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Direito Penal Parte Especial - Prof. MSc. João Batista do Nascimento Filho 
 
 
Prof. MSc. João Batista do Nascimento Filho 
joao.nascimento@ssp.am.gov.br 
Blog: Fala aí, Professor! (falaaiprofessor.com.br) 
 Página 1 
 
 
DIREITO PENAL I 
 
 
 
PARTE GERAL 
Preparação e Atualização Jurídica 
 
 
 
 
 
 
 
Professor Msc. João Batista do Nascimento Filho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Penal Parte Especial - Prof. MSc. João Batista do Nascimento Filho 
 
 
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL 
Conceito de Direito Penal: é o ramo do direito 
público que trata do estudo das normas que ligam o 
crime a pena, disciplinando as relações jurídicas daí 
resultantes. Poderíamos defini-lo também como o 
conjunto de leis que pretende tutelar bens jurídicos, 
cuja violação denomina-se crime e importa uma 
coerção jurídica particularmente grave, cuja 
imposição propõe-se a evitar que o autor cometa 
novas violações. 
 
Função: Segurança jurídica - conjunto de condições 
externas que criam o sentimento de certeza acerca da 
disponibilidade de tudo o que se necessita para 
realizar a coexistência. 
 
 objetivo: existência e eficácia de regras e 
organismos de proteção aos direitos do cidadão. 
 subjetivo: sentimento pessoal de proteção. 
 infração penal, ou crime: a mais séria violação da 
segurança jurídica. 
 
Fundamento: Necessidade de proteção de bens 
jurídicos evitando a infração penal. 
 
Conteúdo do Direito Penal: enumera os crime, 
estabelece as penas, analisa o delinqüente e as 
situações daí decorrentes. 
 
Código Penal: data de 1940 (Decreto-lei 2.848) com 
uma alteração substancial em 1984 (Lei 7.209) e 
contém a maioria das lei penais, divide-se em parte 
geral. 
(princípios gerais) e parte especial (enumera os 
crimes). 
 
Fontes do Direito Penal: A fonte que produz o direito 
e o Estado é a fonte material. 
 
Única fonte imediata do Direito Penal: A lei, pois não 
há crime e nem pena sem prévia cominação legal 
(Princípio da Legalidade) 
 
Fontes Mediatas: 
 
a) Costumes: regra de conduta de prática geral, 
constante e uniforme. 
b) Eqüidade: Correspondência jurídica e ética perfeita 
da norma às circunstâncias do caso concreto a que é 
aplicada. 
c) Princípios Gerais do Direito: São eles a legalidade, a 
moralidade, a isonomia, etc. 
d) Analogia: Não pode ser aplicada para prejudicar, só 
em benefício do acusado (in bonam partem). 
Ainda temos a doutrina, a jurisprudência e os 
tratados e convenções, que muito interessam e 
ajudam na interpretação e aplicação do direito. 
 
Finalidade do Direito Penal: Algumas doutrinas se 
apresentam tentando explicar a finalidade da pena e 
do direito penal são elas: 
- teoria absoluta: pune-se porque pecou (punitiva). 
- teoria utilitária ou relativa:pune-se para que não 
peque (educativa) 
- teoria mista: pune-se porque pecou e para que não 
peque (punitiva / educativa). 
 
Interpretação e Aplicação da Lei Penal: 
- Analogia: É vedado ao juiz a utilização da analogia 
para punir alguém, porém é permitida a aplicação 
desta “in bonam partem”. 
 
 
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL 
1. Princípio da Legalidade ou da Reserva Legal (CF, 
art. 5°, XXXIX; CP, art. 1°) 
 
 “Não há crime sem lei que o defina. Não há pena sem 
prévia cominação legal” - "Nullum crimen nulla poena 
sine praevia lege"(CP - art. 1°). Tal princípio assegura 
que ninguém seja punido por fato atípico. Típico é o 
fato que se molda à conduta descrita na lei penal. Daí 
decorre que o conjunto de normas penais 
incriminadoras é taxativo e não exemplificativo. 
 
Este princípio tem significado político por ser uma 
garantia constitucional dos direitos do homem. Tal 
garantia não consiste em se fazer tudo o que se quer, 
mas tão-somente aquilo permitido por lei. Somente a 
lei fixa as limitações que destacam a atividade 
criminosa da atividade legítima. 
 
O preceito contido no art. 1° do CP descreve que não 
há crime sem que, antes de sua prática, haja uma lei 
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que lhe faça a descrição como fato punível. Por outro 
lado, não se pode falar em aplicação de uma pena 
sem que a lei anterior a contenha. Depreende-se 
como lícita qualquer conduta que não esteja definida 
em lei penal incriminadora. 
 
São dois os princípios contidos no art.1° do CP: 
 
1° - Princípio da legalidade (ou reserva legal): não há 
crime sem lei que o defina; não há pena sem 
cominação legal. 
2° - Princípio da anterioridade: não há crime sem lei 
“anterior” que o defina; não há pena sem “prévia” 
cominação legal. 
 
 
CONFLITOS DE LEIS PENAIS NO TEMPO 
 
Como regra, temos que a lei entra em vigor e, até que 
cesse sua vigência, rege todos os fatos abrangidos por 
sua destinação. Temos então que tal lei não atinge 
fatos ocorridos antes ou depois dos limites extremos, 
ou seja, sua entrada em vigor e sua revogação: não 
retroage nem tem ultra-atividade. 
 
1. Princípio tempus regit actum. Aquele que rege a 
aplicação da lei penal no tempo. Tem-se que a lei 
penal incide sobre fatos ocorridos durante sua 
vigência. 
 
Casos a discutir: 
 
1. um crime é iniciado na vigência de uma lei e é 
consumado sob a de outra 
2. o agente pratica um ato criminoso sob a vigência 
de uma lei e a sentença condenatória é proferida sob 
a de outra, que comina pena mais severa ou benéfica 
em relação à primeira. 
3. durante a execução de uma pena, surge lei nova, 
regulando o mesmo fato e determinando sanção mais 
benéfica. 
 
Como resolver tais conflitos? 
 
A regra que resolve a questão é a da irretroatividade 
da lei penal. É óbvio que, sem lei anterior, não há 
crime e, portanto, a lei não pode retroagir para 
alcançar fatos ocorridos antes de sua vigência e 
considerados lícitos. 
 
O princípio da irretroatividade, todavia, vige somente 
em relação à lei mais severa. São dois os princípios 
regentes sobre tais conflitos: 
 
1. Princípio da irretroatividade da lei mais severa 
2. Princípio da retroatividade da lei mais benigna. 
 
Ultratividade: qualidade da lei pela qual tem eficácia 
mesmo depois de cessada a sua vigência. 
 
HIPÓTESES DE CONFLITOS 
 
 Novatio legis incriminadora: a lei posterior cria 
um tipo até então inexistente no ordenamento 
jurídico. 
 Novatio legis in pejus: a lei posterior que, de 
qualquer modo, cria situação mais rigorosa ou severa 
para o autor de um tipo já existente. 
 Novatio legis in mellius: a lei posterior atenua a 
situação jurídica do autor 
 Abolitio criminis: a lei posterior deixa de 
considerar como fato típico a conduta anteriormente 
tipificada. 
2. Princípio da proibição da analogia “in malam 
partem” - corolário da legalidade, proíbe a 
adequação típica “por semelhança” 
3. Princípio da anterioridade da lei - Previsto no 
art.1° da Constituição Federal: Não há crime sem lei 
anterior que o defina. Não há pena sem prévia 
cominação legal. Para que haja crime e se imponha a 
pena, é preciso que o fato tenha sido cometido 
depois de a lei entrar em vigor. 
4. Princípio da irretroatividade da lei penal mais 
severa - CF, art. 5°, XL; CP, art. 2° e parágrafo único: a 
lei posterior mais severa é irretroativa; a posterior 
mais benéfica é retroativa; a anterior mais benéfica é 
ultra-ativa. 
5. Princípio da fragmentariedade - É fragmentário 
porque o Direito Penal não protege todos os bens 
jurídicos de violações, só os mais importantes. E, 
dentre estes, não os tutela de todasas lesões: 
intervém somente nos casos de maior gravidade, 
protegendo um fragmento dos interesses jurídicos. 
6. Princípio da intervenção mínima - O Estado só 
deve intervir, através do Direito Penal, quando os 
outros ramos do Direito não conseguirem prevenir a 
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conduta ilícita. Visa a evitar a definição desnecessária 
de crimes e a imposição de penas injustas. 
7. Princípio da lesividade - O Direito Penal só deve 
ser aplicado quando a conduta lesiona um bem 
jurídico, não sendo suficiente que seja imoral ou 
pecaminosa (vide art. 98, I, CF). 
8. Princípio da insignificância - Recomenda que o 
Direito Penal, pela adequação típica, somente 
intervenha nos casos de lesão jurídica de certa 
gravidade, reconhecendo a atipicidade do fato nas 
hipóteses de perturbações jurídicas mais leves. É 
ligado aos chamados “crimes de bagatela”. 
9. Princípio da culpabilidade - Não há delito sem que 
o autor tenha a possibilidade exigível de conduzir-se 
conforme o direito. nullum crimen sine culpa. O juízo 
de reprovabilidade (culpabilidade), elaborado pelo 
juiz, recai sobre o sujeito imputável que, podendo 
agir de maneira diversa, tinha condições de alcançar o 
conhecimento da ilicitude do fato.O juízo de 
culpabilidade serve de fundamento e medida da 
pena. A responsabilidade penal objetiva é repudiada 
(aplicação da pena sem dolo, culpa e culpabilidade). 
10. Princípio da Humanidade - O réu deve ser tratado 
como pessoa humana, ex vi dos seguintes 
dispositivos, todos da CF: art. 1°, III, 5°, III, XLVI e LXIV; 
deve ser observado antes do processo (art. 5°, LXI, 
LXII, LXIII e LXIV; durante o processo (art. 5°, LIII, LIV, 
LV, LVI e LVII) e na execução da pena (proibição de 
penas degradantes, cruéis, de trabalhos forçados, de 
banimento e da sanção capital - art. 5°, XLVII, XLVIII, 
XLIX e L). 
11. Princípio da proporcionalidade da pena - 
Chamado também “princípio da proibição de 
excesso”, determina que a pena não pode ser 
superior ao grau de responsabilidade pela prática do 
fato. A pena deve ser medida pela culpabilidade do 
autor. A culpabilidade é a medida da pena. 
11. Princípio do estado de inocência - conhecido 
também como “princípio da presunção de inocência”, 
está previsto no art. 5°, LVII da CF: “ninguém será 
considerado culpado até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória”. Somente depois de a 
condenação transitar em julgado é que podem ser 
impostas medidas próprias da fase de execução. 
12. Princípio da igualdade - CF, art. 1°, caput: “Todos 
são iguais perante a lei”. 
13. Princípio do “ne bis in idem“ - Ninguém pode ser 
punido duas vezes pelo mesmo fato. Possui duplo 
significado: 1) penal material: ninguém pode sofrer 
duas penas em face do mesmo crime; 2) processual: 
ninguém pode ser processado e julgado duas vezes 
pelo mesmo fato. (vide art. 7°, II, § 1°) 
 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Princípio da anterioridade da lei penal - STF: 
"Penal. Habeas corpus. Princípio da anterioridade da 
lei. Desrespeito. Ação penal. Trancamento. O 
princípio do nullun crimen, nulla poena sine praevia 
lege, inscrito no art. 5º, XXXIX da Carta Magna, e no 
art. 1º do Código Penal, consubstancia uma das 
colunas centrais do Direito Penal nos países 
democráticos, não se admitindo qualquer tolerância 
sob o argumento de que o fato imputado ao 
denunciado pode eventualmente ser enquadrado em 
outra regra penal. Se ao réu imputa-se um fato que 
somente em lei posterior veio a ser definido como 
crime, a denúncia não tem vitalidade por ferir o 
princípio da anterioridade, impondo-se o 
trancamento da ação penal. Recurso ordinário 
provido. Habeas corpus concedido" (RHC, 8.171-CE – 
DJU 5-4-1999, P. 153). 
 
 Princípio da irretroatividade da lei mais severa 
quanto a crimes - TJSC: "Princípio da retroatividade 
da Lei Penal. Lei de regência. Não há crime sem lei 
anterior que o defina nem pena sem prévia 
cominação legal. A lei posterior só retroagirá se for 
para beneficiar o réu, descabendo sua aplicação a 
fatos anteriores não típicos a lei de regência de 
então, porque as disposições mais severas da lei nova 
não se aplicam a fatos praticados anteriormente a sua 
vigência" (JCAT 75/530). 
 
 Princípio da legalidade - "O princípio da reserva 
legal não é mero favor que se faz ao réu. Ele existe 
como expressão de uma realidade: é moralmente 
inaceitável apenar-se alguém por uma conduta que 
era lícita ao ensejo de sua prática. Logo, ou bem a 
conduta é punível por isso, que corresponde ao 
previsto na lei, ou não o é" (TACRIM-SP – Ver. – Voto 
vencedor: Adauto Suannes – JUTACRIM 70/26). 
 
 Princípio da culpabilidade - "Em sede de direito 
penal não se admite a incidência da responsabilidade 
objetiva, em consonância com o princípio expresso no 
brocardo latino nullum crimen, nulla poena sine 
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culpa. A ocorrência da morte de um rurícola, 
provocada pelo ataque de uma rês brava que se 
desgarrou de uma boiada conduzida por vaqueiros 
por estrada rural, consubstancia lamentável acidente 
da natureza, sem qualquer repercussão na justiça 
criminal" (STJ - 6ª T. – Relator Vicente Leal – RHC 
8.599 – j. 18.10.1999 - DJU 16.11.1999, p. 228). 
 
 Princípio da lesividade ou da ofensabilidade - "O 
ingresso de mercadorias estrangeiras em quantidade 
ínfima por pessoas excluídas do mercado de trabalho 
que se dedicam ao ΄comércio formiga΄ não tem 
repercussão na seara penal, à míngua de efetiva lesão 
do bem jurídico tutelado, enquadrando-se à hipótese 
no princípio da insignificância" (STJ - 6ª T. – Relator 
Vicente Leal – REsp. 234.275 – j. 14.03.2000 - DJU 
10.04.2000, p. 142). 
 
 Princípio da taxatividade - "Em Direito Penal, o 
princípio da reserva legal exige que os textos legais 
sejam interpretados sem ampliações ou equiparações 
por analogias, salvo quando in bonam partem. Ainda 
vige o aforismo poenalia sunt retringenda, ou seja, 
interpretam-se estritamente as disposições 
cominadoras de pena" (RT 594/355). 
 
 Princípio da insignificância - "A intervenção 
punitiva do Estado só se justifica quando está em 
causa um bem ou um valor social importante. Assim, 
devem-se excluir do sistema penal a chamada 
criminalidade de bagatela e os Rel. César Ribeiro – j. 
28.04.1999 – DJU 04.06.1999, p. 316). 
 
 
 VIGÊNCIA E REVOGAÇÃO DA LEI PENAL 
Salvo a hipótese de lei temporária – art. 3º do CP, a 
lei é editada para vigorar por tempo indeterminado. 
Entretanto, como ocorre em relação a tudo e a todos, 
a lei nasce, vive e morre. 
Chama-se promulgação o ato do Chefe do Executivo 
que declara a existência da lei e ordena a sua 
execução. 
Segue-se a publicação, autêntica certidão de 
nascimento da lei. A publicação não significa 
necessariamente a entrada em vigor. Pode o texto da 
lei expressante especificar a vigência (esta lei entrará 
em vigor na data de sua publicação). Pode, todavia, 
não especificar, verificando-se, então a chamada 
vacância (vacatio legis), que é o período 
compreendido entre a publicação e a entrada em 
vigor. 
A lei termina com a sua revogação, que pode ser 
“expressa” ou “tácita”. Verifica-se a revogação 
expressa quando a lei posterior, em seu próprio 
texto, declara a revogação da anterior. A tácita, 
quando lei posterior disciplina a matéria regulada 
pela anterior. 
LEI PENAL NO TEMPO 
Consoante o princípio “tempus regit actum”, a lei 
penal, viade regra, se aplica aos fatos praticados 
durante a sua vigência, não podendo, em tese, 
alcançar fatos ocorridos anteriormente, nem 
tampouco ser aplicada após a sua revogação. 
Entretanto, por expressa disposição legal, é possível 
ocorrer a “retroatividade” e “ultratitividade”. A 
retroatividade é o fenômeno através do qual a lei 
penal é aplicada a fatos ocorridos anteriormente à 
sua vigência e a ultratividade é a aplicação a fatos 
ocorridos após a sua revogação. 
Dispõe o art. 1º do Código Penal: “Não há crime sem 
lei anterior que o defina. Não há pena sem a prévia 
cominação legal”. Tal dispositivo consagra os 
princípios da reserva legal e anterioridade da lei 
penal. 
 Reserva legal significa que somente a lei elaborada 
na forma prevista na Constituição Federal pode 
determinar o que é crime, e impor a pena cabível. 
Anterioridade da lei penal significa que a conduta 
humana para ser considerada criminosa, tem de 
estar previamente descrita. É indispensável que a 
vigência da lei que define a conduta como delituosa 
seja anterior à própria conduta. 
Os princípios consagrados no art. 1º do Código Penal 
trazem como consequência a irretroatividade: sendo 
as leis editadas para o futuro, as normas que definem 
crimes não podem ter efeito para o passado. 
Também não retroagem as normas que, mesmo sem 
incriminar condutas, prejudicam a situação do 
agente. 
 A regra da irretroatividade se restringe somente às 
normas que incriminam a conduta ou que sejam mais 
severas que a anterior, çois, em se tratando de lei 
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nova mais benigna, que de qualquer modo favoreça o 
agente, vai retroagir para alcançar os fatos praticados 
antes de sua vigência. 
 Em resumo, havendo conflito de leis penais com o 
surgimento de novas normas após a prática do fato 
delituoso, será aplicada sempre a lei mais favorável. 
Isto significa que a lei penal mais benigna tem 
extratividade (possui retroatividade e ultratividade) e, 
ao contrário, a lei mais severa não tem extratividade 
(não é retroativa nem ultrativa). 
 
Critérios para solucionar o conflito de leis penais no 
tempo: 
➔ Novatio legis incriminadora: 
➔ Abolitio criminis 
➔ Novatio legis in pejus 
➔ Novatio legis in mellius 
 
1. Novatio legis incriminadora 
A lei nova que incrimina o fato cometido 
anteriormente à sua regência não se aplica a tal fato 
anterior. 
Exemplo: suponha-se que hoje, o indivíduo pratica 
incesto, relacionando-se sexualmente com sua 
própria filha; posteriormente, sendo a conduta 
criminalizada, a lei nova incriminadora não retroagirá. 
2. Abolitio Criminis 
É a hipótese do Art. 2º do Código Penal: “Ninguém 
será punido por fato que lei posterior deixa de 
considerar crime, cessando, em virtude dela, a 
execução e os efeitos penais da sentença 
condenatória”. 
 Causa extintiva de punibilidade (107, III); LEP, 66, 
I. 
 Apaga os efeitos penais, mas não os civis: 
 Ex. 1: reparação de dano. 
 Ex. 2: art. 92 do CP 
Exemplo: suponha-se que o sujeito cometa o crime de 
sedução (Art. 217 CP), e posteriormente a lei deixa de 
considerar a conduta como delituosa. Se ainda não 
tiver sido processado, não o será; se já estiver em 
curso o processo, o mesmo será extinto (ocorrerá a 
extinção da punibilidade – do Art. 107, inc. III, Código 
Penal). Na hipótese de já estar condenado e 
cumprindo pena, deverá ser posto em liberdade, 
também ocorrendo a extinção da punibilidade, 
consoante o dispositivo acima. 
Trata-se de aplicação retroativa da lei penal mais 
benigna. A lei nova posterior é de ser considerada 
mais perfeita do que a anterior, restando, pois, 
demonstrando que não se faz mais presente o 
interesse da sociedade na punição do sujeito. 
3. Novatio legis in pejus: 
A situação é de lei nova mais severa que a anterior 
(lex gravior). A lei nova posterior mantém a mesma 
definição do crime, mas agrava a sua pena. Tal lei 
nova não retroage. 
Exemplo: o Código Penal comina ao furto simples – 
Art. 155 caput do CP, a pena de 01 (um) a 04 (quatro) 
anos de reclusão. Surgindo lei nova mantendo a 
mesma definição, mas agravando a pena para, v.g., 02 
(dois) a 08 (oito) anos de reclusão, a lei nova não 
retroagirá. Só será aplicada para os furtos praticados 
posteriormente ao início da vigência da lei nova. 
4. Novatio legis in mellius: 
A hipótese é de lei nova posterior menos severa que a 
anterior (lex mitior). A lei nova mantém a mesma 
definição do crime, mas diminui as conseqüências 
penais. No caso é de se fazer retroagir a lei posterior 
ao fato cometido antes da sua vigência: 
Exemplo: o sujeito pratica hoje um crime de violação 
de domicílio (Art. 150 do CP), punido com detenção 
de 01 (um) a 03 (três) meses. Posteriormente, lei 
nova mantém a mesma definição, mas diminui a pena 
para 15 dias a 02 meses. 
Deve a lei nova posterior, mais branda que a anterior, 
retroagir para alcançar o fato ocorrido antes da sua 
vigência. 
A lei nova irá retroagir, mesmo em decisão transitada 
em julgado (art. 66, I, LEP e art. 2º do CP). 
 
LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA 
Dispõe do Art 3º do Código Penal que “a lei 
excepcional ou temporária, embora decorrido o 
período de sua duração ou cessadas as circunstâncias 
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que a determinaram, aplicam-se ao fato praticado 
durante a sua agência”. 
Lei Excepcional: é aquela que é editada para vigorar 
em situações ou condições sociais anormais, sendo 
que o período de sua vigência fica subordinado à 
duração da anormalidade que a motivou. 
Lei Temporária: é aquela que possui o tempo de sua 
vigência determinado no próprio dispositivo. 
 
Importante: Em razão da peculiaridade dessas 
normas, não há que se falar em retroatividade da lei 
posterior mais benigna. Assim, cometido o fato 
delituoso durante a vigência da lei excepcional ou 
temporária, o infrator não se beneficiará da 
retroatividade da lei posterior que seja mais 
favorável. No caso em tela, a lei será ultra-ativa. 
 
Tempo do crime 
Teoria da atividade, também chamada de “teoria da 
ação”: considera-se tempo do crime mo momento em 
que se pratica a ação ou a omissão. (adotada no CPB). 
Teoria do resultado, também conhecida como “teoria 
do efeito”: considera-se tempo do crime o momento 
do resultado, ou possível resultado. 
Teoria da ubiqüidade, também denominada “teoria 
da unidade” ou “teoria mista”, é a conjugação das 
duas teorias anteriores. 
Segundo dispõe o Art. 4º do Código Penal, 
“considera-se praticado o crime no momento da ação 
ou da omissão, ainda que outro seja o momento do 
resultado”. 
É por demais importante a fixação do momento do 
crime para se determinar a aplicação da lei vigente na 
hipótese de sucessões de leis, e para a aferição da 
imputabilidade do agente. 
Relativamente à aferição da imputabilidade, suponha-
se que o sujeito, com 18 (dezoito) anos incompletos 
desfecha tiros na vítima, que só vem falecer após o 
agente ter completado 18 (dezoito) anos. Sendo o 
momento do crime aquele da conduta (ação ou 
omissão), é de se concluir pela irresponsabilidade 
penal do agressor. 
Com relação à lei vigente, suponha-se que o agente 
cometa um crime de estupro no ano de 1989, cuja 
pena é de 03 (três) a 08 (oito) anos de reclusão. O 
processo se arrasta por dois anos. Em 1990, entra em 
vigor nova lei (lei 8.072/90) queaumenta a pena do 
estupro para 06 (seis) a 10 (dez) de reclusão. Ao 
sujeito não deverá ser imposta pena de 06 a 10, mas 
sim de 03 a 08, vez que ao tempo do fato (1989), a lei 
impunha aquela pena. 
Crime permanente: é aquele cujo momento 
consumativo se prolonga no tempo. Ex.: art. 159. se 
entrar em vigor lei mais gravosa enquanto durar a 
conduta esta lei será a utilizada. Súmula nº 711 do 
STF. 
Crime Continuado: é uma ficção jurídica que se 
encontra prevista no art. 71 CP (política criminal). 
Considerar-se-á tempo do crime, todo o período de 
prolongamento de continuidade delitiva. Súmula 711 
STF. 
Crime Habitual: é aquele que se consuma pela prática 
reiterada de atos que, isoladamente são atípicos. Art. 
284 CP. O tempo do crime se configura a partir do 
segundo ato até o último ato (corrente majoritária na 
doutrina). 
Crime cometido em concurso de pessoas: o tempo do 
crime é o momento de cometimento de cada conduta 
isoladamente considerado. 
Lei 8.930 de 7/9/94 – Lei Glória Peres. 
Ex.: se A contrata B para matar C e B só pratica o fato 
algum tempo depois, se nesse período for publicada 
nova lei, tal só valerá para o executor e não para o 
mandante do crime. 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 Abolitio criminis – inadmissibilidade por medida 
provisória - TACRSP: "Impossível aplicar-se a norma 
do art. 2º, caput, do CP – abolitio criminis – se a 
descriminante é uma medida provisória não 
transformada e lei pelo Congresso Nacional, pois o 
Poder Executivo não tem a prerrogativa de 
concretizar disposições penais, o que é atribuição 
privativa do Poder Legislativo" (RJDTACRIM 9/164). 
 
 Abolitio criminis – inadmissibilidade pelo 
costume - STF: "A reiterada tolerância das 
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autoridades não descriminaliza a conduta nem subtrai 
a justa causa para a ação penal” (RT 736/542). TAMG: 
“O 'princípio da legalidade' não admite o direito 
consuetudinário, não podendo, pois, os costumes 
revogarem a lei penal, a qual somente por outra lei 
poderá ser revogada” (RJTAMG 21/414). 
 
 Retroatividade da lei mais benigna - STF: "A lei 
nova benéfica pode ser aplicada tanto 
imediatamente, por ser desdobramento dos direitos e 
garantias fundamentais (CF, art. 5º, § 1º), como 
retroativamente, a ponto de alcançar fatos 
anteriores, desde que se mostre favorável ao agente 
(CF, art. 5º, LV)” (JSTF227/381). 
 
 Retroatividade em vacatio legis - TARS: "A lei 
penal mais benigna, em razão dos princípios inscritos 
no art. 5º, XL e § 1º, da CF, tem aplicação imediata, 
não se sujeitando ao período de vacatio legis” (RT 
667/330). 
 
 aplicação de lei intermediária - TACRSP: "Se entre 
as leis que se sucedem surge uma intermediária mais 
benigna, embora não seja nem a do momento em 
que se praticou o fato nem a daquele em que o 
mesmo foi julgado, essa lei intermediária mais 
benévola deve ser aplicada, ex vi do art. 2º, parágrafo 
único, do CP” (RT 534/364). 
 
 inadmissibilidade de combinação de leis - STF: 
"Os princípios da ultra e da retroatividade da lex 
mitior não autorizam a combinação de duas normas 
que se conflitam no tempo para se extrair uma 
terceira que mais beneficie o réu” (JSTF 174/260). 
 
 Lei excepcional ou temporária. Inexistência de 
abolitio criminis - TACRSP: "Mesmo que revogada, 
não gera abolitio criminis, porque, ainda que 
temporária, guarda eficácia, aplicando-se aos fatos 
praticados durante sua vigência, conforme o art. 3º 
do CP” (RT 666/316. 
 
 Tempo do crime. Competência pelo lugar da ação 
ou omissão - STJ: "O juízo competente para processar 
e julgar o acusado de homicídio é da comarca de 
Aimorés, MG, onde a vítima foi alvejada com tiros de 
revólver que lhe causaram os ferimentos mortais e 
não o Juízo da comarca de Vitória, ES, onde em busca 
de melhor assistência médica, veio a falecer” (RT 
678/379). 
 
 Irretroatividade da lei mais severa no crime 
continuado - STJ: "Tendo o réu praticado três (3) 
crimes em continuação, sendo um (1) na vigência da 
lei nova, mais grave, e os outros dois (2) na vigência 
da lei antiga, mais benigna, aplica-se a pena mais 
grave, acrescida, nos termos do art. 71 do Código 
Penal, da fração da pena da mais benigna, para não 
se violar o princípio de que não há pena sem lei 
prévia” (RHC 3.910-8-PA – DJU de 14-4-1997, p. 
12.799). 
 
 Continuação delitiva na lei nova mais severa: 
aplicação desta - STF: "Tratando-se de crime 
continuado, onde as condutas foram praticadas sob o 
império de duas leis, mesmo sendo mais grave a 
posterior, aplica-se a nova disciplina penal a toda a 
série delitiva, tendo em vista que o delinquente já 
estava advertido da maior gravidade da sanção e 
persistiu na prática da conduta delituosa” (RT 
755/556). 
 
 Aplicação da lei mais severa no crime 
permanente - STF: "(...) I. Conflito de leis penais no 
tempo: cuidando-se de crime permanente – qual o 
delito militar de deserção – aplica-se-lhe a lei vigente 
ao tempo em que cessou a permanência, ainda que 
mais severa que a anterior, vigente ao tempo do seu 
início” (JSTF 272/389). 
 
 
LEI PENAL NO ESPAÇO 
 
 O Código Penal Brasileiro, no seu Art. 5º, adota a 
regra da territorialidade, determinando a aplicação 
da Lei Penal em nosso território, independente da 
nacionalidade do autor e da vítima. 
A exceção é ditada pelo próprio Art. 5º, não se 
aplicando a Lei Penal Brasileiro quando dispuser em 
contrário tratado ou convenções internacionais, 
sendo o caso da imunidade diplomática. 
 Convenção de Viena sobre relações 
diplomáticas. Concedendo imunidade penal de 
caráter absoluto aos diplomatas em território 
nacional. Ele deverá ser punido de acordo com a lei 
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de seu país. Os cônsules gozam de prerrogativas 
processuais, mas não possuem imunidade. Serão 
julgados pela lei brasileira, mas terão garantias 
processuais como também as possuem os juízes, 
promotores, defensores e até o advogado. 
Imunidades Parlamentares - Relativamente às 
pessoas, há de se destacar, ainda, as imunidades 
parlamentares, sendo assegurados aos membros do 
Congresso Nacional a ampla liberdade de expressão 
no exercício de suas funções, e a proteção contra 
abusos por parte de membros dos outros poderes. 
Assim é que, aos congressistas é assegurada a 
imunidade absoluta, excluídos da responsabilidade 
penal, civil, disciplinar ou política “ por suas opiniões, 
palavras e votos” – Art. 53 da Constituição Federal. 
A Carta Magna, no § 1º do referido Art. 53, 
estabelece a imunidadem relativa, que consiste na 
impossibilidade de prisão, salvo em flagrante por 
crime inafiançável. 
 
Deputados Estaduais - As imunidades dos membros 
do Congresso Nacional também são estendidas aos 
deputados estaduais, conforme previsão nas 
Constituições dos Estados. Ressalve-se, contudo, que 
as imunidades dos deputados estaduais são válidas 
somente em relação à autoridades judiciárias 
estaduais, não podendo ser invocadas em face do 
Poder Judiciário Federal (nesse sentido, vide a Súmula 
3 do Supremo Tribunal, Federal). 
 
Vereadores - Relativamente aos vereadores, a 
imunidade se restringe à inviolabilidade por suas 
opiniões, palavras e votos, mas apenas quando o 
crime for praticado no exercício do mandato e na 
área circunscricional do Município em que o edil 
exerce seu mandato – Art. 29, inc. V da Constituição 
Federal. 
 
TERRITÓRIO BRASILEIROA expressão “território brasileiro” deve ser 
entendida em seu sentido jurídico, compreendendo 
todo o espaço terrestre, fluvial e marítimo, 
embarcações e aeronaves brasileiras. 
As embarcaçoes e aeronaves brasileiras se dividem 
em: 
 Públicas – aquelas de guerra ou em serviço mIlitar 
ou oficial; 
 Privadas – as mercantes e aquelas de propriedade 
particular; 
Para efeitos penais, o §1º do Art. 5º, do Código Penal 
considera como extensão do território nacional: 
 Os navios e as aeronaves públicas brasileiras, 
onde quer que se encontrem, mesmo em espaço 
aáreo ou marítimo estrangeiro. 
 Os navios e aeronaves particulares brasileiras 
quando em alto mar ou no espaço aéreo 
correspondente. 
Com relação aos navios e aeronaves estrangeiras de 
propriedade privada, somente se aplica a lei penal 
brasileira quanto aos crimes cometidos a bordo 
quando se encontrarem nas condições do parágrafo 
2º, do Art. 5º, do Código Penal. 
 
Extraterritorialidade - O Art. 7º do Código Penal 
enumera as hipóteses de exceção ao princípio da 
territorialidade, vale dizer, algumas hipóteses de 
crimes, embora cometidos fora do território nacional, 
ficam sujeitos à lei brasileira. 
 
A extraterritorialidade se divide em: 
 Incondicionada – são as hipóteses do inciso I, pelo 
“Princípio da Proteção ou Defesa”, alíneas “a”, “b”, e 
“c”, e pelo “Princípio da Justiça Universal” a alínea 
“d”. A expressão “ incondicionada” significa que o 
agente será punido pela lei brasileira, ainda que 
absolvido ou condenado no estrangeiro. Ex.: 
terrorismo, tortura, tráfico internacional, genocídio. 
 Condicionada - são as hipóteses do inciso II, 
alíneas “a”, “b” e “c” e do parágrafo 3º, ficando a 
aplicação da lei brasileira condicionada a certos 
requisitos ou condições indicadas nas alíneas dos 
parágrafos 2º e 3º. 
 
Lugar do crime - Para a aplicação da regra da 
territorialidade, o Código Penal, em seu Art. 6º, 
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define o lugar do crime, apresentando três teorias a 
respeito: 
 Teoria da atividade, também chamada de “teoria 
da ação”, corresponde à primeira parte do Art. 6º, do 
Código Penal. 
 Teoria do resultado, também conhecida como 
“teoria do efeito”, corresponde à parte 
complementar do mesmo artigo. 
 Teoria da ubiqüidade, também denominada 
“teoria da unidade” ou “teoria mista”, é a conjugação 
das duas teorias anteriores. 
O Art. 6º do Código Penal, adotando a “teoria da 
ubiqüidade”, resolve os chamados “crimes à 
distância”, nos quais a ação ou a omissão se dá num 
país e o resultado ocorre em outro. 
Exemplo de aplicação da “teoria da ubiqüidade”: 
Suponha-se que o sujeito, estando no território 
nacional, remeta pelos correios uma bomba para uma 
pessoa que se encontre no estrangeiro, e, no 
estrangeiro, ocorra o resultado. 
Pelo Art. 6º em exame, em ambas as hipóteses há de 
prevalecer o império da lei penal brasileira, 
sujeitando-se os infratores ao nosso Código Penal. 
 
Classificação dos crimes quanto ao local de 
cometimento e consumação: 
a) crimes de espaço mínimo: são aqueles praticados 
e consumados no mesmo lugar. Ex.: Manaus - 
Manaus. 
b) Crimes de espaço máximo: 
b.1) crimes plurilocais: são os que tocam os 
territórios de duas ou mais comarcas. Ex.: Manaus - 
Itacoatiara. Utilizar o art. 69 e 70 do CPP. 
b.2) crimes à distância: São aqueles que tocam os 
territórios de dois ou mais países. Art. 70, § 1º, CPP. 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Territorialidade. Competência da Justiça Federal 
para crime cometido em embarcações – STJ: 
“Compete à Justiça Federal processar e julgar os 
crimes cometidos a bordo de navios, incluídos os 
praticados contra a segurança do transporte 
marítimo” (JSTJ 32/307). 
 
 Territorialidade. Competência da Justiça Estadual 
para crime cometido em embarcação de pequeno 
porte – STJ: “Compete à Justiça Estadual o processo e 
julgamento de feito que visa à apuração de delito 
cometido em lancha – embarcação de pequeno porte 
que não é abrangida pela regra do art. 109, inc. X, da 
CF, dirigido a embarcações de porte e autonomia 
consideráveis. Precedentes do TRF e STF” (Conflito de 
competência 24.249-ES – DJU de 17-4-2000, p. 41). 
 
 Territorialidade. Competência da Justiça Federal 
para crime cometido em aeronave – STF: “Habeas 
corpus. Penal. Compete à Justiça Federal processar e 
julgar os crimes cometidos a bordo de navios, 
incluídos os praticados contra a segurança do 
transporte marítimo” (JSTJ 32/307). 
 
 Lugar do crime. Ação praticada no território 
nacional – TACRSP: “Tem eficácia a lei nacional 
quando os atos executórios do crime são praticados 
em nosso território e o resultado se produz em país 
estrangeiro” (RT 609/335-6). 
 
 Lugar do crime. Crime praticado em embaixada 
brasileira – STF: “A submissão à jurisdição doméstica, 
do ilícito imputado ao súdito estrangeiro em questão, 
decorre, na espécie, do princípio da territorialidade, 
inscrito no art. 5º do mesmo Código Penal, que 
manda aplicar a lei brasileira ao crime cometido no 
território nacional, vale dizer, no âmbito de validade 
especial do ordenamento positivo do Brasil” (Extr 
579-1 – Rel. Celdo de Melo – DJU de 9-6-1993, p. 
11.448). 
 
 extraterritorialidade incondicionada. Crime 
contra a fé pública da União – TRF da 4ª Região: “Aos 
delitos contra a fé pública da União praticados no 
estrangeiro aplica-se o princípio da 
extraterritorialidade incondicionada, sendo 
irrelevante o local do uso do falso, pois trata-se de 
crime instantâneo que se consuma no momento da 
utilização desse documento” (RT 754/743). 
 
 extraterritorialidade condicionada. Crime 
praticado por brasileiro no exterior – STF: “O 
processo e julgamento de furto praticado por 
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brasileiro no país estrangeiro competem à autoridade 
judiciária nacional, ex vi do disposto no art. 5º, nº II, b 
(art. 7º , II, b, vigente) do Código Penal” (RT 474/382).
 
 
TEORIA DO CRIME 
 
Conceitos de crime 
 
1) Conceito Legal: art. 1º LICP: é crime a infração 
punida com reclusão ou detenção isoladamente ou 
uma dessas penas privativas em cúmulo ou em 
alternatividade com a pena de multa. 
 
 Crime 
Infração Penal 
 Contravenção 
 
2) Conceito Formal: crime é fato proibido pela lei 
penal ao qual se associa uma pena. 
3) Conceito Material: fato que lesiona ou expõe a 
risco de lesão um bem juridicamente tutelado 
(princípio da lesividade ou ofensivilidade). 
4) Analítico: 
4.1) quadripartite = crime é fato típico, antijurídico, 
culpável e punível; 
4.2) tripartite = crime é fato típico, antijurídico, 
culpável; sendo a punibilidade conseqüência jurídica 
do delito. (Maj); 
4.3) bipartite = crime é fato típico, antijurídico. A 
culpabilidade é pressuposto para aplicação da pena 
(Min.); 
Para que uma conduta humana seja considerada 
crime, não basta que se amolde a um tipo 
incriminador. Não basta que encontre uma descrição 
daquela conduta na lei penal considerando-a 
criminosa. 
Suponha-se que, de certa distância, observa-se a 
conduta de “A” efetuando disparos de arma de fogo 
na direção de “B”, vindo a causar-lhe a morte. O fato 
de “A” se amolda de forma precisa no tipo 
incriminador do art. 121 do CPB – matar alguém. 
Entretanto, já no local em que ocorreu o evento,descobre-se que “B” estava armado e era iminente a 
sua agressão em relação a “A”, não tendo este outra 
alternativa que não a de matar aquele em legítima 
defesa. 
Observa-se de início que o fato de “A” é típico, eis 
que se amolda ao tipo incriminador do art. 121 do 
CPB. No entanto, não é antijurídico – não contraria o 
ordenamento jurídico e nem ofende a consciência de 
quem tomar conhecimento do fato, eis que praticado 
em legítima defesa. 
A conduta humana descrita na norma penal 
incriminadora será antijurídica ou ilícita na medida 
em que não for expressamente declarada lícita. 
Assim, o conceito de antijuridicidade ou ilicitude de 
um fato se descobre por exclusão: será antijurídico 
todo fato típico que não for declarado lícito por uma 
das causas de exclusão da antijuridicidade ou da 
ilicitude – art. 23, CP. 
Presente, portanto, uma causa de exclusão o fato 
será típico, mas não antijurídico e, em conseqüência, 
não há se falar em crime, que é o fato típico e 
antijurídico. 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Conceito de culpabilidade – STJ: “A culpabilidade 
(sentido de reprovabilidade) é elemento constitutivo 
da infração (doutrinariamente há quem sustente ser 
pressuposto da pena). Admite intensidade. Crime 
mais grave reclama a sanção mais severa. Também o 
legislador fica vinculado porque a pena é medida 
político-jurídica da resposta ao agente do delito” 
(RSTJ 87/387). 
 
