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Pena_Privativa_de_Liberdade_e_Regimes_de_Cumprimento

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O trabalho interno do preso deve observar: 
a) a finalidade educativa e produtiva (art.28 da LEP); 
b) é remunerado e não pode ser inferior a ¾ do salário mínimo (art. 39 do CP e 29 da LEP); 
c) tem direito aos benefícios da previdência social (arts. 39 do CP e 41, III da LEP) como o auxílio reclusão previsto no Decreto 3.048/99;[81: “Art. 116: “O auxílio-reclusão será devido, nas mesmas condições da pensão por morte, aos dependentes do segurado recolhido à prisão que não receber remuneração da empresa nem estiver em gozo de auxílio-doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço, desde que o seu último salário-de-contribuição seja inferior ou igual a R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais). A partir de 01.01.2012 o valor ficou estipulado em: R$ 915,05 - Portaria nº 02, de 6/1/2012.§ 1º É devido auxílio-reclusão aos dependentes do segurado quando não houver salário-de-contribuição na data do seu efetivo recolhimento à prisão, desde que mantida a qualidade de segurado. § 2º O pedido de auxílio-reclusão deve ser instruído com certidão do efetivo recolhimento do segurado à prisão, firmada pela autoridade competente. § 3º Aplicam-se ao auxílio-reclusão as normas referentes à pensão por morte, sendo necessária, no caso de qualificação de dependentes após a reclusão ou detenção do segurado, a preexistência da dependência econômica. § 4º  A data de início do benefício será fixada na data do efetivo recolhimento do segurado à prisão, se requerido até trinta dias depois desta, ou na data do requerimento, se posterior, observado, no que couber, o disposto no inciso I do art. 105.  § 5º  O auxílio-reclusão é devido, apenas, durante o período em que o segurado estiver recolhido à prisão sob regime fechado ou semiaberto. § 6º  O exercício de atividade remunerada pelo segurado recluso em cumprimento de pena em regime fechado ou semi-aberto que contribuir na condição de segurado de que trata a alínea "o" do inciso V do art. 9º ou do inciso IX do § 1º do art. 11 não acarreta perda do direito ao recebimento do auxílio-reclusão pelos seus dependentes”. Art. 117. O auxílio-reclusão será mantido enquanto o segurado permanecer detento ou recluso. § 1º O beneficiário deverá apresentar trimestralmente atestado de que o segurado continua detido ou recluso, firmado pela autoridade competente. § 2º No caso de fuga, o benefício será suspenso e, se houver recaptura do segurado, será restabelecido a contar da data em que esta ocorrer, desde que esteja ainda mantida a qualidade de segurado. § 3º Se houver exercício de atividade dentro do período de fuga, o mesmo será considerado para a verificação da perda ou não da qualidade de segurado. Art. 118. Falecendo o segurado detido ou recluso, o auxílio-reclusão que estiver sendo pago será automaticamente convertido em pensão por morte.  Parágrafo único.  Não havendo concessão de auxílio-reclusão, em razão de salário-de-contribuição superior a R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais), será devida pensão por morte aos dependentes se o óbito do segurado tiver ocorrido dentro do prazo previsto no inciso IV do art. 13. Art. 119. É vedada a concessão do auxílio-reclusão após a soltura do segurado”.]
