A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
14 pág.
POLITICAS PUBLICAS - CONTEUDO ONLINE

Pré-visualização | Página 6 de 9

no âmbito global. 
POLÍTICA DE ATUAÇÃO: Como podemos observar, tanto na Europa, como nos países periféricos, a política de 
financiamento do FMI e do Banco Mundial está intimamente associada a defesa dos interesses econômicos do EUA que, 
após a 2 guerra mundial, assume a liderança política e econômica do Bloco Capitalista. Portanto, cabe destacar que os 
Organismos Internacionais estão fortemente vinculados aos Estados Nacionais, sobretudo aos EUA. 
POLÍTICA DE FUNCIONAMENTO: O poder de decisão dos países no Banco Mundial e no FMI não se dá através do voto 
individual de cada país, mas sim em função do capital depositado por cada um deles no Fundo. Sendo assim, desde a 
fundação até hoje existe uma divisão entre Europa e EUA, de modo que sempre o presidente do Banco Mundial é um 
americano, e do FMI indicado pela União Europeia. O financiamento, não é o único nem o mais importante papel 
desempenhado pelo Banco no setor social, mas sim o caráter estratégico que vem desempenhando no processo de 
reestruturação neoliberal dos países dependentes. 
 
A crise do endividamento, vivida pelos países da América Latina a partir dos anos 80, possibilitou uma maior interferência 
do Banco na política interna dessas nações. Sob essa perspectiva, o Banco Mundial, no final dos anos 80, formulou um 
conjunto de reformas a serem aplicadas nos países endividados para atender às necessidades de expansão do capital 
internacional. Essas reformas, que ficaram conhecidas como “Consenso de Washington”, defendiam principalmente: a) o 
equilíbrio orçamentário mediante a redução dos gastos públicos; b) a abertura comercial; c) a liberalização financeira; d) 
a desregulamentação dos mercados internos; e) a privatização das empresas e dos serviços públicos. 
Embora esses países pudessem enfrentar recessão e aumento da pobreza num primeiro momento de implantação das 
reformas, só assim, afirmava o Banco, seria possível retomar o crescimento econômico. Enfim, retomar o desenvolvimento 
sustentável. No vídeo acima, você vê o anúncio da então Ministra da Economia do Governo Collor anunciado um pacote 
econômico, em 16/03/1990. 
Economia e política social: 
O princípio de política social focalizada na pobreza, expressa nos documentos do Banco Mundial, reflete uma concepção 
de atendimento mínimo para aqueles que não podem adquirir esses serviços no mercado. Entretanto, tal posicionamento 
rompe com o princípio da igualdade de direitos, luta histórica do movimento popular. Nesse sentido a educação, como 
política social focalizada, tem lugar de destaque nas propostas do Banco Mundial para a América Latina. A reforma a 
Educação instituída para priorizar a educação inicial em detrimento dos demais níveis é um bom exemplo do papel que 
desempenhamos nessa nova ordem mundial. Ora, se as 
condicionalidades impostas pelos Organismos 
Internacionais têm nos conduzido a um processo de 
recolonização, caracterizado pelo fim do desenvolvimento 
autônomo e dependência cientifica e tecnológica, qual 
seria a necessidade de se investir numa educação de longa 
duração? 
Política educacional - lógica neoliberal: O Banco, que 
nesse momento tem a tarefa de implementar a política de 
ajuste econômico nos países periféricos, apresenta para a 
Educação um conjunto de mudanças caracterizadas como 
Reformas Educacionais da década de 90. 
Sendo assim, não há lugar para o desenvolvimento 
autônomo de todos os países nem para a inclusão de todos 
os indivíduos. É a isso que o Banco chama equidade; na 
verdade, uma distribuição desigual. 
 
