Semiologia do sist. respiratório  (bibliografia: mário lopez + porto+ aulas profa marília montenegro)
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Semiologia do sist. respiratório (bibliografia: mário lopez + porto+ aulas profa marília montenegro)


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do sibilo, pode-se perceber características que sugerem maior ou menor grau de obstrução de fluxo 
aéreo. 
Sibilos graves ou roncos: baixa tonalidade. Obstrução é menor. Indica sons com vibrações de baixa 
frequência. 
Quando surgem apenas em uma fase respiratória: 
Sibilos expiratórios: grau de obstrução menor. 
Sibilos intensos: inspiratórios e expiratórios - maior grau de obstrução. Indica que as paredes dos 
bronquios estão rígidas e colapsadas a ponto de oclusão tanto na inspiração quanto na expiração. 
Traduz obstrução intensa decorrente de edema, inflamação ou brocoespasmo acentuado. 
Os sibilos podem desaparecer ("tórax silencioso") em crianças muito graves de asma, por exemplo, em 
que o fluxo de ar é tão reduzido que não há vibração. 
Focos sibilantes são escassos. Por sua transmissão pelo parênquima, geralmente os sibilos são difusos. 
Outros tipos de ruídos adventícios 
Estridor (tipo especial de sibilo): audível a distância, maior intensidade na inspiração e presente em 
obstruções altas(laringe, traqueia). 
Mecanismo
Crepitação inspiratória e expiratória variável Vibração da corrente aérea ao cruzar com secreções em 
grossos brônquios na inspiração e expiração. Pode 
modificar ou silenciar após a tosse.
Crepitação teleinspiratória Miniexplosão aérea decorrente da reabertura súbita, ao 
fim da inspiração, de pequenas vias previamente 
colapsadas.
Crepitação protoinspiratória Miniexplosão aérea decorrente da reabertura súbita, no 
começo da inspiração, de vias aéreas proximais 
previamente colapsadas
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Atrito pleural: ruído pleural, audível nas duas fases do ciclo respiratório, pode ter curta ou longa 
duração. É geralmente imputado ao atrito entre folhetos pleurais inflamados durante os movimentos 
ventilatórios. 
AVALIAÇÃO CLÍNICA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 
Manifestações clínicas pulmonares: 
1) Primárias: originadas na própria estrutura do órgão. Podem traduzir acometimento de vias aéreas, 
pleura (em geral pleura parietal) ou refletir um distúrbio funcional, de ventilação ou trocas 
gasosas. São 7: tosse, expectoração, hemoptise, chieira torácica, dor torácica, dispneia e 
cianose. As duas últimas não apontam para a sede de origem do distúrbio. 
2) Secundárias: associadas a pneumopatias, sem serem específicas e exclusivas de doenças 
pulmonares. Podem ser: 
2.1 Gerais: resposta à agressão ao sistema como um todo. Febre, astenia, anorexia, emagrecimento. 
2.2 Mediastinais: ocorre pela reação de contiguidade entre pulmões e mediastino. Síndrome da veia 
cava superior, compressão do n. frênico, compressão do n. recorrente. 
2.3 Extratorácicas: síndromes que frequentemente acompanham doenças pulmonares, guardam 
relação de causa e efeito. Baqueteamento/hipocratismo digital, síndrome da osteoartropatia 
hipertrófica, síndromes paraneoplásicas. 
TOSSE 
É uma expiração explosiva, acompanhada de ruído característico. É um mecanismo de defesa que visa 
limpar as vias aéreas inferiores e a laringe ou ser apenas um fenômeno irritativo, seco, sem o que 
expelir. Não existe tosse normal, pois o aparelho mucociliar + macrófagos alveolares são mecanismos 
de defesa capazes de remover as partículas e secreções depositadas respectivamente nas vias aéreas e 
nos alvéolos. 
Classificação: Aguda (duração <3 semanas), subaguda (3-8 semanas), crônica (>8 semanas). 
Investigação clínica 
Quase sempre é uma doença de vias aéreas superiores ou inferiores. 
Na anamnese: Tabagista? Infecções recentes de vias aéreas? uso de inibidores de ECA? Tais 
questionamentos podem definir o Dx. Há manifestações nasais (secreção, espirros...)? Gotejamento 
posterior? Manifestações de refluxo gastroesofágico? 
Suspeita de doença pulmonar levando à tosse (TB, pneumonia, Ca de pulmão, bronquite crônica, 
bronquiectasia): Solicita-se Rx de tórax. Rinossinusites? Solicita-se Rx de seios da face. RGE? Pede-se 
Rx de esôfago ou endoscopia. (esfagite de refluxo à endoscopia fecha o Dx). Teste de pico de fluxo 
espiratório negativo? Pede-se espirometria, pois ainda há chances de dx de asma. 
