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RESUMÃO DE CLINICA MEDICA I   Seminários Parte 2

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O tratamento da cefaleia da enxaqueca consiste em ajustes no estilo de vida e 
administração de medicamentos, sempre mostrando ao paciente que essa síndrome não pode 
ser erradicada. O tratamento não farmacológico é feito através da identificação e prevenção de 
gatilhos (estimuladores da cefaleia), o que pode variar entre os diferentes indivíduos. O 
tratamento farmacológico é recomendado quando as medidas não farmacológicas falham na 
prevenção de uma crise. Na crise aguda, a seleção do esquema de medicação adequado 
depende de vários fatores, sendo o mais importante a gravidade da crise (crises leves podem 
geralmente ser tratadas com agentes orais, enquanto que crises graves podem exigir terapia 
parenteral). A maioria dos fármacos eficazes no tratamento da enxaqueca é pertencentes a uma 
das três classes farmacológicas a seguir: anti-inflamatórios, agonistas do receptor 5HT1B/1D e 
antagonistas dos receptores de dopamina. 
Cefaleia tensional: 
Síndrome de cefaleia crônica caracterizada por desconforto bilateral, constritivo, em faixa, 
sendo a principal causa de cefaleia. A dor costuma se desenvolver lentamente, oscilar em 
intensidade e pode persistir de maneira mais ou menos contínua por alguns dias. Pode ser 
episódica ou crônica (> 15 dias). A CT não apresenta sintomas associados. Essa abordagem 
quase a distingue da enxaqueca, que tem, pelo menos, uma manifestação associada à cefaleia. 
Porém, existem outras fontes que defendem que a CT possibilita náuseas, fotofobia ou fonofobia 
em várias combinações. 
Na prática clínica, é altamente recomendado dicotomizar os pacientes com base na 
presença de manifestações associadas (enxaqueca) e na ausência (CT). Parece provável que a 
CT seja causada por um distúrbio primário da modulação da dor no SNC isoladamente, 
diferentemente da enxaqueca, que envolve um distúrbio mais generalizado da modulação 
sensorial. A dor na CT geralmente pode ser tratada com analgésicos simples, como AAS, 
paracetamol ou AINEs. As abordagens comportamentais também podem ser eficazes. Para CT 
crônica, a amitriptilina é o único tratamento comprovado. 
Cefaleias autonômicas do trigêmeo, incluindo cefaleia em salvas: 
Incluem, além da cefaleia em salvas, a hemicrania paroxística e SUNCT (cefaleia 
neuralgiforme unilateral de curta duração com hiperemia conjuntival e lacrimejamento)/SUNA 
(crises de cefaleia neuralgiforme unilateral de curta duração com sintomas cranianos 
autônomos). As CAT devem ser diferenciadas das cefaleias de curta duração que não têm 
síndromes autonômicas cranianas proeminentes, sobretudo a neuralgia do trigêmeo, cefaleia 
primária em punhaladas e cefaleia hípnica. Há um excesso de apresentações de CAT A em 
pacientes com cefaleia relacionada a tumor hipofisário. 
 Cefaleia em salvas: a dor é profunda, em geral retro-orbital, frequentemente de 
intensidade excruciante, não flutuante, de característica explosiva e periódica (pelo 
menos uma das crises de dor recorre aproximadamente na mesma hora todo dia). 
O paciente típico com cefaleia em salvas tem surtos diários de uma ou duas crises 
de dor unilateral de duração relativamente curta por 8-10 semanas por ano, o que 
costuma ser intercalado com um intervalo de pouco menos de um ano sem dor. O 
tratamento abortivo pode ser feito com injeção ou spray nasal de sumatriptana e 
oxigênio. O tratamento profilático pode ser feito com verapamil, metisergida e lítio. 
 Hemicrania paroxística: Suas características essenciais são dor unilateral e muito 
intensa, crises de curta duração (2-45min) e muito frequentes (em geral, mais de 
cinco por dia), manifestações autonômicas acentuadas ipsilaterais à dor (como 
lacrimejamento e congestão nasal), apresentando, ainda, resposta excelente à 
indometacina. Diferentemente da cefaleia em salvas, é mais comum em homens e, 
apesar de costumar ser retro-orbital, pode ser sentida em toda a cabeça. Pacientes 
com remissões têm HP episódica, enquanto os com a forma não remitente 
apresentam HP crônica. A HP secundária foi relatada com lesões da sela túrcica, 
sendo mais provável se o paciente exigir altas dosese de indometacina. Em 
pacientes com HP bilateral aparente, deve-se suspeitar de elevação da pressão 
liquórica (que é reduzida pela indometacina). Quando o diagnóstico de HP é 
considerado, indica-se RNM para excluir lesão hipofisária. 
 SUNCT/SUNA: A SUNCT é caracterizada por dor intensa, unilateral, orbital ou 
temporal, em punhaladas ou latejantes. O diagnóstico requer pelo menos 20 crises 
que durem de 5-240 segundos; deve haver hiperemia conjuntival e lacrimejamento 
ipsilateral. Quando esses dois últimos não estão presentes, o paciente é 
diagnosticado com SUNA. A dor de SUNCT/SUNA pode ser localizada em qualquer 
lugar da cabeça e três padrões básicos podem ser observados: punhaladas 
isoladas, geralmente de curta duração; grupos de punhaladas; ou uma crise mais 
longa que compreende muitas punhaladas, entre as quais a dor não desaparece 
completamente (fenômeno “dentes em serra”), com crises que duram muitos 
minutos. As características que levam a um diagnóstico suspeito de SUNCT são a 
capacidade de desencadeamento cutâneo (ou outros) das crises, ausência de 
período refratário para desencadeamento entre crises e ausência de resposta à 
indometacina. A SUNCT secundária pode ocorrer em lesões hipofisárias ou da 
fossa posterior, por isso, todos os pacientes com SUNCT/SUNA devem ser 
submetidos à RNM cerebral com imagens da hipófise. O tratamento abortivo é feito 
com lidocaína e o tratamento profilático é feito com lampotrigina, topiramato e 
gabapentina. 
Cefaleia diária crônica: 
 O diagnóstico genérico de cefaleia diária crônica (CDC) pode ser aplicado quando o 
paciente tem cefaleia por 15 dias ou mais por mês. A CDC não é uma entidade única, na 
verdade, abrange várias síndromes de cefaleia diferentes. 
 
