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“A crise implica demissões.” 
 
 
A TROCA DA PREPOSIÇÃO 
 
Usa-se a preposição, mas a incorreta. É comum a produção de: 
 
“Eles residem à rua do Ouvidor.” 
“Elas chegaram em São Paulo agora.” 
“Preferiu a Coca-Cola do que o Guaraná.” 
 
Teríamos os seguintes usos adequados ao padrão: 
 
“Eles residem na rua do Ouvidor.” 
“Elas chegaram a São Paulo agora.” 
“Preferiu a Coca-Cola ao Guaraná.” 
 
 
---------- x --------- 
 
No que se refere à regência verbal, é preciso ter atenção aos seguintes casos: 
 
I- Há verbos com mais de uma regência e mais de um sentido: 
“Ele aspirou ao cargo.” (= almejar, desejar) 
“Ele aspirou o perfume.” (= cheirar, sorver) 
 
“Ele assistiu ao filme.” (= ver) 
“Ele assistiu o doente.” (= prestar auxílio, socorrer)* 
 
 
 
Alguns gramáticos consideram que o verbo “assistir” – com o sentido de “prestar 
auxílio, socorrer” – pode ser usado como transitivo indireto ou direto, ou seja, com ou 
sem preposição. 
 
II- Há verbos com mais de uma regência e com o mesmo sentido: 
“Ele não se lembrou do aniversário da mãe.” (com o pronome átono, usa-se a 
preposição.) 
“Ele não lembrou o aniversário.” (sem o pronome átono, não se usa a preposição.) 
 
III- Deve-se ter atenção ao uso dos pronomes pessoais “o” e “lhe”. Os pronomes 
pessoais “o, a, os, as” funcionam como objetos diretos e, por isso, devem sempre 
acompanhar verbos transitivos diretos: 
“Ele a viu.” 
“Nós o encontramos.” 
 
O “lhe” funciona como objeto indireto: 
“Enviei-lhe o dinheiro.” / “Enviei o dinheiro para João.” 
“O livro lhe foi entregue.” / “O livro foi entregue a João.” 
 
IV- O pronome relativo virá acompanhado de preposição se for complemento de 
verbo transitivo indireto ou de termo que exija a preposição. 
“A escola em que estudei é ótima.” 
“O filme a que assisti foi maravilhoso.” 
 
V- Com verbos de movimento – ir e chegar – usa-se a preposição “a” (embora, na 
língua falada, os indivíduos estejam utilizando a preposição “em”): “A noiva chegou 
atrasada à igreja.” 
 
 
 
Regência nominal 
 
Refere-se à relação entre o nome – substantivo, adjetivo e advérbio – e a sua 
complementação. 
 
Compare os exemplos abaixo: 
 
(1) Ele tem admiração por você. 
(2) Ficamos gratos a você. 
(3) Os deputados votaram favoravelmente ao projeto de lei. 
 
Em (1), temos o substantivo “admiração” acompanhado do complemento “por 
você”. É possível perceber, Em (2), o complemento “a você” para o adjetivo “gratos”. 
Em (3), temos o complemento “ao projeto de lei” para o advérbio 
“favoravelmente”. 
 
É válido observar que muitos nomes seguem a regência dos verbos correspondentes. 
Veja os exemplos abaixo: 
 
 
 
“Ela confia em Deus.” (verbo “confiar”) 
 “Ela tem confiança em Deus.” (substantivo “confiança”) 
 
VEJA ABAIXO A REGÊNCIA DE ALGUNS SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS, SEGUNDO O 
PROFESSOR SÉRGIO NOGUEIRA DA SILVA. (SILVA, Sérgio Nogueira Duarte da. O português 
do dia a dia: como falar e escrever melhor. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2009.) 
 
Acessível a 
Acostumado a ou com 
Adequado a 
Alheio a 
Alusão a 
Análogo a 
Ansioso por 
Apologia de 
Apto a ou para 
Atenção a ou para 
Atento a ou em 
Ávido por 
Benéfico a 
Compatível com 
Consulta a 
Curioso de 
Desacostumado a ou com 
Desatento a 
Desejoso de 
Desfavorável a 
Desrespeito a 
Equivalente a 
Falta a 
Favorável a 
Fiel a 
Grato a 
Grudado a 
Guerra a 
 
