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pontuação. Vamos revê-los? 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pontuação e a construção de sentido do texto 
 
Como afirma Moreno (2010), “o texto é uma estrada a percorrer” e, por isso, os sinais de pontuação servem 
para “orientar o leitor para a melhor maneira de percorrer os textos que escrevemos”. Nesse sentido, assim 
como as placas de trânsito sinalizam o caminho ao motorista, os sinais de pontuação funcionam como 
elementos importantes no processo de construção do sentido do texto, pois guiam o leitor. Desse modo, 
tudo o que não for previsível no texto será marcado com um sinal de pontuação. 
 
Para que possamos entender a metáfora do professor, é preciso retomar nossos conhecimentos sintáticos. 
Vale lembrar que a sintaxe refere-se à combinação das partes que constituem uma frase. O padrão de 
combinação comum em nossa língua é SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO. Desse modo, estruturas que 
fogem a esse padrão são vistas como não previsíveis e, por isso, são sinalizadas pela pontuação, em especial, 
pelo uso da vírgula. 
 
CLIQUE, AQUI, PARA LER UMA CITAÇÃO IMPORTANTE. 
“A pontuação assinala modificações introduzidas nos padrões normais da frase; por causa disso, jamais um 
sinal de pontuação poderá interromper um vínculo sintático essencial - ou seja, como explicava Celso Pedro 
Luft, jamais haverá pontuação separando o sujeito do verbo, o verbo de seus complementos, o termo 
regente do termo regido, o termo modificado do seu modificador.” (MORENO, Cláudio. Guia prático do 
português correto: para gostar de aprender: volume 4: pontuação. Porto Alegre: L&PM, 2010.) 
 
Os sinais de pontuação 
 
Quando refletimos sobre os sinais de pontuação, podemos pensar naqueles sinais que atuam, internamente, 
na frase. São eles: a vírgula, o ponto e vírgula, os dois-pontos e o travessão. Há também aqueles sinais que 
são esperados ao final da frase, tais como: o ponto, o ponto de exclamação, o ponto de interrogação e as 
reticências*. No nosso material, vamos nos ater aos sinais de pontuação que fazem parte do primeiro 
grupo*. 
*Nota (1): Bechara (2001) prefere dividir os sinais de pontuação de outro modo. Para o autor, há “os 
essencialmente separadores (vírgula [,], ponto e vírgula [;], ponto final [.], ponto de exclamação [!], 
reticências [...]), e os sinais de comunicação ou ‘mensagem’ (dois-pontos [:], aspas simples [‘ ’], aspas duplas 
[“ ”], o travessão simples [ _ ], o travessão duplo [ __ ], os parênteses [( )], os colchetes ou parênteses retos 
[[ ]], a chave aberta [ { ], a chave fechada [ } ].” 
*Nota (2): Utilizamos as obras abaixo como referência a respeito dos usos dos sinais de pontuação: 
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática portuguesa. 37ª ed., ver. e ampl.. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001. 
MORENO, Cláudio. Guia prático do português correto: para gostar de aprender: volume 4: pontuação. Porto 
Alegre: L&PM, 2010. 
 
 
 
 
 
 
 
Alguns usos da vírgula (,) 
Para se entender quando usar a vírgula, é preciso recuperar alguns conhecimentos em relação às funções 
sintáticas dos elementos na frase. Compare os exemplos abaixo: 
1- O aluno entregou o trabalho ao professor. 
2- O aluno, muito dedicado, entregou o trabalho ao professor. 
3- O aluno entregou o trabalho ao professor à noite, no corredor, no dia da prova. 
4- No dia da prova, o aluno entregou o trabalho ao professor. 
5- O aluno entregou o trabalho, os livros e o caderno ao professor. 
6- O aluno, que estava doente, entregou o trabalho ao professor. 
No exemplo (1), temos uma estrutura padrão em nossa língua, formada pelo sujeito “O aluno” + verbo 
(“entregar”) + complementos (no caso, temos dois complementos solicitados pelo verbo: “o livro” e “ao 
professor”). Observe que, quando acrescentamos uma informação extra à frase ou deslocamos algum 
elemento para uma posição que não é comumente a sua, precisamos da vírgula: “muito dedicado”, “à noite, 
no corredor, no dia da prova”, “no dia da prova”, “o trabalho, os livros e o caderno”, “que estava doente”. 
A vírgula, portanto, será utilizada para: 
1 – separar os itens de uma enumeração ou elementos que exercem a mesma função sintática na frase 
Exemplos: 
(a) João, Maria, Paulo e Marta foram à festa. 
(b) Ela saiu muito tarde, de carro, ontem à noite. 
(c) Fui à feira e comprei banana, melão, morango e goiaba. 
2 – separar orações coordenadas 
- Sindéticas (ou seja, com conjunção): 
(a) Estudou muito, mas não conseguiu a aprovação. 
(b) Ela está cansada, pois trabalha muito. 
- Assindéticas (ou seja, sem conjunção): 
Ele chegou, comeu, bebeu, dormiu. 
Observações: 
I- Com a conjunção “e” (valor aditivo), usamos a vírgula apenas quando os sujeitos das duas orações forem 
diferentes. Veja os exemplos: 
(a) João acordou, e Maria já estava na cozinha. (sujeitos diferentes: “João” e “Maria”) 
(b) João acordou e tomou o seu maravilhoso café. (mesmo sujeito: “João”) 
Vale ressaltar que, caso o “e” assuma outros valores que não seja o de adição, a vírgula também será 
utilizada: 
 
