolo na divisão 
inferior da artéria cerebral média (no ramo temporal posterior ou angular – especialmente). 
Hemorragia intracerebral, traumatismo craniano grave ou neoplasia são outras causas. 
Hemianopsia direita ou quadrantanopsia superior coexistente é comum, e pode ter apagamento 
discreto do sulco nasolabial direito. Alguns pacientes com afasia de Wernicke decorrente de 
hemorragia intracerebral ou traumatismo craniano melhoram à medida que a hemorragia ou o 
traumatismo se resolvem. O prognóstico em termos de recuperação da função da linguagem nas 
demais causas é reservado. 
 
 
Afasia de Broca 
Também chamada de afasia motora ou verbal, há dificuldade de variável intensidade para 
expressar-se pela fala ou pela escrita e, habitualmente, associa-se à hemiparesia ou hemiplegia 
direita, por lesão do opérculo frontal e área motora adjacente do hemisfério esquerdo. 
A fala não é fluente, é interrompida por muitas pausas à procura de palavras e geralmente 
disártrica. A emissão pode limitar-se a um grunhido ou uma só palavra (“sim” ou “não”). A 
denominação e a repetição também estão comprometidas. As compreensões da linguagem 
falada e da leitura estão intactas. O paciente geralmente é deprimido e choroso, pois a 
percepção do próprio estado está preservada, ao contrario da afasia de Wernicke. Déficits 
neurológicos adicionais geralmente são fraqueza facial direita, além da hemiparesia ou 
hemiplegia direita e apraxia bucofacial, caracterizada por incapacidade de executar comandos 
motores envolvendo as musculaturas orofaringe a e facial. Os campos visuais estão intactos. 
A causa mais frequente é o infarto na área de Broca e no córtex insula e perissilvinano 
anterior, devido à oclusao da divisão superior da artéria cerebral média. Lesões expansivas, 
como um tumor, hemorragia intracerebral e abscesso, também podem estar implicadas. Lesões 
restritas à parte posterior da área de Broca podem gerar um déficit não afásico e reversível da 
articulação da fala. Quando a causa da afasia de Broca é AVE, a recuperação da função da 
linguagem gira entre 2 a 6 meses. 
 
Afasia Global 
Representa disfunção combinada das áreas de Broca e Wernicke. A compreensão e a 
expressão da linguagem estão gravemente afetadas. A denominação, a repetição, a leitura e a 
escrita também são afetadas. Em geral, resulta de AVEs envolvendo toda a distribuição da 
artéria cerebral média no hemisfério esquerdo. Os sinais relacionados são hemiplegia direita, 
perda hemissensorial e hemianopsia homônima. 
 
Afasia de condução 
A repetição de palavras está intensamente comprometida, a denominação e a escrita 
também estão afetadas. A leitura em voz alta é deficiente, mas a compreensão da leitura está 
preservada. Enquanto que o discurso é fluente, mas parafásico. Os locais da lesão poupam as 
áreas de Broca e Wernicke, mas podem induzir uma desconexão funcional entre as duas. A 
lesão encontra-se no fascículo arqueado que comunica a área de Broca com a de Wernicke. 
 
Afasia Transcortical 
Pode ser de dois tipos: não fluente (afasia motora transcortical) e fluente (afasia 
sensorial transcortical) ou mistas (= isolamento). Em todas a repetição está preservada. 
 Afasia motora transcortical (não fluente) – semelhante a de Broca, existe uma 
importante alteração da expressão verbal, com compreensão conservada e boa 
capacidade de repetição. O exame neurologia pode ser de resto intacto, mas também 
pode haver hemiparesia direita. A lesão desconecta a rede de linguagem intacta das 
áreas pré-frontais do cérebro e geralmente envolve a zona de fronteira anterior entre os 
territórios das artérias cerebrais, anterior e média, ou o córtex motor suplementar