Tipicidade – é a adequação de um fato natural e 
concreto e um tipo incriminador; 
Tipo Legal – é a definição legal de um fato proibido; 
Fato Típico – é o fato concreto que reúne em si todos 
os elementos da definição legal de um fato proibido. 
 
 
ELEMENTOS DO FATO TÍPICO 
 
 Conceituar fato típico é tarefa complexa, eis que a 
sua noção envolve quatro elementos: 
 
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a. conduta 
b. resultado 
c. causalidade 
d. tipicidade 
 
 Assim, há da se adentrar no exame de cada um 
dos elementos para se estabelecer a exata noção do 
instituto. 
 
Conduta: 
não há crime sem conduta “nullun crimem sine 
conducta”. É a ação ou omissão consciente e dirigida 
a determinada finalidade. 
A conduta que integra o fato típico como um dos seus 
elementos, é aquela do homem, não dos animais 
irracionais. 
A conduta penalmente relevante há de ser aquela 
externa, não se ocupando o Direito Penal com a 
atividade puramente psíquica não externada. 
A voluntariedade é um outro requisito da conduta, 
que pode consistir num movimento corporal (ação) 
ou na abstenção do movimento corporal (omissão). 
Para a teoria finalista da ação, como todo 
comportamento humano tem uma finalidade (um 
querer algo), a conduta é uma atividade final humana 
e não um comportamento simplesmente corporal. O 
propósito da Welzel, ao elaborar o finalismo, foi o de 
trazer todo o elemento psíquico para a ação. 
Para que a ação seja penalmente relevante e se 
apresente como um dos elementos do fato típico, é 
preciso ver o propósito com que foi praticada, isto é, 
necessário se faz verificar se a ação tinha ou não, 
como fim, o objetivo de realizar o fato típico. 
 
Como no finalismo a conduta não é um 
comportamento meramente casual, mas sim uma 
atividade dirigida a um fim, o dolo, que antes 
habitava os domínios da culpabilidade, agora, após a 
reforma de 1984, reside no tipo incriminador, 
apresentando-se como o seu elemento subjetivo. 
 
Resultado: 
 
para que se configure o crime, não basta a conduta; é 
preciso que ocorra o segundo elemento do fato 
típico, resultado. 
Naturalisticamente, conceitua-se resultado como a 
modificação no mundo exterior provocada pelo 
comportamento humano. 
 
 
NEXO CAUSAL – ARTIGO 13 DO CPB 
 
Causa e Resultado: Não há crime sem resultado, diz 
a lei. Resultado é a lesão ou perigo de lesão do bem 
jurídico, protegido pela lei penal. A relação de 
causalidade (nexo causal) liga a conduta ao resultado. 
Nexo de Causalidade: 
 
Possivelmente o mais complexo dos elementos do 
fato típico. É o elo de ligação entre a conduta e o 
resultado. É o liame que autoriza a conclusão de que 
o resultado decorreu daquela determinada conduta. 
 
Para resolver a questão do nexo de causalidade o CP 
em seu art. 13 – 2ª parte, adotou a teoria da 
equivalência das condições - conditio sine qua non – 
condição sem a qual o resultado não teria ocorrido. 
 
Para saber se uma conduta é causa do resultado, 
basta excluí-la mentalmente da série causal. É o 
chamado processo hipotético de Thyrén. Se, excluída 
aquela conduta antecedente, o resultado mesmo 
assim se produziu, conclui-se que tal conduta 
antecedente não é causa. 
 
Damásio de Jesus cria uma hipótese a respeito do 
processo hipotético da eliminação de Thyrén: 
suponha-se que A tenha matado B. A conduta típica 
do homicídio possui uma série de fatos, alguns 
antecedentes, entre os quais podemos sugerir o 
seguinte: 
 
Ante factum e pos factum punível: 
 
1) Produção do revolver pela indústria; 
2) Aquisição da arma pelo comerciante; 
3) Compra do revolver pelo agente; 
4) Refeição tomada pelo homicida; 
5) Emboscada; 
6) Disparo de projeteis na vítima; 
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7) Resultado morte; 
8) Voltar para casa para dormir. 
 
Conclui o mestre: dentro dessa cadeia de fatos, 
excluindo-se os fatos sob os números 1, 2,3,5 e 6, o 
resultado não teria ocorrido. Logo são considerados 
causa. Excluindo-se os fatos sob os números 4 e 8, 
ainda sim o evento teria acontecido. Logo, a refeição 
tomada pelo sujeito e seu retorno para casa não são 
considerados causa. 
 
Adverte Damásio de Jesus que o processo hipotético 
de Thyrén precisa ser bem entendido. O importante e 
fixar que em se excluindo determinado 
acontecimento o resultado não teria ocorrido “como 
ocorreu”; a conduta é causa quando, suprimida 
mentalmente, o evento in concreto não teria 
ocorrido no momento em que ocorreu. 
 
Suponha-se que o agente encontre a vítima 
mortalmente esfaqueada em local absolutamente 
solitário e lhe desfira outros golpes de punhal, 
produzindo-lhe a morte. Prova-se que os últimos 
ferimentos concorreram para o êxito letal. 
Suprimindo-se mentalmente os golpes desferidos 
pelo agente, ainda assim a morte teria ocorrido em 
virtude dos acontecimentos anteriores. Assim, à 
primeira vista, parece que a conduta do sujeito não 
deve ser considerada causa do resultado. Todavia, 
sem ela o evento não teria ocorrido como ocorreu. 
Por isso, deve ser considerada causa. 
 
Tendo o CP adotado a teoria da equivalência dos 
antecedentes, não há sentido estabelecer distinção 
entre causa, concausa, ocasião ou condição. Qualquer 
conduta que, de algum modo, ainda que 
minimamente, tiver contribuído para a eclosão do 
resultado deve ser considerada sua causa. 
 
Nexo normativo: para a existência do fato típico, no 
entanto, não basta apenas a existência de um elo 
físico (nexo causal) entre a ação e o resultado. De 
acordo com interpretação do art. 19 do CPB, é 
imprescindível que o agente tenha concorrido com 
dolo ou culpa (quando admitida), uma vez que sem 
um ou outro não haveria fato típico. Assim, para a 
existência do fato típico são necessários: o nexo 
causal físico, concreto, e o nexo normativo, que 
depende da verificação de dolo ou culpa. 
 
 
Resultado Naturalístico: quando há a modificação 
provocada no mundo exterior pela conduta. Nem 
todo o crime possui resultado naturalístico, uma vez 
quehá infrações penais que não produzem qualquer 
alteração no mundo natural. 
 
Nexo causal nos crimes: o nexo causal só tem 
relevância nos crimes cuja consumação depende do 
resultado naturalístico. 
 
1) crimes omissivos próprios e de mera conduta : 
não há, pois inexiste resultado naturalístico; arts. 135, 
269 e 150 do CPB 
2) crimes formais: o nexo causal não importa para o 
Direito Penal. Art. 158, 159. 
3) Crimes materiais: há, em face da existência de 
resultado naturalístico. Art. 121, 312, 314, 155, 157...; 
4) Crimes omissivos impróprios: a omissão só tem 
relevância causal quando presente o dever jurídico de 
agir. Embora não tenha causado o resultado, o 
omitente, entretanto, será responsabilizado por ele, 
sempre que, no caso concreto, estiver presente o 
dever jurídico de agir. Art. 13, § 2º. 
 
Superveniência causal - O § 1º do art. 13 do CPB atua 
como mecanismo de restrição à aplicação da teoria 
da conditio sine qua non: “ a superveniência de causa 
relativamente independente exclui a imputação 
quando, por si só, produziu o resultado; os fatos 
anteriores, entretanto, imputam-se a quem os 
praticou”. 
 
Juntamente com a conduta do agente podem 
concorrer outras condutas, condições ou 
circunstâncias que interfiram no processo causal, que 
também são causas. 
 
A concausa relativamente independente é aquela que 
derivando de um fato de outrem ou de um 
acontecimento estranho, se intercala na cadeia causal 
por este inaugurada. Logo, se a segunda causa não 
for desdobramento da primeira, não teremos o nexo 
de causalidade. Ao contrário sensu, se for um 
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prolongamento da primeira, o sujeito ativo será 
responsabilizado. 
 
Essas causas podem ser classificadas em: 
preexistentes, concomitantes ou supervenientes, 
relativa ou absolutamente independentes em relação 
ao comportamento do sujeito. 
 
 Absolutamente independente em relação à 
conduta do agente: 
a) preexistentes (1) 
b) concomitantes (2) 
c) supervenientes (3) 
 Relativamente independente em relação à 
conduta do agente: 
a) preexistentes (4) 
b) concomitantes (5) 
c) supervenientes (6) 
 
 
 Exemplos de causas absolutamente 
independentes: 
 
1) A desfecha um tiro em B, que vem a falecer pouco 
depois, não em conseqüência dos ferimentos 
recebidos, mas sim porque antes ingerira veneno; 
2) A fere B no mesmo momento em que este vem a 
falecer exclusivamente por força de um colapso 
cardíaco; 
3) A ministra veneno na alimentação de B que, 
quando está tomando a refeição, vem a falecer em 
conseqüência de um desabamento. 
 
IMPORTANTE: Quando as causas forem 
absolutamente independentes da conduta do agente, 
a questão se resolve no art. 13, caput, do CP, isto é, 
quer sejam preexistentes, concomitantes ou 
supervenientes da vontade do sujeito, o resultado 
não pode ser imputado a si. Assim, responderá pela 
tentativa (quando a hipótese permitir) e não pelo 
crime consumado. 
 
 Exemplos de causas relativamente 
independentes: 
 
4) A golpeia B, hemofílico, que vem a falecer em 
conseqüência dos ferimentos, a par da contribuição 
de sua particular condição fisiológica; 
5) A desfecha um tiro em B, no exato momento em 
que este, em razão da agressão sofre um colapso 
cardíaco, provando que a lesão contribuiu para a 
eclosão do êxito letal. 
6) Num trecho de rua, um ônibus, que o sujeito 
dirige, colide com um poste que sustenta fios 
elétricos, um dos quais, caindo ao chão, atinge um 
passageiro ileso e já fora do veículo, provocando a 
sua morte em conseqüência da forte descarga 
elétrica. 
 
 
Nas duas primeiras hipóteses as causas (hemofilia e 
colapso cardíaco não excluem a linha de 
desdobramento físico desenvolvida, de modo que o 
agente responde pelo resultado morte. Já no último 
caso, o motorista não responde pela morte do 
passageiro, mas somente pelos atos anteriores, se 
tipificados como infração penal, aplicando-se o § 1º, 
do art. 13 do CPB. 
 Se a hipótese for de caso fortuito ou força maior, 
exclue-se a própria conduta, por ausência de dolo ou 
culpa. Não há atuação sobre o nexo causal. 
Causalidade na Omissão - Dispõe o § 2º, do art. 13 
do CP que “a omissão é penalmente relevante 
quando o omitente devia e podia agir para evitar o 
resultado”. 
Cabe, de início, afastar a idéia de que a omissão possa 
produzir o resultado. Se do nada nada surge, não há 
como se possa perceber causalidade na omissão. 
A causalidade na omissão só pode ser concebida pela 
equiparação. Equipara-se o não evitar ao causar. 
Assim, coloca-se, hipoteticamente, a ação esperada 
do sujeito, e se com ela o resultado seria evitado, 
então se considera que a sua omissão foi causal. 
 
Tipicidade- É a precisa adequação do fato praticado 
com a descrição abstrata e legal. 
De outro modo, tipicidade é a adequação do fato 
humano a um modelo incriminador. 
Ex: o tipo penal do art. 121 do CP tem como 
elementos: matar e alguém. Assim, se o agente 
desfere facadas num cadáver, com o dolo de matar, 
não poderá ser responsabilizado por crime, uma vez 
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que o tipo penal exige que a vítima esteja com vida, 
quando da conduta do autor. 
 
Formas de adequação típica - São dois os modos de 
adequação do fato humano a um modelo 
incriminador: 
1. Adequação típica por subordinação direta ou 
imediata - Ocorre quando o fato se amolda 
diretamente ao tipo incriminador, não havendo 
necessidade do uso de qualquer mecanismo de 
adequação. Vale dizer, o fato realizado pelo sujeito 
encontra um modelo legal que descreve a sua 
conduta: Caio efetua disparos de arma de fogo contra 
Tício, matando-o o fato se amolda de forma direta ou 
imediata no tipo do art. 121 do CPB. 
Para se afirmar que o fato se enquadra de forma 
direta no modelo legal, é necessário não só a 
adequação ao elemento objetivo, mas também ao 
elemento subjetivo (dolo ou culpa). Caio mata Tício, 
com vontade de matar. 
2. Adequação típica por subordinação indireta ou 
mediata - Ocorre quando o fato não se amolda 
diretamente ao tipo incriminador, necessitando se 
fazer uso de uma norma de adequação. Num 
primeiro momento se verifica qee o fato não se 
encontra descrito na Lei Penal, mas a tipicidade se 
materializa através de uma outra norma. 
Exemplo de adequação por subordinação indireta é o 
da tentativa: Caio causa ferimentos em Tício quando 
queria matá-lo. Como a tentativa não vem descrita 
em tipos autônomos, se poderia dizer que o fato é 
atípico – não é lesão corporal e nem homicídio. 
Entretanto, nesta hipótese a conduta de Caio é típica 
por força da norma de adequação por ampliação do 
art. 14, II do CPB. 
O mesmo se aplica nos casos de participação – o art. 
29 do CPB. Suponha-se que Mévia, desejando matar 
seu marido Caio, pede emprestada a arma de fogo de 
Tício, ciente este de que a arma se destina ao 
cometimento de um ilícito. Dias após, Mévia realiza o 
crime. A conduta de Mévia se amolda diretamente 
ao tipo incriminador do art. 121 CPB, matar alguém. A 
conduta de Tício, todavia, não encontra um modelo 
incriminador na lei. Entretanto, Tício também 
responderá por homicídio, eis que sua conduta vai se 
amoldar de forma indireta ou mediata no tipo do art. 
121, através da norma de adequação do art. 29, do 
mesmo código. 
 
ATIPICIDADE -Se tipicidade é adequação do fato 
concreto ao tipo, a atipicidade é o inverso: o fato 
humano nãose adequa a determinado tipo, ou não 
se adequa a tipo algum. 
a) Atipicidade absoluta (ou específica) – ocorre 
quando, analisado o fato que seria típico num 
determinado modelo incriminador, verifica-se que 
nele falta algum elemento (objetivo ou subjetivo), 
fundamental à tipicidade, de modo que sem esse 
elemento não se pode concluir pela tipicidade. 
Exemplo da atipicidade absoluta é a hipótese relativa 
ao delito do art. 316 do CPB. Um dos elementos do 
crime de concussão é a qualidade do agente de 
funcionário público. Retirado esse elemento, essa 
qualidade do sujeito ativo, tem-se a atipicidade 
absoluta, eis que o fato não vai se amoldar em 
qualquer outro tipo incriminador. 
b) Atipicidade relativa – ocorre quando no fato 
concreto verifica-se a ausência de um dos elementos, 
não se amoldando o fato em determinado tipo 
incriminador, mas sim em outro tipo penal. 
Exemplo clássico é a hipótese relativa ao delito de 
peculato, art. 312. O tipo exige que o sujeito ativo 
seja funcionário público. Faltando essa qualidade ao 
agente o fato não se amolda no referido tipo, mas vai 
se enquadrar no tipo do art. 168, do mesmo codex. 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Indispensabilidade do resultado – STJ: “A 
culpabilidade (sentido de reprovabilidade) é 
elemento constitutivo da infração (doutrinariamente 
há quem sustente ser pressuposto da pena). Admite 
intensidade. Crime mais grave reclama a sanção mais 
severa. Também o legislador fica vinculado porque a 
pena é medida político-jurídica da resposta ao agente 
do delito” (RSTJ 87/387). 
 
 Resultado – TJSP: “No regime do Código Penal 
atual, que não distingue entre causa e condição, o 
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resultado é o termo final de uma cadeia de condições 
sucessivas ou concomitantes. Aquele que concorre 
com uma dessas condições, sob a forma de ação ou 
omissão, reputa-se por ter produzido o resultado, 
desde que, sem ele, este não pudesse ocorrer” (RT 
387/82). 
 
 Aplicação do princípio da insignificância em lesão 
corporal – STJ: “Indiscutível a insignificância da lesão 
corporal consequente de acidente de trânsito 
atribuído a culpa da mãe da pequena vítima, cabe 
trancar-se a ação por falta de justas causas. 
Precedentes do tribunal” RSTJ 59/107 e RT 705/381). 
TARS: “Pequenas contusões que não deixam vestígios 
externos no corpo da vítima, decorrentes de 
acidentes automobilísticos, provocando apenas dor 
momentânea, não possuem dignidade penal, 
permanecendo aquém do indispensável para 
justificar uma sanção criminal” (JTAERGS 87/112). 
 
 O princípio da insignificância e a Lei de Tóxicos – 
TJRS: “Somente uma quantidade de maconha 
totalmente inexpressiva, incapaz inclusive de permitir 
o 'prazer de fumar', poderá ter o condão de tornar 
atípica a ação de seu portador. A parcela de maconha 
capaz de possibilitar a confecção de um 'fininho' não 
pode, entretanto, ser tida como penalmente 
irrelevante. Recurso ministerial provido, a fim de ser 
recebida a denúncia” (RJTJERGS 133/44). 
 
 Concausas preexistentes. Não excluem o nexo 
causal – TACRIM-SP: “Não afastou a causalidade o 
fato de ser a vítima portadora do vírus HIV, pois, 
ainda que causa preexistente, não a levou, naquele 
instante, ao óbito. Possivelmente a presença do vírus 
tenha atuado para tornar inócua, ou restringir, 
sobremaneira, o efeito, a ministração de antibiótico, 
mas já as infecções vinham na linha de causação do 
traumatismo” (RJD 28/126). 
 
 Concausas preexistentes. Excluem o nexo causal 
– TJSP: “Se a morte da vítima decorreu das suas 
condições pessoais, pois era cardíaca, circunstância 
ignorada pelo réu, não a tendo atingido os tiros 
desfechados por este, responde ele por tentativa e 
não por homicídio consumado” (RT 405/128). 
 
 Inexistência de nexo causal em suicídio – TJSP: 
“Não se podendo afirmar o nexo de causalidade 
existente entre o suicídio da vítima e o ato da 
autoridade policial determinando o seu recolhimento 
devido ao estado de embriaguez, não há 
responsabilizá-lo por homicídio doloso” (RT 700/322). 
 
 Relevância penal da omissão – STJ: “Nos crimes 
comissivos por omissão, o não-impedimento do 
resultado é equiparado à causação. Só tem relevância 
penal, pois, a omissão de providência com virtude de 
impedir o resultado, por quem podia e devia agir 
nesse sentido, a teor do disposto no art. 13 § 2º, do 
Código Penal” (RSTJ 30/355-6). 
 
 Dever de vigilância no pátrio poder – TACRSP: “A 
conduta da mãe, que deixa seus filhos menores 
sozinhos em casa para ir à residência de uma vizinha 
por alguns momentos, não pode ser erigida como 
negligente se, em decorrência de um acidente 
doméstico, uma das crianças vem a falecer, vez que 
não há como se exercer, ininterruptamente, o dever 
de vigilância, decorrente do pátrio poder, pois 
qualquer distração pode ensejar resultados 
lamentáveis, sendo certo que, mesmo que se admita 
sua culpa por conduta omissiva, seria o caso de 
aplicar-se o perdão judicial” (RJDTACRIM 28/278). 
 
 inexistência do dever de agir – TACRSP: “Estando 
a obra sob cuidados e responsabilidade de 
engenheiro credenciado e contratado, não há que se 
falar em obrigação ou dever dos proprietários do 
imóvel em fiscalizar os trabalhos, dar proteção aos 
operários ou até mesmo acompanhar os contratos 
subsequentes elaborados elo engenheiro contratado. 
Não há, pois, por parte dos proprietários, qualquer 
culpa por lesões corporais sofridas pelos empregados 
contratados pelo responsável pela obra” (RT 
729/561). 
 
 
SUJEITOS DO DELITO 
Ativo – é aquele que pratica a conduta descrita na 
norma penal incriminadora. Só o homem (gênero) 
pode ser sujeito ativo, porque só ele é capaz de 
realizar a conduta. 
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É de se observar que o sujeito ativo é quem de 
qualquer forma realiza o crime, seja, portanto, na 
condição de autor, seja na condição de partícipe. 
Os fatos típicos podem ser realizados por qualquer 
pessoa. Existem, todavia, crimes em que a autoria 
está limitada a determinadas pessoas que 
apresentam certas qualidades jurídicas ou de fato, ou 
que se achem em situações especiais. Chama-se 
comuns (delicta communia), os crimes que podem ser 
praticados por qualquer pessoa. Denominam-se 
especiais ou próprios (delicta própria), aqueles crimes 
que só podem ser praticados por determinadas 
pessoas. 
As qualidades e situações relativas ao sujeito ativo 
nos crimes denominados próprios, podem ser de fato 
ou jurídica. 
As qualidades ou situações de fato podem se naturais 
ou sociais. Como exemplo de qualidade natural, cita-
se o delito de auto-aborto (art. 124 CP), que só pode 
ser praticado por mulher, citando-se também o delito 
de sedução (art. 217) (revogado do CPB em 2005), 
que só pode ser praticado por homem. Mulher e 
homem são qualidades naturais. Como exemplo de 
situações sociais relativas ao agente tem-se o art. 133 
do CP – “autoridade”, e o art. 154 – “ofício ou 
profissão”. 
Como exemplo de qualidade jurídica relativamente 
ao sujeito ativo, cita-re o conceito de funcionário 
público do art. 327. 
É de se observar que a qualidade do sujeito ativo 
exigida pela lei deve estar presente no momento da 
ação, e o agente deve ter consciência dessa 
qualidade. 
É de se destacar, ainda, os crimes de “mão própria”, 
nos quais somente o sujeito ativo deve realizar a ação 
típica, não podendo utilizar um terceiro naprática do 
crime. Exemplo deste delito é o falso testemunho – 
342 do CPB. 
 
Passivo – é o titular do interesse que sofre a 
conseqüência lesiva da conduta punível. 
a) Sujeito passivo formal: é o Estado enquanto titular 
do direito subjetivo à observância dos preceitos 
penais. 
Sujeito passivo material: é o titular do bem jurídico 
penalmente tutelado que sofre de forma direta a 
lesão decorrente da prática delituosa. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DOS CRIMES 
 
Comuns = podem ser praticados por qualquer pessoa; 
Próprios = exigem do sujeito ativo uma condição 
particular. Ex.: funcionário público; gestante; 
Mão própria ou atuação pessoal = aqueles que só 
podem ser praticados pelo sujeito em pessoa. Não 
admitem co-autoria, somente participação. Ex.: falso 
testemunho (art. 342, CPB); 
Dano = consumam-se com a efetiva lesão do bem 
jurídico tutelado; 
Perigo = consumam-se só com a possibilidade de 
dano. Ex.: omissão de socorro (art. 135, CPB; incêndio 
(art. 250, CPB); 
Materiais = aqueles que causam uma modificação no 
mundo externo (resultado). Ex.: homicídio (art. 121, 
CPB); 
Formais ou de consumação antecipada = o tipo 
descreve um comportamento e o resultado, mas não 
há necessidade da produção deste para efeito de 
consumação. Ex.: extorsão mediante seqüestro (art. 
159, CPB); 
Mera conduta: não há resultado, a lei descreve, tão 
somente, o comportamento do agente. Ex.: violação 
de domicílio (art. 150, CPB); 
Comissivos = aqueles praticados através de uma ação 
(comportamento positivo); 
Omissivos = aqueles praticados através de uma 
inação (comportamento negativo); 
Comissivos por omissão ou omissivos impróprios = 
aqueles em que o sujeito, mediante uma inação 
(omissão), permite a produção do resultado. Em 
regra, a simples omissão não constitui crime. Porém, 
em determinados casos, aplica-se o disposto no art. 
13, § 2º do CPB; 
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Conduta mista = fase inicial positiva e omissão na 
fase final. Ex.: apropriação de coisa achada (art. 169, 
p.u., II, CPB); 
Instantâneos = aqueles que se completam em um só 
momento; não há continuidade temporal; 
Permanentes = aqueles em que a situação de dano 
ou de perigo se prolonga no tempo. Ex.: seqüestro 
(art. 148, CPB); 
Instantâneos de efeitos permanentes = caracterizam-
se pela índole duradoura de suas conseqüências; a 
permanência dos efeitos independe da vontade do 
agente. Ex.: furto (art. 155, CPB), homicídio (art. 121, 
CPB); 
Habituais = aqueles caracterizados pela reiteração da 
mesma conduta reprovável, constituindo-se em um 
estilo ou hábito de vida. Ex.: curandeirismo (art. 284, 
CPB); 
Profissionais = quando, no crime habitual, há 
intenção de lucro; 
Acessórios = pressupõem a existência de um outro 
crime. Ex.: receptação (art. 180,CPB), favorecimento 
pessoal (art. 348, CPB); 
Simples = constituídos de tipo penal único; 
Complexos = reunião de dois ou mais tipos penais, 
constituindo outro, como elementares. Ex.: extorsão 
mediante seqüestro (art. 150, CPB); um delito integra 
o outro, funcionando como circunstância 
qualificadora. Ex.: 157, § 3º, final do CPB – homicídio 
qualificando o crime de roubo – latrocínio; 
Condicionados = tem a punibilidade condicionada a 
um fato exterior e posterior à consumação do crime 
(condição objetiva de punibilidade). Ex.: casos de 
extraterritorialidade condicionada (art. 7º, § 2º do 
CPB); 
Progressivos = para alcançar-se a produção de um 
resultado mais grave, passa-se por outro de menor 
gravidade. Ex.: homicídio (antes do resultado morte 
há lesões ou lesão à integridade física da vítima); 
Subsidiários - aqueles que só se aplicam ante a 
existência de crime mais grave. Ex.: perigo para a vida 
ou a saúde de outrem (art. 132, CPB); 
Multitudinários = praticados por multidão em 
tumulto. Constitui circunstância atenuante (art. 65, 
III, e, CPB, ou agravante. Art. 62, I); 
Unissubsistentes = se realizam em um só ato; não se 
podem fracionar no tempo e não admitem tentativa; 
Plurissubsistente = aqueles que se perfazem em 
vários atos; podem ser fracionados no tempo; 
Exauridos = aqueles que depois de consumados, 
atingem as últimas conseqüências. Ex.: corrupção 
passiva (art. 317, CB); 
Unissubjetivos = praticados por uma só pessoa; 
Concurso necessário= existem mais de um sujeito 
ativo. Dividem-se em coletivos (convergência ou 
plurissubjetivos) e bilaterais ou de encontro; 
Plurissubjetivos = há concurso de várias pessoas. Ex.: 
quadrilha ou bando (art. 288, CPB); 
Bilaterais = exigem o concurso de duas pessoas, 
mesmo que uma delas não seja culpável. Ex.: bigamia 
(art. 235, CPB), adultério (art. 240, CPB); 
Concurso eventual = aqueles que necessitam de uma 
só pessoa para sua prática, mas, eventualmente, 
podem ser cometidos por mais de uma. Art. 29, CPB; 
Continuado = trata-se de concurso de crimes. Art. 71 
do CPB; 
Putativo = o sujeito supõe que sua conduta é 
criminosa, quando, na verdade, constitui-se em fato 
atípico; 
Vagos = aqueles que têm como sujeito passivo 
entidades desprovidas de personalidade jurídica. 
Família, coletividade. Ato obsceno (art. 233, CPB); 
Conteúdo variado ou de ação múltipla = o tipo faz 
referência a várias modalidades de ação. Ex.: 
induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio (art. 
122, CPB); 
Forma livre = podem ser cometidos por qualquer 
meio. EX.: homicídio; 
Forma vinculada = quando a lei, de forma 
particularizada, descreve a atividade do agente. Ex.: 
curandeirismo (art. 284, CPB); 
Transeuntes = aqueles que não deixam vestígios; 
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Não-transeuntes = aqueles que deixam vestígios; 
Atentado ou de empreendimento = aqueles cuja 
pena aplicada à tentativa é a mesma do delito 
consumado. Ex.: evasão mediante violência contra a 
pessoa (art. 352, CPB). 
 
 
CRIME CONSUMADO E CRIME TENTADO – art. 14, I e 
II do CPB 
 
Iter criminis 
 
 Iter é o caminho percorrido pelo agente na 
obtenção da meta perseguida. Se o agente, ao iniciar 
o percurso do iter criminis, não alcançar sua meta, 
diz-se que o crime foi tentado, ou seja, não ocorreu a 
consumação. 
 Se o agente, passanto pela fase de cognição, 
preparar, executar o ato e alcançar seu objetivo, diz-
se que o crime foi consumado. Dependendo do tipo 
penal, pode ocorrer, após a consumação, o 
exaurimento do crime, como no caso do crime de 
corrupção passiva (CP, art. 317), em que o agente 
consuma o delito ao solicitar a vantagem indevida e o 
exaure, se ocorrer o recebimento de tal vantagem. 
 Importante salientar que a fase preparatória, 
impunível como regra, pode levar à sanção do 
agente, desde que a mesma se constitua, de per si, 
em ilícito penal. Tome-se como exemplo o caso do 
agente que, momentos antes de abater a vítima a 
tiros, é interceptado por agentes policiais que 
tomaram conhecimento do plano de homicídio. Preso 
antes mesmo de sacar sua arma de fogo, não 
responderá por tentativa de homicídio, uma vez que 
não iniciou a execução do crime, mas será 
responsabilizado por porte ilegal de arma. 
FASES DO CRIME 
1ª – Cogitação (cognição) 
2ª – Preparação 
3ª – Execução 
4ª – Consumação 
* Exaurimento. 
 
Consumação nos Diversos Tipos de Crimes 
 Crimes materiais – ocorre com o resultado; 
 Crimes formais – é dispensável o resultado 
naturalístico; 
 Crimes de mera conduta – se dá com o atuardo 
agente; 
 Crimes permanentes – se protrai no tempo 
dependentemente da vontade do agente; 
 Crimes complexos – quando ocorrer a 
consumação de todos os delitos componentes; 
 Crimes habituais – se verifica quando ocorrer a 
reiteração do ato definido como crime; 
 Crimes culposos – surge somente com o 
resultado; 
 Crimes omissivos próprios – ocorre no momento 
e no local em que o sujeito devia agir, mas não o fez; 
 Crimes omissivos impróprios – se dá com o 
resultado, e não com a simples inércia do sujeito. 
 
Inadmissibilidade da tentativa - Inicia o parágrafo 
único do art. 14 com a expressão “salvo disposição 
em contrário”, significando dizer que, em certas 
infrações, a tentativa já configura a consumação do 
delito, como, por exemplo, o crime previsto no art. 
352. 
Também não admitem a tentativa os crimes ditos 
unissubsistentes (aqueles que se praticam num só 
ato), isto porque não se pode fracionar o processo de 
execução – ex.: injúria verbal – art. 140. 
 
 Tentativa perfeita: quando a fase de execução 
é integralmente realizada pelo agente, mas o 
resultado não se verifica por circunstâncias alheias à 
sua vontade, diz-se que há tentativa perfeita ou 
crime falho. 
 
 Tentativa imperfeita: quando o processo 
executório é interrompido por circunstâncias alheias 
à vontade do agente, fala-se em tentativa imperfeita 
ou tentativa propriamente dita; 
 
Crime impossível (quase-crime) – art. 17 CPB - Não se 
trata de causa de isenção de pena, mas de causa 
geradora de atipicidade, pois não se concebe queira o 
tipo incriminador descrever como crime uma ação 
impossível de se realizar. 
 
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 Ineficácia absoluta do meio – o meio empregado 
ou o instrumento utilizado para execução jamais o 
levarão à consumação. Ex.: palito de dente para 
matar adulto. Se relativa a ineficácia, levará a 
tentativa. Ex.: palito de dente na moleira de um 
recém nascido. 
 
 Impropriedade absoluta do objeto material – A 
pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta é 
absolutamente inidônea para a produção de algum 
resultado lesivo. Ex.: matar cadáver. Se relativa a 
impropriedade, responde por tentativa. Ex.: pivete 
enfia a mão no bolso errado para pegar dinheiro, não 
logrando êxito, vez que o objeto material está no 
outro bolso. 
 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Consumação em crime formal – STF: “Concussão. 
Crime de natureza formal. Consuma-se pela simples 
exigência da vantagem indevida” (RTJ 71/651). TJPS: 
“A concussão é delito eminentemente formal: 
consuma-se com o simples fato da exigência da 
indébita vantagem” (RT 483/287). 
 
 Crime exaurido – STF: “A efetiva obtenção da 
vantagem econômica, que motivou a ação delituosa 
do agente, constitui mero exaurimento do crime de 
extorsão. A natureza do delito de extorsão dispensa, 
para efeito de configuração do seu momento 
consumativo, a ilícita obtenção, pelo agente ou por 
terceira pessoa, da vantagem patrimonial indevida. 
Precedentes jurisprudenciais. Magistério da doutrina” 
(DJU de 23-4-1993, p. 6.919). 
 
 Cogitação, ato preparatório e ato de execução– 
STJ: “Calúnia. Cogitação que não se transformou em 
ato. É atípico e penalmente irrelevante o plano com 
escopo de caluniar alguém, abortado ainda em fase 
de execução” (EJSTJ 32/23). TJSP: “Ato executivo (ou 
de tentativa) é o que ataca efetiva ou imediatamente 
o bem jurídico. Ato preparatório é o que possibilita, 
mas não é ainda, sob o prisma objetivo, o ataque ao 
bem jurídico. A mera cogitatio não basta para 
configurar o conatus” (RT 605/287). TJPS: ”Se os 
atos praticados pelo agente foram meramente 
preparatórios, não chegaram à iniciativa da execução 
do crime que lhe é atribuído, são atípicos e, portanto, 
insusceptíveis de sanção penal” (RT 464/325). 
 
 Inexistência de atos de execução – TACRSP: 
“Inocorre crime de furto, por atipicidade de conduta, 
quando a ação do agente não ultrapassa a 
preparação, uma vez que não teve tempo de praticar 
o primeiro ato idôneo do início da execução, sendo 
certo que nem a cogitação do delito nem os atos 
preparatórios são puníveis, a teor do art. 14, II, do 
CP” (RJTACRIM 53/107). 
 
 Necessidade de atos inequívocos (dolo) – TJSP: 
“A tentativa de morte exige para o seu 
reconhecimento atos inequívocos da intenção 
homicida do agente. Não basta, para configurá-la, o 
disparo de arma de fogo e a ocorrência de lesões 
corporais no ofendido, principalmente quando o réu 
não foi impedido de prosseguir na agressão e dela 
desistiu” (RT 458/344). 
 
 Redução da pena pelo iter criminis percorrido – 
STF: “A fixação do percentual incidente no caso 
concreto, tendo em vista causa de diminuição da 
pena – tentativa – não se faz aleatoriamente. Há de 
ser levado em conta o iter criminis, ou seja, os atos 
que chegaram a ser praticados pelo agente” (HC 
69.342-3 – DJU de 21-8-1992, p. 12.784). STJ: “A 
diminuição referente à tentativa deve guardar 
compatibilidade do iter criminis” (RSTJ 123/422). 
 
 Distinção entre crime impossível e tentativa – 
TACRSP: “No crime impossível, enquanto se 
desenrola a ação do agente, ela não sofre 
interferência alheia, ao passo que, na tentativa, quase 
sempre a ação é interrompida por injução externa. 
Nesta, também, o resultado delituoso é sempre 
possível, porque os meios empregados são, por sua 
natureza, idôneos, e o objeto contra o qual dirigiu sua 
conduta é 'um bem jurídico suscetível de sofrer lesão 
ou perigo de lesão', ao passo que, naquele, o 
emprego de meios ineficazes ou o ataque a objetos 
impróprios, isto é, a bens jurídicos que não 
comportam ofensa ou perigo de ofensa, inviabiliza o 
resultado delituoso” (RJDTACRIM 8/100). 
 
 Crime impossível no homicídio – STF: “Constitui 
crime impossível a tentativa de homicídio cometida 
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com revólver descarregado” (RT 568/329). TJSP: 
“Estando o revólver empunhado pelo réu 
desmuniciado, com todas as balas já deflagradas, 
absolutamente ineficaz o seu uso para a prática do 
homicídio. Tem-se, na espécie, pois, autêntica 
tentativa impossível” (RT 514/336). 
 
 Crime impossível no homicídio. Não 
caracterização – TJSP: “Não há falar em crime 
impossível, sob o argumento de ter o agente 
desfechado vários golpes de faca na vítima quando 
esta já estava morta, pelas facadas desferidas pelos 
seus comparsas. O certo é que descabe separar as 
investidas para saber qual dos golpes produziu a 
morte, devendo ser reconhecido, in casu, a 
qualificadora, por meio cruel” (RT 817/551). 
 
 Crime impossível no estupro – TJSC: “Tendo a 
vítima declarado que o crime de estupro só não se 
consumou porque o réu não 'teve potência', ou seja, 
não houve ereção, resta enquadrada a conduta do 
art. 17 do Código Penal, crime impossível por 
absoluta ineficácia do meio, isentando-o, assim, de 
pena” (JCAT 101/466). 
 
 
CRIME DOLOSO E CRIME CULPOSO (art. 18, I e II, 
CPB) 
 
Crime Doloso 
 
DOLO é a vontade de concretizar as características 
objetivas do tipo; constitui elemento subjetivo do 
tipo (implícito). 
 
Elementos do dolo: presentes os requisitos da 
consciência e da vontade, o dolo possui os seguintes 
elementos: 
 
a) consciência da conduta e do resultado; 
b) consciência da relação causal objetiva entre a 
conduta e o resultado; 
c) vontade de realizar a conduta e produzir o 
resultado. 
 
O dolo caracteriza-sepela consciência volitiva na 
busca da realização de uma conduta típica. Relaciona-
se com a consciência inequívoca da ação do agente 
com o fim de alcançar um objetivo. 
 
Consciência – conhecimento por parte do autor da 
infração penal de que sua conduta é prevista em lei 
como conduta delituosa. Com isso não se quer 
afirmar que ele precisa conhecer tecnicamente os 
termos da lei, mas sim, agir em desacordo com os 
elementos essenciais do tipo penal; 
 
Vontade – resolução do agente em praticar a conduta 
típica acima referida, com o intuito de alcançar 
aquele resultado por ele perseguido. 
 
Dolo Direto – vontade consciente dirigida 
exatamente à realização da conduta típica havendo 
uma exata coincidência entre a vontade do agente e 
o resultado alcançado. 
 
Dolo Indireto – a vontade do agente não está bem 
expressa, vale dizer, não é preciso, definido. Incluídos 
estão o dolo alternativo, que ocorre quando o agente 
quer, entre dois ou mais resultados, qualquer deles e 
o dolo eventual, em que o agente não quer o 
resultado, mas, prevendo que ele possa ocorrer, 
assume conscientemente o risco de causá-lo. 
 
Crime Culposo - Quando se diz que a CULPA é 
elemento do tipo, faz-se referência à inobservância 
do dever de diligência; a todos no convívio social, é 
determinada a obrigação de realizar condutas de 
forma a não produzir danos a terceiros; é o 
denominado cuidado objetivo; a conduta torna-se 
típica a partir do instante em que não se tenha 
manifestado o cuidado necessário nas relações com 
outrem, ou seja, a partir do instante em que não 
corresponda ao comportamento que teria adotado 
uma pessoa dotada de discernimento e prudência, 
colocada nas mesmas circunstâncias que o agente; a 
inobservância do cuidado necessário objetivo é o 
elemento do tipo. 
 
