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Anais do SIAV 2013

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de Diretivas e Regulamentações que definem os padrões a serem 
aplicados da granja até o estabelecimento de abate. A primeira legislação sobre bem-
-estar animal da União Europeia (UE) foi adotada em 1974, porém somente em 1988 
foi criado um dispositivo específico da legislação sobre o bem-estar de matrizes.
2. Hoje, as matrizes e frangos são produzidos na UE conforme diretivas específicas que 
definem os padrões mínimos e, especificamente, uma Diretiva adotada em 1999 para 
matrizes e uma de 2007 para frangos de corte. O bem-estar durante o transporte de 
aves é regulamentado com base em uma Regulamentação específica de 2005, que 
atualizou a legislação original anterior de 1991, enquanto os padrões de bem-estar no 
momento do abate são definidos em uma Regulamentação adotada em 2009 , a qual 
cancelou e substituiu uma Diretiva anterior de 1993.
3. Os Estados-Membros têm a responsabilidade de implementar a legislação da UE e o poder 
de adotar regras ainda mais rígidas quanto ao bem-estar animal do que aquelas especifica-
das na legislação europeia, desde que não criem obstáculos ao mercado interno da UE.
A implementação da legislação nos Estados-Membros é monitorada pela Comissão Eu-
ropeia através de auditorias do Food and Veterinary Office (FVO) do Diretório Geral de Saúde 
e Consumidores. O FVO visita os Estados-Membros e prepara recomendações para as auto-
ridades competentes a fim de garantir que a aplicação da lei seja uniforme na União Europeia.
Caso um Estado-Membro deixe de implementar a legislação, a Comissão Euro-
peia tem o poder de levá-lo ao Tribunal de Justiça Europeu, onde sanções podem ser 
aplicadas caso seja demonstrado que a lei não está sendo aplicada.
Andrea	Gavinelli	
Diretor da Unidade de Bem-Estar Animal da 
DGSanco, Comissão Europeia, 
Bruxelas – Bélgica
53Anais do 23º Congresso Brasileiro de Avicultura
4. Em relação ao bem-estar das galinhas poedeiras, uma proibição do uso de gaiolas 
convencionais entrou em vigor em 2012. A Comissão agiu rapidamente para garantir 
que vários Estados-Membros conseguissem atender aos requisitos o mais rapidamen-
te possível após o prazo de 2012. A transparência na cadeia do mercado através de 
um rótulo específico nos ovos, o conhecimento de vários cidadãos sobre a questão e o 
suporte dos varejistas fizeram com que se solucionasse rapidamente a difícil situação 
de 01.01.2012, quando cerca de 30% das poedeiras da UE não eram mantidas em 
gaiolas melhoradas e adequadas. Em junho de 2013, estima-se que apenas 4% da 
população total de poedeiras da UE ainda sejammantidas nos antigos sistemas de 
gaiolas. E a situação continua melhorando com a eliminação gradual e completa dos 
antigos sistemas.
5. No caso das aves criadas para a produção de carne (frangos de corte), a Diretiva 
adotada em 2007 (Council Directive 2007/43/EC) define uma abordagem diferente 
para sua aplicação: menos prescritiva do que a Diretiva para poedeiras, porém intro-
duzindo o uso de Medidas Baseadas em Animais (ABM - Animal Based Measures) e 
valorizando o papel das melhores práticas. Neste caso, a avaliação de determinadas 
ABM tais como a mortalidade dos animais ou a classificação das lesões podais nas 
aves de corte tornaram-se uma ferramenta para determinar se as condições de bem-
-estar adequadas estavam sendo respeitadas na granja.
6. A ABM e seu uso está passando por um importante desenvolvimento na UE graças 
aos investimentos feitos em projetos científicos como o “Welfare Quality” (Qualidade 
do Bem-Estar) ou “AWIN”, que desenvolveram pela primeira vez um conjunto de in-
dicadores que podem ser utilizados para demonstrar a “condição de bem-estar” dos 
animais na granja. Esses dois projetos (o AWIN está em andamento) desenvolvem 
parcerias com cientistas da América do Sul. Universidades brasileiras fazem parte do 
projeto AWIN.
