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Calculo_da_Pena

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posterior (art. 16 do CP); erro de proibição evitável (art. 21, 2ª. parte); semi-imputabilidade (art. 26, parágrafo único); menor participação (art. 29, §1º.) etc.
 Exemplo de causa de aumento: concurso formal (art. 70), crime continuado (art. 71) e crime continuado específico (art. 71, parágrafo único).
“Essas causas podem elevar a pena além do máximo e diminuí-la aquém do mínimo, ao contrário das circunstâncias anteriores”.[84: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 502.]
Consequências das causas de aumento e diminuição: são levadas em consideração na última fase de fixação da pena (art. 68 do CP). O juiz primeiro fixa a pena base segundo o previsto no art. 59 do CP. Segundo: verifica se há agravantes e/ou atenuantes. Terceiro: se há causas de aumento e/ou de diminuição.
Circunstâncias legais especiais ou específicas: situam-se na Parte Especial do Código Penal. Podem ser: a) qualificadoras; b) causas de aumento e de diminuição. 
Qualificadoras: “só estão previstas na Parte Especial. Sua função é a de alterar os limites mínimo e/ou máximo da pena”.[85: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 503.]
Consequência das qualificadoras: “elevam os limites abstratos da pena privativa de liberdade”.[86: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 503.]
Em que fase da fixação de pena elas entram? Nenhuma. Apenas alteram os limites de pena e precedem as fases de dosagem dentro desses limites. No furto simples a pena varia de 1 a 4 anos. No furto qualificado de 2 a 8 anos.
Causas de aumento e diminuição da Parte Especial: situam-se na Parte Especial do CP e estão ligadas a um crime específico. Diminuem ou aumentam as penas em proporções fixas (1/2, 1/3, 1/6, 2/3 etc).
Conflito entre Circunstâncias Agravantes e Atenuantes ou entre Causas de Aumento e de Diminuição
Conflito entre Circunstâncias Agravantes e Atenuantes – deve-se observar o previsto no art. 67 do CP: “No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincidência”. A jurisprudência entende, porém, que a atenuante mais importante é a do agente ser menor de 21 anos e maior de 18 na data do crime. Com isso essa atenuante preponderará sobre a reincidência prevista no art. 61, inc. I do CP e sobre todas as outras agravantes. Dessa forma se houver a atenuante da menoridade relativa e a agravante da reincidência não se pode anular uma pela outra. Prepondera ainda a atenuante e a pena deve reduzir.
Conflito entre Circunstâncias Judiciais – segue-se a mesma linha do conflito entre agravantes e atenuantes. Se houver circunstâncias judiciais favoráveis em conflito com outras desfavoráveis devem prevalecer as que dizem respeito à personalidade do agente, aos motivos e aos antecedentes. Em seguida a culpabilidade e conduta social. Por fim as consequências do crime e o comportamento da vítima. Com isso o sujeito de boa personalidade do sujeito pode preponderar sobre o motivo que o levou a prática do crime.[87: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 505.]
Não existe conflito entre Circunstâncias Agravantes e/ou Atenuantes com Circunstâncias Judiciais – as Circunstâncias Agravantes e/ou Atenuantes são aplicadas somente na segunda fase enquanto que as Circunstâncias Judiciais são aplicadas na primeira fase.
Se houver concurso entre agravante genérica e qualificadora – neste caso uma qualificadora serve para elevar a pena do crime antes da aplicação da pena. A outra deve ser registrada como agravante, na forma do art. 61 do CP. Se um homicídio for praticado por motivo torpe e com veneno o motivo torpe qualifica o homicídio e a pena passa a ser de 12 a 30 anos enquanto que o veneno deve ser considerado como agravante, art. 61, II, d, segundo a posição de Capez. [88: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 506.]
Concurso entre causas de aumento de pena da Parte Geral e da Parte Especial: incidem ambos os aumentos. Primeiro o da Parte Especial e depois o da Parte Geral, “com a observação de que o segundo aumento deverá incidir sobre a pena total resultante da primeira operação, e não sobre a pena-base (operação juros sobre juros)”. Ex.: furto simples noturno em continuidade delitiva. Pena base: 1 ano. Causa de Aumento: 1/3 por ser durante o repouso noturno (art. 155, §1º. do CP) = 1 ano e 4 meses de pena. Incide sobre 1 ano e 4 meses o aumento do crime continuado. Suponhamos que o sujeito tenha praticado quatro crimes de furto em continuidade delitiva, portanto, somando mais 1/4 da pena = um ano e 8 meses de pena.[89: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial. Vol. 2. 11ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 506][90: Percentual segundo a jurisprudência do STF. Ver:CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal - parte geral. Vol. 1. 15ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 550.]
Concurso entre causas de diminuição de pena da Parte Geral e da Parte Especial: “incidem as duas diminuições. A segunda diminuição incide sobre a pena já diminuída pela primeira operação”. Ex.: furto simples (art. 155, caput, do CP) tentado (art. 14, II do CP) e de pequeno valor a coisa subtraída (art. 155, §2º. do CP). Pelo pequeno valor da coisa o juiz reduz em 1/3 a pena base fixada em 1 ano chegando a pena a 8 meses. Pela tentativa o juiz reduz 1/3 da pena base de 1 ano o que importará em diminuir mais 4 meses dos 8 meses restantes chegando a 4 meses de detenção.
Concurso entre causas de aumento ou de diminuição situadas na Parte Especial: o juiz pode se limitar a um só aumento ou a uma só diminuição escolhendo a que mais aumente ou diminua na forma do art. 68 do CP. Se o juiz optar por ambos aumentos ou diminuições deve o segundo aumento ou diminuição incidir sobre a pena-base e não sobre o restante da pena.