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DAS_PENAS_RESTRITIVAS_DE_DIREITOS

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atividades do condenado, bem como, a qualquer tempo, comunicação sobre ausência ou falta disciplinar”. Deve-se ter assiduidade e obediência às regras da pena de prestação de serviços à comunidade. Se o condenado não atender às regras a entidade informará ao juízo da execução penal que poderá converter a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade.
Limitação de fim de semana – art. 48 do CP
Características:
a) Finalidade - art. 48, caput, do CPB – “A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado”. Não se admite cumprir a pena de limitação de fim de semana em Cadeia Pública ou em Presídio. Impede-se de cumpri-la em local destinado ao regime fechado. A prescrição penal inicia a partir do primeiro dia em que se inicia a pena de limitação de fim de semana. [52: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 332.]
b) Forma - art. 48, § único, do CPB – “Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas”.
 
Vale destacar que conforme o art. 151 da LEP “Caberá ao Juiz da execução determinar a intimação do condenado, cientificando-o do local, dias e horário em que deverá cumprir a pena. Parágrafo único. A execução terá início a partir da data do primeiro comparecimento”. Além disso, prevês o art. 152 da LEP que “Poderão ser ministrados ao condenado, durante o tempo de permanência, cursos e palestras, ou atribuídas atividades educativas”. Para Nucci, o termo “poderão” deve significar “deverão” sob pena do condenado ficar apenas no ócio com a limitação de fim de semana. O § único do art. 152 dispõe que “Nos casos de violência doméstica contra a mulher, o juiz poderá determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação”. Por fim, a LEP contempla em seu art. 153 que “O estabelecimento designado encaminhará, mensalmente, ao Juiz da execução, relatório, bem assim comunicará, a qualquer tempo, a ausência ou falta disciplinar do condenado”.[53: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 334.]
c - Interdição Temporária de Direitos – art. 47 do CP
Crítica à pena de interdição temporária de direitos: art. 47 do CP. Cabe aqui registrar a crítica de Nucci sobre essa espécie de pena restritiva de direitos aplicada a crimes que não são tão graves. Para referido autor, tais penas não deveriam ser aplicadas pois prejudicam a ressocialização do apenado ao deixá-lo sem exercer sua profissão, sem poder sustentar a sua família além de fazê-lo perder clientes. Para referido autor, outras espécies de pena podem ser aplicadas como a prestação de serviços à comunidade. Caso o crime seja grave deve o autor pagar em regime fechado. Com isso não há condições de manter sua profissão que é justificada pela gravidade do crime.[54: NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal. 8ª. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2012, p.450-1.]
Espécies: 
a) Art. 47, I do CPB: “proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo”; Só pode ser aplicada ao crime cometido no exercício do cargo ou função, com violação de deveres a estes inerentes. É o previsto no artigo 56 do CP. Quanto à perda do mandato eletivo, a condenação criminal acarreta a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem os efeitos – art. 15, III CRFB/88. O art. 55, VI, da CRFB/88 prescreve, ainda que “Perderá o mandato o Deputado ou Senador: VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado”. Cargo público é a “designação dada ao emprego ocupado em repartição ou estabelecimento público”. Ex: Escrivão judicial. Conforme Hely Lopes Meirelles função pública “é a atribuição ou o conjunto de atribuições que a Administração confere a cada categoria profissional ou comete individualmente a determinados servidores para a execução de serviços eventuais, sendo comumente remunerada através de pro-labore”. Para referido doutrinador “todo cargo tem função, mas pode haver função sem cargo. As funções do cargo são definitivas; as funções autônomas são, por índole, provisórias, dada a transitoriedade do serviço que visam atender, como ocorre nos casos de contratação por prazo determinado (CF, art. 37, IX).”[55:  “Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-se para todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função, sempre que houver violação dos deveres que lhes são inerentes”.][56: “Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos”;][57: DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário jurídico. 24ª. ed. rev. e atual. por Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 257.][58: MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 24ª. ed. atual. por Eurico de Andrade Azevedo e outros. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 371-2.]
b) Art. 47, II do CPB: “proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público”; Só pode ser aplicada ao crime cometido no exercício do cargo ou função, com violação de deveres a estes inerentes. É o previsto no artigo 56 do CP. Ex.: dentistas, médicos, advogados etc.[59:  “Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-se para todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função, sempre que houver violação dos deveres que lhes são inerentes”. ][60: Ver: LEAL, João José. Direito penal geral. 3ª. ed. rev. e atual. Florianópolis: OAB/SC, 2004, p. 458-9.]
Art. 47, III do CPB – “suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo”. Só pode ser aplicada ao crime cometido no exercício do cargo ou função, com violação de deveres a estes inerentes. É o previsto no artigo 56 do CP. Este inciso permanece reservado somente à suspensão de autorização a ciclomotores. Quanto à suspensão de habilitação para dirigir veículo, essa parte do dispositivo foi tacitamente derrogada (revogada parcialmente) pela Lei. 9.503/97 Código de Trânsito, art. 302. Quem dirige veículo automotor e mata outrem culposamente no trânsito aplica-se o art. 302 da Lei n. 9.503/97. Se estiver pilotando ciclomotor, aplica-se o inciso III do art. 47 do CP, segundo a posição de Estefam. Para Capez o art. 47, III do CP encontra-se revogado pois não há hipótese para ser aplicada. Destaca-se que a suspensão pressupõe permissão ou habilitação já concedida. A proibição, por sua vez, aplica-se ao condenado que ainda não obteve uma ou outra. Vejamos algumas diferenças entre a suspensão para dirigir do Código de Trânsito e a pena restritiva de direitos do art. 47, III do CP:[61:  “Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-se para todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função, sempre que houver violação dos deveres que lhes são inerentes”. ][62:   “Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:  Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor”.][63: Ver: ESTEFAM, André. Direito penal: parte geral. Vol. 1. 1ª. ed. 2ª. tir. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 329.][64: Ver: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 458.][65: Ver: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 458-9.]
	Pena Restritiva – Código Penal
	Pena Restritiva – Código de Trânsito
	Não pode proibir de obter permissão ou habilitação