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Tosse rouca??? Sugere problemas na laringe. Tosse metálica??? Sugere compressão extrínseca da 
traqueia. 
OBS!!! Se o paciente não consegue expectorar, pede-se que ele tussa voluntariamente e pelo som 
devemos reconhecer se a tosse é seca ou não. 
OBS2!!! A necessidade de pigarrear para &quot;limpar a garganta&quot; sugere que a tosse provém de patologias 
de vias aéreas superiores. 
CAUSAS COMUNS DE TOSSE: 
\u2023 Síndrome do gotejamento pós-nasal (rinite-rinossinusite), Asma, Gripe, Doença do refluxo 
gastroesofágico, DPOC, Bronquite crônica, Bronquiectasias, Neoplasia pulmonar, Inibidores da ECA, 
Psicogênica, Doenças intersticiais pulmonares, Doenças ocupacionais, Infecções pulmonares: 
tuberculose, ICC. 
Mecanismo da tosse 
É um fenômeno reflexo que inicia após a sensibilização de receptor devido a algum estímulo que pode 
ser mecânico (corpo estranho, pó, muco, asma, tumor), térmico (ar frio, mudança climática) ou 
químico (capsaicina, ácidos cítrico, acético, sulfúrico, clorídrico e a nicotina). Segue-se uma via 
aferente que leva o impulso via nervo vago ao centro da tosse, este se encontra provavelmente no 
bulbo (reflexo involuntário). Segue-se por via eferente acionando músculos respiratórios e a glote. 
Primeiro o mm abdutor abre a glote e ocorre inspiração rápida, logo depois a glote se fecha e existe 
vigorosa contração de mm expiratórios. Finalmente, há abertura súbita da glote origina fluxoo aéreo 
explosivo de alta velocidade que resulta no ruído característico. Ela também pode ser regulada nos 
centros superiores da tosse (córtex), assim, pode ser adiada, suprimida, provocada ou ter sua 
intensidade controlada. 
Etiologia da tosse aguda 
Quase sempre decorrem de infecções agudas do TR superior ou inferior. A maioria tem etiologia 
virótica. São autolimitadas e tratadas sintomaticamente, em que antitussígenos NÃO estão indicados. 
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Doenças com baixo risco de complicações e morte: resfriado comum, gripe, sinusite aguda, rinite, 
laringite, traquíte, faringite, bronquite, traqueobronquite aguda, exposição a alérgenos ou irritante, 
drogas (inibidores da ECA e betabloqueadores), exacerbação de doença pré-existente como asma, 
DPO, bronquiectasia... 
Doenças de alto risco de complicação e morte: pneumonia, crise GRAVE de asma ou DPOC, edema 
pulmonar por IVE, embolia pulmonar. 
Dx de (rino)sinusite aguda 
Acometimento do Trato Respiratório Superior. A tosse advém do gotejamento nasal posterior em que 
secreções e mediadores inflamatórios descem para sensibilizar os receptores mecânicos na laringe ou 
árvore traqueobrônquica. Essa barreira epitelial danificada permite também a sensibilização de fibras 
C brônquicas e menor produção de endopeptidase, gerando maior concentração local de neurocininas 
que podem estimular receptores irritantes da tosse. 
Sinais maiores: cefaleia, dor ou pressão facial, obstrução ou congestão nasal ou pós nasal purulenta, 
hiposmia ou anosmia e secreção nasal ou pós-nasal purulenta ao exame. 
Sinais menores: Febre, halitose, odontalgia, otalgia ou pressão nos ouvidos e tosse. 
A presença de 2 ou + sinais maiores ou 1 sinal maior e 2 menores são muito sugestivos de sinusite 
aguda. 
Tosse aguda: Resfriado comum 
O Dx é altamente sugestivo em pacientes com doenças de vias aéreas SUPERIORES caracterizada por 
tosse, espirros, rinorreia mucosa ou hialina, obstrução nasal e drenagem pós-nasal de secreções, 
concomitantes a lacrimejamento, irritação na garganta, ausculta pulmonar NORMAL, com ou sem 
febre. 
Tosse aguda: Gripe 
É uma síndrome aguda caracterizada por FEBRE ALTA, calafrios, prostração, fadiga, mialgia, cefaleia, 
sintomas de vias aéreas SUPERIORES e INFERIORES, com destaque para tosse e coriza, bem como 
sintomas oculares (lacrimejamento, fotofobia, hiperemia de conjuntivas). Causas importantes