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Pena_Privativa_de_Liberdade_e_Regimes_de_Cumprimento

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da apostila de autoria do Prof. Thales Tácito Cerqueira, adquirida junto ao curso do IELF – Instituto Luiz Flávio Gomes.][58: O rol do artigo 295 do CPP que deve recolher-se a quartéis ou prisão especial, durante o processo de conhecimento é: I - os ministros de Estado; II - os governadores ou interventores de Estados ou Territórios, o prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários, os prefeitos municipais, os vereadores e os chefes de Polícia; III - os membros do Parlamento Nacional, do Conselho de Economia Nacional e das Assembleias Legislativas dos Estados; IV - os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito''; V - os oficiais das Forças Armadas e os militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; VI - os magistrados; VII - os diplomados por qualquer das faculdades superiores da República; VIII - os ministros de confissão religiosa; IX - os ministros do Tribunal de Contas; X - os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado, salvo quando excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício daquela função; XI - os delegados de polícia e os guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos e inativos. ][59: “O preso que, ao tempo do fato, era funcionário da administração da justiça criminal ficará em dependência separada”][60: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 180.]
Execução Provisória da Medida de Segurança – se o sujeito estiver solto deve-se aguardar o trânsito em julgado da sentença absolutória imprópria para iniciar o cumprimento. Se estiver provisoriamente internado como reza o art. 319, VII do CPP, pode-se iniciar o seu cumprimento provisório em benefício do próprio sentenciado conforme Nucci.[61: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 180.]
Progressão de regime para condenados definitivos em crimes comuns 
O Art. 33 do CP prevê em seu “§2º que: “As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso”. É o sistema progressivo adotado pelo ordenamento jurídicopenal brasileiro. O art. 112 da LEP prevê: “A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão”. 
Para os crimes comuns é preciso observar:
Requisito objetivo:
a) cumprir parte da pena - 1/6 (primário ou reincidente); Cada período recomeça a contar do que restou de pena a cumprir.[62: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 392.]
Requisito subjetivo:
a) merecimento: bom comportamento do preso. Ou seja, preencher requisitos de ordem pessoal como autodisciplina, responsabilidade etc.
Progressão de regime para condenados definitivos em crime hediondo
Até 23.02.2006 era proibido progredir de regime em crime hediondo por força da Lei n. 8.072/1990. Em 23.02.2006 o STF em sede de habeas corpus permitiu a progressão de regime a um paciente declarando inconstitucional o §1º. do art. 2º. da Lei n.º. 8.072/1990 por violação ao princípio da individualização da pena. Como se tratou de controle difuso o efeito seria ex tunc – desde então e somente para a parte que pleiteou a progressão. Embora difuso, eis que decidido em sede de HC, o STF estendeu os efeitos da decisão passando a valer a todos os demais condenados o requisito de 1/6 o mesmo observado aos crimes comuns. Assim, muitos condenados se beneficiaram da decisão, embora alguns juízes negaram efeito de força vinculante eis entenderam que o STF deveria comunicar a decisão ao Senado para efeitos de edição de resolução, suspendendo, no todo ou em parte, a execução da norma.[63: MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 24ª. ed. São Paulo: Atlas, 2009, p. 482.][64: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 396.]
Em 28.03.2007 adveio a Lei n. 11.464/2007 que admitiu a progressão de regime desde que observado 2/5 (40%) da pena para primários e 3/5 (60%) para reincidentes. Lembrando que o requisito temporal deve ser computado do total da pena dada na condenação e não do tempo de cumprimento de pena máximo de 30 anos previsto no art. 75 do CP. Destaca-se, aqui, a Súmula 715 do STF: “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução”.[65: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 400.]
Diante desse contexto, pode-se observar as seguintes situações para progredir de regime em crime hediondo:
Para os crimes hediondos cometidos antes da entrada em vigor da Lei n. 11.464/2007 e beneficiados pelo HC 82.959 o condenado precisa cumprir parte da pena cujo requisito objetivo é de 1/6 seja primário ou reincidente. Cada período recomeça a contar do que restou de pena a cumprir. Além disso, precisa o preso cumprir o requisito subjetivo que é gozar de bom comportamento: como ter autodisciplina, responsabilidade etc. Cada período recomeça a contar do que restou de pena a cumprir.[66: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 392.]
2) Para os crimes hediondos cometidos antes da entrada em vigor da Lei n. 11.464/2007 e que não obtiveram o benefício do HC 82.959 porque juízes entenderam não ter força erga omnes a decisão do STF, os condenados não puderam progredir pois houve a interpretação pela validade da proibição da progressão de regime prevista pela Lei n. 8.072/1990. Cada período recomeça a contar do que restou de pena a cumprir. 
3) Os condenados que praticaram o crime hediondo e equiparado após a entrada em vigor da Lei n. 11.464/2007 devem cumprir 2/5 (40%) da pena se forem primários e 3/5 (60 %) da pena se forem reincidentes, além de ter bom comportamento carcerário. Cada período recomeça a contar do que restou de pena a cumprir.
4) Os condenados por crimes hediondos que não obtiveram o benefício do HC 82.959 porque juízes entenderam não ter força erga omnes a decisão do STF, com o advento da Lei n. 11.464/2007 puderam progredir de regime desde que cumprissem 2/5 da pena se fossem primários e 3/5 da pena se fossem reincidentes, além de ter bom comportamento carcerário. Cada período recomeça a contar do que restou de pena a cumprir. 
Atualmente o STF tem entendido que aos crimes hediondo cometidos antes da vigência da Lei n. 11.464/2007, a progressão de regime deve observar o requisito temporal previsto no art. 33 do CP e art. 112 da LEP, ou seja, 1/6 da pena.[67: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 401-3.]
A partir da lei n. 11.464/2007, publicada em 29.03.2007 os condenados por crimes hediondos devem cumprir 2/5 (40%) da pena para primários e 3/5 (60%) para reincidentes além de gozarem de bom comportamento carcerário.
Progressão de regime para condenados definitivos em crimes contra a administração pública
Deve-se observar a previsão do art. 33 § 4o: “O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais”. Com isso, além de ter que cumprir 1/6 da pena e de ter que gozar de bom comportamento deve o condenado devolver o produto do crime devidamente atualizado com os consectários legais. Segundo Nucci este requisito é inconstitucional pois