A ARTE DE FALAR DA MORTE PARA CRIANÇAS    Paiva, Lucelia Elizabeth (1)
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A ARTE DE FALAR DA MORTE PARA CRIANÇAS Paiva, Lucelia Elizabeth (1)


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Sumário 
 
 
 Dedicatória 
 Agradecimentos 
 1 \u2014 UM POUCO SOBRE MIM... 
 Era uma vez... 
 Como Surgiu a Ideia de Falar sobre a Morte com Crianças 
 2 \u2014 VISITANDO ALGUNS AUTORES: O QUE ELES DIZEM SOBRE 
 1. A Morte 
 2. A Criança 
 3. A Escola 
 4. Literatura Infantil 
 5. Biblioterapia 
 3 \u2014 BATENDO À PORTA DAS ESCOLAS PARA FALAR SOBRE A MORTE 
 1. Apresentação da Pesquisa 
 2. Sobre os Livros 
 3. Sobre as Escolas 
 4. Sobre os Participantes 
 5. Sobre os Encontros 
 4 \u2014 IN LOCO / ACHADOS 
 1. As Escolas 
 2. Os Livros Infantis 
 3. Temas Relevantes Levantados Durante os Encontros 
 4. A Criança e a Morte 
 5. Introdução do Tema da Morte no Contexto Escolar 
 6. A Educação para a Morte 
 7. O Educador e a Morte 
 8. Palavras-chave 
 9. Os Educadores \u2014 Grandes Descobertas 
 5 \u2014 MEU NOVO DESAFIO: ABRINDO NOVAS PORTAS 
 6 \u2014 UM POUCO DE CADA UM... 
 E viveram felizes para sempre (?) 
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 ANEXOS 
 
 Lucélia Elizabeth Paiva 
 
 
A arte de falar da morte para crianças 
A literatura infantil como recurso para abordar a morte com crianças e educadores 
 
Copyright © 2011 Editora Ideias & Letras 
Todos os direitos reservados à editora 
 
Edição Digital 
 Aparecida-SP 
2011 
 
 
 
DIRETOR EDITORIAL 
Marcelo C. Araújo 
 COORDENAÇÃO EDITORIAL 
Ana Lúcia de Castro Leite 
 COPIDESQUE 
Mônica Reis 
 REVISÃO 
Bruna Marzullo 
 DIAGRAMAÇÃO 
Juliano de Sousa Cervelin 
 CAPA 
Alfredo Castillo 
 ILUSTRAÇÃO DE MIOLO 
Juliana Paiva Zapparoli 
 Giovanna Paiva Zapparoli 
 
 
 
 
 
 Paiva, Lucélia Elizabeth A arte de falar da morte para crianças: a literatura infantil como 
recurso para abordar a morte com crianças e educadores / Lucélia Elizabeth Paiva. \u2014 
Aparecida, SP: Idéias & Letras, 2011. 
 
 Todos os direitos reservados à Editora Idéias & Letras \u2014 2011 
 Rua Pe. Claro Monteiro, 342 \u2014 Centro 
 12570-000. Aparecida, SP. 
 Tel. (12) 3104-2000 \u2014 Fax (12) 3104-2036 
 
 Bibliografia. 
 
 ISBN 978-85-7698-112-1 (eBook) 
 
 1. Biblioterapia 
 2. Crianças \u2014 Desenvolvimento 
 3. Crianças \u2014 Educação 
 4. Educação de crianças 
 5. Educação em relação à morte 
 6. Literatura infantil \u2014 Estudo e ensino 
 7. Luto \u2014 Aspectos psicológicos 
 8. Morte 
 9. Pedagogia 
 10. Professores \u2014 Formação 
 11. Psicologia educacional 
 12. Psicologia infantil I. Título. 
 
 Palavras-chave: 1. Literatura infantil como recurso pedagógico: Educação de crianças: 
Educação em relação à morte: Psicologia escolar e desenvolvimento humano 370.158 
 
www.ideiaseletras.com.br 
vendas@ideiaseletras.com.br 
 
 
 
 
 Dedicatória 
 
 
 
 
À minha querida e eterna avó, 
 madrinha de vida inteira, Maria do Carmo. 
 A meu querido vovô Manoel, com quem aprendi 
 a falar da morte de uma forma suave, 
 com quem compartilhei a vida e a morte. 
 A meus queridos pais, Afonso e Anunciação, 
 que me ampararam para que eu tivesse 
 condições de trilhar meus caminhos. 
 A minhas queridas filhas, Juliana e Giovanna, 
 meus frutos, que lancei no mundo... minha eternidade! 
 E àqueles que fazem parte da minha história! 
 
