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Calculo_da_Pena

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dos demais agentes”(art. 62, I)”.[48: JESUS, Damásio E. de. Direito penal: parte geral. 1º. Vol. 33ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 452.]
II - coage ou induz outrem à execução material do crime - a) coação física irresistível – o sujeito é controlado por outro através da força física. Ex.: controlador ferroviário é amarrado e não consegue mudar a rota do trem acarretando grave acidente e matando pessoas. O controlador não é responsável criminalmente. Exclui a conduta e não há sequer crime. Não agiu contrariamente à lei penal porque quis, mas, por coação física. Exclui-se, neste caso específico, o crime. O autor da coação será punido criminalmente. Não o coagido. b) coação moral irresistível – aqui há crime pois o sujeito comete ação ou omissão típica e ilícita ou antijurídica. No entanto, não há culpabilidade pois o sujeito foi coagido por outro. Ou seja, não tinha como exigir do sujeito conduta conforme o direito. Ex.: Gerente de banco é forçado, sob ameaça de arma de fogo, a retirar todo o dinheiro do cofre e colocar no carro do criminoso. O gerente cometeu o crime de furto. No entanto, não cometeu porque quis, mas porque foi obrigado. Sua vontade em cometer o crime de furto foi eliminada pela coação sofrida. Quem sofre a responsabilidade penal é o bandido e não o gerente do banco. Se a coação for resistível e houver a execução material do crime incide a agravante. Ex.: “A” furta um produto para “B” por medo de que este conte à sua esposa um caso extraconjugal que teve. “Induzir é fazer brotar a ideia no agente. O agente não tinha a ideia de cometer o crime, mas ela é colocada na sua mente”.[49: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 498.][50: NUCCI, Guilherme de Souza. Código penal comentado. 4ª. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2003, p. 284.][51: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 374.]
“III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal”; - instigar: é reforça uma ideia já existente. O agente já tem em mente, sendo apenas reforçada pelo partícipe. Ex.: Alguém instiga outrem a agredir terceiro. Determinar é ordenar, impor. “A lei se refere a qualquer tipo de relação de subordinação, de natureza pública, privada, religiosa, profissional ou doméstica, desde que apta a influir no ânimo psicológico do agente. O agente atua por instigação ou por determinação, aproveitando-se da subordinação do executor ou em virtude de sua impunibilidade (menoridade, insanidade etc.)”.[52: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 498.]
“IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa” – “pune-se o criminoso mercenário. Não é preciso que a recompensa seja efetivamente recebida. Tal circunstância agravante não incide nos crimes contra o patrimônio porque é da índole dessa modalidade de infrações penais a obtenção de vantagem econômica”.
Reincidência
Conceito: “Art. 63 do CP: “Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior”. “Do ponto de vista semântico, reincidir significa voltar a incidir, recair no mesmo erro. A acepção jurídico-penal não é diferente, pois a reincidência consiste no fato de tornar, o já condenado, a praticar um novo crime”.[53: LEAL, João José. Direito Penal Geral. 3ª. Edição revista e atualizada. OAB/SC Editora, 2004, p. 483.]
Natureza jurídica: é circunstância agravante genérica de caráter subjetivo ou pessoal. [54: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 507.]
Incomunicabilidade: “sendo circunstância subjetiva, não se comunica ao partícipe ou coautor”.[55: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 508.]
Contravenção Anterior e Posterior
Condenado após o trânsito em julgado pela prática de contravenção, vem a praticar crime não é reincidente.
Condenado após o trânsito em julgado pela prática de contravenção, vem a praticar nova contravenção é reincidente nos termos do art. 7º. da LCP.
Condenado após o trânsito em julgado por crime, vem a praticar nova contravenção é reincidente nos termos do art. 7º. da LCP.
Sentença com trânsito em julgado após a ocorrência da prática crime – não configura a agravante do art. 63.
Reabilitação Criminal – não exclui a reincidência.
Prova da reincidência: certidão da sentença condenatória transitada em julgado, com a data do trânsito em julgado.
Condenação no estrangeiro: “induz a reincidência, sem necessidade de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, i), uma vez que a sentença penal estrangeira só precisa ser homologada, para ser executada no Brasil, nos termos do art. 787 do CPP, c/c o art. 9º do CP”.[56: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 508.]
Extinção da punibilidade em relação ao crime anterior: “se a causa extintiva ocorreu antes do trânsito em julgado, o crime anterior não prevalece para efeitos de reincidência; se foi posterior, só nos casos de anistia e abolitio criminis a condenação perderá esse efeito. Desse modo, a prescrição da pretensão executória não afasta a reincidência do réu em face do novo delito, diferentemente do que ocorre no caso da prescrição da pretensão punitiva, que, além de extinguir a punibilidade, afasta, também, o precedente criminal”.[57: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 509.]
Extinção da pena pelo seu cumprimento: “não elimina a condenação anteriormente imposta, para efeito de reincidência, se não ocorre a hipótese no art. 64, I, do Código Penal”.[58: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 509.]
Condenação com trânsito em julgado anterior à pena exclusiva de multa: “o agente é reincidente, pois a lei fala em crime anterior, independente da pena imposta. Embora reincidente, poderá, contudo, obter sursis (CP, art. 77, §1º)”.[59: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 509.]
Efeitos da reincidência:[60: Conforme CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 510.]
agrava a pena privativa de liberdade (art. 61, I, do CP);
constitui circunstância preponderante no concurso de agravantes (art. 67 do CP);
impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos quando houver reincidência em crime doloso (art.44, II, do CP);
impede a substituição da pena privativa de liberdade por pena de multa (art. 60, §2º., do CP);
 impede a concessão do sursis quando por crime doloso (art. 77, I, do CP);
aumenta o prazo de cumprimento de pena para obtenção do livramento condicional (art. 83, II, do CP);
impede o livramento condicional nos crimes previstos na Lei de Crimes Hediondos, quando se tratar de reincidência específica (art. 5º. Da Lei n. 8.072/90);
interrompe a prescrição da pretensão executória (Art. 117, VI, do CP);
aumenta o prazo da prescrição da pretensão executória (Art. 110 do CP);
revoga o sursis, obrigatoriamente, em caso de condenação em crime doloso (Art. 81, I, do CP), e facultativamente, no caso de condenação, por crime culposo ou contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos (art. 81, §1º, do CP);
revoga o livramento condicional, obrigatoriamente, em caso de condenação a pena privativa de liberdade (art. 86 do CP) e, facultativamente, no caso de condenação por crime ou contravenção a pena privativa de liberdade (art. 87 do CP);
revoga a reabilitação