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mapa mental

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sistemas fundamentais e abrangentes de comunicação que constituem 
nossas culturas, mas (...) cada um o faz através de suas próprias formas 
específicas, diferente e independentemente” (Kress & Van Leeuwen, 1996, 
p.19).
45
 
Pode-se concluir então que nenhum modo semiótico, língua escrita, imagem 
ou qualquer outro, é melhor ou mais efetivo do que o outro. Cada um, 
simplesmente, se presta melhor, ou pior, a certos tipos de expressão de 
significado, de modo que, conhecer e compreender estas distinções é fundamental. 
Este conhecimento permite que se utilize cada modo para o fim ao qual é mais 
adequado. E ainda, que se utilize dois ou mais modos de forma complementar, 
conscientemente. 
O uso de dois ou mais modos semióticos já é prática bastante comum em 
nossa sociedade. Quem abre o jornal se depara com fotos e fontes de diferentes 
 
45“ (…) language and visual communication can both realize the ‘same’ fundamental systems of 
meaning that constitute our cultures, but that each does so by means of its own specific forms, 
does so differently, and independently.” 
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tipos, tamanhos e cores para o texto escrito. O mesmo acontece ao se abrir uma 
revista. O ensino de LE não é imune a conjunção de modos semióticos. Os livros 
didáticos de LE, geralmente, contêm muitas imagens e cores vivas, além é claro 
da linguagem escrita. Conectando-nos a internet nos deparamos com o hipertexto 
que apresenta o texto escrito “de forma bidimensional – vertical e horizontal – o 
que viabiliza uma interação não sequencial e não linear” coexistindo com o visual 
que “oferece uma série de recursos de saliência – títulos, parágrafos, tipo de letra, 
paginação, entre outros” (Braga, 2004, p.147). 
 Não se sabe até que ponto, porém, essa conjunção de diferentes modos 
semióticos é feita de forma consciente e crítica. Belmiro (2000), por exemplo, 
observou, em seu estudo sobre imagens e formas de visualidade em livros 
didáticos de língua portuguesa do fim da década de 60 até os anos 90, que apesar 
de ter havido um uso crescente de imagens nos livros no período analisado, este 
uso era feito de forma amadora e inconsciente, com o objetivo de, apenas, dar 
uma visualização agradável a página. 
Criticamente ou não, é fato inegável que essa conjunção é feita e que 
estamos expostos a ela o tempo todo. O mundo é multimodal, ou seja, significados 
são construídos a partir da interação de dois ou mais modos semióticos. Sobre esta 
questão, Kress (2000, p.337) propunha há doze anos : “Quase todo texto que eu 
vejo utiliza dois modos de comunicação: (a) linguagem na forma escrita e (b) 
imagem”46. Com todos os avanços tecnológicos que se sucederam desde então, 
talvez hoje fosse possível eliminar a palavra ‘quase’ da colocação acima. 
Apesar da constatação de Kress (2000), Rojo (2009) afirma que somos 
carentes do que ela denomina letramentos multissemióticos, ou seja, a capacidade 
de perceber, integrar e empregar diferentes meios semióticos, e não só os códigos 
alfanuméricos na construção de significado. Assim, somos visualmente 
“iletrados”. 
Tal visão é corroborada por Dionísio (2005, p. 161): 
 
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 “Nearly every text that I look at uses two modes of communication: (a) language as writing and 
(b) image”. 
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Na sociedade contemporânea, à prática de letramento da escrita, do signo verbal, 
deve ser incorporada a prática do letramento da imagem, do signo visual. 
Necessitamos, então, falar em letramentos, no plural mesmo, pois, a 
multimodalidade é um traço constitutivo do discurso oral e escrito. 
Ao falarmos usamos gestos, expressões faciais, nos mantemos a uma certa 
distância do nosso interlocutor, utilizamos determinada postura em relação a ele, 
tons de voz, entre outras coisas, e, cada um desses elementos é um modo 
semiótico e contribui junto aos outros para a construção de significado. Por isso, 
Dionísio afirma que o discurso oral é multimodal. E tal qual este é o discurso 
escrito: “... quando falamos ou escrevemos um texto, estamos usando no mínimo 
dois modos de representação: palavras e gestos, palavras e entonações, palavras e 
imagens, palavras e tipográficas, palavras e sorrisos, palavras e animações etc” 
(Dionisio, 2005, p.162). 
Os mapas mentais, ao promoverem conexões entre modos semióticos 
diferentes, constituem-se em um recurso multimodal que pode ser empregado na 
tentativa de minimizar o problema da carência de letramentos multissemióticos 
apontado por Rojo (2009), pois, de acordo com (Buzan & Buzan, 1994, p. 84) o 
mapa “não só usa imagens, ele é uma imagem”47. Sendo assim, em um mundo 
cada vez mais imagético e multimodal, refletir sobre o uso de mapas e seus 
desdobramentos parece tarefa pertinente. 
4.4 
Confeccionando um mapa mental: princípios e leis 
 Três instruções são apresentadas para nortear o processo de criação de um 
mapa mental. São o que eles denominam de “os 3 ‘A’s” (Buzan & Buzan, 1994, 
p.93): 
 Aceitar: respeitar e seguir os parâmetros de confecção de um mapa. 
 Aplicar: aplicar sucessivamente esses parâmetros a fim de atingir 
evolução na tarefa de produzir novos mapas. 
 
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 “it not only uses images, it is an image.” 
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 Adaptar: buscar a melhor forma, dentro do arcabouço de leis do mapa 
mental, para a auto-expressão. 
 Algumas diretrizes ou leis gerais para a elaboração dos mapas são 
propostas, mas, ao mesmo tempo, os usuários são encorajados a adaptarem esses 
direcionamentos de acordo com suas necessidades, após terem conquistado o 
domínio dos princípios básicos (Buzan & Buzan, 1994, p.93). Entretanto, os 
autores ressaltam que 
é importante não confundir ordem com rigidez ou liberdade com caos. Com 
bastante freqüência, a ordem é percebida negativamente como rígida e restritiva. 
De modo similar, a liberdade é confundida com caos e falta de estrutura. Na 
verdade, a verdadeira liberdade mental é a habilidade de criar ordem a partir do 
caos. 
48
 
As leis dos mapas mentais buscam, então, auxiliar no estabelecimento desta 
ordem e podem ser agrupadas em dois conjuntos: técnicas e estrutura (layout). 
No grupo de técnicas (Buzan & Buzan, 1994, p.97), o “designer” do mapa 
mental é instruído a: 
 Enfatizar: seja através da utilização de múltiplas cores, imagens como 
tema central, dimensões variadas entre imagens, palavras e linhas, 
sinestesia ou ramificações bem concebidas. A ênfase é tida como fator 
benéfico ao desenvolvimento da memória e da criatividade. O uso de 
cores é particularmente encorajado, pois estas podem ajudar a delimitar 
limites entre as diferentes idéias e, num mapa contendo muitas 
informações podem facilitar a identificação do que se procura. Além de 
ser uma ferramenta de realce do que se deseja. 
 Usar associações: a sugestão é que se utilize apenas uma palavra por 
tópico (Buzan & Buzan, 1994, p. 101). A idéia é quebrar a informação 
em unidades digeríveis de forma que uma única palavra-chave, conceito 
ou imagem leve a outra que por sua vez vai levar a outra, 
sucessivamente, construindo pontes umas com as outras e, como 
consequência, levando a um melhor entendimento sobre o tema. As 
 
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 “It is important not to confuse order with rigidity or freedom with chaos. All too often, order is 
perceived in negative terms as rigid and restrictive. Similarly, freedom

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