Elementos do fato típico culposo: 
 
 a conduta humana e voluntária, de fazer ou não 
fazer; 
 a inobservância do cuidado objetivo manifestada 
através da imprudência, negligência ou imperícia; 
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 a previsibilidade objetiva; 
 a ausência de previsão; 
 o resultado involuntário; 
 o nexo de causalidade; 
 e a tipicidade. 
Modalidades: Negligência, imprudência, imperícia 
Espécies: 
 Culpa consciente – o agente prevê (previsão) a 
possibilidade da ocorrênciza do resultado, mas 
acredita que o evitará 
 Culpa inconsciente: o agente não prevê a 
possibilidade da ocorrência do resultado, embora 
tenha condições de fazê-lo (previsibilidade). 
Compensação de Culpas: Inexiste no Direito Penal. A 
culpa da vítima não compensa a culpa do agente. 
Concorrência de Culpas: Hipótese que se verifica nos 
delitos de trânsito em que cada um dos motoristas 
envolvidos colabora com o resultado. Cada agente é, 
ao mesmo tempo, autor e vítima. 
Distinção entre dolo eventual e culpa consciente: No 
dolo eventual o agente consente no resultado, sendo 
irrelevante o dano causado. A vontade de praticar o 
ato sobrepõe-se à possibilidade de dano, sendo, pois, 
caracterizado pela indiferença ao resultado. Na culpa 
consciente, o agente prevê a possibilidade de prejuízo 
a outrem, mas confia nas circunstâncias ou em sua 
perícia. Nesta, pune-se a imprevidência do agente; no 
dolo eventual, pune-se o livre propósito de ser 
indiferente ao resultado. 
Crime Preterdoloso (Art. 19)- Crime preterdoloso (ou 
preterintencional) é aquele em que a conduta produz 
um resultado mais grave que o pretendido pelo 
sujeito. O agente quer um minus e seu 
comportamento causa um majus, de maneira que se 
conjuga o dolo na conduta antecedente e a culpa no 
resultado (conseqüente). 
Consoante se vê em relação a vários delitos, o 
legislador, após descrever o crime em sua forma 
simples, acrescenta-lhes resultados mais graves, 
aumentando-lhes abstratamente a pena. São os 
crimes qualificados pelo resultado, vendo-se 
exemplos em várias passagens da Parte Especial do 
CP: arts. 127, 129, § 1º, II, § 2º V, § 3º. 
O CP, após descrever as figuras do crime de aborto 
nos arts 125 e 126, determina no art. 127 que “as 
penas cominadas nos dois artigos anteriores são 
aumentadas de um terço, se, em conseqüência do 
aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a 
gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são 
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe 
sobrevém a morte”. 
Outro exemplo é o do agente que, desejando apenas 
lesionar a vítima, desfere-lhe um soco no rosto; na 
queda, em razão da violência do soco, a vítima bate 
com a cabeça no meio fio, vindo a falecer. 
Nestes dois exemplos – art. 127 e 129, § 3º, as 
hipóteses são de crimes qualificados pelo resultado 
ou preterdolosos. 
Esse resultado mais grave que qualifica o delito pode 
ser doloso ou culposo. 
Na hipótese do resultado agravador se verificar a 
título de dolo, a capitulação poderá ser outra (nos 
casos acima – art. 127 e 129, § 3º, a morte da 
gestante e do agredido se foi requerida pelo agente, 
terá ocorrido homicídio). Se, entretanto, o resultado 
agravador ocorrer a título de culpa (imprudência, 
negligência ou imperícia), materializa-se, então, o 
crime preterdoloso, também dito preterintencional, 
onde existe dolo no antecedente (figura básica), e 
culpa no conseqüente (resultado mais grave). 
Em contrapartida, se o resultado mais grave não 
ocorreu a título de dolo ou de culpa, mas sim, v.g., 
por “caso fortuito”, o agente não responderá pelo 
fato agravado, tendo incidência o art. 19 do CP: “pelo 
resultado que agrava especialmente a pena, só 
responde o agente que o houver causado ao menos 
culposamente”. 
Conforme se conclui, o mecanismo do art. 19 do CP 
impede a responsabilidade objetiva nos crimes 
agravados pelo resultado. Não basta, como se 
imaginou durante muito tempo, a mera relação de 
causa e efeito. 
O agente responderá pelo resultado mais grave 
somente se lhe deu causa ao menos culposamente. 
 
 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
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 Conceito de dolo – TACRSP: “Dolo, perante o 
Direito pátrio, é a vontade dirigida ao resultado, bem 
como a vontade que, embora não dirigida 
diretamente ao resultado previsto como provável, 
consente no advento este ou assume o risco de 
produzi-lo” (JTACRIM 43/297). 
 
 Existência de dolo eventual – TJSP: “Dolo 
eventual. Desclassificação para homicídio culposo. 
Inadmissibilidade. Agente que, em face do meio e 
modo pelos quais agiu, assumiu o risco de produzir o 
resultado letal” (JTJ 173/319). 
 
 Dolo eventual em “racha” automobilístico– STF: 
“A conduta social desajustada daquele que, agindo 
com intensa reprovabilidade ético-jurídica, participa, 
com o seu veículo automotor, de inaceitável disputa 
automobilística realizada em plena via pública, nesta 
desenvolvendo velocidade exagerada – além de 
ensejar a possibilidade de reconhecimento de dolo 
eventual inerente a esse comportamento do agente – 
justifica a especial exasperação da pena, motivada 
pela necessidade de o Estado responder, grave e 
energicamente, à atitude de quem, em assim agindo, 
comete os delitos de homicídio doloso e de lesões 
corporais” (RT 733/478). 
 
 Necessidade de consciência da imprudência, 
negligência ou imperícia– TACRSP: “No sentido 
jurídico-penal, a culpa tem por pressuposto a 
consciência da imperícia, da imprudência ou da 
negligência, as quais se traduzem, no ato, em um 
resultado não querido, mas previsível, por parte do 
agente. O comportamentocomum determina um 
freio moral a tais deficiências humanas, sendo certo 
que o descuido ou o desprezo a este dá ensejo à 
reprovabilidade da conduta, fundamentando a razão 
de punir por parte do Estado” (JTACRIM 31/319). 
 
 Erro profissional – TACRSP: “Há erro escusável, e 
não imperícia, sempre que o profissional, 
empregando correta e oportunamente os 
conhecimentos e regras de sua ciência, chega a uma 
conclusão, possa, embora, daí advir resultado de 
dano ou de perigo” (RT 580/349). 
 
 Crime com culpa consciente – TJSP: “Homicídio. 
Dolo eventual – desclassificação para a modalidade 
culposa – Réu que não quis o resultado morte e 
também não assumiu o risco de produzi-lo – culpa 
consciente, também chamada de culpa com previsão, 
esperando o agente que o evento não ocorra – 
Recurso provido” (JTJ 220/315). 
 
 Inexistência de culpa presumida– TAMG: 
“Irrelevante em nosso sistema jurídico penal, para 
fins de aferição de culpa, a inabilitação do réu como 
motorista” (RT 544/424). 
 
 Inadmissibilidade de compensação de culpas – 
TACRSP: “Em se tratando de acidente de trânsito, o 
fato de a vítima ter concorrido para a ocorrência do 
evento não exclui a responsabilidade do agente, pois, 
no Direito Penal não há compensação de culpas” 
(TJDTACRIM 40/255). 
 
 Culpas concorrentes– TACRSP: “Decorrendo a 
colisão de veículos de culpa concorrente, impõe-se a 
condenação de ambos os motoristas” (RJDTACRIM 
4/107). 
 
 
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO 
EFICAZ E ARREPENDIMENTO POSTERIOR 
 
Desistência Voluntária - O agente não praticou o ato 
final, desistindo voluntariamente do seu intento, isto 
é, desistindo sem ter sido coagido moral ou 
materialmente. Não é tentativa. Quem desiste 
voluntariamente responde, somente, pelos atos 
praticados até a desistência. 
 
Arrependimento Eficaz - O agente já praticou o 
último ato suficiente para consumação do crime, 
mas, arrependendo-se, impede que o resultado se 
verifique. 
Ex: (A quer matar B, que não sabe nadar e lança-o ao 
mar, porém arrependendo-se atira-se ao mar e salva 
B). 
Quem se arrepende eficazmente responde somente, 
pelos atos praticados até o arrependimento (ver art. 
16 do CP). No caso do arrependimento ser ineficaz, 
mas ter sido reparado o dano ou restituído a coisa, 
até o recebimento da denúncia a pena será reduzida 
de um a dois terços. A jurisprudência anota inúmeros 
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casos de emissão de cheque sem fundo quando há 
reparação de dano, em que chega a eliminar a 
punição do agente. 
OBS.: O arrependimento eficaz corresponde na 
prática à desistência voluntária. 
 
Arrependimento Posterior (CP, art. 16) - Pode 
ocorrer do agente, após praticar o delito, 
arrependido, repare o dano ou restitua o objeto do 
crime, tendo direito, assim, da redução de sua pena. 
São requisitos para a concessão do benefício: 
 
a) Crime praticado sem violência ou grave ameaça à 
pessoa 
b) Reparação do dano ou devolução da coisa 
c) Ato voluntário do agente 
d) Ato praticado até o recebimento da denúncia 
 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Distinção da desistência voluntária com a 
tentativa– TACRSP: “O que estrema o conatus da 
desistência voluntária é o fato de que, naquele, o 
agente, embora desejando atingir a meta visada, não 
o pode fazer por circunstâncias alheias à sua vontade, 
ao passo que, nesta, embora podendo dar 
continuidade à ação delituosa, não mais o deseja” 
(RJDTACRIM 24/218). 
 
 Arrependimento eficaz em caso de homicídio– 
TJSP: “É reconhecida a figura do arrependimento 
eficaz na conduta do agente que, após disparar vários 
tiros contra a vítima, prontamente a socorre, 
levando-a para um hospital, uma vez que, após 
esgotados todos os meios disponíveis para a prática 
do crime, o réu evitou que o resultado ocorresse. 
Logo, responderá o agente pelos atos já praticados, 
impondo-se, assim, a desclassificação do delito para o 
de lesão corporal de natureza grave” (RT 544/424). 
 
 Desnecessidade de reparação espontânea – 
TACRSP: “Para a caracterização do arrependimento 
posterior, a lei não exige que o ato seja espontâneo, 
bastando a voluntariedade do agente em reparar o 
dano ou restituir a coisa, antes do oferecimento da 
denúncia” (RT 727/532). 
 
ERRO – art. 20 do CPB 
 
Falsa noção da realidade; diferencia-se da ignorância; 
nesta, a pessoa desconhece a situação; no erro, ela 
pensa que sabe, quando na verdade desconhece. 
 
Espécies 
1) Erro de tipo essencial: Quando a falsa noção da 
realidade incide sobre alguns dados da figura típica 
(elementares, circunstâncias, qualificadoras). 
 
Exemplos: 
a. sujeito atira num arbusto pensando ser um animal 
e mata uma pessoa (erro de tipo quanto ao elemento 
alguém do art. 121); 
b. Sujeito que leva o código do colega pensando ser 
seu (subtração de coisa alheia móvel). 
 
Conseqüências: 
 
 se vencível (evitável, inescusável, indesculpável): 
responde por culpa, nos crimes em que a culpa é 
admitida; 
 se invencível (inevitável, escusável, desculpável): o 
fato é atípico – exclui a tipicidade. 
 
2) Erro de tipo acidental: incide sobre dados 
irrelevantes da figura típica. Não impede a apreciação 
do caráter criminoso do fato. O agente sabe 
perfeitamente que está cometendo um crime. Por 
esta razão é um erro que não traz qualquer 
conseqüência jurídica. O agente responde pelo crime 
como se não houvesse erro. 
 
Espécies de erro de tipo acidental: 
 
Erro sobre o objeto - objeto material de um crime é a 
pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta. Tal erro 
é absolutamente irrelevante, na medida em que não 
traz qualquer conseqüência jurídica. Ex.: o sujeito ou 
invés de furtar café, subtrai feijão. Responde pelo 
mesmo crime, furto. 
Erro sobre a pessoa - erro na representação mental 
do agente, que olha um desconhecido e o confunde 
com a pessoa que quer atingir. Em outras palavras, 
nessa espécie de erro acidental, o sujeito pensa que A 
é B. tal erro é tão irrelevante que o legislador 
determina que o autor seja punido pelo crime que 
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efetivamente cometeu contra terceiro inocente 
(vítima efetiva), como se tivesse atingido a pessoa 
pretendida (vítima virtual), isto é, considera-se, para 
fins de sanção legal, as qualidades da pessoa que o 
agente queria atingir, e não as da efetivamente 
atingida (art. 20, § 3
o
). 
Erro na execução do crime (aberratio ictus) - Art. 73, 
CPB, o agente não se confunde quanto à pessoa que 
pretende atingir, mas realiza o crime de forma 
desastrada, errando o alvo e acertando vítima 
diversa. Responde da mesma forma que no erro 
sobre a pessoa. 
Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis) 
- art. 74, CPB, o agente quer atingir um bem jurídico, 
mas por erro na execução atinge bem diverso. Não se 
trata de atingir uma pessoa ao invés de outra e sim 
de cometer um crime no lugar de outro. Ex.: um 
sujeito joga pedra na vidraça e acaba acertando uma 
pessoa, em vez do vidro. Responderá por lesão 
corporal culposa. Se, por acaso quebrar o vidro e 
lesionar a pessoa, responderá em concurso formal 
(art. 70, CPB) pelo crime mais grave (lesão corporal), 
acrescido de 1/6 até a metade. 
 
 
Descriminantes putativas – art. 20, § 1º 
 
Descriminantes = é a causa que descrimina, isto é, 
que exclui o crime, ou seja, a ilicitude do fato típico. 
Putativa = significa imaginário 
 
Conceito– é a causa excludente da ilicitude 
erroneamente imaginada pelo agente. Ela não existe 
na realidade, mas o sujeito entende que sim, porque 
está errado. Ex.: legitima defesa putativa; estado de 
necessidade putativo; exercício regular de direito 
putativo. O agente acha que está amparado por lei, 
norma permissiva. 
Erro sobre a ilicitude do fato – erro da proibição: o 
erro de proibição sempre exclui a atual consciência $a 
ilicitude. No erro de tipo, o agente tem uma visão 
distorcida da realidade, não vislumbrando, na 
situação que se lhe apresenta a existência de fatos 
descritos no tipo como elementares ou 
circunstâncias. No erro de proibição, ao contrário, há 
uma perfeita noção acerca de tudo o que se está 
passando. O sujeito conhece toda a situação fática, 
sem que haja distorção da realidade. Seu equívoco 
incide sobre o que lhe é permitido fazer diante 
daquela situação, ou seja, se é lícito praticar tal ato 
na circunstância em que se encontra. 
 
Importante: O erro de tipo exclui o dolo e, quando 
inescusável, a culpa; o de proibição pode ser causa de 
exclusão da culpabilidade. 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Erro de tipo em violação de direito autoral – TJSP 
“Vendedor ambulante de 'fitas piratas΄, sem 
nenhuma instrução e que somente assina o nome, 
não tem condições de saber o que é direito autoral e 
age amparado por erro de tipo, que exclui a 
culpabilidade por não dispor de consciência atual da 
ilicitude” (RT 728/525). 
 
 Erro de tipo em crime referente a tóxicos – 
TACRSP “Crime contra a saúde pública. Plantio e 
posse de entorpecente. Maconha. Acusado que, 
entretanto, ignorava tratar-se de erva proibida. Sua 
utilização no preparo de ΄chás΄ para alívio de dores 
em geral, especialmente de estômago e 'de mulher΄. 
Erro de fato caracterizado. Absolvição decretada” (RT 
526/375). 
 
 Erro de tipo em violação de direito autoral – TJSP 
“Vendedor ambulante de 'fitas piratas΄, sem 
nenhuma instrução e que somente assina o nome, 
não tem condições de saber o quen é direito autoral e 
age amparado por erro de tipo, que exclui a 
culpabilidade por não dispor de consciência atual da 
ilicitude” (RT 728/525). 
 
 Erro sobre a pessoa em crime de homicídio: 
ausência da vítima no local do fato – TJPE: “Para a 
consumação do crime de homicídio é irrelevante que 
a pretensa vítima não se encontre no local do fato, se 
o agente, atuando como animus necandi acaba 
atingindo a pessoa outra que não o seu desafeto, 
pois, nesse caso, o que se tem é o erro quanto à 
pessoa contra a qual o crime é praticado, e esse não 
isenta o acusado de pena, nos termos do art. 20, § 3°, 
do CP” (RT 728/525). 
 
 Legítima defesa putativa – TJMT “Legítima defesa 
putativa – caracterização – Vítima mal-afamada, 
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acostumada a ameaçar pessoas com arma que traz na 
cintura, que faz gesto de sacá-la, antes de ser 
alvejada pelos disparos do acusado. (...) Configura-se 
a legítima defesa putativa, quando a vítima, mal-
afamada, useira e vezeira em ameaçar pessoas com 
arma que traz na cintura, faz gesto de sacar uma 
arma antes de ser alvejada pelos disparos do 
acusado” (RT 780/644). 
 
 Desconhecimento da lei e erro sobre a ilicitude 
do fato– STJ “A infração penal, por ser conduta 
proibida, implica reprovação ao agente. Ocorre, pois, 
culpabilidade, no sentido da censura ao sujeito ativo. 
O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, exclui a 
punibilidade. Evidente, as circunstâncias não 
acarretam a mencionada censura. Não se confunde 
com o desconhecimento da lei. Este é irrelevante. A 
consciência da ilicitude resulta da apreensão do 
sentido axiológico das normas de cultura, 
independentemente de leitura do texto legal” (RHC 
4.722-SP – DJU de 30-9-1996, p. 36.6651). 
 
 
CULPABILIDADE 
Conceito – possibilidade de se considerar alguém 
culpado pela prática de uma infração. 
A culpabilidade é vista como a possibilidade de 
reprovar o autor de um fato punível porque, de 
acordo com as circunstâncias concretas, podia e devia 
agir de modo diferente. Funda-se, portanto, na 
possibilidade de censurar alguém pela causação de 
um resultado provocado por sua vontade ou 
inaceitável descuido, quando era plenamente 
possível que o tivesse evitado. Sem isso, não há 
reprovação e, por conseguinte, punição. Sem 
culpabilidade não pode haver pena e sem dolo ou 
culpa não existe crime. 
 
Elementos da culpabilidade segundo o CPB: 
a) Imputabilidade 
b) Potencial consciência da ilicitude; 
c) Exigibilidade de conduta diversa. 
 
1. Inimputabilidade Penal (Art. 26) 
Distúrbios Mentais: demência, psicose maníaco-
depressiva, histeria, paranóia, psicose traumática por 
alcoolismo, esquizofrenia; 
Desenvolvimento Mental Incompleto: menores de 
18 anos (art. 27) e silvícolas não adaptados à vida em 
sociedade; 
Desenvolvimento Mental Retardado: oligofrênicos 
(idiotas, imbecis, débeis-mentais) e surdos-mudos 
(dependendo do caso). 
Menoridade (art. 27) - A legislação especial que 
regulamenta as medidas aplicáveis aos menores é o 
ECA (L. 8.069/90), que prevê a aplicação de medidas 
sócio-educativas aos adolescentes (> 12 e < de 18), 
consistentes em advertência, obrigação de reparar o 
dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade 
assistida, semi-liberdade ou internação, e a aplicação 
de medidas de proteção às crianças (< 12 a) que 
venham praticar fatos definidos como ato infracional. 
 
