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Pena_Privativa_de_Liberdade_e_Regimes_de_Cumprimento

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e de estudo serão definidas de forma a se compatibilizarem.  (Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011)
Pode o preso trabalhar 6 horas por dia e estudar outras 4 horas. Isso o permitiria remir pelo trabalho e pelo estudo parte de sua pena. Lembrando: 1 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de frequência escolar. 1 (um) dia de pena a cada 3 (três) dias de trabalho: 1 dia de trabalho do preso deve ter no mínimo 6 horas e no máximo 8 horas.
§ 4o  O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos estudos continuará a beneficiar-se com a remição. (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
Se estiver trabalhando, computa-se o período que o preso estaria remindo, caso sofra um acidente de trabalho. Neste caso, se o preso estava trabalhando 8 horas por dia, mesmo sem trabalhar, continuará descontando 1 dia de pena a cada dia que estiver afastado pelo acidente de trabalho. Se o preso não trabalhava ou estudava, não há que se falar em desconto, durante o período de afastamento em razão do acidente. Além disso, caso o preso se acidente propositadamente, cometendo falta grave (art. 50, IV, LEP), não se deve computar a remição durante o período de afastamento pelo acidente em razão da má-fé do detento.[99: Ver: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 310.]
§ 5o  O tempo a remir em função das horas de estudo será acrescido de 1/3 (um terço) no caso de conclusão do ensino fundamental, médio ou superior durante o cumprimento da pena, desde que certificada pelo órgão competente do sistema de educação. (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
Esta medida legislativa visa estimular o preso a concluir seus estudos. Sabe-se que a desistência dos estudos não traz benefícios. Portanto, o Estado incentiva o preso a finalizar seus estudos somando 1/3 no total de tempo estudado. Ex.: o preso estudou 3000 horas. Concluiu o ensino fundamental incompleto. Neste caso, o detento ganhará mais 1000 horas, ou seja, 1/3 que poderá descontar através da remição da pena que lhe falta cumprir.
§ 6o  O condenado que cumpre pena em regime aberto ou semiaberto e o que usufrui liberdade condicional poderão remir, pela frequência a curso de ensino regular ou de educação profissional, parte do tempo de execução da pena ou do período de prova, observado o disposto no inciso I do § 1o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
O parág. 1º., I, do art. 126, diz: “1 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de frequência escolar - atividade de ensino fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação profissional - divididas, no mínimo, em 3 (três) dias”.
Cuidado: a remição só pode ser feita em regime fechado ou semiaberto por trabalho ou por estudo. No regime aberto só há remição pelo estudo. A remição objetiva estimular o preso a se engajar com mais ânimo no trabalho e obedecer a disciplina do sistema penal. 
§ 7o  O disposto neste artigo aplica-se às hipóteses de prisão cautelar. (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
A remição é aplicável aos presos em prisão preventiva, temporária, prisão domiciliar – art. 317 e 318 do CPP - (nova modalidade após o advento da Lei n. 12.403/2011). O flagrante não é mais classificado como prisão cautelar pela doutrina pois ele não pode perdurar após o ato de prisão. Se alguém for preso em uma das hipóteses do art. 302 do CPP, deve-se lavrar o auto. Após, caberá ao juiz optar por uma das medidas do art. 310 do CPP: I- relaxa a prisão; converte-a em preventiva; III – concede liberdade provisória ao preso. Portanto, não pode mais o sujeito permanecer meses ou anos preso em razão do flagrante. [100: BONFIM, Edilson Mougenot. Curso de processo penal. 7ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 492.][101: LOPES JR. Aury. Direito processual e sua conformidade constitucional. 9ª. ed. rev. e atual., São Paulo: Saraiva 2012, p. 796.]
§ 8o  A remição será declarada pelo juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa. (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
Cabe ao juiz dizer, declarar os dias remidos pelo preso.
Art. 127.  Em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido, observado o disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração disciplinar. (Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011)
Após comprovada a falta grave, o juiz pode revogar em 1/3 o tempo remido do preso. Ex.: preso possui 900 dias a remidos. Pode perder de 1 dia (mínimo) até 300 dias (máximo de dias). O art. 57 que deve ser observado prevê: Na aplicação das sanções disciplinares, levar-se-ão em conta a natureza, os motivos, as circunstâncias e as consequências do fato, bem como a pessoa do faltoso e seu tempo de prisão. Parágrafo único. Nas faltas graves, aplicam-se as sanções previstas nos incisos III a V do art. 53 desta Lei. O preso poderá reiniciar a contagem dos dias remidos a partir da data da infração disciplinar.[102: Ver: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 311.]
Art. 128.  O tempo remido será computado como pena cumprida, para todos os efeitos. (Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011)
Os dias remidos pelo preso são considerados como pena cumprida. Portanto, se um preso cumpriu 9 meses de pena e remiu outros 3 meses, tem como pena cumprida 1 ano. Isso significa que se recebeu uma pena de 6 anos, terá cumprido 1/6 e já poderá progredir de regime.[103: Ver: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 312.]
Art. 129.  A autoridade administrativa encaminhará mensalmente ao juízo da execução cópia do registro de todos os condenados que estejam trabalhando ou estudando, com informação dos dias de trabalho ou das horas de frequência escolar ou de atividades de ensino de cada um deles.  (Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011)
O cômputo da remição deve se dar a cada mês, salvo se houver acúmulo de serviço na vara criminal responsável.
§ 1o  O condenado autorizado a estudar fora do estabelecimento penal deverá comprovar mensalmente, por meio de declaração da respectiva unidade de ensino, a frequência e o aproveitamento escolar.       (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
Caso não haja aproveitamento ou frequência ao curso por parte do preso, não se deve declarar a remição.
§ 2o  Ao condenado dar-se-á a relação de seus dias remidos. (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
O objetivo é deixar o preso sempre informado sobre o montante de sua pena e quanto falta para ser cumprida.
Art. 130. Constitui o crime do artigo 299 do Código Penal declarar ou atestar falsamente prestação de serviço para fim de instruir pedido de remição.
Se o funcionário responsável por emitir a certidão de dias remidos falsear a verdade deverá responder por crime de falsidade ideológica: “Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:  Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte”.
Regras do regime semiaberto
O preso no regime semiaberto não precisa ser submetido ao exame criminológico 
Embora o art. 35 c/c o art. 34, caput, do CP, preveja que o condenado deve ser submetido ao exame criminológico ao iniciar o cumprimento da pena em regime semiaberto, a LEP, por sua vez, prevê que o exame criminológico pode ser facultativo como dispõe o art. 8º. parágrafo único: “Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o condenado ao cumprimento