PATOLOGIA E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS DO SEIO MAXILAR DE ORIGEM ODONTOGÉNICA
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PATOLOGIA E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS DO SEIO MAXILAR DE ORIGEM ODONTOGÉNICA


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amostras foram o Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae, 
enquanto que os anaeróbios mais frequentes foram as espécies Peptostreptococcus e espécies 
Prevotella. As espécies Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis estavam ausentes nos 
casos de sinusite maxilar de origem odontogénica(6).
6.8. S INTOMATOLOG IA 
A dor de dentes, dor de cabeça e dor referida do maxilar podem estar presentes em conjunto 
com sintomatologia mais específica de sinusite maxilar, tais como congestão nasal e descarga, 
com ou sem secreções nasais. No entanto, podem existir casos de sinusite maxilar que cursam 
com uma sintomatologia específica de rinossinusite e dor de dentes muito pouco expressivos, 
por vezes, quase impercetíveis. Estes casos, geralmente surgem quando não ocorre a obstrução 
óstio-meatal e o seio maxilar permanece aberto, permeável. Esta condição permite que a pressão 
no dente seja aliviada, enquanto a infeção drena superiormente, num espaço aberto, o seio 
maxilar. Os sintomas clínicos aumentam à medida que a sinusite evolui(49). 
CAPÍTULO I
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S INUS ITE MAX ILAR DE OR IGEM ODONTOGÉN ICA
Alguns pacientes com sinusite maxilar apresentam a passagem nasal do lado afetado por sinusite 
maxilar parcial ou completamente bloqueada. Nestes casos a secreção nasal é considerada um 
sinal significativo de infeção no seio maxilar(114).
A sinusite maxilar aguda ou subaguda raramente produz febre, mas uma sinusite fulminante 
grave produzirá uma temperatura elevada e um mal-estar geral(114).
De acordo com Hauman et al. (2002)(6) a principal queixa dos pacientes com sinusite maxilar 
é a presença de dor à mastigação, que é difusa e geralmente unilateral; ou uma sensação de 
desconforto em torno da área dos dentes pré-molares, primeiro e segundo molares maxilares. 
O paciente pode relatar que a dor é exacerbada quando está deitado ou se curva, devido ao 
aumento da pressão intracraniana pelo fluxo sanguíneo(6).
Segundo Rosenfeld et al. (2007)(114) e a American Academy of Otolaryngology \u2013 Head and 
Neck Surgery os principais sintomas da rinossinusite são cefaleias, congestão nasal, dor de 
ouvidos, diminuição da sensação de odor, odontalgia, dor à percussão e dor à palpação do seio 
maxilar(114).
Os sintomas dentários associados a sinusite maxilar podem variar de uma dor aguda, que poderá 
estar associada à exposição pulpar até a uma dor em moedeira, semelhante à proveniente de 
uma infeção dentária, que se estende para dentro do osso em torno do ápice radicular(49). A dor 
dentária presente em alguns quadros clínicos de sinusite maxilar também pode ser proveniente 
de doença periodontal ou gengivite, nestes casos envolvendo os tecidos duros e moles que 
suportam os dentes(49). A presença de dor dentária acompanhada de aumento da sensibilidade em 
vários dentes maxilares adjacentes ocorre com frequência em pacientes com rinossinusite aguda 
de origem não odontogénica, tornando o diagnóstico mais difícil. Noutros casos, igualmente 
frequentes, o diagnóstico da sinusite maxilar também poderá ser relativamente complicado de 
ser efetuado, sobretudo quando a referida dor de dentes é irradiada para estruturas adjacentes(49).
Mélen(21) destacou que a dificuldade em diagnosticar SMO poderá residir no facto da progressão 
das infeções dentárias ser lenta e dos sintomas poderem ser pouco evidentes e difusos, antes de 
ocorrer uma exacerbação(21). 