Emoção e Paixão (art. 28, I) - Apesar de não 
excluírem o crime, podem funcionar como 
atenuantes genéricas (art. 65, III, c) ou como causa de 
diminuição de pena (art. 121, § 1º), desde que 
acompanhadas de outros requisitos. 
Embriaguez (art. 28, II) 
a) Não acidental - Pode ser voluntária, quando o 
agente quer se embriagar, ou culposa, quando o 
agente age com imprudência, ingerindo doses 
excessivas. Segundo a teoria da actio libera in causa, 
não exclui o crime. 
b) Acidental - caso fortuito (imprevisível): pessoa 
bebe sem a consciência de que a substância irá deixa-
la embriagada. Força maior (inevitável): a pessoa 
sabe, mas é obrigada a beber (coação). Exclui a 
culpabilidade. 
Preordenada: Aqui, o agente embriaga-se para 
cometer o ilícito. Trata-se de agravante genérica, 
prevista no art. 61, II, l, CP. 
Patológica (doentia): exclui a imputabilidade, 
consoante o art. 26 do CP. Trata-se de hipótese de 
isenção de pena. 
Dependência de substância entorpecente: art. 19 da 
L. 6.368/76 e Nova Lei de tráfico. § 7º, art. 28, L. 
11.343/06. 
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2. Potencial Conhecimento da Ilicitude - Em regra, 
quem tiver imputabilidade, tem potencial 
conhecimento da ilicitude, salvo em uma hipótese: 
pessoa que incide em erro de proibição invencível. 
Fica isento de pena. 
3. Exigibilidade de Conduta Diversa (art. 22) 
3.1. Coação moral irresistível: Se a coação for física 
(vis absoluta), tal violência exclui a tipicidade; se a 
coação for moral (vis relativa), a grave ameaça exclui 
a culpabilidade. 
3.2. Obediência hierárquica: Se a ordem for 
manifestamente ilegal: ambos responderão pelo 
crime; se a ordem não manifestamente ilegal: exclui-
se a culpabilidade do subordinado, respondendo pelo 
crime o superior hierárquico). 
 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Inimputabilidade por esquizofrenia – TJSP “Os 
esquizofrênicos não escolhem nenhuma classe de 
delitos e cometem mesmo os quedemandam 
meditação e refinamento na execução. Podem agir 
com certa habilidade em sua prática, mas, na 
verdade, não possuem condições e domínio para 
aquilatar quanto à ilicitude do ato” (RT 568/260). 
 
 Inimputabilidade por epilepsia – TJMG “A 
epilepsia é considerada doença mental, sendo certo 
que, se o agente foi considerado pelos peritos como 
inteiramente incapaz de determinar-se de acordo 
com a compreensão em torno do caráter ilícito do 
fato, tal circunstância torna o agente inimputável, 
impondo-se sua absolvição sumária, a teor do art. 
411 do CPP” (RT 637/294). 
 
 Inimputabilidade do silvícola – TJPR “Pode o 
silvícola gozar da isenção da pena se comprovado seu 
desenvolvimento mental falho e, por conseqüência, 
pela possível existência de incapacidade psíquica na 
compreensão do que seja ou não ato ilícito” (RT 
621/339). 
 Utilização do critério biológico – TACRSP “Para a 
determinação da idade do agente para efeitos penais 
o legislador utiliza critério puramente biológico na 
composição da regra absoluta: a idade do autor do 
fato, sem outras indagações. Completam-se aos 18, 
aos 21 ou aos 70 anos no dia do aniversário do 
agente” (RT 616/308). 
 
 Alegação de paixão mórbida – TJMT: “Se o 
Conselho de Sentença, motu proprio, acolhe a tese da 
defesa quanto a ter o réu praticado o delito envolto 
em paixão mórbida, incompatível com o evento e 
com a conduta normal do indiciado em todo o curso 
do processo, é óbvio que se atente para o disposto no 
art. 28 do CP, onde resulta evidenciado que a emoção 
e a paixão não excluem a responsabilidade penal. 
Cassa-se, de conseguinte, o veredicto popular, que 
contrariou frontalmente o elenco probatório, a fim de 
submeter-se o réu a outro julgamento” (RT 625/327). 
 
 Embriaguez voluntária não exclui a 
imputabilidade – TACRSP: “Embriaguez voluntária – 
exclusão da culpabilidade ou redução da pena – 
Impossibilidade: Impossível a exclusão da 
imputabilidade ou a redução da pena, com base no 
disposto nos §§ 1° e 2° do art. 28 do CP, quando o 
acusado se encontra embriagado voluntariamente e 
comete um crime ao comemorar a sua saída da 
prisão” (RJTACRIM 37/141). 
 
 Hipóteses de embriaguez proveniente de caso 
fortuito ou força maior – TACRSP: “A embriaguez é 
proveniente de caso fortuito quando o sujeito 
desconhece o efeito inebriante da substância eu 
ingere, ou quando, desconhecendo uma particular 
condição fisiológica, ingere substância que possui 
álcool (ou substância análoga), ficando embriagado. 
Por outro lado, há embriaguez proveniente de força 
maior quando o sujeito é obrigado a ingerir bebida 
alcoólica” (JTACRIM 68/275). 
 
EXCLUSÃO DA ILICITUDE 
 
Ilicitude: É um juízo de valor de natureza negativa 
que recai sobre a conduta típica. 
Alguns autores definem a ilicitude como relação de 
contrariedade do fato típico com o ordenamento 
jurídico. 
Um fato pode ser típico, pode se adequar a um 
modelo incriminador, mas não ser ilícito. Suponha-se 
que o sujeito saque da sua arma de fogo e efetue um 
disparo contra uma pessoa, matando-a tal fato se 
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encaixa no modelo previsto no art. 121 – matar 
alguém. De início, a conclusão é de que este fato é 
ilícito, ou seja, contraria o ordenamento jurídico e 
ofende a consciência social. No entanto, após a 
apuração do que efetivamente ocorreu, descobre-se 
que o sujeito matou em legítima defesa, circunstância 
que afasta daquele fato típico a sua ilicitude, 
significando dizer que o fato, embora típico, não 
contraria o ordenamento jurídico, e não ofende a 
consciência social. 
São causas legais de exclusão de ilicitude: legítima 
defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento 
do dever legal e o exercício regular de direito. 
 
DAS CAUSAS DE JUSTIFICAÇÃO 
 
 Para que a conduta humana seja considerada 
criminosa, não basta eu seja típica, não basta que se 
amolde a um tipo incriminador. É preciso, também, 
que seja ilícita, ou seja, que contrarie o ordenamento 
jurídico, que ofenda a consciência social. 
 
 Ao afastar a ilicitude do fato típico, o Código 
Penal, em seu Art. 23, elenca as causas de exclusão 
da ilicitude, também denominadas pelos mestres de 
“causas de justificação”, de “justificantes” ou 
“justificadoras” ou ainda de “tipos permissivos”. 
 
 
Da Estrutura dos Tipos Permissivos - As causas legais 
de exclusão da ilicitude podem ser encontradas tanto 
na lei penal, como nas leis extra-penais, sendo de se 
observar que se o fato estiver “justificado” em 
qualquer ramo do Direito, estará justificado para todo 
o ordenamento jurídico. Como exemplo, cita-se a 
hipótese do Art. 65 do Código de Processo Penal. 
 
As causas de justificação da lei penal vêm expressas 
em tipos (modelos descritivos), que possuem 
requisitos de ordem objetiva e subjetiva: 
 
 
Requisitos objetivos – são aquelas circunstâncias 
definidas na lei que devem estar presentes no fato 
para justificá-lo. 
 
Requisito subjetivo – é a consciência de que se está 
de forma justificada. 
 
Faltando um dos requisitos objetivos, ou não se 
fazendo presente a consciência do agir 
justificadamente, a conduta será ilícita – contrária ao 
direito, muito embora seja possível o “erro” quanto a 
um dos requisitos objetivos. 
 
 
LEGÍTIMA DEFESA 
 
Natureza jurídica: Segundo os mestres do direito, a 
legítima defesa é, na sua essência, “direito público 
subjetivo conferido pela norma penal”. 
 
REQUISITOS 
 
1. Agressão Injusta, Atual Ou Iminente - Define-se 
agressão como toda a conduta humana que expõe a 
perigo, ou tende a lesionar um bem jurídico. 
A agressão que materializa a causa da exclusão deve 
ser “injusta” sob o aspecto objetivo, ou seja, não 
importa se o autor da agressão é um inimputável 
(irresponsável penal – menos de 18 anos ou doente 
metal), Embora a conduta destes não seja punível, 
justificam a legítima defesa, significando dizer que 
ninguém está obrigado a se deixar imolar ante a 
agressão de um louco. 
A justificante exige que a agressão, seja “atual” ou 
“iminente”. Atual é aquela agressão que está 
ocorrendo; iminente é aquela que está prestes a 
ocorrer. Não está em legítima defesa aquele que atua 
contra uma agressão futura, ou contra uma agressão 
que já cessou. 
 
2. Direito ameaçado próprio ou de terceiro - Direito é 
qualquer bem ou interesse que integre a esfera 
jurídica do indivíduo. 
Embora em sua origem a legítima defesa somente se 
restringisse à defesa da vida, modernamente admite-
se, em tese, a justificação quando ameaçado 
qualquer bem jurídico – honra, liberdade, integridade 
física, patrimônio, etc. 
A legítima defesa pode ser “própria” ou “de 
terceiro”, não se exigindo quanto a esta (de terceiro), 
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qualquer vinculação, grau de parentesco ou relação 
de afinidade entre aquele que exercita a defesa e o 
titular do bem ou interesse objeto da agressão 
injusta. 
 
3. Repulsa com os meios necessários - Na legítima 
defesa deve o sujeito utilizar “moderadamente” os 
“meios necessários” para repelir a injusta agressão, 
atual ou iminente. 
Inicialmente se entendeu que “meio necessário” era 
aquele que guardava paridade com o meio utilizado 
na agressão – faca versus pedaço de pau; arma de 
fogo versus arma de fogo, ... Já se sustentou que o 
meio necessário era aquele que causasse o menor 
dano possível no autor da agressão, dano esse quefosse indispensável à defesa do direito próprio ou de 
terceiro. 
Modernamente e de forma majoritária, se entende 
que “meio necessário” e aquele que o agente dispõe 
no momento em que repele a agressão injusta, 
podendo ate mesmo ser desproporcional com o meio 
utilizado no ataque, desde que seja o único à sua 
disposição. 
 
4. Uso moderado dos meios necessários - Aquele 
que de defende de uma injusta agressão deve ser 
“moderado” no uso dos meios necessários. Isto 
significa que o “uso moderado” e aquele suficiente a 
fazer cessar a agressão. Havendo excesso ou visível 
desproporcionalidade, desnatura-se a legítima 
defesa. 
 
5. Ânimo de estar na prática de atos defensivos - O 
animus defendendi é o requisito subjetivo da legítima 
defesa. É o conhecimento, por parte do sujeito, dos 
pressupostos fáticos da legítima defesa. 
 
 
ESTADO DE NECESSIDADE 
 
Natureza jurídica: Conforme os mestres do Direito 
Penal, o estado de necessidade é um “direito 
subjetivo” concedido ao sujeito pelo Estado através 
da norma penal. 
 
REQUISITOS 
 
1. Existência de perigo atual e inevitável, 
ameaçando direito próprio ou alheio - Para que se 
caracterize o estado de necessidade, é preciso que o 
bem jurídico esteja em perigo, e que o sujeito 
pratique o fato típico para evitar um mal que pode 
ocorrer se ele não o fizer. 
Esse perigo não precisa ser provocado pelo homem, 
podendo advir de força da natureza (furacão, 
inundação, etc.) ou de um animal. Cita-se fato de ter 
o sujeito de praticar o delito de invasão de domicilio 
para se salvar de uma ameaçadora inundação, ou 
para fugir de um animal bravio. 
É necessário que esse perigo seja “atual”, isto é, que 
seja presente e imediata a probabilidade de dano ao 
bem jurídico. Existe divergência na doutrina a 
respeito do perigo “iminente”, admitindo-o para fins 
de estado de necessidade o mestre Damásio de Jesus. 
O perigo que autoriza o estado de necessidade há de 
ser inevitável, naquela situação em que o agente não 
podia, de outro modo, evitá-la. 
 
Tal como na legitima defesa, o estado de necessidade 
pode ser exercido para resguardar direito próprio ou 
alheio, também não se exigindo qualquer vinculação, 
afinidade ou grau de parentesco quando se exercita a 
causa de justificação em prol de terceiro. 
 
2. Inexigibilidade Do Sacrifício Do Bem Ameaçado 
(Critério Da Razoabilidade) - Impõe a lei que só há 
estado de necessidade quando não seja “razoável”, 
exigir-se o sacrifício do bem ameaçado e que foi 
preservado pela conduta típica. 
 
Relativamente à “razoabilidade”, existem duas 
teorias: - a ”unitária” e a “diferenciadora”: 
 
A primeira aponta para o estado de necessidade 
quando se sacrifica um bem menor para salvar um 
bem maior, ou mesmo quando se sacrifica um bem 
de valor idêntico ao preservado. 
 
A segunda, adotada pelo Código Penal Militar, indica 
a existência de estado de necessidade como 
excludente da ilicitude quando se salva bem maior 
em detrimento de bem menor, e estado de 
necessidade como causa de exclusão da 
culpabilidade, sob o prisma da inexigibilidade de 
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conduta diversa, quando se tratar de bens de idêntico 
valor. 
 
O Código Penal adotou a teoria unitária, de modo que 
haverá estado de necessidade quando se sacrifica 
bem menor em prol de bem maior, ou quando o valor 
dos bens é idêntico. A propósito do tema, citam os 
autores o exemplo do homicídio praticado pelo 
náufrago para se apoderar da tabua de salvação. 
 
3. Situação de Perigo Não Provocada De Forma 
Voluntária Pelo Agente - Para que se configure o 
estado de necessidade como causa de exclusão da 
ilicitude, é preciso que o agente não tenha provocado 
o perigo por sua vontade. Como exemplo da 
inexistência de estado de necessidade Julio Fabrini 
Mirabete cita o caso do sujeito que incendeia o 
imóvel para receber o seguro, e mata alguém para 
escapar do fogo. (in Manual de Direito Penal – 
Volume 1 – Editora Atlas – 7º edição – pagina 170). 
 
Convém deixar claro, contudo, que não afasta o 
estado de necessidade a conduta culposa que causou 
o perigo. É que o Art. 24 do Código Penal fala em 
“vontade”, que pressupõe a intencionalidade. Na 
culpa em sentido estrito não há vontade quanto à 
ocorrência do resultado. Assim, fazendo um paralelo 
com o exemplo citado acima pelo mestre, suponha-se 
que o sujeito, de forma imprudente, queime o lixo no 
porão de sua residência, vindo incendiar a casa; 
estará em estado de necessidade se, para fugir das 
chamas, for preciso matar alguém. 
 
4. Inexistência de dever legal de enfrentar o perigo - 
Tal requisito vem expresso no § 1º, do Art. 24, do 
Código Penal. 
O dever mencionado é aquele derivado da lei, e não 
aquele meramente moral, Exemplos clássicos são 
aqueles dos policiais, bombeiros, guarda vidas, etc. 
No tocante a este requisito, e de se observar que este 
não é o dever de se deixar imolar ante o sacrifício de 
um bem jurídico. Não se pode exigir de um bombeiro 
que este enfrente a morte para evitar a lesão ao 
patrimônio alheio. 
 
5. Ânimo de estar agindo em estado de necessidade 
- Tal como na legítima defesa, exige-se o ânimo do 
sujeito; e preciso que atue com consciência dos 
pressupostos do estado da necessidade. 
 
 
ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL 
 
 É flagrante a lógica da justificação sob o prisma do 
“estrito cumprimento de dever legal”, já que uma 
conduta não pode ser exigida de alguém como um 
dever legal, e, ao mesmo tempo, constituir um ilícito. 
Requisito da justificante é o fato de que o dever há de 
ser legal, ou seja, imposto ao agente por lei, decreto, 
regulamento, etc., não se confundindo com os 
deveres éticos, morais, sociais ou religiosos. 
De forma manifesta, a justificante tem como 
destinatários os agentes do poder público, tais como 
policiais, oficiais de justiça, etc., estendendo-se, em 
certas circunstâncias, aos particulares investidos de 
um dever legal. 
O próprio texto legal fixa os limites da justificação, 
quando impõe que o cumprimento seja “estrito”, 
significando dizer que, se a execução do ato se afastar 
das estritas condições a que se subordina, haverá o 
excesso punível. 
 
 
EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO 
 
Também é manifesta a lógica da justificante: se a lei 
confere a alguém o exercício de um direito, não pode, 
ao mesmo tempo, inquinar de ilícito esse exercício. 
A ilicitude somente pode se verificar na hipótese do 
agente exceder os limites fixados pela lei para o 
exercício do direito. 
Exige a norma que o exercício seja “regular”, ou seja, 
que se contenha nos limites impostos pela lei. 
Requisito de ordem subjetiva é o exercício da 
justificante com conhecimento dos seus 
pressupostos. 
 
 
CAUSAS SUPRALEGAIS DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE 
 
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A expressão “supra legal” é utilizada para indicar o 
que está fora do ordenamento jurídico 
Mencionam os mestres, dentre eles o emérito 
professor Damásio de Jesus, que essas condutas, 
embora típicas, são consideradas justas pela 
consciência social. 
Exemplo clássico é o do professor que, naquela 
comunidade interiorana faz uso da palmatória para 
corrigir o aluno faltoso, causando-lhe lesões corporais 
de natureza levíssima. 
A hipótese que, num grande centro urbano seria 
levada à justiça naquela comunidade é socialmente 
adequada, isto é, a consciência social empresta seu 
assentimento aocomportamento do professor, de 
modo que o fato, embora típico, não e antijurídico 
(ilícito). 
Aplicando os princípios gerais do direito, e tendo em 
vista os costumes, o juiz emite uma sentença 
absolutória em prol do professor. 
 
Excesso Nas Justificativas - Dispõe o parágrafo único 
do Art. 23 que o agente respondera pelo excesso 
doloso ou culposo nas discriminantes. 
Relativamente à legítima defesa, sendo um dos seus 
requisitos a moderação no uso dos meios necessários 
para repelir a injusta agressão, pode ocorrer à 
hipótese em que o agente se exceda na reação. 
Esse excesso pode se verificar na escolha dos meios 
defensivos, ou no uso desse meio, sendo de se 
observar que, mesmo escolhendo um meio 
inicialmente abusivo, não haverá excesso quando 
deste se utilizar o agente de forma moderada. 
Exemplo de excesso: Caio, munido de uma faca, 
investe contra Tício. Este, com o fito de se defender 
da injusta agressão que se apresenta iminente, saca 
de sua arma de fogo e atira contra o agressor, o 
atingido na perna, derrubando-o e, assim fazendo 
cessar a agressão. Até esse momento a conduta de 
Tício se encontra plenamente justificada na órbita da 
legítima defesa. Ocorre, entretanto, que Tício, tendo 
Caio à sua mercê, ferido na perna e caído ao chão, 
efetua novos disparos, não há mais se falar em 
legitima defesa, sendo punível a conduta de Tício em 
razão do excesso. 
 
O excesso que desnatura a legitima defesa pode ser 
doloso, quando, com “consciência da 
desnecessidade”, o agente escolhe meio que, por sua 
natureza, já é abusivo, ou emprega de forma abusiva 
o meio escolhido, ou culposo, quando o excesso se 
deve a um erro culposo na escolha dos meios ou na 
medida da reação. 
 
No que se refere a punibilidade do excesso, o agente 
responderá pelo delito na forma dolosa ou culposa, 
conforme tenha sido o excesso – doloso ou culposo. 
Situação curiosa pode surgir do excesso: aquele que 
inicialmente era o agressor injusto, ao defender-se do 
excesso do agredido, atua legitimamente, ocorrendo 
o que a doutrina denomina de LEGÍTIMA DEFESA 
SUCESSIVA. 
No que diz respeito ao estado de necessidade, desde 
que ocorra uma situação de perigo não provocada 
pelo agente, que não se pode de outra forma afastar, 
e que não seja razoável exigir o sacrifício do bem 
ameaçado, a conduta típica estará justificada. 
Entretanto, não se poderá suscitar a justificante se o 
atuar do agente extrapolar os limites impostos pela 
norma. 
Se o dano causado acaba sendo maior do que aquele 
que seria necessário para afastar o perigo, tem-se o 
excesso. 
Exemplo de excesso no estado de necessidade é 
aquele do náufrago que, podendo sacrificar apenas 
uma vida humana para se manter na tabua de 
salvação, desnecessariamente mata duas pessoas. 
Tal como na legítima defesa o excesso pode ser 
doloso ou culposo, verificando-se a punibilidade do 
excesso a título de dolo ou de culpa, conforme o 
caso. 
 
No que se refere ao estrito cumprimento de dever 
legal ou exercício regular de direito, desde que o 
agente não se mantenha dentro dos limites traçados 
pelas leis, ocorrerá o abuso ou excesso, punível a 
titulo de dolo ou de culpa, conforme o caso. 
 
