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PNRS (Programa Nacional de resíduos Sólidos)

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de 
habitantes1. Cabe destacar que o estudo dos materiais recicláveis foi realizado a partir do seguinte 
agrupamento: alumínio, aço, papel/papelão, plástico e vidro; de acordo com a disponibilidade dos 
dados, buscou-se explicitar os dados para as embalagens produzidas a partir desses materiais.
De forma a atender o disposto na Lei 12.305/2010 quanto à terminologia a ser utilizada no 
componente resíduos sólidos, o presente diagnóstico utilizou as definições instituídas nessa lei, 
destacando-se o termo resíduos e rejeitos2. 
Para estimar a quantidade dos diferentes tipos de resíduos produzidos, como por exemplo, resíduos 
orgânicos, papel e papelão, plástico, vidro, etc. foram utilizados os dados da composição 
gravimétrica média do Brasil, que são provenientes da média de 93 estudos de caracterização física 
realizados entre 1995 e 2008. Deve-se chamar atenção para o fato de esses estudos nem sempre 
utilizarem a mesma metodologia (frequência, escolha da amostra e divisão das categorias), o que 
resulta numa estimativa do comportamento real da situação. A Tabela 1 apresenta a composição 
gravimétrica média dos Resíduos Sólidos Urbanos no Brasil, considerando como base a quantidade 
de resíduos sólidos urbanos coletados no ano de 2008.
Tabela 1: Estimativa da composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos coletados no Brasil em 2008
Resíduos Participação (%) Quantidade (t/dia)
Material reciclável 31,9 58.527,40
Metais 2,9 5.293,50
Aço 2,3 4.213,70
Alumínio 0,6 1.079,90
Papel, papelão e tetrapak 13,1 23.997,40
Plástico total 13,5 24.847,90
Plástico filme 8,9 16.399,60
Plástico rígido 4,6 8.448,30
Vidro 2,4 4.388,60
Matéria orgânica 51,4 94.335,10
Outros 16,7 30.618,90
Total 100,0 183.481,50
Fonte: elaborado a partir de IBGE (2010b) e artigos diversos3
1 Em função de não haver uma única metodologia que estabeleça critérios para dividir os municípios de acordo com a sua população, optou-se por utilizar 
a mesma estratificação estabelecida no PSAU (Pesquisa sobre Pagamento por serviços ambientais urbanos para a gestão dos resíduos sólidos) do 
IPEA, que também se aproxima ao adotado no Programa Pró-Municípios do Ministério das Cidades.
2 Resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, 
se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas 
particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou 
economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível.
Rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos 
disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada.
3 Todas as referências completas estão listadas no Caderno Resíduos Sólidos Urbanos
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Como indicador de geração de resíduos resume a evolução do consumo aparente4, em peso, das 
embalagens dos diferentes materiais. Neste gráfico é possível visualizar a participação, em termos 
de massa, do papel/papelão que se destaca dos demais (4.154 mil toneladas em 2008); aço (886 mil 
toneladas), plástico (782 mil toneladas) e vidro (1.041 mil toneladas) apresentam a mesma ordem de 
grandeza, enquanto que o alumínio tem uma participação menor (347 mil toneladas). 
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Alumínio Aço Papel/papelão Plástico Vidro 
mil toneladas
2005
2006
2007
2008
Gráfico 1: Consumo aparente de embalagens
Fonte: elaborado a partir de Datasus (2011), ABAL (2011), ABRELPE (2010), DATASUS (2011), MME (2010a) e 
BRACELPA (2010)
Do ponto de vista da coleta regular dos resíduos sólidos, esta tem sido o principal foco da gestão 
de resíduos sólidos nos últimos anos. A taxa de cobertura vem crescendo continuamente, já 
alcançando em 2009 quase 90% do total de domicílios; na área urbana a coleta supera o índice de 
98%; todavia a coleta em domicílios localizados em áreas rurais ainda não atinge 33%. 