CLASSIFICAÇÃO DA CEFALEIA CRÔNICA DIÁRIA 
> 4h diárias < 4h diárias Secundária 
Enxaqueca crônicaa Cefaleia em salvasb Pós-traumática 
 Traumatismo craniano 
 Iatrogênica 
 Pós-infecções 
Cefaleia tensional crônicaa Hemicrania paroxística 
crônica 
Inflamatória, como, por 
exemplo: 
 Arterite de células 
gigantes 
 Sarcoidose 
 Síndrome de Behçet 
Hemicrania contínuaa SUNCT/SUNA Infecção crônica do SNC 
Cefaleia diária persistente 
crônicaa 
Cefaleia hípnica Cefaleia por uso excessivo de 
medicamentosa 
aPode ser complicada pelo uso excessivo de analgésicos. 
bAlguns pacientes têm cefaleia por mais de 4h/dia. 
 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA CEFALEIA DIÁRIA PERSISTENTE NOVA 
Primária Secundária 
Tipo enxaqueca Hemorragia subaracnoidea 
Sem manifestações (tensional) Cefaleia por baixo volume de líquor 
Cefaleia por hipertensão liquórica 
Cefaleia pós-traumática 
Meningite Crônica 
 
 
 
Outras cefaleias primárias: 
Hemicrania contínua: 
Suas características essenciais são dor unilateral moderada e contínua associada a 
oscilações de dor intensa; resolução completa da dor com indometacina; e exacerbações que 
podem ser associadas a manifestações autonômicas, como hiperemia conjuntival, 
lacrimejamento e fotofobia no lado afetado. A causa é desconhecida, sendo as mulheres mais 
acometidas. O tratamento é com indometacina; outros AINEs parecem trazer pouco ou nenhum 
efeito. O topiramato é útil em alguns pacientes. 
Cefaleia primária em punhaladas: 
Suas características essenciais são dor em punhaladas restritas à cabeça ou, raramente, à 
face, que dura de 1 a muitos segundos ou minutos e ocorrem como uma única punhalada ou 
uma série delas; ausência de características autonômicas cranianas; ausência de gatilhos 
cutâneos das crises; e um padrão de recorrência em intervalos irregulares (horas a dias). Mais 
comum em pacientes com outras cefaleias primárias. O tratamento é feito com indometacina.