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DIREITO DAS OBRIGACOES E RESPONSABILIDADE CIVIL 2013-1

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mais de uma prestação é devida de forma cumulada. O credor tem o po-
der de exigir o cumprimento de todas elas, na medida em que todas são devidas.
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Deve-se destacar a inexistência de um regime legal particularizado às obri-
gações de objeto conjunto. As mesmas devem ser regidas pelos princípios 
gerais que norteiam o direito das obrigações.
Para melhor compreender a dinâmica da obrigação em questão, cum-
pre ter em mente que o objeto composto que ela prevê vem destacado pela 
partícula aditiva e. Dessa forma, um exemplo de obrigação conjunta é a de 
entregar um carro e uma casa. A prestação é conjunta, congregando aqui a 
obrigação de dar duas coisas.
Por outro lado, nas obrigações alternativas (ou disjuntivas) ao devedor 
compete a entrega de uma das coisas objeto da obrigação. O objeto não é 
único, mas o devedor se desobriga entregando um deles.
Diferentemente das obrigações cumulativas, essa modalidade de obriga-
ção é dotada de um regime especial que corresponde aos arts. 252 a 256 do 
Código Civil. O objeto da obrigação aqui é ligado pela partícula ou: devemos 
um carro ou uma casa. Apenas uma das obrigações é devida.
Concentração e cumprimento da obrigação alternativa
No cumprimento das obrigações alternativas, é importante notar que o 
objeto, que é inicialmente é múltiplo, se torna individualizado num momen-
to posterior. Após esse momento da individualização, a obrigação, outrora 
alternativa, se processa de forma semelhante a uma obrigação simples.
Adicionalmente, existe a outra dúvida: a quem compete a escolha da obri-
gação devida? Ordinariamente, a escolha compete ao devedor, estando esse 
entendimento consubstanciado no art. 252, caput, mas nada obsta que o 
acordo de vontades entre as partes pode reservar essa faculdade para o credor. 
Aliás, o art. 252 do Código Civil baliza as regras referentes ao pagamento de 
obrigações alternativas.
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se 
outra coisa não se estipulou.
Caso se verifi que dúvida na defi nição de a quem compete a escolha da 
obrigação, a mesma deve ser solucionada no sentido de favorecer o devedor. 
Essa é a regra geral, e ainda nos casos de dúvida, deve-se benefi ciar o devedor.
Obrigações Facultativas
O ordenamento pátrio, seguindo o exemplo da maioria das legislações 
estrangeiras, não se ocupa das obrigações facultativas. A obrigação facultati-
va tem por objeto apenas uma prestação principal, no entanto possibilita a 
liberação do devedor uma vez que ele efetue o pagamento de outra prestação 
prevista em caráter subsidiário.
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Como exemplo pode-se ilustrar a seguinte situação: um comerciante acor-
dou na entrega de vinte caixas de laticínios, mas o contrato lhe possibilita 
liberar-se da obrigação mediante a entrega de cinquenta quilos de café. A 
obrigação principal é aquela inicialmente acordada, a primeira, qual seja, a 
entrega das caixas de laticínios. A prestação subsidiária tem, contudo, o con-
dão de desincumbir o devedor.
Obrigações Principais e Acessórias
O artigo 92 do Código Civil enuncia a relação de acessoriedade entre os bens:
Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concreta-
mente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal.
Para o direito obrigacional, transporta-se essa noção relativa aos bens, ha-
vendo assim, obrigações que nascem e existem de per se, mostrando abso-
luta independência em relação a outras. Não obstante, há obrigações que se 
apresentam agregadas, em estado de vinculação a essas obrigações principais, 
sendo taxadas por isso de obrigações acessórias. Sua existência está ligada 
à própria existência das obrigações principais, ou seja, extinguindo-se uma 
obrigação principal, perecem consequentemente aquelas que lhe gravitam.