Ofendículas - Também denominados de ofendículos, 
são mecanismos ou artefatos predispostos para a 
defesa da propriedade (cacos de vidro sobre o muro, 
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arame farpado, cerca eletrificada, armas prontas ao 
disparo no caso de invasão, ou qualquer outro meio 
ofensivo que objetive proteger o patrimônio). 
Divergem os mestres a respeito da natureza jurídica 
dos ofendículos; para uma corrente doutrinária, 
destacando-se Julio Fabrini Mirabete, trata-se de 
“exercício regular de um direito”. Para outra 
corrente, na qual perfila Damásio Evangelista de 
Jesus, configura “legítima defesa predisposta ou 
preordenada”. 
Sem embargo do eminente penalista Damásio E. de 
Jesus, cremos acertada a primeira corrente, que 
conclui pelo “exercício regular de direito”, eis que, 
garantindo à lei a inviolabilidade do domicilio, é 
facultado ao cidadão o regular direito de proteção de 
sua propriedade. 
Não nos parece acertada a conclusão de que se trata 
de “legítima defesa”, exatamente por faltar o 
requisito da “consciência do atuar justificado”, isto 
sem falar na ausência da “atualidade” ou “iminência” 
da agressão. 
De qualquer sorte, seja “exercício regular direito”, 
conforme pensamos, seja “legítima defesa”, segundo 
o mestre Damásio de Jesus, não se pode olvidar a 
possibilidade do excesso, respondendo o sujeito por 
crime doloso ou culposo, como, por exemplo, a morte 
de um menor, provocada pela violenta descarga da 
cerca eletrificada, que visava proteger um simples 
pomar. 
 
Violência Desportiva - São comuns os esportes 
violentos – futebol, artes marciais, etc.. Ocorrendo 
um resultado danoso, não haverá crime pois o sujeito 
atua em “exercício regular de direito”, desde que 
observadas as regras esportivas, respondendo o 
sujeito criminalmente na hipótese inversa. Responde 
por homicídio doloso, por exemplo, o lutador de 
boxe, que após soar do gongo continua a golpear o 
adversário, prostrando-o de modo fatal. 
 
Intervenções Médico Cirúrgica - Não divergem os 
mestres a respeito; trata-se de “exercício regular de 
direito”, eis que a atividade é autorizada pelo Estado. 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Inexistência de causa excludente da ilicitude – 
TACRSP: “O fato de estar o réu com AIDS não autoriza 
sua absolvição, eis que a presença de enfermidade 
grave e contagiosa em uma pessoa que praticou um 
delito não é causa excludente de criminalidade, 
mesmo porque o Estado possui condições de 
propiciar o tratamento adequado no hospital da 
penitenciária” (RJDTACRIM 16/97). 
 
 Estrito cumprimento de dever legal em homicídio 
– STF: “Estrito cumprimento de dever legal. Policiais 
que revidam a tiros reação de marginais, matando um 
deles quando cumpriam mandado de autoridade 
competente. Inexistência de dolo e, 
conseqüentemente, de justa causa para a ação penal. 
Trancamento. Habeas corpus concedido de ofício. 
Inteligência dos arts. 19, III (art. 23, III vigente) do CP 
e 648, I, do CPP” (RT 580/447). 
 
 Inexistência de exercício regular de direito em 
lesões corporais: exigência de conjunção carnal da 
mulher – TACRSP: “Lesão corporal de natureza leve. 
Acusado eu agride a esposa por se recusar, sem justo 
motivo, ao débito conjugal. Pretendido exercício 
regular de direito. Inadmissibilidade. Condenação 
mantida” (RT 569/325). 
 
 Estado de necessidade. Necessidade de 
pressupostos legais – TACRSP: “O estado de 
necessidade só é de se reconhecer ante a atualidade 
de um perigo, a sua involuntariedade, inevitabilidade 
por outro moto e a inexigibilidade do sacrifício do 
direito ameaçado” (JTACRIM 35/334). 
 
 Estado de necessidade. Terceiro inocente 
atingido por acidente – TACRSP: “Age em estado de 
necessidade quem, vendo-se atacado por cão raivoso, 
dispara arma de fogo contra o animal, não podendo, 
assim, ser responsabilizado por eventual ricochete de 
bala eu porventura venha a atingir alguém” (JTACRIM 
43/195). 
 
 Legítima defesa como exclusão da 
antijuridicidade – TACRSP: “Constituindo a legítima 
defesa, no sistema jurídico penal vigente, uma causa 
de exclusão da antijuridicidade, tem-se eu, quem 
defende, embora violentamente, o bem próprio ou 
alheio, injustamente atacado, não só atua dentro da 
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ordem jurídica, mas em defesa da mesma ordem” (RT 
441/405). 
 
 Legítima defesa contra atos ilícitos de policiais – 
TJSP: “Apresentando-se os policiais sem mandado de 
busca no domicílio do réu, com a intenção de prendê-
lo, legítima é a repulsa deste, mesmo violenta. Contra 
os invasores estará o morador defendendo 
legitimamente o seu domicílio inviolável” (RT 
442/407). 
 
 
CONCURSO DE PESSOAS 
 
Definição: É a ciente e voluntária participação de 
duas ou mais pessoas na mesma infração penal. Há 
convergência de vontades para um único fim, que é a 
realização do tipo penal, sendo desnecessário que 
haja acordo prévio entre os participantes. 
 
Teoria Monista ou Unitária: Quem, de qualquer 
modo, concorre para o crime, incide nas penas a este 
cominadas (Art. 29, CP). 
 
Exceção: participação: § 1º (diminuição de pena); § 2º 
(participação em crime menos grave); 
 
Requisitos: 
 
 Pluralidade de condutas e de agentes; 
 Relevância causal de cada uma das ações; 
 Liame subjetivo entre os agentes; 
 Identidade de infração penal; 
 fato punível. 
 
O Concurso posterior não existe no ordenamento 
jurídico brasileiro, fazendo com que o agente 
responda por outro delito, como no exemplo do 
indivíduo que compra objeto oriundo de furto, 
incidindo, assim, nas penas do crime de receptação 
(art. 180, CP). 
 
Haverá Concurso material na hipótese de dois ou 
mais agentes eu executarem o crime em comunidade 
de desígnios e Concurso Intelectual (mentor 
intelectual – partícipe) no caso do agente que influi 
para que outro pratique o crime, sem realizar, 
entretanto, a ação nuclear do tipo. 
Conceito de Autor. Teoria Formal-Objetiva: 
 
Autor é aquele que pratica a conduta típica inscrita 
na lei, ou seja, aquele que realiza a ação executiva, a 
ação principal. É o que mata, subtrai, falsifica. 
 
Autoria Mediata – Ocorre quando o autor consegue 
a execução através de pessoa que atua sem 
culpabilidade. Denomina-se como crime de Longa 
manus (mão longa). Ex.: enfermeira, por ordem do 
médico ministra veneno ao paciente supondo que se 
trata de medicamento. 
 
Co-autoria: Co-autor é quem executa, juntamente 
com outras pessoas, a ação ou omissão que configura 
o delito. A co-autoria é, em última análise, a própria 
autoria. Funda-se ela sobre o princípio da divisão do 
trabalho; cada autor colabora com sua parte no fato, 
a parte dos demais, na totalidade do delito e, por 
isso, responde pelo todo. 
 
Autoria Colateral ou imprópria: Ocorre quando 
inexiste a consciência de cooperação na conduta 
comum, não havendo concurso de pessoas. Caso 
duas pessoas, ao mesmo tempo, sem conhecerem a 
intenção uma da outra, dispararem sobre a vítima, 
responderão cada uma por um crime se os disparos 
de ambas forem causas da morte. Se a vítima morreu 
apenas em decorrência da conduta de uma, a outra 
responderá por tentativa de homicídio. Havendo 
dúvida insanável quanto à causa da morte, ou seja, 
sobre a autoria, a solução deverá obedecer ao 
princípio in dúbio pro reo, punindo-se ambos por 
tentativa de homicídio. 
 
Participação: É a atividade acessória daquele que 
colabora para a conduta do autor com a prática de 
uma ação que, em si mesma, não é penalmente 
relevante. O partícipe não comete a conduta descrita 
pelo preceito primário da norma, mas pratica uma 
atividade que contribui para a realização e chefia, 
auxílio moral, adesão sem prévio acordo, etc. A 
doutrina considera as seguintes espécies: V. art. 62 
 
 Instigação: Instiga aquele que age sobre a 
vontade do autor, fazendo crescer neste a idéia da 
prática do crime, de modo determinante na resolução 
do autor. Ex.: Crime omissivo puro – instigação para 
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que outrem não pague pensão alimentícia. Ambos 
respondem por abandono material – art. 244 CP; 
 Indução: Fazer nascer a idéia do crime no agente; 
 Auxílio: ajudar, com recursos seus, a idéia já 
existente. Ex.: emprestar ao autor uma arma. 
 
Cumplicidade: cúmplice é aquele que contribui para o 
crime prestando auxílio ao autor ou partícipe, 
exteriorizando-se a conduta por um comportamento 
ativo (o empréstimo de uma arma, a revelação do 
segredo de um cofre). 
 
Conivência: É o silêncio a respeito da ocorrência de 
um ilícito. Se não constituir crime autônomo, não 
será punido no direito brasileiro. Ex.: mãe que 
esconde da polícia os crimes do filho. 
 
Não há concurso culposo em crime doloso: Ex.: pai 
deixa arma em cima da mesa e os filhos pegam-na 
para assaltar uma pessoa. O pai não será 
responsabilizado pelo crime praticado por seus 
descendentes. 
 
Não há co-autoria em crime omissivo próprio: Ex.: 
duas pessoas deixam de prestar socorro a pessoa 
ferida, ambas cometerão omissão de socorro, 
respondendo de forma isolada por sua conduta (art. 
135 CP). 
 
Omissão em crime comissivo – ex.: empregado não 
fecha a porta da empresa, para que mais tarde 
terceiro entre e furte. Age como partícipe, pois tinha 
dever jurídico de impedir subtração. 
 
Concurso em crime culposo: duas pessoas preparam 
fogueira para festa, causando incêndio por 
negligência. 
 
Autoria incerta: não se pode vislumbrar qual dos 
autores praticou o ato. Respondem por tentativa. 
 
Circunstâncias Incomunicáveis – art 30, CP - As 
circunstâncias não elementares do crime não se 
transferem para terceiros. Ex.: pai espanca o filho 
com a ajuda de um amigo. Contra o pai concorre 
circunstância agravante de crime contra descendente 
o terceiro responde sem agravante (art. 61, II, e, CP). 
 
Elementar: é todo componente essencial da figura 
típica, sem o qual esta desaparece ou se transforma. 
O termo origina-se de elemento, que significa tudo o 
que constitui e integra. Ex.: no crime de infanticídio, o 
puerpério se comunicará ao terceiro que auxiliar a 
mãe a matar o próprio filho. Situa-se no caput do tipo 
incriminador. 
 
Circunstância: é todo dado acessório agregado à 
figura típica, cuja função é tão-somente influir na 
sanção penal. A circunstância apenas circunda o 
crime, nunca o integra com sua essência. Ex.: furto 
agravado pelo repouso noturno, art. 155, § 1º. Reside 
nos parágrafos dos tipos incriminadores. 
 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Adoção da teoria unitária – STF: “A participação 
do réu no evento delituoso, caracterizada por 
atividade de inequívoca colaboração material e pelo 
desempenho de conduta previamente ajustada com 
os demais agentes, torna-o suscetíveis de punição 
penal, eis que, ante a doutrina monista perfilhada 
pelo legislador, 'todos os que contribuem para a 
integração do delito cometem o mesmo crime', pois, 
em tal hipótese, 'há unidade de crime e pluralidade 
de agentes'” (RT 726/555). 
 
 Crime praticado por multidão– TACRSP: “Em se 
tratando de furtos praticados por multidão, de difícil 
individualização da autoria, exige-se a demonstração 
muito precisa e segura da culpa subjetiva, sendo que 
o fato do material subtraído estar em carroceria de 
camioneta ocupada pelo acusado mostra-se 
insuficiente para a sua condenação, pois não 
demonstra com precisão e certeza tenha ali sido 
colocado pelo próprio réu” (RJDTACRIM 25/328). 
 
 Autoria, co-autoria e participação – STF: “O 
paciente não é 'co-autor' porque não praticou o 
núcleo do tipo do art. 157 do CP; mas tendo de 
qualquer 'outro' modo participado para a 
consumação do crime, é 'partícipe' e está sujeito às 
penas a ele cominadas e às qualificadoras, na medida 
da sua culpabilidade (CP, art. 29)” (JSTF 205/318). 
 
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 Co-autoria pelo domínio do fato– TACRSP: “É co-
autor do roubo qualificado pelo resultado lesão grave 
o agente que, na realização do roubo, também tinha 
o domínio do fato delituoso pela realização conjunta 
da conduta criminosa, dentro do prévio ajuste e da 
colaboração material, ainda que seu comparsa tenha 
sido o único autor dos disparos feitos contra a vítima, 
lesionada gravemente” (RJDTACRIM 5/55). 
 
 Concurso de pessoas em crime culposo de 
trânsito – STF: “Não há impedimento jurídico ao 
reconhecimento da co-autoria em delito culposo, 
ficando para exame de mérito a verificação da falta 
ou não de dever de cuidado objetivo do co-réu” (RT 
613/409). 
 
 Autoria incerta: irrelevância no concurso de 
pessoas – STF: “O Código Penal, no art. 25 (29 
vigente), adotou a teoria da equivalência da causa. 
Havendo convergência de vontades para a 
realizaçãode um fim, aderindo um dos agentes à 
ação do outro, a não-identificação do resultado não 
importa autoria incerta. Todos respondem pelo 
resultado” (RT 575/466). 
 
 Penas diversas no concurso de pessoas – STF: “ A 
norma inscrita no art. 29 do Código Penal não 
constitui obstáculo jurídico à imposição de sanções 
penais de desigual intensidade aos sujeitos ativos da 
prática delituosa. A possibilidade desse tratamento 
penal diferenciado encontra suporte no princípio 
constitucional da individualização das penas e, ainda, 
na cláusula final do próprio art. 29, caput, do Código 
Penal” (RT 721/550). 
 
 Incomunicabilidade de circunstância de caráter 
pessoal no homicídio – STJ: “(...) Os dados que 
compõem o tipo básico ou fundamental (inserido no 
caput) são elementares (essentialia delicti); aqueles 
que integram o acréscimo, estruturando o tipo 
derivado (qualificado ou privilegiado), são 
circunstâncias (accidentalia delicti). III – No homicídio, 
a a qualificadora de ter sido o delito praticado 
mediante paga ou promessa de recompensa é 
circunstância de caráter pessoal e, portanto, ex vi do 
art. 30 do CP, incomunicável” (RSTJ 149/440). 
 
 Comunicabilidade de circunstância elementar no 
peculato – STJ: “O peculato é crime próprio, no 
tocante ao sujeito ativo; indispensável à qualificação 
– funcionário público. Admissível, contudo, o 
concurso de pessoas, inclusive quanto ao estranho ao 
serviço público. Não se comunicam as circunstâncias 
e condições de caráter pessoal, salvo quando 
elementares do crime (CP, art. 30)” (RT 712/465). 
 
 
DAS PENAS E MEDIDAS DE SEGURANÇA 
Penas: Sanção penal de caráter aflitivo, imposta 
pelo Estado, em execução de uma sentença, ao 
culpado pela prática de uma infração penal, 
consistente na restrição ou privação de um bem 
jurídico, cuja finalidade é aplicar a retribuição 
punitiva ao delinqüente, promover a sua readaptação 
social e previnir novas transgressões pela intimidação 
dirigida a coletividade. 
 
Finalidades da Pena: 
 
a) Ressocialização; 
b) Retribuição; 
c) Prevenção. 
 
Características da Pena: 
a) Legalidade: arts. 1º CP, e 5º, XXXIX, CF; 
b) Anterioridade: arts. 1º CP, e 5º, XXXIX, CF; 
c) Personalidade: art. 5º, XLV, CF. a pena não pode 
passar da pessoa do apenado; 
d) Individualidade: art. 5º, XLI, CF; 
e) Inderrogabilidade: não pode deixar de ser 
aplicada. Certeza de sua aplicação; 
f) Proporcionalidade: art. 5º, XLVI e XLVII, CF; 
g) Humanidade: art. 75, CP e 5º, XVII, CF. 
 
Classificação das Penas segundo a Doutrina: 
 
a) Corporais: atingem a integridade física do 
criminoso. Mutilações, açoites, morte; 
b) Privativas de liberdade: prisão perpétua ou 
temporária; 
c) Restritiva de Liberdade: banimento (saída do 
País), degredo ou confinamento (residência em local 
determinado) ou desterro (saída do território da 
comarca); 
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d) Pecuniárias: multas e confisco; 
e) Privativas e restritivas de direitos: sanções que 
retiram ou diminuem direitos dos condenados. 
 
Pena de Morte. Justificativas da oposição: 
 
- praticados por doentes mentais; 
- injustiças pela desigualdade social; 
- erros judiciários; 
- possui caráter criminológico; 
- adoção da pena perpétua para proteção da 
sociedade; 
- não existe exemplariedade; 
- proteção do direito à vida. 
 
Privativas de liberdade: 
 
a) Prisão simples: aplicada às contravenções. É uma 
prisão mais branda. LCP art. 6º 
 
LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS 
(atualizada até a alteração produzida pela Lei nº 
9.521, de 27.11.97) 
DECRETO-LEI N.° 3.688, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 
Art. 6° - A pena de prisão simples deve ser cumprida, 
sem rigor penitenciário, em estabelecimento especial 
ou seção especial de prisão comum, em regime semi-
aberto ou aberto. 
§ 1° - O condenado à pena de prisão simples fica 
sempre separado dos condenados à pena de reclusão 
ou de detenção. 
§ 2° - O trabalho é facultativo, se a pena aplicada não 
excede a 15 (quinze) dias. 
 
b) Reclusão: aplicada aos crimes mais graves; 
c) detenção: aplicada aos crimes menos graves. 
 
Distinção entre penas de reclusão e detenção 
 
1. Reclusão 
a) crimes mais graves; 
b) pode iniciar em regime fechado; 
c) Maior dificuldade na obtenção de benefícios 
penitenciários; 
d) impede que a Autoridade Policial conceda fiança, 
instituto que somente o juiz pode conceder. 
e) Medida de segurança detentiva; 
f) Nos crimes praticados pelos pais, tutores e 
curadores contra os filhos, tutelados e curatelados, 
levam à incapacidade para o exercício do poder de 
família, tutela e curatela; 
f) Possibilidade de prisão preventiva; 
g) Permite prisão temporária. L. 7.960/89. 
 
2. Detenção 
a) Crimes menos graves; 
b) Inicia-se em regime semi-aberto ou aberto; 
c) Maior facilidade na obtenção de benefícios; 
d) A Autoridade Policial pode arbitrar fiança; 
e) Possibilidade de tratamento ambulatorial; 
f) Em princípio, não implicam na incapacidade do 
exercício do poder familiar, tutela e curatela; 
g) PP somente em algumas hipóteses; 
h) Não permite a prisão temporária. 
 
 
Regime inicial de cumprimento de pena. Art. 33, a, 
b, c, CP, e LEP, art. 110(L. 7.210/84) - O regime inicial 
de cumprimento da pena pode ser fechado, semi-
aberto ou aberto. A opção pelo regime inicial da 
execução cabe ao juiz da sentença. Para a fixação dos 
regimes, deve também o juiz observar os critérios 
previstos no art. 59, CP. 
 
 Fechado (art. 34, CP) - Condenados à pena de 
reclusão reincidentes e/ou com pena superior a 8 
anos (segurança máxima ou média. Penitenciária – a, 
§1º, a, § 2º, art. 33); 
 Semi-aberto (art. 35, CP) - Condenados à pena de 
reclusão não reincidentes e com pena entre 4 e 8 
anos; Condenados à pena de detenção reincidentes 
e/ou com pena superior a 4 anos. (colônia agrícola, 
industrial - § 1º, b, §2º, b, art. 33); 
 Aberto (art. 36, CP) - Condenados não 
reincidentes com pena igual ou inferior a 4 anos. 
(Casa do albergado à noite e nos dias de folga. - § 1, c, 
§ 2º, c, art. 33). 
 
Aplicação das penas restritivas de direito (art. 44, 
CP) – Requisitos objetivos e subjetivos. 
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 Objetivos - Delitos culposos ou dolosos com pena 
até 4 anos e sem violência ou grave ameaça contra a 
pessoa. 
 Subjetivos - Réu não reincidente no mesmo crime, 
previsto no §3º; Indicaçãode que a substituição é 
suficiente baseada em: culpabilidade, antecedentes, 
conduta social, personalidade do condenado e 
circunstâncias do fato (III). 
 
