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Fichamento - Thomas Hobbes de Mamesbury

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tem limitações próprias que não dependem do meio externo, não costuma-se dizer que há falta de liberdade.
Por livre-arbítrio entende-se: “não deparar com entraves ao fazer aquilo que tem vontade, desejo ou inclinação de fazer.” (pág. 172). Hobbes ainda diz que a liberdade é compatível com o medo e a necessidade, pois apesar de praticar, muitas vezes, ações condicionados pelo medo e pela necessidade, os indivíduos são livres para não praticá-las.
Dada a impossibilidade dos Estados de formularem leis civis que possam regular todas as ações e palavras dos homens, tudo aquilo que não foi considerado ilegal é passível de ser praticado pelo homem, ou seja, os indivíduos tem a liberdade de fazer, se a razão assim o sugerir como favorável a seu interesse.
Algumas liberdades são claramente evidenciadas como a liberdade de comprar e vender, de escolher a sua residência, alimentação e profissão e também instituir família com quem julgar melhor.
Uma das principais liberdades dos súditos é aquele em que ele goza de pura autonomia para defender-se quando sentir que sua vida está ameaçada, e não pode disso abster-se. Porém, o soberano ainda possui o poder de vida e morte de seus súditos e que isso é inquestionável, tendo em vista que o governante é escolhido pelo povo e representa os desejos do povo. Da mesma forma que o súdito fica isento de confessar um crime que não cometeu, pois estaria cometendo um atentado à sua vida.
Hobbes destaca que “Se um monarca renunciar à soberania, tanto para si mesmo como para seus herdeiros, os súditos voltam à absoluta liberdade da natureza.” (pág. 178). Ele ressalta também que “Se um monarca vencido na guerra se fizer súdito do vencedor seus súditos ficam livres da obrigação anterior, e passam a ter obrigação para com o vencedor.” (pág. 179)
Capítulo XXVI – Das Leis Civis
Hobbes tem primeiramente a preocupação de distinguir Lei e Lei Civil, sendo que toda Lei Civil é uma Lei mas nem toda Lei é uma Lei Civil. Para ele Lei é toda e qualquer ordem que é dada por quem se dirige a alguém já anteriormente obrigado a obedecer-lhe. Quanto as leis civis, são aquelas que os homens são obrigados a respeitar pelo fato de serem membros de um Estado, seja qual Estado for.
Todos os homens devem conhecer as leis civis de seu Estado, e a pessoa que ordena é persona civitais, ou seja, a pessoa do Estado. Hobbes define, portanto como Lei Civil: A lei civil é, para todo súdito , constituída por aquelas regras que o Estado lhe impõem, oralmente ou por escrito, ou por outro sinal suficiente de sua vontade, para usar como critério de distinção entre o bem e o mal, isto é, do que é contrário ou não é contrário à regra.”(pág. 207)
A lei só vale, portanto para aqueles a quem a ordem é dirigida, não havendo leis injustas e que não tenham sido feitas pelo Estado. Cabem, segundo Hobbes, algumas observações sobre as leis.
Em todos os Estados, o único legislador é o Soberano e ninguém pode revogar uma lei a não ser ele; o soberano não está sujeito as leis; um costume que toma caráter de lei não será lei a não ser que ela seja vontade do soberano expressa pelo silêncio que denota consentimento; as leis naturais e civis contêm-se uma a outra e tem a mesma extensão e “ a lei não foi trazida ao mundo para nada mais senão para limitar a liberdade natural dos indivíduos, de maneira tal que eles sejam impedidos de causar dano uns aos outros, e em vem disso se ajudem e unam contra o inimigo.” (pág. 209)
Hobbes continua este capítulo afirmando que as leis nunca devem ser contrárias a razão e que “Portanto o que faz a lei não é aquela juris prudentia, ou sabedoria dos juízes subordinados, mas a razão deste nosso homem artificial, o Estado, e suas ordens. E ele deixa claro que as leis não se aplicam portanto aos que dela não podem ter conhecimento, como os débeis naturais, às crianças e aos loucos, tal como não se aplicam aos animais. Não se aplicam as leis também àqueles que perderam a capacidade de reconhece-las.
Sobre as leis naturais ele ressalta que não necessitam estar escritas e não precisam ser proclamadas, pois estão contidas em uma sentença que é de consentimento geral: “ Não faças aos outros o que não consideras razoável que seja feito por outrem a ti mesmo.”(pág. 211)
Hobbes destaca que aqueles que exercem funções relevantes no Estado “têm a obrigação de fazer todos os esforços para se informarem de todas as leis escritas que podem ter relação com suas ações futuras” (pág. 213)
Quanto à interpretação das leis, Thomas Hobbes diz que todas elas necessitam ser interpretadas, e que “As coisas que fazem um bom juiz ou um bom intérprete da lei, são em primeiro lugar, uma correta compreensão daquela lei principal de natureza a que se chama equidade. A qual não depende da leitura das obras de outros homens, mas apenas da sanidade da própria razão e meditação natural de cada um, e portanto se deve presumir existir em maior grau nos que tem maior oportunidade e maior inclinação para sobre ela meditarem. Em segundo lugar, o desprezo pelas riquezas, desnecessárias e preferências. Em terceiro lugar, ser capaz, no julgamento, de despir-se de todo medo, raiva, ódio, amor e compaixão. Em quarto e último lugar, paciência para ouvir, atenção diligente ao ouvir e memória para reter, digerir e aplicar o que se ouviu.” (pág. 217 e 218)
Quanto a divisão das leis, são cabíveis algumas e as mais importantes delas são as que separam as leis em naturais e positivas e distinguem em fundamentais e não fundamentais.
As leis naturais são aquelas que podem ser consideradas também como leis morais e que sempre foram leis, desde a eternidade. Já as positivas, são as que foram criadas, ou seja, nem sempre existiram e foram concebidas pela vontade daqueles que eram portadores do dever soberano sobre os outros.
Quanto ao fundamento das leis, aquelas que são consideradas fundamentais, são as que se eliminadas originaram a dissolução ou destruição do Estado, já as não naturais, são justamente o contrário, ou seja, são aquelas que se revogadas, não acarretarão em destruição do Estado.
Capítulo XXVII – Dos Crimes, Desculpas e Atenuantes
Antes de começar a falar especificamente sobre os crimes, Hobbes faz uma distinção entre crime e pecado e define pecado como aquilo que não é apenas uma transgressão da lei, mas até mesmo a intenção ou propósito de transgredir, porque o propósito é a manifestação de certo grau de desprezo, por parte daquele que tem a intenção de transgredir para com aquele que tem a condição de manda-la executar. Conclui-se portanto que “um crime é um pecado que consiste em cometer (por feito ou por palavra) um ato que a lei proíbe, ou em omitir um ato que ela ordena. Assim todo crime é um pecado, mas nem todo pecado é um crime.” (pág. 223)
Hobbes cita algumas situações que não são consideradas como crime e diz que onde acaba a lei, acaba o crime também, porque onde não há lei, a não ser as leis naturais, não cabe nenhuma acusação, sendo cada homem o juiz do ato que cometeu.
As fontes de um crime podem ser três, e são ou algum defeito de entendimento, ou erro de raciocínio e por fim algo desencadeado pela força das paixões humanas. O defeito de entendimento é encarado como ignorância, o de raciocínio, como opinião errônea e a ignorância é a falta de conhecimento do seu soberano, das leis ou das penas. E as leis que são criadas após ter alguém cometido um ato, não podem ser aplicadas.
O autor enumera algumas das paixões que são as maiores causas do cometimento de crimes, e uma das principais é a vanglória. Outras paixões que podem desencadear um crime são o ódio, a ambição e a cobiça. E uma das formas de evitar-se o crime e conter-se as paixões é por meio do uso da razão ou da imposição de uma pena extremamente severa e que seja de conhecimento de todos.
Dentre as paixões existentes a que menos contribui para o crime é o medo e é a única que pode ser considerada como fator limitante e que faz os homens respeitarem a lei. 
As desculpas para a criminalidade que são aceitas são a falta de meios para conhecer-se