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DIREITO DAS OBRIGACOES E RESPONSABILIDADE CIVIL 2013-1

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não poderá o devedor alegar perda ou 
deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito.
Em relação à escolha, ou seja, o momento de concentração da obrigação, 
o art. 245 dispõe que:
Art. 245. Cientifi cado da escolha o credor, vigorará o disposto na 
Seção antecedente.
Em síntese: a obrigação de dar coisa incerta perdura até o momento de es-
colha. Até esse momento, a obrigação tinha em vista o gênero e a quantidade 
da coisa objeto da prestação. Depois da escolha, esse objeto é individuado, 
especifi cado. A obrigação transmuda-se para uma obrigação de dar coisa certa 
e, como tal, deve ser pautada pelas regras da seção antecedente.
Ressalte-se que essa escolha da obrigação obedece a determinados critérios 
constantes dos artigos 244 e 245 do Código Civil. A faculdade de realizar a 
escolha deverá ser decidida pela convenção entre as partes, mas no silêncio 
destas, competirá ao devedor.
As obrigações de dar coisa incerta têm por objeto coisas determinadas pelo 
gênero e pela quantidade. Pode ocorrer, no entanto, que sendo essas coisas 
de existência restrita, toda a espécie dentro da qual a obrigação esteja inserida 
venha a se extinguir. Nesse caso, não obstante a falta de previsão legal, a dou-
trina converge no sentido de dissolução da obrigação sem que o devedor seja 
responsabilizado por perdas e danos.
Obrigações de fazer e não fazer
A obrigação de fazer importa numa atividade do devedor. O conteúdo 
dessa obrigação é uma atividade, seja ela eminentemente física ou intelectual. 
Da mesma forma que a obrigação de dar, trata-se de uma obrigação positiva.
Essa obrigação de fazer pode ser contraída tendo em vista a fi gura do deve-
dor, não se admitindo que outro a realize. Isso se daria, por exemplo, quando 
o devedor fosse um artista famoso e estivesse obrigado a pintar um quadro. 
Não prestaria o quadro de qualquer pessoa, mas sim o daquele artista que 
congrega características a ele inerentes.
Essa regra redunda da dicção do art. 247 do Código Civil, que determina:
Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o deve-
dor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível.
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FGV DIREITO RIO 33
Essas são as obrigações de fazer de natureza infungível, também conhe-
cidas como intuitu personae. De acordo com elas, a obrigação é assumida 
tendo em vista a fi gura do devedor e este não pode ser substituído. Essa 
impossibilidade deriva tanto da natureza da obrigação, como no exemplo 
do pintor do quadro, como da livre convenção das partes, quando mesmo 
havendo outras pessoas que poderiam executar a mesma tarefa, acertam os 
contratantes no sentido da impossibilidade de substituição do devedor.
Na ausência de convenção, compete analisar o caso concreto para se veri-
fi car a existência ou não desse caráter intuitu personae.
Em havendo impossibilidade da execução por terceiro de obrigação fungí-
vel, o art. 249 enuncia a seguinte regra:
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao 
credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora 
deste, sem prejuízo da indenização cabível.
Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independen-
temente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, 
sendo depois ressarcido.
A distinção entre as obrigações de dar e de fazer pode se mostrar, certas 
vezes, de difícil apreciação. O critério mais usual é verifi car se esse dar é ou 
não conseqüência direta da obrigação de fazer.
Se o devedor deve previamente confeccionar o bem para então entregá-lo, 
está-se diante de uma obrigação de fazer. Se por outro lado, o ato de constru-
ção, anterior a entrega do bem, não fi ca a cargo do devedor, trata-se de uma 
obrigação de dar.
A questão da coatividade no caso de inadimplemento não deixa de ser ou-
tro fator diferenciador. As obrigações de dar autorizam, em regra, a execução 
coativa, ao passo que o mesmo não ocorre nas obrigações de fazer. Por conta 
de uma série de valores encampados pelo ordenamento, os indivíduos não 
podem ser compelidos a executar atividades contrariamente a sua vontade. 
Não pode o Estado intervir diretamente compelindo o devedor a prestar, 
podendo valer-se somente de meios indiretos, como cominação de multa ou 
a condenação do devedor a arcar com perdas e danos.
As obrigações de fazer podem então ser descumpridas atentando-se a três 
situações distintas:
 Quando a prestação se torna impossível, por culpa do devedor;
 Quando a prestação se torna impossível, sem culpa do devedor; e
 Quando o devedor se recusa ao cumprimento da obrigação.
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A dinâmica de cumprimento da obrigação assume novos contornos com 
as recentes alterações no código de processo civil, em especial as modifi cações 
que surgiram nos arts 273 e 461 do CPC, e que colocam à disposição do juiz 
uma série de instrumentos voltados à execução específi ca da obrigação assu-
mida, como a cominação de multa diária em virtude do descumprimento.
As obrigações de não fazer são obrigações negativas. Segundo essas obriga-
ções, o devedor se compromete a manter uma abstenção.
O devedor se compromete a não praticar determinada atividade que, sob 
condições normais, não encontraria qualquer restrição. Vale destacar que a 
necessidade de licitude, inerente a todos os negócios jurídicos, assume aqui 
uma dimensão particular: a obrigação de não fazer não pode atentar contra a 
liberdade individual. Dessa maneira, ilícita é a obrigação de não contrair ma-
trimônio, de não gerar descendentes, de não professar determinada religião.
Como exemplos de obrigações de não fazer podemos destacar a obrigação 
do vizinho em não usar aparelhos sonoros em volume alto, de não bloquear 
servidão a imóvel, de não sublocar, de não revelar segredo industrial, en-
tre outros. Um exemplo bem interessante é a cláusula de raio que consiste 
na estipulação entre vendedor e comprador, mediante a qual o alienante se 
compromete a não abrir negócio do mesmo ramo nas proximidades. Essa 
matéria será analisada na aula sobre o princípio da autonomia da vontade 
nos contratos.
Vale ressaltar que é justamente a abstenção da prática de uma atividade, a 
qual de outra forma seria plenamente admissível, que representa o cumpri-
mento dessa modalidade de obrigação. O devedor cumpre a obrigação a todo 
momento, sempre que pode executar a ação especifi cada, mas não faz.
O art. 250 determina uma hipótese de extinção desse tipo de obrigação, 
defi nindo que:
Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa 
do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a 
não praticar.
Na hipótese aqui destacada o devedor dá ensejo à prática do ato pela im-
possibilidade de abster-se da conduta. Não há culpa na prática desse ato. 
Por outro lado, se a situação é diversa, e o devedor culposamente enseja a 
execução da ação a qual devia abster-se, deverá arcar com perdas e danos face 
ao credor.
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2. QUESTÃO DE CONCURSO:
Concurso para o cargo de Advogado da BR Distribuidora (2005) pro-
va azul
30. Quando se impossibilita a abstenção do fato, sem culpa do devedor, a 
obrigação extingue-se. Tal hipótese ocorre nos casos de obrigação:
a) de não fazer;
b) de fazer;
c) de dar coisa incerta;
d) extintiva;
e) alternativa.
Gabarito: 30 (a)
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AULA 7: CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES: OBRIGAÇÕES 
INDIVISÍVEIS, SOLIDÁRIAS E ALTERNATIVAS
EMENTÁRIO DE TEMAS:
Obrigações Divisíveis e Indivisíveis Pluralidade de Credores e Devedores 
Indivisibilidade e Solidariedade Solidariedade Ativa — Solidariedade Passiva 
Obrigações Cumulativas e Alternativas Concentração