Pena de Multa: (art. 49, CP) 
 
A doutrina classifica as penas pecuniárias em: 
 
a) Confisco; 
b) Indenização ao ofendido (art. 45, §1º); 
c) Multa. 
 
Vantagens: 
 
a) mantém o respeito à personalidade; 
b) não afasta o condenado da família; 
c) é destituída da conotação infamante; 
d) não acarreta nenhum ônus para o Estado, 
podendo até representar fonte de recursos. 
 
Fixação da multa penal: §§ 1º e 2º. 
 
a) determinar o nº de dias-multa; 
b) determinar o valor de cada dia-multa; 
c) efetuar a multiplicação de um pelo outro; 
d) proceder a correção monetária. 
 
 
A aplicação da pena (art. 59) 
 
Circunstâncias é tudo o que vem a modificar um fato, 
sem contudo alterar-lhe a essência. As circunstâncias 
representam elementos acidentais e acessórios que 
se colocam ao redor do tipo, influindo na 
quantificação da pena. 
 
São chamadas de circunstâncias judiciais porque o 
seu reconhecimento é deixado ao poder 
discricionário do juiz. 
 
Fixada a pena base e analisadas as circunstâncias 
agravantes e a4enuantes, o juiz verificará as causas 
especiais majorantes e miforantes. Essas encontram-
se na Parte Geral e Especial do Código, diferenciando-
se das circunstâncias acravantes (art. 61! e 
atenuantes (art. 65), uma vez que a aplicação destas 
respeita os limites cominados pelo tipo, enquanto as 
majorantes poderão superap o teto ou vir abaixo do 
mínimo cominado (art. 121, §§ 1º e 4º). 
 
 Culpabilidade - Grau de censurabilidade da 
conduta. 
 Antecedentes do Agente - Fatos da vida pregressa 
do agente sejam bons ou maus. 
 Conduta social - Comportamento do sujeito no 
meio familiar, no ambiente de trab`lho e na 
convivência com os outros indivíduos. 
 Personalidade do agente - Conjunto de 
qualidades morais do agente. 
 Motivos determinantes do crime - Motivo da 
prática da infração penal. 
 Consequências do crime - Grau de intensidade da 
lesão jurídica causada pela infração penal à vítima ou 
a terceiros. 
 Comportamento da vítima - Análise da natureza 
provocativa do crime pelas atitudes da vítima. 
 
 
CONCURSO DE CRIMES 
 
 Uma pessoa pode, numa única oportunidade, ou 
em mais de uma, cometer dois ou mais delitos que, 
de alguma forma estejam ligados por circunstâncias 
várias, ocorrendo o que denominamos de concurso 
de crimes, originando o concurso de penas. 
 
 Há vários sistemas de aplicação de pena: 
 
a) sistema de cúmulo material, onde as penas dos 
crimes componentes são somadas; 
b) sistema da absorção, em que se aplica a pena do 
crime mais grave, desprezando-se os outros; 
c) sistema da exasperação, onde dever ser aplicada a 
pena do crime mais grave, entre os concorrentes, 
aumentada a sanção de certa quantidade em 
decorrência dos demais. 
 
 Concurso material (art. 69, CP): Também 
conhecido como concurso real, dá-se quando o 
mesmo agente pratica duas ou mais condutas, com 
dois ou mais resultados. Temos o concurso 
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homogêneo quando os crimes são idênticos e 
heterogêneo quando diversos. Ocorrendo o concurso 
material aplicam-se cumulativamente as penas 
privativas de liberdade. Se uma delas for de reclusão, 
deverá ser a primeira a ser executada. 
 
 Concurso formal (art. 70, CP): Se o agente praticar 
uma só conduta, causando dois ou mais resultados 
típicos, teremos o concurso formal (ou ideal) de 
crimes. Sendo idênticos os delitos, aplica-se uma só 
pena, mas acrescida de um sexto até a metade. 
Sendo diversos, aplica-se a pena mais grave, também 
acrescida de um sexto até a metade. 
 
 Ocorrerá o concurso formal impróprio (ou 
imperfeito) quando o agente, com uma única 
conduta, praticar dois ou mais crimes, com desígnios 
autônomos, ou seja, desejando, com autonomia, os 
vários resultados. Nessa hipótese, a lei prevê a 
aplicação do cúmulo material, somando-se as penas. 
É a soma das penas, prevista no concurso material, 
mas aplicada no caso do concurso formal. 
 
Crime continuado (art.71, CP): Conjunto de ilícitos 
praticados nas mesmas condições de tempo, lugar, 
maneira de execução e outras semelhantes. O crime 
continuado não se cogita da existência de uma 
unidade real, mas de uma ficção jurídica, bastando 
que as circunstâncias objetivas levem à conclusão da 
continuidade delitiva. Não se pode, todavia, 
confundir continuidade com habitualidade, esta 
denunciada pela prática reiterada de ilícitos por 
agente que faz dela seu meio de vida. 
 
Progressão criminosa: ocorre quando o sujeito 
pratica um crime e, depois, decide realizar outro, de 
modo sucessivo. Ex.: fala mal da vítima (injúria), 
depois resolve agredi-la com um soco (lesão corporal) 
e depois decide matá-la com uma facada (homicídio). 
 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
 Distinção do concurso material – TACRSP: “O que 
distingue o concurso material ou real é a pluralidade 
de resultados puníveis e decorrentes de duas ou mais 
ações ou omissões típicas, e cada qual configurando 
resultado autônomo, mas todas vinculadas pela 
identidade do sujeito, sendo independente para cada 
crime o momento executivo” (JTACRIM 89/386). 
 
 Concurso formal homogêneo - STF: “Se o agente, 
impulsionado por um só desígnio, desenvolve ação 
que se desdobra em diversos delitos, ocorre concurso 
formal de crimes ainda que sejam do mesmo tipo” 
(JTACRIM 70/459). 
 
 Aplicação do cúmulo material benéfico– STF: 
“Incide a regra do art. 70, parágrafo único, do CP, 
quando o concurso formal conduz a punição mais 
severa que o concurso material” (RT 644/378). 
 
 Crime continuado. Inexistência do requisito 
espacial – STF: “Não se atendem os pressupostos do 
instituto da unificação de penas os delitos, ainda que 
da mesma espécie, cometidos em comarcas diversas, 
desatendendo, dessa forma, a condição de lugar 
como um dos requisitos previstos no art. 71 do 
Código Penal. Ainda quando se superasse a questão 
espacial, restaria a temporal, não se reconhecendo 
como continuidade delitiva a prática de delitos num 
lapso de tempo superior a trinta dias. Precedente: HC 
nº 69.896, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 2-4-93, p. 
5.620” (HC 73.219-4 - DJU de 26-4-1996, p. 13.115). 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
1) (MPU/MPDFT/Promotor de Justiça Adjunto/2003) 
Excluem a ilicitude do fato: 
a) O estado de necessidade, a legítima defesa e o 
arrependimento posterior. 
b) O estado de necessidade, a legítima defesa e a 
embriaguez voluntária. 
c) O estado de necessidade, a legítima defesa e a 
embriaguez completa, proveniente de caso fortuito. 
d) O estado de necessidade, a legítima defesa e o 
estrito cumprimento do dever legal. 
e) O estado de necessidade, a legítima defesa e o 
desenvolvimento mental incompleto ou retardado 
que torna o agente inteiramente incapaz de entender 
o caráter ilícito do fato. 
 
 
2 ) Durante uma blitz da Polícia Militar, Mévio 
desobedece a ordem de parar, sendo perseguido 
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pelos policiais João, José e Raimundo, que efetuam 
vários disparos com suas armas de fogo. Um dos 
disparos efetuados por Raimundo atinge fatalmente a 
vítima. Excluída a possibilidade de qualquer 
excludente de ilicitude, assinale a alternativa correta 
quando ao enunciado (posição do STJ). 
a) João, José e Raimundo cometeram homicídio 
consumado, em co-autoria.b) Raimundo è autor de homicídio e João e José são 
partícipes. 
c) João, José e Raimundo cometeram homicídio 
tentado. 
d) João e José praticaram tentativa de homicídio e 
Raimundo, homicídio consumado. 
 
3) (PROVÃO - MEC - 96) A, desconhecendo a intenção 
e até mesmo a presença de B, desferiu um tiro contra 
C, no exato momento em que B adotava o mesmo 
comportamento. C faleceu, não se identificando o 
autor do disparo. 
a) Ocorreu co-autoria de homicídio. 
b) A responde por homicídio e B, por tentativa desse 
delito. 
c) A e B respondem por tentativa de homicídio, 
absolvidos do delito consumado, por falta de provas 
da autoria. 
d) B responde por homicídio consumado e A, pela 
mobilidade tentada. 
e) Todas as respostas estão erradas. 
 
4) (PROVÃO - MEC - 96) A, supondo que B iria matá-
lo, ao vê-lo, após seguidas ameaças de morte, levar a 
mão ao bolso do paletó, onde costumava manter um 
revólver, desferiu contra ele um disparo de arma de 
fogo. B, que fora fazer as pazes com A, levando-lhe no 
bolso, um presente, ao ser recebido à tiros, revidou 
com um disparo. 
a) A e B estavam ao abrigo da excludente de legítima 
defesa. 
b) A e B não poderiam invocar, em seu favor, 
qualquer excludente ou exculpante. 
c) A e B poderiam invocar legítima defesa putativa. 
d) A poderia invocar a exculpante da legítima defesa 
putativa e B a excludente da legítima defesa real. 
e) Somente A poderia ser absolvido, desde que 
invocasse a legítima defesa putativa. 
 
5) (PROVÃO - MEC - 96) Após ministrar veneno a 
Luis, Maria deu-lhe um vomitório, salvando-lhe a 
vida. 
a) Houve tentativa de homicídio. 
b) Ocorreu desistência voluntária. 
c) É o caso de arrependimento eficaz. 
d) Só haveria arrependimento eficaz se a ação de 
Maria fosse espontânea. 
e) Todas as respostas estão erradas. 
 
6) (PROVÃO - MEC - 96) José feriu Alonso que, levado 
ao hospital, faleceu em razão de incêndio ocorrido no 
centro cirúrgico. 
a) José responde por homicídio. 
b) O incêndio é concausa absolutamente 
independente que assume o resultado. 
c) O incêndio é concausa relativamente 
independente e não assume o resultado. 
d) Os concausos relativamente independentes nunca 
assumem o resultado. 
e) José não responde pelo homicídio. Trata-se de 
causa relativamente independente e superveniente 
que exclui a imputação. 
 
 
7) (PROVÃO - MEC - 96) Para matar Adeilton, 
Amâncio ateou fogo no imóvel rural em que aquele 
residia, causando-lhe lesões corporais graves. 
Amâncio cometeu: 
a) lesões corporais graves. 
b) incêndio qualificado (art. 250, c/c art. 258 do CP). 
c) incêndio (art. 250, CP) em concurso com lesões 
corporais graves. 
d) tentativa de homicídio (art. 121, § 2º, III, do CP). 
e) nenhuma das respostas anteriores. 
 
8) Ricardo conduzia seu veículo quando, sem 
qualquer motivo aparente, este se desgovernou e 
colidiu contra um poste de iluminação. No acidente, 
faleceram o pai de Ricardo e um conhecido. O 
Ministério Público denunciou Ricardo, por duplo 
homicídio culposo, em concurso formal. Se o juiz 
conceder perdão judicial a Ricardo: 
a) Ricardo continuará respondendo pelo homicídio 
culposo do seu conhecido. 
b) Ricardo não poderá ser beneficiado pelo perdão 
judicial, pois uma das vítimas não é seu parente. 
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c) O perdão judicial abrangerá as duas infrações 
penais. 
d) Ricardo responderá por dois homicídios, um na 
forma dolosa e outro na modalidade culposa. 
 
9) Fábio desfere uma facada em Marinho, atingindo 
de raspão a região torácica e causando-lhe lesão 
corporal leve. Ao se dirigir a uma farmácia, logo 
depois, a vítima é atingida por um veículo, vindo a 
falecer. Fábio praticou: 
a) Tentativa de homicídio, uma vez que está 
presente o animus necandi. 
b) Tentativa imperfeita 
c) Desistência voluntária, uma vez que o resultado 
morte não se operou. 
d) Lesões corporais, uma vez que ocorreu uma causa 
superveniente relativamente independente que, por 
si só, produziu o resultado. 
 
10) (UnB/Cespe/DPF/DGP/Escrivão de Policia 
Federal/2004) Em cada um dos itens seguintes, é 
apresentada uma situação hipotética, seguida de uma 
assertiva a ser julgada. 
a) Roberto, funcionário público, e Bruno, estranho 
ao serviço público, exigiram, em razão da função de 
Roberto, vantagem indevida no valor de R$8.000,00. 
Nessa situação, tendo em vista que o fato de ser 
funcionário público é circunstância pessoal de 
Roberto, a qual não se comunica, apenas ele 
responderá por delito de concussão. 
b) Leandro desferiu cinco facadas contra o tórax de 
Régis, com intenção de matá-lo, executando, assim, o 
plano que havia elaborado. No entanto, ao sair do 
local, mudou de idéia e resolveu socorrer Régis, 
levando-o ao hospital e evitando que ele falecesse. 
Nessa situação, a ação de Leandro caracteriza 
desistência voluntária, pois, já tendo ultimado o 
processo de execução do crime, desenvolveu 
voluntariamente nova atividade, impedindo a 
produção do resultado, razão por que ele responderá 
por lesão corporal. 
c) Rui, mediante grave ameaça exercida com 
emprego de arma de fogo, subtraiu o aparelho celular 
e o relógio de César. Nessa situação, Rui praticou 
crime de roubo, que é um crime complexo, porque 
dois tipos penais caracterizam uma única descrição 
legal de crime. 
d) Plínio, utilizando toda a munição de seu revólver, 
atirou seis vezes contra Túlio, com intenção de matá-
lo, mas errou todos os tiros. Nessa situação, houve 
tentativa branca ou incruenta, devendo Plínio 
responder por tentativa de homicídio. 
e) Cecília colocou a mão no bolso esquerdo e, 
posteriormente, no bolso direito da roupa de um 
transeunte, com a intenção de subtrair-lhe dinheiro. 
Não encontrou, contudo, qualquer objeto de valor. 
Nessa situação, houve crime impossível e, assim, 
Cecília não responderá por crime algum. 
 
 
11) (PROVÃO - MEC - 97) O Código Penal prevê em 
seu artigo 14, parágrafo único, que a tentativa deve 
ser punida com a pena correspondente ao crime 
consumado, diminuída de um a dois terços. O critério 
para tal diminuição de pena é aferido: 
a) pela gravidade do delito. 
b) pela intensidade do dolo. 
c) pela personalidade e conduta social do réu. 
d) pelo percurso entre o início de execução do crime 
e sua consumação. 
e) pelos antecedentes do réu. 
 
12) (JUIZ/SP - 97 - 1ª fase - concurso 168) O princípio 
da reserva legal significa que: 
a) só a lei anterior pode determinar o que é crime e 
prever a sanção cabível. 
b) o autor de um fato delituoso só pode ser julgado 
pelo Juiz competente. 
c) o Juiz pode aplicar o fato delituoso em julgamento 
a lei que lhe parecer mais justa. 
d) o autor de um fato delituoso só pode ser julgado 
através do processo legal. 
 
13) (JUIZ/SP - 97 - 1ª fase - concurso 168) Assinale a 
alternativa correta: 
a) O arrependimento eficaz (art. 15 do CP) sempre 
torna atípica a conduta do agente. 
b) O arrependimento posterior (art. 18 do CP) tem 
como conseqüência a redução de pena e tem 
cabimento em crimes de qualquer natureza. 
c) A desistência voluntária (art. 15 do CP) e o 
arrependimento eficaz do agente, para que o 
beneficiem, devem ocorrer antes do resultado típico 
e o arrependimento posterior até o recebimento da 
denúncia ou da queixa. 
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d) A desistência voluntária do agente, para beneficiá-
lo, deve ocorrer antes do resultado típico e os 
arrependimentos eficaz e posterior até o 
recebimentoda denúncia ou da queixa. 
 
14) (JUIZ/SP - 96 - 1ª fase - concurso 167) Num 
mesmo contexto, o autor rouba a vítima e a 
seqüestra, colocando-a na porta malas de seu veículo 
e deixando-a em estrada de outro município. Ocorre 
a) concurso formal entre roubo e seqüestro. 
b) concurso material entre roubo e seqüestro. 
c) o roubo absorve o seqüestro que é o "posto 
factum" não punível. 
d) o seqüestro absorve o roubo que é "ante factum" 
não punível. 
 
15) (MP/MG –97) João, não sabendo nem tendo 
como saber que Maria estava grávida, aplica-lhe um 
chute na barriga, visando ofender sua integridade 
corporal. Como conseqüência da agressão, Maria 
sofre um aborto e hematomas na região. A conduta 
de João é: 
a) Típica de lesão corporal gravíssima em concurso 
formal com o crime de aborto provocado sem o 
consentimento da gestante; 
b) Típica de lesão corporal simples ou leve; 
c) Típica de aborto provocado sem o consentimento 
da gestante; 
d) Típica de lesão corporal de natureza gravíssima; 
e) Típica de crime de aborto provocado sem o 
consentimento da gestante com a pena aumentada 
de 1/3 em decorrência da incidência de lesão 
corporal de natureza grave; 
 
16) “Ninguém pode ser punido por ato que lei 
posterior deixa de considerar crime, cessando em 
virtude dela a execução e os efeitos penais da 
sentença condenatória”. Trata-se do que 
denominamos: 
a) novatio legis in mellius 
b) novatio legis in pejus 
c) novatio legis incriminadora 
d) abolitio criminis 
 
17) Marque a alternativa incorreta: 
 
a) Exige-se, para as medidas de segurança, a 
anterioridade da lei ao fato delituoso que é 
pressuposto de sua aplicação. 
b) As medidas de segurança estão subordinadas ao 
Princípio da Reserva Legal, pois ninguém pode ser 
submetido às medidas restritivas de direito não 
previstas em lei 
c) Nossa lei penal vigente abandonou o sistema de 
duplo binário, que previa, ao lado da pena, a medida 
de segurança 
d) O juiz pode aplicar medida de segurança não 
prevista expressamente, como também pode utilizar-
se da analogia para aplicação de medida dessa 
natureza. 
 
18) Assinale a alternativa contendo o princípio pelo 
qual a Lei Penal é aplicada a todo e qualquer fato 
punível, independentemente da nacionalidade do 
agente ou da vítima, ou o local de sua prática: 
a) personalidade 
b) justiça universal 
c) territorialidade 
d) defesa 
 
 
19) considere as seguintes afirmativas: 
 
I. Pelo princípio da Representação, a Lei Penal de 
determinado país é aplicável aos delitos cometidos 
em aeronaves e embarcações privadas, quando 
realizados no estrangeiro e aí não venham a ser 
julgados. 
II. O Princípio da territorialidade temperada permite 
que regras de direito internacional sejam aplicados 
aos crimes praticados no território nacional 
III. Navios estrangeiros em águas territoriais 
brasileiras, desde que públicos, são considerados 
parte de nosso território 
IV. Aeronave particular brasileira, em espaço aéreo 
de outro país, em qualquer hipótese, é considerada 
extensão do território nacional. 
Estão corretas: 
 
a) I e II 
b) I, II e III 
c) II e III 
d) II e IV 
e) Todas estão corretas 
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20) Analise os seguintes exemplos: 
 
I. Paulo, estando na em território brasileiro, 
fronteira com a Bolívia, dispara um tiro de revólver e 
mata João, seu desafeto, que se encontrava naquele 
país. 
II. Um francês, estando em território argentino, 
envia uma carta-bomba para José, no rio de Janeiro, 
que recebe o artefato e este vem a explodir, matando 
a vítima. 
III. Brasileiro atravessa a fronteira Brasil-Uruguai e 
atira em um argentino, causando-lhe lesões corporais 
 
Marque a alternativa correta: 
a) a competência para a apuração dos delitos 
supramencionados será dos países em que ocorreu a 
ação do agente 
b) os crimes serão apurados pelo local onde se deu o 
resultado, no todo ou em parte 
c) a competência será de ambos os países, em razão 
da adoção da teoria da ubiqüidade 
d) Nenhuma das alternativas

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