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DIREITO DAS OBRIGACOES E RESPONSABILIDADE CIVIL 2013-1

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mister se faz a manifestação de vontade 
do titular do crédito no sentido de negociá-lo.
O art. 346 do Código Civil determina as hipóteses de sub-rogação legal:
Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor:
I do credor que paga a dívida do devedor comum;
II do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipo-
tecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser 
privado de direito sobre imóvel;
III do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia 
ser obrigado, no todo ou em parte.
O art. 346, III, trata da situação mais comum e mais útil para utilização 
da sub-rogação. Como exemplos pode-se mencionar:
 O fi ador que paga dívida do afi ançado e sub-roga-se nos direitos do 
credor;
 O devedor solidário que paga toda a dívida e sub-roga-se e assume 
a posição de credor dos demais;
No primeiro exemplo, o fi ador, ao arcar com os valores referentes à dívida 
antes de ser acionado nesse sentido, preserva-se da necessidade de efetuar 
pagamento mais oneroso.
As duas formas de sub-rogação convencional são delimitadas pelo art. 347 
do Código Civil:
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Art. 347. A sub-rogação é convencional:
I quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente 
lhe transfere todos os seus direitos;
II quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para 
solver a dívida, sob a condição expressa de fi car o mutuante sub-rogado 
nos direitos do credor satisfeito.
Trata-se de mero acordo de vontade entre o credor e o terceiro que arca 
com a dívida, sem que, contudo, recorra-se a maiores formalidades.
Na primeira hipótese, não há necessidade nem mesmo do conhecimento 
por parte do devedor, quiçá de sua anuência em relação à sub-rogação.
No segundo caso, o devedor passa a dever ao mutuante com todos os de-
veres originários daquela obrigação.
Como examinado, no pagamento com sub-rogação, o credor original é 
satisfeito sem que isso importe em extinção da obrigação.
Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, 
ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra 
o devedor principal e os fi adores.
A fi nalidade especulativa, conforme tratada na distinção em relação à ces-
são de crédito, não pode existir. O sub-rogado não pode receber nada além 
do que receberia o credor originário.
Na sub-rogação convencional, as partes podem manifestar sua vontade 
no sentido de alteração dos valores, conforme se depreende do art. 350 do 
Código Civil:
Art. 350. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os 
direitos e as ações do credor, senão até à soma que tiver desembolsado 
para desobrigar o devedor.
No pagamento parcial, por sua vez, o credor originário tem preferência em 
face daquele que o sub-roga (art. 351 do Código Civil).
Imputação de pagamento
A imputação de pagamento pode ser observada quando da existência de 
vários débitos de um mesmo devedor em relação a um mesmo credor. Há 
pluralidade de dívidas, de forma que um pagamento efetuado pode vir a ex-
tinguir uma ou mais de uma delas. Dessa forma, a imputação de pagamento 
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é um expediente jurídico que confere certa lógica na defi nição de que relações 
obrigacionais devem ser reputadas como extintas.
Nesse sentido, é preciso que essas dívidas sejam da mesma natureza, líqui-
das e já vencidas. É o que dispõe o art. 352 do Código Civil.
Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma 
natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece 
pagamento, se todos forem líquidos e vencidos.
A preferência na escolha da dívida a ser adimplida é do devedor. O art. 
352 defi ne que compete ao obrigado fazer essa imputação. Na hipótese de 
silêncio por parte do devedor, não se manifestando este dentro do tempo 
certo, a escolha passa ao credor (art. 353). Quando nenhuma das partes se 
manifesta em tempo oportuno, a lei assume o papel de orientar a solução dos 
débitos, indicando qual deles deve ser tido como adimplido. Essa é a impu-
tação legal, prevista no art. 355 do Código Civil.
Art. 353. Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líqui-
das e vencidas quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma 
delas, não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor, 
salvo provando haver ele cometido violência ou dolo.
Art. 355. Se o devedor não fi zer a indicação do art. 352, e a quitação 
for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e venci-
das em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao 
mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa.
Os requisitos da imputação de pagamento estão também no art. 352 do 
Código Civil. São eles: (i) pluralidade de débitos, sendo que os mesmos de-
vem ser independentes entre si e não podendo o credor receber parcialmen-
te21; (ii) a existência de um só credor e um só devedor; (iii) os débitos devem 
ser da mesma natureza, isto é, deve haver compatibilidade entre o objeto do 
pagamento; (iv) as dívidas devem ser líquidas22; (v) o pagamento ofertado 
pelo devedor deve ser sufi ciente para quitar ao menos uma das dívidas; e (vi) 
a dívida deve ser vencida.
Se o valor do pagamento exceder ao montante fi xado para a de menor 
valor, e não for sufi ciente para extinguir a obrigação mais onerosa, deve-se 
reputar como paga a dívida de menor valor, não sendo obrigado o credor a 
reter a diferença. Do contrário, seria ferido o princípio de que o credor não é 
obrigado a receber de forma diferente da estabelecida.
Não havendo acordo em contrário, a escolha na imputação é do devedor, 
devendo o mesmo ser tratado de forma mais benigna. Esse direito à realização 
da imputação não é absoluto, pois de acordo com o art. 354 do Código Civil, 
21 Até mesmo por conta do artigo que 
veda ser o credor obrigado a receber de 
forma diversa da estipulada.
22 Obrigação líquida, de acordo com ao 
art. 1533 do código de 1916, é a obri-
gação certa quanto à sua existência, e 
determinada, quanto ao seu objeto.
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é necessário empregar o capital primeiramente nos juros vencidos. Imputar 
o dinheiro diretamente no capital não é uma opção válida para o devedor, a 
menos que tenha havido acordo entre as partes nesse sentido.
Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á pri-
meiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em 
contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital.
Se o devedor pagar uma ou mais dívidas não destacando ao credor qual a 
imputação, o credor terá liberdade para dar quitação na que quiser. A impor-
tância dessa determinação reside no fato de que o credor, por força da lógica, 
dará quitação na dívida que lhe seja menos favorável. Estando, por exemplo, 
o devedor vinculado por duas dívidas uma quirografária e outra com garantia 
real é certo que o credor dará quitação na primeira, em virtude da ausência 
de garantia.
Se as duas partes forem omissas, a imputação será legal, observando-se os 
princípios que residem no código.
A imputação legal, como visto, obedece aos ditames do art. 355 do Códi-
go Civil. Na aferição da dívida mais onerosa, cabe a atuação do juiz no caso 
concreto, não obstante a doutrina apresente alguns indicativos. Por exemplo: 
a orientação geral da lei é a de privilegiar o devedor, e dessa forma, a prefe-
rência se manifesta na extinção de dívidas com garantia real ou fi ança, prete-
rindo para outro momento as simplesmente quirografárias.
Dação em Pagamento (datio in solutum)
Dação em pagamento é uma modalidade de extinção da obrigação em 
que a mesma poderá ser resolvida mediante a substituição de seu objeto. O 
devedor entrega prestação diversa