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DIREITO DAS OBRIGACOES E RESPONSABILIDADE CIVIL 2013-1

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e cumprimento da obri-
gação alternativa Obrigações Facultativas Obrigações Principais e Acessórias
LEITURA OBRIGATÓRIA:
Lôbo, Paulo Luiz Netto. Teoria Geral das Obrigações. São Paulo: Saraiva, 
2005; pp. 134/166.
LEITURAS COMPLEMENTARES:
Sampaio da Cruz, Gisela. “Obrigações alternativas e com faculdade alter-
nativa. Obrigações de meio e de resultado”, in Gustavo Tepedino (org) Obriga-
ções: Estudos na perspectiva civil-constitucional. Rio de Janeiro: Renovar, 2005; 
pp. 147/168. Zangerolame, Flavia Maria. “Obrigações divisíveis e indivisí-
veis e obrigações solidárias”, in Gustavo Tepedino (org) Obrigações: Estudos na 
perspectiva civil-constitucional. Rio de Janeiro: Renovar, 2005; pp. 181/210.
1. ROTEIRO DE AULA:
Obrigações Divisíveis e Indivisíveis
Nem sempre as obrigações se apresentam de forma singularizada. Nas cha-
madas obrigações complexas, por exemplo, pode-se identifi car a pluralidade 
de credores ou de devedores, ou ainda a pluralidade de objetos da prestação.
Ao qualifi car as relações obrigacionais quanto à divisibilidade (divisíveis 
ou indivisíveis) deve-se ter em mente os seguintes critérios: (i) divisíveis são 
as obrigações passíveis de cumprimento fracionado; (ii) indivisíveis são as 
obrigações que só podem ser cumpridas em sua integralidade.
A noção de indivisibilidade se encontra na própria lei, expressa através do 
art. 258 do Código Civil:
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Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por ob-
jeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, 
por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do 
negócio jurídico.
Logicamente, considerado sob o aspecto material, tudo pode ser fracionado. 
Contudo, na acepção jurídica, a obrigação é considerada divisível quando as 
partes fracionadas conservam as mesmas propriedades outrora encontradas no 
todo, notadamente o seu valor econômico. Em certa obrigação que foi dividida, 
o valor da soma de cada uma das frações deve ser semelhante ao valor do todo.
Imagine-se o seguinte exemplo: um cavalo é um bem indivisível e, por-
tanto, a obrigação de entregar um determinado cavalo (obrigação de dar) 
também não pode ser fracionada; por outro lado, a obrigação de entregar du-
zentas sacas de arroz pode ser perfeitamente dividida. Nesse segundo exem-
plo, a entrega de cem sacas de cada vez não implicaria diminuição do valor 
econômico atribuível ao todo.
O exemplo do cavalo, suscitado acima, é um caso de indivisibilidade ma-
terial. Decorre da própria natureza do objeto envolvido na prestação. Em 
outros casos, a indivisibilidade pode resultar de força da lei, sendo jurídica ou 
mesmo da convenção entre os contratantes, quando será convencional.
A indivisibilidade jurídica pode se manifestar da seguinte forma: do ponto 
de vista fático, todo imóvel é passível de fracionamento, mas a lei pode criar 
restrições de zoneamento proibindo que um imóvel seja dividido de forma a 
se alcançar metragem inferior a um determinado parâmetro.
Em outros casos, é a vontade das partes que pode tornar o objeto de uma 
prestação, que de início é perfeitamente divisível como a obrigação de entre-
gar uma tonelada de soja em indivisível. Nesse caso, a vontade das partes se 
manifestou no sentido de que a obrigação só poderá ser cumprida por inteiro. 
Essa possibilidade é enunciada, inclusive, através da redação do art. 314 do 
Código Civil, sendo decorrência lógica da noção de que o credor não é obri-
gado a receber de forma diversa do estipulado.
Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisí-
vel, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, 
por partes, se assim não se ajustou.
A par das considerações aqui já traçadas, inclusive a da enunciação expres-
sa da lei acerca da noção de indivisibilidade, deve-se buscar auxílio nos artigos 
87 e 88 do Código Civil para a defi nição precisa da idéia de indivisibilidade.
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Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração 
na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso 
a que se destinam.
Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisí-
veis por determinação da lei ou por vontade das partes.
O cerne do conceito de indivisibilidade reside na possibilidade ou impos-
sibilidade de fracionamento do objeto da prestação. Adicionalmente, não 
basta só essa consideração quanto à viabilidade da divisão, mas se requer, 
igualmente, a visualização de uma pluralidade de sujeitos, pois do contrário 
não haverá sentido em se realizar essa distinção.
Pluralidade de Credores e Devedores
A pluralidade de devedores ou de credores é matéria tratada, inicialmente, 
no art. 257 do Código Civil, da seguinte forma:
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em 
obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, 
iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.
Nesse dispositivo a lei opera a presunção de que a obrigação se divide 
quando se dá a pluralidade de agentes em um ou em ambos os pólos da re-
lação. Quando, ao contrário, verifi ca-se a existência de um só credor e um 
só devedor, tem-se a necessidade de que a obrigação se realize de uma só vez, 
excetuando-se os casos em que as partes acordaram o pagamento fracionado.
Na pluralidade de devedores, quando a prestação for indivisível, isto é, 
quando não puder ser fracionada sob pena de se desnaturar o seu valor econô-
mico, será manejada a solução prevista pelo art. 259, caput, do Código Civil:
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for 
divisível, cada um será obrigado pela dívida toda.
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direi-
to do credor em relação aos outros coobrigados.
O parágrafo único dispõe sobre situação que será pormenorizada mais adiante, 
no estudo dos efeitos da sub-rogação. Por ora, vale destacar que sub-rogação, nesse 
caso, é um expediente jurídico mediante o qual o devedor que pagou assumirá a 
posição de credor em relação aos demais devedores. Conforme será examinado mais 
adiante, a sub-rogação constitui uma das modalidades especiais de pagamento.
Nesse caso de pluralidade no pólo passivo em obrigação cuja prestação é 
indivisível, embora cada um dos devedores deva apenas fração da obrigação, 
a sua liberação está condicionada à entrega do todo.
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Na situação em que dois devedores comprometem-se a entregar um deter-
minado veículo não é possível o fracionamento. Um deles entregará o veículo 
em sua totalidade, sub-rogando-se no direito de demandar do outro devedor 
o valor referente à parte desse devedor que não entregou diretamente o bem.
Os devedores podem tanto ser responsáveis pela prestação em partes iguais 
ou em qualquer outra proporção fi xada quando da pactuação do negócio 
jurídico. O negócio jurídico deve ser sempre examinado de modo a se identi-
fi car que parte compete a cada indivíduo na partição da dívida. Igual raciocí-
nio deve ser empregado na abordagem do art. 261 do Código Civil.
Adicionalmente, se ao contrário, a prestação indivisível for devida a uma plu-
ralidade de credores, abrir-se-á a possibilidade de cada um deles demandar a inte-
gralidade da dívida. Nesse sentido, dispõem os arts. 260 e 261 do Código Civil:
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exi-
gir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando:
I a todos conjuntamente;
II a um, dando este caução de ratifi cação dos outros credores.
Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a 
cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte 
que lhe caiba no total.