 
(c) Estudou muito, e não conseguiu a aprovação. (“e” – valor adversativo) 
3 – destacar elementos deslocados de sua posição normal 
- adjuntos adverbiais: 
(a) Maria fica mais tranquila à noite. 
(b) À noite, Maria fica mais tranquila. 
(c) Maria, à noite, fica mais tranquila. 
- conjunções coordenativas: 
(a) Estou doente; não contem, portanto, comigo para o trabalho. 
(b) Ele está doente; vai comemorar, contudo, seu aniversário à noite. 
(c) Ele está doente; vai comemorar seu aniversário à noite, contudo. 
Atenção ao uso da vírgula com a conjunção “pois”: 
- com valor explicativo, usa-se a vírgula antes da conjunção (“Ele estudou o dia todo, pois fará uma prova 
difícil amanhã.”); 
- com valor conclusivo, deve vir entre vírgulas, pois a conjunção está deslocada na oração (“Ele estudou o dia 
todo, tirará, pois, uma boa nota amanhã.”). 
- orações adverbiais: 
(a) Quando cheguei, todos já haviam almoçado. 
(b) Chegando, todos o cumprimentaram. 
4 – destacar o aposto (termo que modifica outro) 
(a) Maria, filha de Paulo, é muito bonita. 
(b) O artista, especialista em arte contemporânea, agradeceu ao público. 
(c) Amo Recife, a Veneza Brasileira. 
5 – destacar o vocativo (expressão de “chamamento”) 
(a) João, venha cá! (“João” é o vocativo.) 
(b) O jantar, meninos, já está pronto! (“Meninos” é o vocativo.) 
Atenção! Veja como o uso da vírgula é fundamental para o entendimento da frase: 
(c) João, vem comer. (“João” é o vocativo.) 
(d) João vem comer. (“João” é o sujeito.) 
 
 
 
6 – separar outros elementos intercalados 
- orações intercaladas: 
(a) Ele chegará tarde, creio eu, por volta das 23h. 
(b) Estamos tristes, disseram os meninos, com a notícia do falecimento do professor. 
 
- expressões exemplificativas ou de retificação: 
(a) A situação dos refugiados é triste, ou melhor, é desesperadora. 
(b) Eu retornarei a ligação em breve, isto é, às 18h de hoje. 
Observação: 
- Nos elementos intercalados, é possível (e preferível) usar, em alguns casos, outros sinais de pontuação. 
Compare os exemplos abaixo: 
(a) Os melhores alunos da turma, João, Lucas, Paulo e Renato, não fizeram a prova. 
(b) Os melhores alunos da turma – João, Lucas, Paulo e Renato – não fizeram a prova. 
(c) Os melhores alunos da turma (João, Lucas, Paulo e Renato) não fizeram a prova. 
7 – marcar as orações adjetivas explicativas 
(a) As mulheres que dirigem mal deveriam perder a habilitação. (oração adjetiva restritiva – função 
de particularizar; refere-se sempre à parte de um todo.) 
(b) As mulheres, que dirigem mal, deveriam perder a habilitação. (oração adjetiva explicativa – 
função de generalizar; refere-se ao todo, e não a apenas uma parte.) 
8 – indicar a elipse do verbo: 
João comprou flores para a namorada; e Paulo, uma caixa de bombons.