As informações sobre a quantidade coletada apresentaram relevante inconsistência, o que dificultou 
consideravelmente as análises. Conforme apresentado na Tabela 2, os dados indicam um aumento 
da quantidade, em termos absolutos e relativos, em todas as regiões, com exceção da Região 
Sudeste. Essa inconsistência sugere que pode haver falhas na metodologia utilizada para a coleta 
dos dados.
4 Consumo aparente (CA) representa o que é consumido de um produto em um determinado período. O consumo aparente representa o máximo 
potencialmente reciclável se for assumido que todos os resíduos descartados foram produzidos no mesmo ano. Cabe ressaltar que o conceito de 
consumo aparente considera apenas o comércio exterior de um produto específico quando esse é transacionado como produto fim. No caso do 
consumo aparente proposto, nem as importações e nem as exportações de plástico e papelão utilizados como embalagens foram contempladas.
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Tabela 2: Estimativa da quantidade de resíduos sólidos domiciliares e/ou públicos coletados
Unidade de análise Quantidade de resíduos coletados 
(t/dia)
Quantidade de resíduos por 
habitante urbano (kg/hab.dia)
2000 2008 2000 2008
Brasil 149.094,30 183.481,50 1,1 1,1
Norte 10.991,40 14.637,30 1,2 1,3
Nordeste 37.507,40 47.203,80 1,1 1,2
Sudeste 74.094,00 68.179,10 1,1 0,9
Sul 18.006,20 37.342,10 0,9 1,6
Centro-Oeste 8.495,30 16.119,20 0,8 1,3
Fonte: Elaborado a partir de Datasus (2011) e IBGE (2002, 2010a)
Com relação à coleta seletiva de materiais recicláveis, entre 2000 e 2008 houve um aumento de 
120% no número de municípios que desenvolvem tais programas, que chegaram a 994, estando a 
maioria localizada nas regiões Sul e Sudeste. Esse marco, embora importante, ainda não ultrapassa 
18% dos municípios brasileiros.
Todavia a análise da quantidade de material recuperado por tais programas indica a necessidade de 
seu aprofundamento. Estimativas a partir das informações disponíveis pelo SNIS, conforme 
apresentado na Tabela 3, indicam que a participação dos resíduos recuperados pelos programas de 
coleta seletiva formais ainda é muito pequena, o que sugere que a reciclagem no país ainda é 
mantida pela reciclagem pré-consumo e pela coleta pós-consumo informal, que devem ser objeto de 
estudos específicos.
Tabela 3: Estimativa da participação dos programas de coleta seletiva formal (2008)
Resíduos Quantidade de 
resíduos 
reciclados no 
país (mil t/ano)
Quantidade recuperada 
por programas oficiais 
de coleta seletiva
(mil t/ano)
Participação da coleta 
seletiva formal na 
reciclagem total
Metais 9.817,8 72,3 0,7%
Papel/papelão 3.827,9 285,7 7,5%
Plástico 962,0* 170,3 17,7%
Vidro 489,0 50,9 10,4%
* Dado de 2007
Fonte: Elaborado a partir de MCidades (2010), Bracelpa (2009), MME (2010a, 2010b), Vasques (2009), ABAL (2011), 
Abiplast(2010), ABIQUIM (2008), Plastivida (2005, 2008)
Os dados apresentados foram calculados a partir da reciclagem total dos resíduos (incluindo 
reciclagem pré-consumo e coleta seletiva informal5) em função do consumo aparentes, sendo 
diferentes da Tabela acima. A análise dessa informação permite a separação dos resíduos em dois 
5 Reciclagem pré-consumo: reciclagem dos resíduos gerados nos processos produtivos. Reciclagem pós-consumo: reciclagem de resíduos 
decorrente da utilização de um bem.
Coleta seletiva formal: coleta regular de resíduos realizada ou apoiada pela administração municipal por meio de organizações tais como 
cooperativas ou associação de catadores. Coleta seletiva informal: coleta de resíduo realizada por catadores autônomos dispersos pela cidade cuja 
quantidade não é contabilizada pelos
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