7. A abordagem utilizada pelo legislador em 2007 para a diretiva sobre o bem-estar de 
frangos de corte serviu como base para o desenvolvimento da proposta para a Re-
gulamentação atual para a proteção dos animais durante o abate (Regulamentação 
1099/2009). Esta Regulamentação está levando em consideração os novos conheci-
mentos científicos sobre as ABMs e baseia-se em uma abordagem semelhante à da 
legislação de saúde pública, com referência específica às melhores práticas e aos 
procedimentos de HACCP.
Uma peculiaridade desta Regulamentação é que ela foi desenvolvida conforme os 
padrões adotados pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A regulamentação 
manteve a necessidade de padrões equivalentes para a carne importada, como na legis-
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lação anterior de 1993, porém fazendo referência aos padrões internacionais adotados 
pela OIE.
8. A implementação da legislação de bem-estar animal na UE sempre foi uma prioridade 
importante e um desafio para as diferentes administrações públicas e, em particular, 
para os médicos veterinários. Esforços importantes foram envidados para fornecer 
ferramentas para os médicos veterinários e funcionários das empresas para que 
compreendessem a base técnica e científica dos diferentes padrões e melhorar suas 
habilidades. No momento, a legislação para a criação de frangos de corte, seu trans-
porte e abate determina requisitos específicos para o treinamento dos funcionários da 
empresa e sua certificação independente.
9. A Comissão desenvolveu um programa específico para os médicos veterinários ofi-
ciais da UE (Better Training for Safer Food - BTSF, cuja tradução é Melhor Treinamen-
to para um Melhor Alimento) para ”treinar os treinadores” na aplicação da legislação. 
Parte dos fundos do BTSF é dedicada ao treinamento de médicos veterinários oficiais 
dos Países Terceiros, especialmente dos países em desenvolvimento que exportam 
ou desejam exportar para a UE. Essas atividades caminham em paralelo às ativida-
des que estão sendo organizadas pelas autoridades competentes que também são 
direcionadas às empresas e aos produtores das granjas. Materiais de treinamento 
específicos e os resultados de várias conferências exclusivamente sobre este assunto 
são disponibilizados na web para todos e, com frequência, em vários idiomas. Hoje, 
os resultados dessas iniciativas são animadores. O entendimento e a aplicação dos 
padrões de bem-estar animal aumentaram e há uma demanda cada vez maior por 
treinamento nesta área. Por exemplo, um livreto produzido pela Comissão sobre os 
deveres previstos pela legislação para o “Oficial de Bem-Estar Animal” nos estabele-
cimento de abate foi baixado centenas de vezes do website da Comissão.
11. Na última década, o bem-estar dos animais de produção está se tornando uma ques-
tão cada vez mais importante para todas as empresas de alimentos na UE. O avan-
ço da implementação dos padrões de bem-estar animal na UE foi impulsionado por 
muitas forças, inclusive pela pressão do mercado. Sem a pressão do mercado, talvez 
essas mudanças tivessem sido limitadas devido aos custos iniciais para implantar os 
padrões de bem-estar. Além disso, a conscientização cada vez maior sobre os resulta-
dos econômicos positivos atingidos com a implementação dos padrões de bem-estar 
animal agora está contribuindo para a expansão dos padrões. O fato de que alguns 
estados-membros estão tomando iniciativas além do que está prescrito pela legisla-
ção está estimulando a adesão e os investimentos tecnológicos nesta área.
12. Para concluir, a implementação dos padrões de bem-estar animal na Europa está me-
lhorando juntamente com seu entendimento. O interesse dos cidadãos e o potencial 
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de mercado resultante estão contribuindo para o sucesso dessa questão. A crescente 
demanda por qualidade relacionada à sustentabilidade e à rastreabilidade de produtos 
de origem animal está criando desafios novos e importantes para os produtores e para
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