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Fichamento - Thomas Hobbes de Mamesbury

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as leis; quando um homem encontra-se em cativeiro; quando há falta de meios para ter ciência das normas em vigência; se alguém ver-se obrigado por temer a morte a praticar algum ato que caracterize crime, mas que seja feito em defesa da manutenção da vida; quando alguém encontra-se privado de alimentos e outras coisas essenciais a vida ou quando alguém é mandado fazer algo que seja considerado criminoso, por aquele que é o soberano.
“Os graus de crime distribuem-se em várias escalas, e são medidos, em primeiro lugar pela magnitude da fonte ou causa; em segundo lugar, pelo contágio do exemplo; em terceiro lugar, pelo prejuízo do efeito; e em quarto lugar pela concorrência de tempos, lugares e pessoas.” (pág. 230) Dentre essas características é que são avaliados os crimes, e será dado o valor, que deve ser ou não atenuado tal crime.
Capítulo XXVIII – Das penas e recompensas
Para o autor, “Uma pena é um dano infligido pela autoridade pública a quem fez ou omitiu o que pela mesma autoridade é considerado transgressão da lei a fim de que assim a vontade dos homens fique mais disposta a obediência” (pág. 235) E o único que tem o direito de punir é o Estado, ou seja, quem o representa.
A mais geral distribuição das penas é a que distingue as punições em divinas e humanas. Hobbes foca neste capítulo na definição das penas humanas. Para ele, são aquelas que são infligidas por ordem dos homens, o podem se dar de várias formas, que são as corporais, pecuniárias, a ignomínia, a prisão, o exílio, ou uma mistura entre essas.
As penas corporais, são castigos físicos ao corpo e a pena corporal capital é a morte. As pecuniárias são aquelas que visam multar e tomar do culpado, quantias em dinheiro e até mesmo propriedades. “ A ignomínia consiste em punir com um mal considerado desonroso dentro do Estado ou em privar de um bem considerado honroso dentro do mesmo.” (pág. 238)
Qualquer pena aplicada a um inocente é contrária à lei da natureza.
Para finalizar o capítulo Hobbes define recompensa como algo que “pode ser por dádiva ou por contrato. Quando é por contrato, chama-se salário ou ordenado, que é o benefício devido por serviços prestados ou prometidos. Quando é por dadiva, é um benefício proveniente da graça de quem o confere, a fim de estimular ou capacitar alguém para lhe prestar serviços.” (pág. 240)
Capítulo XXIX – Das coisas Que Enfraquecem ou Levam à Dissolução de Um estado
Hobbes compara as coisas que enfraquecem o Estado com as doenças que atingem os seres humanos e divide as enfermidades entre aquelas que tem origem nas instituições imperfeitas e outras que representam perigo maior e mais premente.
Entre as enfermidades do Estado estão: “Um homem, para obter um reino contenta-se muitas vezes com menos poder do que é necessário para a paz e defesa do Estado.” (pág. 123)
Por conseguinte existem as doenças que derivam do veneno: “Todo indivíduo particular é juiz das boas e mas ações” (pág. 244)
Uma outra doutrina inconcebível é a de que o detentor do poder soberano está sujeito as leis civis. O soberano está sujeito somente as leis naturais. E também relativa ao soberano, a ideia erroneamente concebida de que “todo indivíduo particular tem propriedade absoluta de seus bens, a ponto de excluir o direito do soberano.”, também é inconcebível a ideia de que o poder do soberano pode ser dividido.
Outras doenças mais prementes são a dificuldade de obter-se recursos para investir e manter o Estado, a leitura de obras de cunho político e histórico de antigos gregos e romanos. A própria popularidade do soberano é perigosa, assim como a grandeza não moderada das cidades e derrota numa guerra.
Capítulo XXX – Do Cargo do Soberano Representante
Por fim, neste capítulo, Hobbes vai dissertar sobre o cargo do soberano representante, seja ele o monarca um uma assembleia e formula que ele deve procurar conseguir o bem popular pela instrução e pelas leis vigentes. E o mais importante e fim último do soberano ou o “ objetivo no qual lhe foi confiado ao soberano poder, nomeadamente a obtenção da segurança do povo, ao qual está obrigado pela lei da natureza e do qual tem de prestar contas a Deus, o autor dessa lei, e a mais ninguém além dele.” (pág. 251) 
Postula que o soberano deve ser avesso a renunciar a qualquer direito essencial da soberania porque essa abdicação poderia originar a destruição do Estado. Deve-se fazer objeção baseada na incapacidade do entendimento do vulgo popular dos que dizem que não há princípios de razão para a soberania absoluta.
Defende que os súditos devem ser ensinados a não afetar as mudanças de governo; nem prestar adesão (contra o soberano) a homens populares que definem formas de governos diferentes em nações vizinhas, nem disputar contra o poder soberano vigente. Devem ter dias destinados à aprendizagem de seu dever, e honra do seu Estado. 
Devem ser evitadas as prática de injúrias, e fazer tudo sinceramente e de coração. Devem ser colocadas em prática o uso das Universidades, a igualdade dos impostos, a caridade pública, a prevenção da ociosidade. E “No que se refere às atribuições de um soberano para com o outro, que estão incluídas naquele direito que é comumente chamado direito das gentes, não preciso dizer aqui nada, porque o direito das gentes e a lei de natureza são uma e a mesma coisa.” (pág. 262)