 
Hábil em 
Habituado a 
Hostil a 
Ida a 
Impotente para ou contra 
Impróprio para 
Inábil para 
Inacessível a 
Incapaz de ou para 
Incompatível com 
Ingrato com 
Intolerante com 
Invasão de 
Junto a ou de 
Leal a 
Maior de 
Morador em 
Natural de 
Necessário a 
Necessidade de 
Nocivo a 
Obediente a 
Oblíquo a 
Ódio a ou contra 
Odioso a ou para 
Oposto a 
Parecido a ou com 
Paralelo a 
Passível de 
Preferência a ou por 
Preferível a 
Prestes a ou para 
Pronto para ou em 
 
 
Propensão para 
Próprio de ou para 
Próximo a ou de 
Querido de ou por 
Residente em 
Respeito a ou por 
Semelhante a 
Simpatia por 
Simpático a 
Sito em 
Situado em 
Superior a 
União com ou entre 
Útil a ou para 
 
Crase 
 
Já que o estudo da regência envolve o uso da preposição, vamos entender o que é o 
fenômeno da crase. Vamos à explicação de Silva (2009) sobre esse fenômeno: 
 
“É a fusão de duas vogais iguais (a + a/as = à/às). O acento grave indicativo da crase 
deve ser usado sempre que houver a contração da preposição "a" com outro "a", que pode 
ser artigo definido, pronome ou a vogal inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s) ou 
aquilo.” 
 
(SILVA, Sérgio Nogueira Duarte da. O português do dia a dia: como falar e escrever 
melhor. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2009.) 
 
 
------x------ 
 
 
 
VEJA ABAIXO UM ESQUEMA SOBRE A CRASE: 
 
CRASE = fusão de A1 + A2 
 
A1 = PREPOSIÇÃO 
 
 
 
 
 
 
A2 = pode ser: 
 
 os artigos definidos femininos “a” e “as”; 
 
 o “a” inicial dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), 
aquilo; 
 
 os pronomes demonstrativos “a” e “as”. 
 
 
-----x------ 
 
Como reconhecer a existência do artigo feminino ou de um demonstrativo a(s) 
após a preposição “a”? 
 
Uma estratégia útil para identificar se há ou não a fusão é a troca por um 
complemento no masculino. Compare os exemplos abaixo: 
 
 
“Entregue isso ao diretor.” (ao = “a” preposição + “o” artigo) 
“Entregue isso à diretora.” (à = “a” preposição + “a” artigo) 
 
 
Outra boa estratégia de visualização do fenômeno da crase é identificar se a 
preposição aparece sozinha ou se está acompanhada de outro elemento: 
 
“Voltei à sala de aula.” “Voltei para a sala de aula.” 
à = “a” preposição + “a” artigo para (preposição) + a (artigo) 
 
“Voltei a essa sala de aula.” “Voltei para essa sala de aula.” 
 a = apenas preposição para = apenas preposição 
 
 
“Venho do Pará.” “Vou ao Pará”. 
do = “de” preposição + “o” artigo ao = “a” preposição + “o” artigo 
 
“Venho da Paraíba.” “Vou à Paraíba.” 
da = “de” preposição + “a” artigo à = “a” preposição + “a” artigo 
 
“Venho de São Paulo.” “Chegamos a São Paulo.” 
 de = apenas preposição a = apenas preposição 
 
 
Veja também que, ao trocar o termo regente acompanhado pela preposição “a” por 
outro acompanhado de uma preposição diferente (para, em, de, por, sob, sobre), é 
possível reconhecer se a preposição é ou não seguida de um “a”: 
 
“Eu me refiro à nova aluna.” 
 
 
Preposição “a” + artigo “a”. Há a fusão. Desse modo, deve-se usar o acento grave 
para indicar a crase. 
 
“Eu penso na nova aluna.” 
Preposição “em” + artigo “a”. 
 
“Ele foi punido por roubar.” (apenas a preposição “por”, sem artigo) 
“Ele cansou de roubar.” (apenas a preposição “de”, sem artigo) 
“Ele se acostumou a roubar.” (apenas a preposição “de”, sem artigo. Por isso, não há 
crase.) 
 
 
Observações importantes: 
1- Pode ou não haver crase antes de pronomes possessivos. Isso 
acontece, pois podemos usar o artigo junto à preposição ou não. 
 
“Ele se referiu ao meu pai.” / “Ele se referiu à minha mãe.” (junção da 
preposição “a” + artigo) 
 
“Ele se referiu a meu pai.”/ “Ele se referiu a minha mãe.” (apenas a 
preposição “a”) 
 
No entanto, quando o pronome possessivo aparecer sozinho, o acento grave 
para indicar a crase é