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só se aplica se for de ordem matemática (o entendimento da súmula deve ser usado para a primeira fase). Para a segunda fase do concurso a resposta será: depende do conteúdo da lei mais benéfica. Se de aplicação meramente matemática - juiz da execução; se conduzir a juízo de valor – revisão criminal.
SÚMULA 611, STF: TRANSITADA EM JULGADO A SENTENÇA CONDENATÓRIA, COMPETE AO JUÍZO DAS EXECUÇÕES A APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENIGNA.
	
O complemento da norma penal sofre alteração. Retroage?
R.: A alteração benéfica da norma penal em branco imprópria sempre retroage.
	O problema está para a norma penal em branco própria. Quando o complemento for norma infralegal, o decisivo é saber se a alteração da norma extrapenal implica, ou não, na supressão do caráter ilícito do fato. Por exemplo, no art. 269 do CP a exclusão de doença de notificação compulsória torna a omissão do médico um indiferente penal (abolitio criminis). Nesta hipótese o que se alterou foi a própria matéria da proibição, com redução da área de incidência do tipo. Diferentemente no caso de simples atualização de valores monetários, modificando-se os quantitativos de tabelas de preços. 
	O art. 3º do CP, excepcionalmente prevê uma ultratividade maléfica, ou seja, em prejuízo do agente.
Lei temporária/lei temporária em sentido estrito: é aquela que tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência.
Lei excepcional/lei temporária em sentido amplo: é a que atende a transitórias necessidades estatais, tais como, guerras, calamidades, epidemias etc., perdurando por todo o tempo excepcional.
	A importância do art. 3° é reconhecida pela doutrina. Se não houvesse a disposição legal do art. 3°, se sancionaria o absurdo de reduzir as leis temporárias e excepcionais a uma espécie de ineficácia preventiva, instalando a impunidade em relação aos fatos praticados durante a sua vigência (Bettiol).
	Se não fosse assim (ultrativo) elas estariam fadadas ao insucesso.
	É importante, assim, que sua eficácia perdure no tempo.
	Este art. 3º, CP, foi recepcionado pela CF/88?
R.: 1°) corrente: Zaffaroni e Rogério Greco entendem que não foi recepcionado, porque a CF não prevê qualquer exceção a proibição da ultra-atividade maléfica, julga o art. 3° do CP não recepcionado, porém esta corrente é minoritária. 2°) corrente: a lei nova não revoga a anterior (não há uma verdadeira sucessão de leis penais) porque não trata exatamente da mesma matéria, do mesmo fato típico (é a anterior que deixa de ter vigência em razão de sua excepcionalidade), logo não se tratando de leis penais no tempo, o art. 3° foi recepcionada pela CF – esta é a corrente que prevalece, sendo adotada pelo LFG.
Princípio da continuidade normativa típica. Alteração formal e a manutenção da matéria criminosa. A intenção do legislador é manter o fato como crime, alterando apenas a sua roupagem. Um crime previsto em um dispositivo legal, passa a ser descrito da mesma ou outra forma em outro dispositivo. Ex: crimes falimentares e estatuto do desarmamento. 
LEI PENAL NO ESPAÇO
Sabendo que um fato punível pode, eventualmente, atingir os interesses de dois ou mais Estados igualmente soberanos, o estudo da lei penal no espaço visa descobrir qual é o âmbito territorial (o espaço) de aplicação da lei penal brasileira, bem como de que forma o Brasil se relaciona com outros países em matéria penal.