d) não é sujeito ao regime da CLT, sujeitando-se a regime de direito público (art. 28, §2º., da LEP);
e) o trabalho interno é dever do preso (art. 31 e 39, V, da LEP);
f) a recusa do trabalho constitui falta grave (art. 50, VI, da LEP);
g) o preso provisório não é obrigado a trabalhar (art. 31, § único da LEP);
h) o preso político não é obrigado a trabalhar (art.200 da LEP) - Para caracterizar o crime político é preciso saber qual é o bem jurídico ameaçado, ofendido ou protegido pela norma penal. Se o bem jurídico ofendido for a soberania nacional há crime político pelo critério objetivo. Ex.: “Art. 9º da Lei n. 7.170/1983 - Lei de Segurança Nacional. Tentar submeter o território nacional, ou parte dele, ao domínio ou à soberania de outro país. Pena: reclusão, de 4 a 20 anos. Parágrafo único - Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até um terço; se resulta morte aumenta-se até a metade”. O crime político lesa ou ameaça o ordenamento político do país. Crimes políticos puros ou próprios – atentam exclusivamente contra o sistema de segurança ou organização interna ou externa do Estado. Crimes políticos impuros ou impróprios – além de atentarem contra a segurança ou organização do Estado, ainda lesam bem jurídico tutelado pela legislação ordinária. (ex.: roubo e sequestro com fins político-subversivos). Atualmente, os crimes políticos abrangem não só os crimes de motivação política (aspecto subjetivo) como os que ofendem a estrutura política do Estado e os direitos políticos individuais (aspecto objetivo) segundo Capez. [82: NUCCI, Guilherme de Souza. Código penal comentado. 4ª. ed., rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2003, p. 281.][83: JESUS, Damásio. E. Direito penal: parte geral. 1º. Vol. 26ª. ed., rev., e atual. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 574.][84: Monteiro de Barros apud GRECO, Rogério. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 13ª. ed., rev., ampl. e atual. Rio de Janeiro: Impetus, 2011, p. 564.][85: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 512.]
 i) o trabalho do preso deve levar em conta a habilitação, a condição pessoal e as necessidades futuras do preso (Art. 32 da LEP);
j) a jornada não pode ser inferior a 6, nem superior a 8 horas, com descanso aos domingos e feriados (art. 33 da LEP);
l) serviços de conservação e manutenção podem ter horários especiais (art. 33, parág. único da LEP);
m) três dias de trabalho desconta um da pena (art. 126 da LEP);
n) doze horas de frequência escolar – ensino fundamental, médio ou superior – divididas em no mínimo três dias desconta-se um dia da pena (art. 126, §4º. da LEP);
o) se sofrer acidente de trabalho ou durante o estudo, continuar recebendo a remição (art. 126, §4º. da LEP);
p) havendo falta grave o juiz pode revogar 1/3 do tempo remido (art. 127 da LEP);
q) o estudo pode ser feito a distância (art. 126, parág. 2º. da LEP);
r) se concluído o curso o preso ganha 1/3 de tempo remido como prêmio (art. 126, parág. 5º.);
s) a remição aplica-se aos casos de prisão cautelar (art. 126, parág. 7º. do CP).
O preso pode se submeter ao trabalho externo 
Segundo o art. 34, § 3ºdo CP “O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras públicas”. A LEP regula o trabalho externo no art. 36 e 37.[86: Art. 36. O trabalho externo será admissível para os presos em regime fechado somente em serviço ou obras públicas realizadas por órgãos da Administração Direta ou Indireta, ou entidades privadas, desde que tomadas as cautelas contra a fuga e em favor da disciplina. § 1º O limite máximo do número de presos será de 10% (dez por cento) do total de empregados na obra. § 2º Caberá ao órgão da administração, à entidade ou à empresa empreiteira a remuneração desse trabalho. § 3º A prestação de trabalho à entidade privada depende do consentimento expresso do preso. Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena. Parágrafo único. Revogar-se-á a autorização de trabalho externo ao preso que vier a praticar fato definido como crime, for punido por falta grave, ou tiver comportamento contrário aos requisitos estabelecidos neste artigo.]
O trabalho externo do preso deve observar: [87: Conforme a LEP e a síntese feita por CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 409.]
a) todos os direitos previstos ao trabalho interno; 
b) deve observar o limite de 10% do total de empregados da obra (art. 36, parág. 1º. da LEP); 
c) cumprir 1/6 da pena no regime fechado; 
d) realizar o exame criminológico segundo a opinião de Capez para saber se o preso pode realizar o trabalho fora da prisão. A LEP não exige tal exame.
Crítica ao trabalho