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Fichamento - Thomas Hobbes de Mamesbury

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própria natureza, ou seja, de sua vida; e de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento e razão lhe indiquem como meios adequados a esse fim.” (pág. 113)
A palavra liberdade para o autor denota ausência de impedimentos externos.
Thomas Hobbes faz uma distinção clara de lei e direito, e enuncia que uma lei de natureza é uma norma universal que é instituída pela razão e que proíbe o ser humano de fazer algo que destrua sua vida. Já a palavra direito nada mais é que a liberdade de omitir ou fazer algo, sendo que a lei delimita ou obriga que se faça uma dessas duas coisas.
Portanto, enquanto durar o direito de cada um a todas as coisas, o homem continuará em estado de guerra e não haverá segurança para nenhum indivíduo. Assim a primeira lei e fundamental da natureza visa procurar a paz e segui-la e a segunda completa a primeira estabelecendo que são válidos todos os meios que tivermos alcance para defendermo-nos e que haja concordância na renúncia de direitos para que se logre a paz e a segurança.
Uma das formas de abdicar de um direito é transferindo-o a outro, ou outros, porém essa transferência só é realizada porque foi prometido a quem abdicou de sua liberdade, um outro direito, que na maioria das vezes é a segurança e preservação da vida. A essa transmissão recíproca de direitos dá-se o nome de contrato. 
“Nos contratos, o direito não é transmitido apenas quando as palavras são do tempo presente ou passado, mas também quando elas são do futuro, porque todo contrato é uma translação ou troca mútua de direitos” (pág. 116 e 117)
Para que ambas as partes cumpram um contrato e ele não torne-se nulo é necessário um poder comum situado acima dos contratantes que tenha força e direito suficiente para impor seu cumprimento, porque a vínculo das palavras é fraco e os homens sofrem de paixões como a ambição, avareza e a cólera se não for colocada em prática a coerção.
A única forma, portanto, de estabelecer um poder capaz de coagir aqueles que possam vir ameaçar a vida dos demais é o estabelecimento do Estado. E aqueles que cedem seu direito a outrem devem estar cientes que também estarão sujeitos à cobrança de impostos e ao julgamento por parte de magistrados designados pelo soberano ou grupo que conduzirá o Estado. 
Capítulo XV – De Outras Leis de Natureza
No capítulo anterior, Hobbes enumerou duas Leis Naturais e neste capítulo definirá mais algumas leis naturais, ou seja, que são inatas e necessárias para a manutenção da paz, numa sociedade. O autor começa este capítulo definindo a terceira lei que é: “Que os homens cumpram os pactos que celebrarem”(pág. 123) e complementa dizendo que sem o cumprimento dessa terceira lei, os pactos seriam vãos e pautados somente nas palavras que muitas vezes são vazias.
Determinada a terceira lei, ele dá a concepção de justiça que é necessária para o cumprimento dos pactos e determina que depois de celebrado um pacto, rompê-lo é injusto, e que injustiça nada mais é do que o não cumprimento de um pacto. Assim, enquanto o homem encontra-se na condição de natureza, há o temor de não cumprimento dos pactos e dessa forma não há injustiça. Para que os indivíduos sintam-se obrigados a cumprir os pactos é necessário um castigo que seja maior do que o proveito que eles poderiam tirar do não cumprimento do pacto.
Sem a presença de um Estado, não há o justo e nem o injusto, portanto é necessário o estabelecimento de um poder civil que seja forte o bastante para coagir os homens a cumprirem os pactos, e que institua as propriedades de direito de cada um. No sentido de evidenciar o que é justo e injusto, Hobbes determina que há diferença entre a justiça para os homens e a justiça para as ações.