Em síntese, principal é aquela obrigação dotada de existência autônoma, in-
dependendo de qualquer outra. Já as obrigações acessórias são aquelas que não 
tem existência em si, dependendo de outra a que adere ou cuja sorte depende.
A relação entre obrigações acessórias e principais pode tanto decorrer da 
vontade das partes como da lei. Não há necessidade de nascimento conco-
mitante, podendo as obrigações acessórias serem constituídas superveniente-
mente e ainda em instrumentos jurídicos distintos. As obrigações acessórias 
podem ser referentes ao objeto ou decorrentes de situações subjetivas, e ainda 
derivar da previsão legal ou da convenção entre as partes.
Como exemplos de obrigações acessórias pode-se mencionar os direitos de 
garantia como a fi ança, (garantia pessoal) e o penhor e a hipoteca (garantias 
reais). As obrigações principais subsistem com perfeição ainda que essas fi gu-
ras sejam dissolvidas. Mas não existe razão numa fi ança ou numa garantia de 
qualquer outra natureza, se não houver uma obrigação principal que lhe dê 
sentido, portanto, as obrigações acessórias perecem quando da ausência de 
uma obrigação principal.
A relação de dependência estabelecida entre acessória e principal produz 
grande gama de efeitos jurídicos, sendo eles decorrência da regra geral aces-
sorium sequitur principale.
Por fi m, temos que obrigações acessórias não se confundem com cláusula 
acessória. Nesse sentido, cumpre transcrever a lição de Caio Mário:
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“Há, contudo, distinguir “cláusula acessória” de “obrigação acessó-
ria”, em que a primeira pressupõe um acréscimo, sem a criação de obri-
gação diversa. Assim, se num contrato preliminar de compra e venda as 
partes estipulam a sua irretratabilidade, inserem uma cláusula que é 
acessória, por não fazer parte da natureza da promessa aquela qualida-
de, mas não constitui uma obrigação acessória, porque não implica 
uma obligatio a mais, aderente ao contrato, à qual o devedor esteja 
sujeito. Ocorre uma qualifi cação da mesma obrigação do promitente-
vendedor e do promitente comprador. A distinção aqui feita não é me-
ramente acadêmica, pois que a toma, em outro sentido, Alfredo Col-
mo, para mostrar que as cláusulas acessórias quando ilícitas carreiam a 
nulidade do direito principal, o que não é verdade quanto às obrigações 
acessórias, cuja inefi cácia deixa incólume a principal.” 16 
2. CASO GERADOR:
Bernardo, Eduardo e Ricardo são três criadores de cavalos no interior de 
São Paulo. Embora trabalhem separadamente, o intercâmbio de cavalos entre 
as suas respectivas fazendas é intenso, sendo comum que dois, ou até mesmo 
os três, façam negócios em conjunto.
No início do ano, Luís, experiente investidor em leilões de bovinos e ca-
valos, procurou os três em busca de renovação do seu plantel de cavalos. 
Empolgado com a qualidade apresentada pelos cavalos dos três criadores, e 
buscando se assegurar de que receberia um bom cavalo ao fi nal do negócio, 
Luis resolve propor aos três criadores o seguinte contrato de compra e venda: 
pelo preço de R$ 60.000,00, Bernardo, Eduardo e Ricardo deveriam entregar 
a Luis, até o fi nal do ano, uma das crias do cavalo Itajara, campeão de diver-
sos torneios, o qual era criado na fazenda de Bernardo, mas de propriedade 
dos três criadores.
Com base no caso acima, responda:
 Tendo algumas das crias de Itajara nascido com doença que não 
inviabiliza a vida cotidiana, mas veda as suas participações em cor-
ridas e competições que exijam demais do animal, podem os cria-
dores entregar uma dessas crias como cumprimento do pactuado? 
Justifi que com base na legislação pertinente.
 E se todas as crias de Itajara tivessem nascido com a referida doen-
ça? Poderia Luis simplesmente resolver a obrigação, desonerando 
assim os criadores?
16 Idem. Pg. 122
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 E se apenas