Claro que nestes casos é fundamental a obtenção da história clínica pregressa, focando 
a existência de doença sinusal anterior, de comunicação oro-antral, de rinite alérgica, ou 
deslocamento de corpo estranho na cavidade do seio maxilar, para um estabelecimento de um 
diagnóstico correto. Mesmo assim, muitas vezes, é difícil determinar se os sintomas do paciente 
se originam a partir do seio maxilar ou de uma fonte odontogénica. Este dilema pode levar à 
realização de tratamento endodôntico ou desnecessária extração de alguns dentes. Assim, a 
realização de uma avaliação dentária e aprofundada do seio maxilar, com recurso a estudos 
imagiológicos adequados constituem premissas defendidas por diversos investigadores para se 
proceder a um diagnóstico correto(22, 49, 78, 178, 198). 
CAPÍTULO I
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6.9. D IAGNÓST ICO
O diagnóstico da sinusite maxilar de origem odontogénica é baseado em exames médicos e 
médico-dentários completos, os quais devem incluir a avaliação dos sintomas do paciente, a 
história médica e a correlação com o exame físico do paciente(14, 114, 145, 176). A determinação 
dos sintomas no momento da observação do paciente ou anteriores a um conjunto de sinais 
clínicos e a realização de exames auxiliares de diagnóstico devem ser considerados para o 
estabelecimento de um correto diagnóstico(97, 116). Os sinais clínicos incluem: dor de dentes, a 
sensibilidade persistente à percussão e/ ou a mudanças térmicas, o aparecimento de mobilidade 
dentária e a existência de procedimentos médico-dentários recentes (incluindo tratamento 
endodôntico, cirurgia periodontal ou a colocação de implante)(14, 114, 145, 176). Já o edema dos 
tecidos moles raramente é causado por sinusite, devido à ausência da anastomose das veias 
que estão ligadas ao tecido subcutâneo sobrejacente. No entanto na sinusite crónica prolongada 
pode, eventualmente, ocorrer uma destruição da parede do seio maxilar, causando um edema 
dos tecidos moles intraoral visível(49, 177). 
No exame físico ao paciente é fundamental a palpação da região anterior do maxilar mas o 
mesmo também deve ser focado num minucioso exame intraoral. Assim, deve ser realizado o 
teste de percussão a todos os dentes maxilares, na tentativa de se especificar a localização da 
dor, que poderá ser apenas num dente ou estender-se para um conjunto de dentes. A avaliação 
da vitalidade dos dentes através da execução de testes térmicos também deverá ser realizada, 
uma vez que em alguns casos de sinusite maxilar de origem odontogénica, a mesma poderá ter 
origem numa lesão periapical associada a necrose dentária(12).
O recurso a uma avaliação otorrinolaringológica com rinoscopia, endoscopia nasal e sinusal, e 
aspiração do conteúdo do seio maxilar para avaliações citológicas e microbiológicas poderá em 
alguns casos ser imprescindível para se realizar um diagnóstico correto(12). 
6.9.1 . EXAME FÍS ICO
O exame físico para um correto diagnóstico de SMO inclui inspeção dos tecidos moles e do 
vestíbulo, pesquisando edema, eritema e tumefação. As tumefações são pouco frequentes, 
apenas ocorrendo nos casos de sinusite crónica, quando a mesma condiciona um atingimento 
da parede lateral do seio maxilar, provocando mesmo uma tumefação que é percetível numa 
observação intraoral(12). 
Deve ser executada a palpação da região anterior e posterior de todo o maxilar. Nas situações 
em que há suspeita de comunicação oro-antral deve realizar-se a manobra de Valsava. Em casos 
de presença de fístula oro-antral é fundamental realizar-se a sondagem, com precaução para não 
penetrar a mucosa do seio maxilar(12, 49). 
CAPÍTULO I
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6.9.2 . EXAMES AUX IL IARES DE D IAGNÓST ICO
A imagiologia é uma ferramenta muito importante no estabelecimento do diagnóstico correto 
da SMO. A radiografia periapical, por exemplo, permite a determinação fiável de um abcesso 
dentário ou de doença periodontal. Já a radiografia panorâmica é considerada sobretudo útil 
para avaliar a relação dos dentes maxilares e eventual patologia periapical associada ao seio 
maxilar, bem como na identificação de pneumatização do seio maxilar, de pseudocistos, de 
raízes deslocadas, de dentes ou corpos estranhos no interior do seio maxilar(22, 176, 182). No entanto, 
a TC é o exame imagiológico de eleição para o estudo mais preciso do seio maxilar, devido às 
potencialidades que possui na avaliação