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DAS_PENAS_RESTRITIVAS_DE_DIREITOS

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“É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa”. Outras modalidades constantes no art. 43 do CP podem ser aplicadas.[24: “Art. 5o  Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Parágrafo único.  As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual”.]
Crimes Hediondos Admitem A Aplicação de Penas Restritivas de Direitos
Embora mais difícil de ser aplicada o STJ já permitiu pena restritiva de direito a condenado por estupro com violência presumida. O CP veda a violência real. 
Crimes de Tráfico Privilegiado Admitem A Aplicação de penas restritivas de direitos
O STF declarou inconstitucional a vedação de penas restritivas de direitos ao tráfico de drogas. Assim, o parág. 4º. do art. 33 e o art. 44. da Lei n. 11.343/2006 foram declarados inconstitucionais permitindo o STF substituir a pena privativa de liberdade pela restritiva de direito nos casos de tráfico de entorpecentes em que o réu preencher os requisitos legais. Portanto, atualmente, qualquer modalidade de tráfico de drogas permite ser punido com a pena restritiva de direito.[25: Ver: LEAL, João José; LEAL, Rodrigo José. Tráfico de Drogas, Pena Alternativa e a Resolução 05/2012, do Senado Federal. Universo Jurídico, Juiz de Fora, ano XI, 15 de mar. de 2012.
Disponivel em: <http://uj.novaprolink.com.br/doutrina/8154/trafico_de_drogas_pena_alternativa_e_a_resolucao_052012_do_senado_federal >. Acesso em: 08 de set. de 2012.]
Formas de Substituição das Penas Privativas de Liberdade por Restritivas de Direitos
Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos
 
O art. 44, § 2o prevê que “Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos”. O art. 44, § 2o, segundo Luiz Flávio Gomes e Capez, revogou o § 2º. do art. 60 do CP. Este prevê três requisitos para serem aplicados ao réu: a) pena igual ou inferior a seis meses; b) réu não reincidente em crime doloso (art. 44, II); c) circunstâncias judiciais favoráveis (art. 44, III). Com o advento da Lei 9.714/1998 que alterou as penas alternativas o primeiro requisito foi elevado de 6 meses para um ano. Como a lei posterior – 9.714/98 regulou inteiramente o conteúdo da lei anterior o §2º. do art. 60 do CP encontra-se revogado segundo Capez. Diante desse entendimento de revogação do §2º. do art. 60 do CP Capez lembra que não é possível converter a pena de multa prevista no art. 44, § 2o do CP em pena de prisão pois o art. 51 do CP veda essa conversão. André Estefam sustenta que o parágrafo 2º. do art. 60 do CP continua em vigor e deve ser aplicado aos crimes violentos ou com grave ameaça e com penas que não excedam a 6 meses. Já o art. 44, § 2o deve ser aplicado aos crimes não violentos ou sem grave ameaça a pessoa. Essa questão merece solução jurisprudencial. [26: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 446.][27:   “§ 2º - A pena privativa de liberdade aplicada, não superior a 6 (seis) meses, pode ser substituída pela de multa, observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste Código”.][28: Ver: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 446.][29: ESTEFAM, André. Direito penal: parte geral. Vol. 1. 1ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 331-2.]
Se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos - art. 44,§2o 
Conversão das Penas Restritivas de Direitos em Privativa de Liberdade
O art.43 § 4o do CP dispõe: “A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão”. 
a1) Conversão das Penas Restritivas de Direitos em Sentido Estrito em Privativa de Liberdade 
Nesses três casos deve-se observar o art. 181 da LEP pois a conversão se trata de um incidente na execução penal, conforme assevera Nucci. Vejamos.[30: NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal. 8ª. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2012, p.442-3.]
prestação de serviço à comunidade ou a entidades: as hipóteses que motivam a conversão estão previstas no art. 181,§ 1º da LEP: “A pena de prestação de serviços à comunidade será convertida quando o condenado: a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; b) não comparecer, injustificadamente, à entidade ou programa em que deva prestar serviço; c) recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço que lhe foi imposto; d) praticar falta grave; e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa”. Segundo este último inciso é possível conciliar a pena de prestação de serviços à comunidade com uma pena privativa de liberdade em regime aberto. Assim, é possível admitir, segundo Nucci, pena privativa de liberdade em regime aberto com a pena restritiva de direit, sem a necessidade de convertê-la em pena privativa de liberdade novamente. [31: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 352.]
interdição temporária de direitos: as hipóteses que motivam a conversão estão previstas no art. 181,§ 2º da LEP: “§ 2º A pena de limitação de fim de semana será convertida quando o condenado não comparecer ao estabelecimento designado para o cumprimento da pena, recusar-se a exercer a atividade determinada pelo Juiz ou se ocorrer qualquer das hipóteses das letras "a", "d" e "e" do parágrafo anterior”. (art. 181,§ 1º da LEP)
c) limitação de fim de semana: as hipóteses que motivam a conversão estão previstas no art. 181,§ 3º da LEP: - “§ 3º A pena de interdição temporária de direitos será convertida quando o condenado exercer, injustificadamente, o direito interditado ou se ocorrer qualquer das hipóteses das letras "a" e "e", do § 1º, deste artigo”. (art. 181,§ 1º da LEP)
Segundo Nucci o apenado deve ser ouvido antes de ter a sua pena restritiva de direitos convertida em pena privativa de liberdade pois pode haver motivo razoável ao descumprimento. Ex.: médico que atende paciente em estado grave e em caráter urgente mesmo estando impedido de poder clinicar. [32: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 352.]
Nesses três casos deve-se observar também o art.44, §4º. do CP: 
 “A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão”.
Esse dispositivo prevê que a pena restritiva de direito convertida em pena privativa de liberdade deve descontar