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Calculo_da_Pena

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d) Qualquer Outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido – Ex.: vítima dormindo, tiro pelas costas pois nas costas pode caracterizar desdobramento de luta corporal, segundo a jurisprudência. Se entre o autor e vítima existir vínculo anterior e o tiro for pelas costas há qualificadora da traição. Se não existir há surpresa.
“com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum”. a) veneno – não há conceituação exata do que seja. Algumas substâncias não são consideradas mas podem matar a depender das circunstâncias biológicas da vítima. Ex.: açúcar para diabético pode matar como veneno. Se não se amoldar como veneno pode se encaixar como “outro meio insidioso”. Veneno, para Capez pode se conceituar “como qualquer substância que, introduzida no organismo, seja capaz de colocar em perigo a vida ou a saúde humana através de ação química, bioquímica ou mecânica”. O veneno pode ser colocado de várias formas como no prato de comida, injeção etc. Se houver emprego de violência pode caracterizar meio cruel e não envenenamento. Se a vítima souber do envenenamento descarta-se a qualificadora segundo Capez. b) Fogo - é um meio cruel ou, ainda, de perigo comum. Se jogar combustível na vítima e atear fogo pode ser meio cruel. Se jogar em uma residência pra matar seus moradores pode ser perigo comum. c) Explosivo - o explosivo é algo capaz de gerar rebentação e gera perigo comum. d) Tortura – é um suplício ou tormento que faz a vítima sofrer desnecessariamente antes de morrer. É meio cruel por excelência. Pode ser física: cortas a orelhas, queimar partes do corpo etc. Pode ser moral: eliminar um cardíaco provocando-lhe traumas morais. e) Outro meio insidioso - é o dissimulado e de eficiência maléfica. Ex.: armadilha, sabotagem de freio de veículo e envenenamento. f) Outro meio cruel - causa sofrimento desnecessário à vítima ou revela brutalidade incomum. Ex.: pisoteamento, pontapés, esfolamento, privação de sono etc. Se houver meio cruel por nervosismo ou inexperiência afasta-se a qualificadora. Assim vários disparos ou facadas não justificam por si sós a qualificadora. Há posição em sentido contrário, ou seja, que a repetição desnecessária de golpes gera meio cruel. g) Meio que resulte perigo comum – pode expor a perigo indeterminado número de pessoas. Ex.: uso de explosivos. Se o agente matar pessoas com o uso de explosivos sem o dolo de homicídio inicial pode responder por perigo comum explosão (art. 254 do CP) com o resultado morte (art. 258 do CP) - crime preterdoloso. [35: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 79.][36: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 79.][37: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 80.][38: Idem.][39: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 84.][40:    “Art. 251 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos: Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. § 1º - Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Aumento de pena  § 2º - As penas aumentam-se de um terço, se ocorre qualquer das hipóteses previstas no § 1º, I, do artigo anterior, ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no nº II do mesmo parágrafo”. ][41: “Art. 258 - Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena privativa de liberdade é aumentada de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de culpa, se do fato resulta lesão corporal, a pena aumenta-se de metade; se resulta morte, aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço”.][42: NUCCI, Guilherme de Souza. Código penal comentado. 4ª. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2003, p. 762.]
“contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge”; “a agravante repousa na necessidade de reprimir com maior rigor ‘a insensibilidade moral do agente que se manifesta na violação dos sentimentos de estima, solidariedade e apoio mútuo entre parentes próximos’. O parentesco pode ser legítimo ou ilegítimo, natural (consanguíneo) ou civil (por adoção). Quando ao cônjuge, não se exige o casamento, sendo admissível no caso de união estável (CF, art. 226, §5º.) ou no matrimônio meramente religioso. No caso de separação de fato, não subsiste a agravante, pois ‘deve prevalecer o sentido teleológico da lei, que reserva a agravante quando necessária a relação de fidelidade, proteção e apoio mútuo, fundamento da exacerbação da pena”.[43: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 494-5.]
 “com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica”; “Abuso de autoridade diz respeito à autoridade nas relações privadas, e não públicas, como o abuso na qualidade de tutor. Relações domésticas são aquelas entre as pessoas que participam da vida em família, ainda que dela não façam parte, como criados, amigos e agregados. Coabitação indica convivência sob o mesmo teto. Hospitalidade é a estada na casa de alguém, sem coabitação”. [44: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 495.]
“com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão”; “o cargo ou ofício devem ser públicos. Observe-se que no crime de concussão, que é uma espécie de extorsão praticada pelo funcionário público, com abuso de autoridade, contra o particular, que cede metu publicae potestatis, não incide a mencionada agravante. O ministério refere-se a atividades religiosas. A profissão diz respeito a qualquer atividade exercida por alguém, como meio de vida”.[45: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 495.]
“contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida”; criança é a pessoa com doze anos incompletos, segundo o ECA. Não se aplica a agravante nos crimes de abandono material e contra a liberdade sexual quando a idade da vítima é elementar do delito em situações que a violência seja presumida. Enfermo é a pessoa doente que tem reduzida a sua capacidade de defesa – cego e paraplégico – podem ser considerados como tal.[46: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 496.]
“quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade”; “o que se ofende não é só o bem jurídico do indivíduo, mas o respeito à autoridade que o tem sob a sua imediata proteção e cresce ainda a reprovação do fato pela audácia do agente...” segundo Aníbal Bruno. Ex.: alguém que está preso e sofre tortura.[47: Apud CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 497.]
 “em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido”;
em estado de embriaguez preordenada – o sujeito se embriaga para cometer o crime.
Agravantes Genéricas do art. 62 do CP
 Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que:  
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes – é o autor intelectual, ou seja, é quem planeja e organiza a ação criminosa sem executá-la. “É o caso do chefe de quadrilha que, sem efetuar comportamento típico, planeja e decide a ação conjunta. O CP agrava a pena do autor intelectual, referindo-se ao sujeito que promove ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividades