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Fichamento - Thomas Hobbes de Mamesbury

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clima de tensão entre todos.
Assim, Hobbes argumenta o porquê de estatuir-se um Estado, e o primeiro argumento é o envolvimento dos homens na competição pela honra e pela dignidade, que faz surgir a inveja, o ódio e finalmente a guerra.
O segundo argumento diz respeito ao fato de que “o homem só encontra felicidade na comparação com os outros homens, e só pode tirar prazer do que é eminente (pág. 143).”
Em terceiro lugar, ele diz que a disputa de ego entre os que se acham mais sábios que os demais para o exercício do poder público, leva à desordem.
O poder de alguns homens de convencimento dos demais para algo que na sua essência é mau, mas é apresentado de forma boa, semeia o descontentamento entre os homens e perturba a paz.
Portanto, para a manutenção do acordo vigente, é necessário um poder comum que tenha as suas ações guiadas para satisfazer o bem comum. Dessa forma, ele defende que a única maneira de conseguir-se esse bem comum é “conferir toda sua força e poder a um homem, ou a uma assembleia de homens, que possa reduzir suas diversas vontades, por pluralidade de votos, a uma só vontade. (pág. 144)”
É como se cada homem dissesse aos demais: “Cedo e transfiro o meu direito de governar-me a mim mesmo a este homem, ou a esta assembleia de homens, com a condição de transferires a ele teu direito, autorizando de maneira semelhante todas as suas ações.(pág. 144)”. Ações essas que seriam consideradas representativas de todos e praticadas por cada um. É, portanto esta a geração daquele grande Leviatã, ou Deus Mortal, ao qual deve-se a paz e a defesa.
O Estado para Hobbes nada mais é do que “Uma pessoa de cujos atos uma grande multidão, mediante pactos recíprocos uns com os outros, foi instituída por cada um como autora, de modo a ela poder usar a força e os recursos de todos , da maneira que considerar conveniente, para assegurar a paz e a defesa comum.(pág. 144)” O portador dessa pessoa é o soberano e os demais são os súditos. O poder do soberano pode ser conseguido de duas formas, uma delas é pela força natural e a outra é quando há consenso de submissão de todos os homens a um só.
Quando há o consentimento de todos submeterem-se a um só ou a uma assembleia dá-se o nome de Estado Político (Estado por Instituição) ou Estado por Aquisição.
Capítulo XVIII – Dos Direitos dos Soberanos por Instituição
Hobbes teve uma preocupação de diferenciar, no capítulo anterior, os tipos de Estado e neste capítulo há a definição de um deles, que é o Estado por Instituição. Assim “Diz-se que um Estado foi instituído quando uma multidão de homens concordam e pactuam, cada um com cada um dos outros, que a qualquer homem ou assembleia de homens a quem seja atribuído pela maioria o direito de representar a pessoa de todos eles (ou seja, de ser seu representante), todos sem exceção, tanto os que votaram a favor dele como os que votaram contra ele, deverão autorizar todos os atos e decisões desse homem ou assembleia de homens, tal como se fossem seus próprios atos ou decisões, a fim de viverem em paz uns com os outros e serem protegidos dos restantes homens.(pág. 145)”.
Dessa forma, o autor ainda deixa evidente neste capítulo que por consentir em renunciar da sua liberdade e poder a um soberano ou assembleia, os súditos, ou seja, cada indivíduo ainda é autor de tudo o que o soberano fizer. Neste capítulo também, Hobbes, cita a palavra propriedade e diz que é aquilo que o homem considera como bem e pode gozar sem ser molestado. Lembrando também que sem a instituição do Estado, não há propriedade e os indivíduos estão sujeitos a perderem aquilo que consideram como seu.
Por fim, Hobbes faz uma consideração extremamente relevante que diz respeito ao alcance do poder do soberano. Tendo em vista o que foi exposto até aqui, percebe-se que o poder do soberano é ilimitado e só se sobrepõe a ele, o poder Divino. 
Capítulo XIX – Das Diversas Espécies de Governo por Instituição, e da Sucessão do Poder Soberano
Para Hobbes, existem três espécies de governo e diferença entre essas espécies, consiste na diferença do soberano, ou pessoa representante de todos os membros da multidão. As três espécies são a Monarquia, a Aristocracia e a Democracia, há aqueles que ainda consideram como forma de governo, a Tirania, a Oligarquia e a Anarquia (essa última nem representa um governo constituído). Porém, as três últimas citadas, são apenas formas derivadas e detestadas das três primeiras maneiras de se governar.
“A diferença entre essas três espécies de governo não reside numa diferença de poder, mas numa diferença de conveniência, isto é, de capacidade para garantir a paz e a segurança do povo, fim para o qual foram instituídas.(pág. 154)”
Comparando-se a monarquia com a democracia e a aristocracia há de observar-se alguns aspectos. O primeiro deles é quanto ao beneficiamento da população, em que na monarquia, os súditos são os últimos a beneficiarem-se das decisões, que muitas vezes são pessoais e voltadas para que o súdito e seus familiares tenham vantagens. Já nas outras duas, as decisões são na maioria das vezes para aprazer o bem público.
A segunda é em relação aos conselhos que os soberanos recebem, em que na democracia e na aristocracia, apenas os que compõem o governo podem opinar. Já na monarquia, o soberano tem a liberdade de ouvir a quem ele quiser, assim, tem vários pontos de vista que podem ser levados em consideração antes de tomar uma decisão.
A terceira é quanto as resoluções que serão tomadas. Na monarquia elas podem ser guiadas pelas paixões do governante, mas só estão pautadas nesse quesito. Já nas outras duas formas de governo, as decisões variam quanto aos vícios e a quantidade dos que compõem a assembleia no momento em que será decidida alguma pauta.
A quarta é relativa à discordâncias que podem ocorrer nas decisões. Na monarquia não ocorre, porque o soberano, evidentemente, não pode discorde de si mesmo. Já na democracia ou aristocracia, as decisões estão condicionadas as diferenças de opiniões, o que pode gerar conflitos internos.
A quinta observação é quanto ao enriquecimento ou favorecimento dos súditos, em que na maioria das vezes é feita aos aduladores e familiares, seja na democracia ou nas demais formas.
A sexta questão trata da sucessão, que no caso da monarquia pode cair nas mãos de uma criança que não terá capacidade de decisão e precisará ser representada por um conselho ou assembleia, ou até mesmo, corre-se o risco de haver um tumulto por parte da população e a sociedade voltar ao estado de guerra sem um representante central.
Por fim, neste capítulo, Hobbes vai ressaltar quais são as formas possíveis de sucessão dos governantes e destaca as mais importantes. São mais relevantes para o autor a hereditariedade, a indicação e a eleição. Além de um governo ilimitado, é necessária uma eternidade artificial das formas de governo, sejam quais for.
Assim, ele ressalta que “Não existe uma forma perfeita de governo em que a decisão da sucessão não se encontre nas mãos do próprio soberano.(pág. 158)”
Na democracia não há como tratar as questões relativas à sucessão do governo. Já na aristocracia, quando um dos componentes morre, a eleição dá-se na própria assembleia. Já na monarquia, o soberano tem que deixar algum governante indicado para assumir após a sua morte, ou o governo será passado levando-se em conta a hereditariedade ou na pior das hipóteses, o governo pode dissolver-se na multidão e gerar o estado de guerra de todos contra todos.
Capítulo XXI – Da Liberdade dos Súditos
Hobbes entende liberdade como ausência de oposição aquilo que se deseja fazer. Ele considera como oposição, os impedimentos externos do movimento dos indivíduos e neste capítulo enumera quais são as liberdades que os súditos dispõem, dentre elas, serão ressaltadas as mais relevantes.
O autor define o homem livre como “aquele que, nas coisas que graças a sua força e engenho é capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer.(pág. 171)”. Porém ele destaca que o quando a coisa que deseja mover-se