Funcionamento da reforma educacional 
Nesse sentido, as Reformas Educacionais indicadas pelo Banco Mundial apresentaram basicamente dois eixos. O primeiro 
voltado para uma educação racional e eficiente, capaz de reduzir os custos, o que implica na divisão de responsabilidades 
entre o Estado e a sociedade. O segundo, centrado na qualidade do ensino em função do diagnóstico apresentado pelo 
Banco acerca dos principais problemas da educação. 
Tais problemas estão relacionados ao acesso e permanência dos alunos na escola, crescimento acelerado da demanda de 
educação secundária e superior, alfabetização de adultos e aprofundamento da distância entre países da OCDE 
(Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e da América Latina e Caribe. 
Política neoliberal para a educação 
A concepção neoliberal que passou a orientar essa política educacional tratou a educação não mais como um direito do 
cidadão, mas sim como uma mercadoria. Não seria por outro motivo que, Paulo Renato Souza, um economista que foi 
ministro da educação nos dois governos de Fernando Henrique, tenha ocupado uma vice-presidência no Banco 
Interamericano de Desenvolvimento (BID). 
A educação ocupou um papel relevante na reforma do Estado brasileiro. Para tanto, o primeiro governo de Fernando 
Henrique (1995-1998) sofreu uma profunda reformulação, tomando como base o conceito de equidade social da forma que 
aparece nos estudos produzidos pelos Organismos Internacionais ligados à ONU e promotores da Conferência de Jomtien. 
Por equidade podemos entender a possibilidade de estender certos benefícios obtidos por alguns grupos sociais à totalidade 
das populações, sem, contudo, ampliar na mesma proporção às despesas públicas para esse fim (cf. Oliveira, 1999:74). 
Descentralização do ensino ou da responsabilidade? 
A “Conferência de Educação para Todos” (Março de 1990, em Jomtien) estabeleceu como orientação priorizar o ensino 
fundamental em detrimento dos demais níveis de ensino. Ainda, defendeu que a tarefa de assegurar a educação é de 
todos os setores da sociedade. De acordo com essa postura, o dever do Estado foi relativizado. 
 
A teoria na prática 
O eixo descentralização/racionalização tem, na 
municipalização do ensino e na criação do Fundo de 
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 
Fundamental e de Valorização do Magistério 
(FUNDEF), a principal articulação do governo federal 
para ampliar o atendimento ao ensino fundamental, 
sem aumentar os recursos destinados a esse nível de 
ensino. O governo federal repassa aos municípios, 
muitas vezes as unidades mais pobres da Federação, 
a responsabilidade com esse nível de ensino, como 
bem podemos observar no quadro a seguir: 
Síntese da Aula: A política educacional desse modelo de Estado Capitalista, implantado no Brasil de forma dominante a 
partir do governo de Fernando Henrique Cardoso, tem na municipalização da educação e no FUNDEF os elementos 
fundamentais da atual política econômica. Com essa descentralização, o Estado repassa a responsabilidade do 
investimento na educação para outros setores da sociedade. Porém, a formulação e o controle da aplicação dessa política 
são altamente centralizados, o que não permitiu a participação da sociedade na sua elaboração. 
 
 
AULA 8: A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL: 
ELABORAÇÃO, CARACTERÍSTICAS, AVANÇOS E RETROCESSOS 
 
Nessa aula você vai estudar o processo de elaboração da atual LDBN 9394/96, no governo de Fernando Henrique, em um 
contexto de Reestruturação do Estado, no qual a educação exerceu um papel preponderante na política Nacional. No vídeo 
acima, você vê uma brincadeira que relaciona parte do cotidiano de sala de aula com a realidade brasileira, tudo regado 
a uma paródia de música. 
 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBN 9394/96 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional é considerada a lei 
maior da educação no país, e está subordinada à Constituição Federal 
e situa-se logo abaixo dela, definindo de uma maneira geral a nossa 
educação. Por ter um caráter abrangente, necessita de 
regulamentação, ou seja, de legislação específica para vários de seus 
dispositivos. 
Segundo Demerval Saviani, fixar as diretrizes da educação nacional: 
“(...) não é outra coisa senão estabelecer os parâmetros, os 
princípios, os rumos que se deve imprimir à educação no