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Pena_Privativa_de_Liberdade_e_Regimes_de_Cumprimento

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entre outros motivos se um crime de roubo não reclama a reparação do dano para poder progredir um crime de corrupção também não poderia. [68: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 405.][69: NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal. 8ª. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2012, p.415.]
Pode Ser Pedido Exame Criminológico Para Progredir de Regime Segundo STJ
Avaliava-se o mérito para progredir de regime com o Exame Criminológico até 2003, Lei n. 10.792. Atualmente para progredir de regime basta o Atestado de Boa Conduta Carcerário. Contudo, em alguns casos, desde que fundamentado, o Exame Criminológico, pode ser exigido. É o que prevê a Súmula Vinculante 26 do STF: “Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2°. da lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico”. Destaca-se, ainda, a Súmula 439 do STJ: “Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada”. Portanto, embora o atestado de boa conduta carcerária seja suficiente para o juiz conceder a progressão de regime, o exame criminológico pode ser exigido em casos específicos em que o condenado apresente algum risco em frequentar um regime prisional menos severo. Caso haja alguma falta grave, o condenado fica impedido de progredir de regime. Falta o requisito do bom comportamento carcerário.[70: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 284.]
Prazo de Progressão de Regime Recomeça Em Caso de Falta Grave
Se o preso estiver em regime fechado ou semiaberto e vier a cometer falta grave deve voltar a cumprir 1/6, 2/5 ou 3/5 da pena remanescente novamente. Ex.: “A” é condenado a 6 anos. Próximo de cumprir 1/6 da pena, ou seja, 1 ano, comete falta grave (foge). Deve recomeçar a contar novamente 1/6 da pena restante (5 anos) para pedir a progressão. Essa é a posição majoritária do STF.[71: Ver: Gustavo Junqueira, You Tube, aula enviada em 24.04. 2010. ]
Executa-se Primeiro a Pena do Crime Hediondo. Depois a do Crime Comum
Crime hediondo + crime comum. Nesse caso deve-se executar a pena do crime hediondo. Depois, do crime comum. Ex.: “A” é condenado a 20 anos por crime hediondo. Cumpre 2/5 = 8 anos no regime fechado pelo crime hediondo. É condenado, ainda, a 6 anos por crime comum. Deve cumprir 1/6 da pena = 1 ano. Portanto, após cumprir 9 anos no regime fechado, pode progredir para o regime semiaberto.[72: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 292.]
Veda-se a Progressão Direta de Regime Fechado ao Regime Aberto
Não se admite a progressão por salto, ou seja, progredir do regime fechado ao aberto diretamente sem passar pelo regime semiaberto. A Súmula 491 do STJ de 08.08.2012 prevê: “É inadmissível a progressão per saltum de regime prisional”. O STF também possui posições nesse sentido: "O tempo de prisão cumprido pelo paciente já foi considerado para o efeito da obtenção do regime semi-aberto e, quanto ao aberto, não pode ser obtido per saltum, pois sua concessão depende do preenchimento de requisitos objetivos e subjetivos, cuja apreciação compete, originariamente, ao Juízo da Execução Penal e não a esta Corte." (HC 76.965, Rel. Min. Sydney Sanches, julgamento Execução da Pena - Regime de Cumprimento da Pena em 15-12-1998, Primeira Turma, DJ de 14-5-1999). No mesmo sentido: RHC 99.776, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 3-11-2009, Segunda Turma, DJE de 12-2-2010.[73: Ver: Gustavo Junqueira, You Tube, aula enviada em 24.04. 2010.]
Admite-se Regressão Direta de Regime do Aberto Para o Fechado
Admite-se, contudo, a regressão per saltum, ou seja, voltar do regime aberto ao fechado diretamente. Só pode ser deferida pelo órgão judicial – art. 118, §2º. da LEP. [74: Idem. ]
Falta de Vaga em Regime Fechado Veda Permanência em Regime Semiaberto ou Aberto 
Quando não houver vaga no regime fechado - Estabelecimento de Segurança Máxima ou Média -, os tribunais superiores pacificaram entendimento de que a pena em regime fechado não pode ser cumprida em outro regime mais benéfico - semiaberto ou aberto. Se não houver vaga no regime semiaberto, os tribunais superiores pacificaram entendimento de que a pena em regime semiaberto pode ser cumprida em regime aberto. É o regime aberto provisório. Não houve necessariamente progressão. O STF possui precedente em que o condenado foi posto em liberdade por não haver vaga no regime semiaberto, somente no fechado. Determinou-se que se aguardasse a vaga no regime menos rigoroso. Há, ainda, posição citada na doutrina de que o condenado deve cumprir a pena no regime fechado. [75: Idem.][76: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 293.]
Regras do regime fechado[77: Conforme a LEP e a síntese feita por CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 407-8.]
O preso deve ser submetido ao exame criminológico 
Prevê o art. 34 do CP: “O condenado será submetido, no início do cumprimento da pena, a exame criminológico de classificação para individualização da execução”.
Conceito de exame criminológico: Conforme a exposição de motivos da lei de execuções penais o exame criminológico é uma espécie do gênero exame da personalidade e parte “do binômio delito-delinqüente, numa interação de causa e efeito, tendo como objetivo a investigação médica, psicológica e social, como o reclamavam os pioneiros da Criminologia”. Ao citar Sérgio Pitombo, Mirabete coloca que no exame criminológico, a personalidade do criminoso é examinada em relação ao crime em concreto, ao fato por ele praticado, pretendendo-se com isso explicar a ‘dinâmica criminal (diagnóstico criminológico), propondo medidas recuperadoras (assistência criminiátrica)’ e a avaliação da possibilidade de delinqüir (prognóstico criminológico)”. O exame criminológico é composto de instrumentos de verificação como “as informações jurídico-penais (como agiu o condenado, se registra reincidência etc); o exame clínico (saúde individual e eventuais causas mórbidas, relacionadas com o comportamento delinqüencial); o exame morfológico (sua constituição somatopsíquica); o exame neurológico (manifestações mórbidas do sistema nervoso); o exame eletrencefalográfico (não para só a busca de “lesões focais ou difusas de ondas sharp ou spike, mas da correlação – certa ou provável – entre alterações funcionais do encéfalo e o comportamento do condenado); o exame psicológico (nível mental, traços básicos da personalidade e sua agressividade); o exame psiquiátrico (saber-se se o condenado é pessoa normal, ou portador de perturbação mental); e o exame social (informações familiares, ‘condições sociais em que o ato foi praticado’ etc.).[78: Apud MIRABETE, Julio Fabbrini. Execução penal. 11ª. ed. rev. e atual. por Renato N. Fabbrini até 31 de março de 2004. São Paulo: Atlas, 2004, p. 52. ][79: MIRABETE, Julio Fabbrini. Execução penal. 11ª. ed. rev. e atual. por Renato N. Fabbrini até 31 de março de 2004. São Paulo: Atlas, 2004, p. 52.][80: MIRABETE, Julio Fabbrini. Execução penal. 11ª. ed. rev. e atual. por Renato N. Fabbrini até 31 de março de 2004. São Paulo: Atlas, 2004, p. 53.]
O preso deve se submeter ao trabalho interno 
Dispõe o § 1º e 2º, respectivamente do art. 34: “§ 1º O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a isolamento durante o repouso noturno. § 2º O trabalho será em comum dentro do estabelecimento, na conformidade das aptidões ou ocupações anteriores do condenado, desde que compatíveis com a execução da pena”.