Dessa forma, “um homem justo é aquele que toma o maior cuidado possível para que todas as suas ações sejam justas, e um homem injusto, despreza é o que despreza este cuidado.” (pág. 126). Já “O que presta às ações humanas o sabor da justiça é uma certa nobreza da coragem (raras vezes encontrada), em virtude da qual se despreza ficar devendo o bem-estar da vida à fraude ou ao desrespeito das promessas.” (pág. 126)
Continuando com a enumeração das leis da natureza, o autor enuncia a quarta lei: “Que quem recebeu benefício de outro homem, por simples graça, se esforce para que o doador não venha a ter motivo razoável para arrepender-se de sua boa vontade” (pág. 127 e 128). Dessa forma, se a houver a frustração dessa expectativa por parte do doador, não há benevolência, confiança, ajuda mútua e nem mesmo reconciliação de um homem com o outro, impedindo assim que saiam da condição de guerra. O não cumprimento dessa lei é denominado ingratidão.
“A quinta lei da natureza é a complacência, quer dizer: Que cada um se esforce por acomodar-se com os outros”(pág. 128), assim todos os homens estarão buscando cumprir a lei fundamental que é a busca da paz.
“A sexta lei da natureza é Que como garantia do tempo futuro, se perdoem as ofensas passadas, àqueles que se arrependam e o desejem.” (pág. 128). O perdão representa assim uma garantia da paz futura.
“ A sétima lei é Que na vingança (isto é, a retribuição do mal com o mal) os homens não olhem à importância do mal passado, mas só a importância do bem futuro.” (pág. 128)
Hobbes enumera como oitava lei, o seguinte preceito: “Que ninguém por atos, palavras atitude ou gesto declare ódio ou desprezo pelo outro.” (pág. 129)
Como nona lei da natureza é proposto o seguinte: “Que cada homem reconheça os outros como seus iguais por natureza” (pág. 129) e quem não cumprir essa lei, será denominado orgulhoso. A nona lei origina uma outra que diz que “Que ao iniciarem-se as condições de paz ninguém pretenda reservar para si qualquer direito que não aceite também ser reservado para qualquer dos outros” (pág. 129)
Da aceitação mútua dos direitos, deriva uma outra lei: “Que as coisas que não puderem ser divididas sejam gozadas em comum, se assim puder ser; e se a quantidade da coisa o permitir, sem limite; caso contrário, proporcionalmente ao número daqueles que a ela tem direito”(pag. 130). Hobbes determina também que na impossibilidade da distribuição igual das coisas, seja feito um sorteio, pois esse é imparcial e justo.
Outras leis da natureza dizem o seguinte: “Que a todos aqueles que servem de mediadores para a paz seja concebido salvo-conduto.(pág. 130)”. “Que aqueles entre os quais há controvérsia submetam seu direito ao julgamento de um árbitro. (pág.131)”.
As leis da natureza são essas e somente com elas é possível conservar-se a paz e manter-se coesa a multidão que compõem a sociedade civil. Hobbes ainda completa dizendo que só é justo quem cumpre essas leis e que para melhor entende-las, antes de agir, “Faz aos outros o que gostaria que te fizessem a ti”(pág. 131), dessa forma, não há nenhuma lei que não possa parecer razoável.
Hobbes conclui este Capítulo da seguinte forma: “enquanto os homens se encontram na condição de simples natureza (que é uma condição de guerra) o apetite pessoal é a medida do bem e do mal. Por conseguinte, todos os homens concordam que a paz é uma boa coisa, e portanto, que também são bons o caminho ou meios da paz, os quais são a justiça, gratidão, a modéstia, a equidade, a misericórdia e as restantes leis da natureza; quer dizer, as virtudes morais; e que seus vícios contrários são maus.
Capítulo XVII – Das Causas, Geração e Definição de um Estado
O fim que os homens almeja ao abdicar de sua liberdade é o cuidado com a conservação de sua vida, visando a própria segurança e também uma vida em que estejam mais satisfeitos. Essa abdicação é o reflexo do desejo de sair de uma condição de guerra.
As leis da natureza já enumeradas nos capítulos anteriores são contrárias às paixões naturais dos homens e assim, para serem obedecidas é necessário um poder maior que pode ser representado pela espada, ou seja pela força, pois os pactos sem ela, não passam de palavras. E sem uma força superior às forças individuais, cada um confia na sua própria capacidade de defender-se e proteger-se dos demais, gerando um