 Agradecimentos 
 
 
 
 
 São muitas as pessoas que participaram da minha história... Minha gratidão, pois 
todos foram muito importantes, cada qual com sua passagem, contribuição, de maneira 
pessoal e singular. 
 Em especial, agradeço à Prof.
a
 Dr.
a
 Maria Júlia Kovacs incentivar-me a acreditar 
nos livros infantis e acompanhar-me nesse percurso; à Prof.
a
 Dr.
a
 Maria Júlia Paes da Silva 
e à Prof.
a
 Dr.
a
 Solange Aparecida Emílio, as críticas, as contribuições e o grande apoio; à 
Prof.
a
 Dr.
a
 Ana Laura Schielman e à Prof.
a
 Dr.
a
 Nely A. Nucci as ricas reflexões e 
participação na Banca de Defesa do Doutorado. 
 Vivo com minhas histórias, ora criança, ora mulher... ora triste, ora feliz... entre 
sonhos e espantos, mas vou vivendo cada canto, cada momento, muitas vezes tropeçando 
na morte que atravessa a vida, mas sempre com a esperança de poder compartilhar a vida 
que há na morte. 
 Muito obrigada a todos que me fizeram pensar. 
 Uma vida, uma morte: uma história para contar! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 1 \u2014 UM POUCO SOBRE MIM... 
 
 
 
Era uma vez... 
 
 
 Muitas princesas entraram em meus sonhos e muitas bruxas me assustaram, mas 
Cinderela sempre me encantou com sua simplicidade e humildade, sonhando com a 
felicidade... Branca de Neve ensinou-me a valorizar a amizade... Bela Adormecida 
ensinou-me a acreditar no amor. 
 Eu ficava muito aflita com o Lobo Mau, que sempre perseguia a Chapeuzinho 
Vermelho e os Três Porquinhos, mas tive o privilégio de conhecer Rapunzel! Ah, 
Rapunzel! Com ela aprendi a arriscar-me, a jogar as tranças mesmo correndo riscos, apesar 
dos perigos... 
 Fadas e bruxas sempre me acompanharam na vida, e as histórias fazem parte de 
minha vida desde minha meninice. 
 Lembro-me de minha irmã, seis anos mais velha que eu, muito estudiosa, lendo 
histórias da coleção \u201cO Mundo da Criança\u201d (1954) para mim. E eu... viajava em meus 
pensamentos e em minha imaginação em cada história que ela contava. 
 Hoje, fico pensando na criança aprisionada em mim mesma, buscando uma magia, 
encanto ou feitiçaria que me fizesse destrancar minhas amarras. 
 Nunca me esqueço da paciência de minha irmã (e de suas reclamações) cada vez 
que eu pedia para contar-me a linda história de Rapunzel, mais uma vez, como se fosse a 
primeira vez... Ela sempre me perguntava: \u201cEssa, de novo?\u201d. E eu sempre tentava 
convencê-la de que seria a última vez... 
 Mas minha irmã não foi a única a coroar-me com histórias. Minha avó materna, a 
minha eterna dona Maria do Carmo, apesar de analfabeta \u2014 muito sábia! \u2014, sempre tinha 
uma história para contar. Quando dormíamos juntas, ela sempre me contava histórias de 
santos \u2014 era muito católica! \u2014 ou episódios de sua vida. Cresci ouvindo suas histórias da 
lavoura, dos lobos que, ainda muito jovem, enfrentava quando guiava seu rebanho. Eu 
ficava boquiaberta ouvindo minha avó, com aquele sotaque português que por vezes não 
me deixava entender alguma palavra, mas eu não a interrompia. Eu ficava imaginando a 
coragem dela. 
 Apesar de tímida, calada, tola, eu desejava um dia ser igualzinha à minha avó: uma 
mulher muito boa, cheia de vida e, por isso mesmo, cheia de histórias... Histórias 
encantadoras! 
 E foi assim que eu aprendi a apreciar as histórias: contos maravilhosos e histórias de 
vida. Saboreava cada palavra, levando, para dentro de mim, a aventura da vida, em minha 
imaginação. Com isso, sempre valorizei as histórias. Acho que o fato de ouvir tantas 
histórias me incentivou a apreciá-las e a contá-las. 
 Já bem crescidinha, durante um processo de psicoterapia pessoal (início da década 
de 1980), deparei-me com Soprinho (Almeida, 1971), que me soprou um desejo de adentrar 
a floresta e descobrir os mistérios que nela existem. 
 E, a partir de então, eu percebi o quanto a história infantil poderia servir como 
facilitadora para olhar os meus fantasmas. 
 Apaixonei-me mais ainda pelos livros infantis e passei a olhá-los com uma 
curiosidade diferente: como passatempo e também como meio para fazer pensar, repensar, 
refletir... Achei maravilhosa a experiência e, daí em diante, sempre que considerava viável, 
utilizava esses livros como facilitadores (em processos terapêuticos com meus pacientes, no 
consultório e no hospital). Passei também a usá-los para abordar