Princípios aplicáveis:
Princípio da territorialidade: aplica-se a lei penal do território do delito (não importa a nacionalidade dos envolvidos ou dos bens jurídicos lesados);
Principio da nacionalidade ativa: aplica-se a lei penal da nacionalidade do agente (não importa o local do crime ou a nacionalidade da vítima ou dos bens jurídicos lesados);
Princípio da nacionalidade passiva: aplica-se a lei penal da nacionalidade do agente apenas quando atingir um co-cidadão (não importa o local do crime) é a ativa + vítima co-cidadã;
Princípio da defesa, da proteção ou real: aplica-se a lei da nacionalidade da vítima ou do bem jurídico (não importa local ou nacionalidade do agente)
Princípio da Justiça universal/cosmopolita: o agente fica sujeito à lei do país em que for capturado (não importa o local do crime, nem a nacionalidade do agente ou da vítima)
Princípio da representação/da bandeira/subsidiário: a lei penal nacional aplica-se aos crimes praticados em embarcações e aeronaves privadas, quando no estrangeiro e aí não são julgados. O país em que o crime ocorreu não age.
	O Brasil adotou o princípio da territorialidade (art. 5º, CP). 
Esse princípio é absoluto ou relativo? Se o art. 5º fosse composto apenas da parte que diz respeito à aplicação da lei brasileira no território brasileiro, seria absoluto. Mas como a parte não grifada fala em “sem prejuízo de”, o Brasil adotou o princípio da territorialidade temperada pelas convenções, tratados e regras de direito internacional.
	1º Exemplo: imunidade diplomática – é o caso em que não se aplica a lei brasileira ao crime cometido em território nacional por conta de tratados de direitos internacionais.
	2º Exemplo: EC-45 – Tribunal Penal Internacional (TPI) – é o caso de crime praticado em território nacional e não se aplica a lei brasileira.
	São três situações: 
O crime é cometido no Brasil e lei aplicada é a brasileira (princípio da territorialidade). 
O crime é cometido no estrangeiro e a lei a ser aplicada é a brasileira (princípio da extraterritorialidade – art. 7º).
O concurso vai querer esta hipótese: O crime é cometido no Brasil e a lei aplicada é a estrangeira. A lei estrangeira está entrando no território (princípio da intraterritorialidade – art. 5º como exceção).
O que é o princípio da intraterritorialidade? É o Brasil cedendo espaço na sua soberania para aplicação da lei estrangeira. 
“O artigo 5º adotou o princípio da territorialidade excepcionado pelo princípio da intraterritorialidade.” 
Em regra, a lei penal brasileira tem o seu espaço delimitado no território nacional.	
	Podem ocorrer três fenômenos:
	TERRITORIALIDADE
	EXTRATERRITORIALIDADE
	INTRATERRITORIALIDADE
	Lei do Brasil
	Lei do Brasil
	Lei do estrangeiro
	Local Brasil
	Local estrangeiro
	Local Brasil (relativiza a soberania)
	
		O que é seu território nacional? (limite de aplicação da lei). Não apenas o espaço físico, mas, também, um espaço jurídico por ficção/equiparação/extensão, previsto no art. 5º, § 1º, CP. Aeronave e navio público ou a serviço do Brasil onde quer que se encontre. Se for privada ou mercante somente se tiver em auto-mar (aplica-se a bandeira). 
	Embaixada não é extensão do território que representa. No entanto, ela é inviolável.
	A contrario sensu o Brasil obedece ao princípio da reciprocidade/simetria/paralelismo – art. 5º, § 2º, CP. É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.
	Problemas doutrinários (Basileu Garcia):
1) Navio de bandeira holandesa está em alto mar e pratica aborto. Por ser extensão do território holandês e neste país não ser conduta típica a brasileira não pratica crime.
2) Navio brasileiro em alto mar, de natureza privada, naufraga e sobre seus destroços um holandês mata um norte-americano: Brasil (os destroços da embarcação continua ostentando a bandeira brasileira);
3) Um navio brasileiro privado que colide com uma embarcação italiana também privada em alto mar, juntam seus destroços e um italiano mata um argentino – a lei não resolve – na dúvida lei da nacionalidade do agente (ativa), neste caso lei italiana;
4) Navio público colombiano atracado em um porto brasileiro – aplica-se a lei colombiana. Se um marinheiro sai do navio e estupra uma mulher no território brasileiro, vai depender da finalidade: se desceu do navio por motivo profissionais/público é a lei da
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