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Roteiro de Estudo

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diferentes níveis da 
Instituição, análise de documentos e observação direta. Em antecipação de alguns resultados descobrimos que a 
Universidade desenvolve um processo de formação da estratégia integrada e confere à gestão do meio um papel 
importante estendeu por todo a organização. 
MARANHÃO & SARAIVA (ENSAIO: diálogos entre a estratégia e teoria do espaço social: uma proposta) 
A concepção racionalista é insuficiente para dar conta da dinâmica estratégica, já que os gestores das empresas 
nem sempre baseiam suas decisões na racionalidade. Neste ensaio, pretende-se situar a discussão sobre 
estratégia organizacional no campo social, assumindo-se que a estratégia é fruto da construção social da 
realidade porque a organização se ajusta (não se antecipa), de um lado, a fatores macro e micro ambientais, e, 
de outro, aos anseios dos seus dirigentes. Rompe-se a partir da teoria do espaço social de Pierre Bourdieu a 
visão de que o real é dado, ao se assumir que a construção estratégica é uma espécie de caleidoscópio, em que o 
indivíduo tem um papel ativo na compreensão da realidade, nela interferindo diretamente. Conclui-se que a 
forma como cada gestor analisa o ambiente depende do lugar que ocupa no espaço social, o que vai determinar 
que fatores considerar, avaliar e hierarquizar em uma análise ambiental e como define e implanta a estratégia. 
Pretende-se com esta proposta contribuir para o entendimento da estratégia como sendo socialmente construída 
a partir da junção de variáveis racionais e também simbólicas e culturais, ampliando a visão que se tem do 
processo estratégico e de seus desdobramentos na organização. 
 
IX – A estratégia como prática social 
SANTOS, SETTE & TURETA (A Estratégia Como Uma Prática Social: Em Busca do Que Seja “Fazer 
Estratégia”) 
O ensaio teórico que aqui se desenvolve tem como objetivo fundamental contribuir para a discussão sobre o 
conceito da estratégia nas organizações trazendo “à baila” aspectos da teoria das práticas sociais (Schatzki, 
1996, 2001; Reckwitz, 2002) que têm sido pouco explorados nos estudos organizacionais e podem ajudar na 
discussão sobre a relevância prática dos estudos “acadêmicos” em estratégia. Para tanto, são apresentadas e 
discutidos alguns dos pressupostos básicos sobre os quais tem sido construída a perspectiva da estratégia como 
prática (Whittington, 1996, 2002, 2003). Essa é uma abordagem que vem se consolidando e ganhando espaço 
na academia, principalmente europeia, desde que Whittington (1996) expôs a sua preocupação com o fato de 
que ainda sabemos muito pouco sobre as atividades executadas pelos estrategistas na sua rotina diária do fazer 
a estratégia. Sua preocupação fundamental está em desvendar a forma como a estratégia é feita, quem a faz, e o 
que essas pessoas utilizam para fazê-la. 
O objetivo do texto é contribuir para a discussão sobre o que é a estratégia, acrescentando as teorias das 
práticas sociais. Apresenta a estratégia como prática de Whittington, que se preocupava com o fazer 
estratégia, como os estrategistas traduziam a estratégia em atividades diárias, na rotina. Queria descobrir 
como a estratégia é feita, quem a faz e o que as pessoas utilizam para fazê-la. Porque é algo para se preocupar-
se? Muita pouca importância tem sido dada para a realidade em si. Concepções teóricas tem se tornado mais 
importantes do que a vida real. Pode-se notar desacordos ontológicos e epistemológicos que estabelecem 
dualidades teóricas/metodológicas (objetividade/subjetividade; estratégia deliberada/emergente; 
conteúdo/processo; pensamento/ação; formal/informal; cima pra baixo/baixo pra cima). Pode-se notar a dúvida 
quanto à relevância prática dos estudos acadêmicos. A estratégia como prática não tem a pretensão de resolver 
todos os problemas, mas possibilita avanços no debate. Percebe-se que, na prática, não encontramos cada um 
dos animais previstos por Mintzberg em O Safari da Estratégia, mas sim criaturas realmente estranhas. Os 
modelos teóricos são muito simplificados. ! Síndrome do Ornitorrinco (Vasconcelos, 2001). O que 
Whittington diz é que, quanto mais estudamos o dia-a-dia dos estrategistas enquanto praticam a 
estratégia, maior é a chance de entender o que é afinal a estratégia. Estratégia não é exclusiva das 
organizações. É prática (atividade) realizada pelas pessoas (Whittington admite sua própria incapacidade, pois 
não pode aconselhar ninguém quanto á prática da estratégia. Não sabe o que é fazer estratégia, mesmo que 
tenha estudado e ensinado. Ele diz que se precisasse de conselhos iria até os colegas que já viveram a 
experiência). 
Recuperando prática 
O que é prática? É o cotidiano, rotina diária, vida vivida. A teoria da prática social está dentro da teoria 
culturalista, mas não é a única. Há outros 4 tipos dentro das teorias culturalistas. A distinção entre as teorias 
culturalista e social clássica é importante para situar a teoria da prática social. Os outros tipos de teorias 
culturalistas (mentalismo, textualismo e intersubjetivismo) se diferenciam quanto à unidade de análise (mente, 
discurso e interações). A unidade de análise da teoria da prática social são as práticas. Uma prática é social 
quando se constitui como uma forma de compreender e se comportar realizado por diferentes 
corpos/mentes, que emerge de diferentes locais, em diferentes pontos no tempo. Ou seja, uma atividade 
(mental ou corporal) feitas por pessoas diversas, vindo de locais diversos em diversas ocasiões. Prática é a 
forma rotinizada no qual corpos são movimentados, objetos são manipulados, sujeitos interagem, coisas são 
descritas e o mundo é compreendido. É o ser do corpo, mais do que usar do corpo. Mais do que manipular 
objetos/ferramentas, práticas são atividades realizadas pelo corpo humano, incluindo atividades intelectuais 
como ler. Ainda mais que a execução de atividades corporais, inclui atividades mentais, como dar sentido às 
coisas, compreender, desejar, saber. Prática é corpo + mente + conhecimento. Tudo isso é social, não é 
específico de um indivíduo. Faz parte de uma prática social. Para nos engajarmos em uma prática precisamos 
executar simultaneamente o seu padrão pré-estabelecido, tanto de atividades corporais quanto mentais. Corpos, 
mentes e objetos são indispensáveis para a prática e, consequentemente, para o social. Os objetos, então, 
deixam de ser simples intermediários entre as relações sujeito/sujeito (recursos). São fundamentais na 
constituição do “espaço social”, fazem parte do espaço como práticas também (sujeito/objeto). As práticas 
sociais vão além do saber o que (knowing that), englobando o conhecimento de saber como (knowing how), de 
intencionalidade (querer/desejar/evitar) e de emotividade (sentir). Na prática, o conhecimento (forma de 
compreender o mundo) é fundamentalmente coletivo/compartilhado, e portanto, mais do que a soma dos 
individuais. Quando uma pessoa deixa uma prática, não leva o conhecimento, a forma de compreender o 
mundo, em sua plenitude. E se engajar em uma nova prática, deverá aprende-la novamente de acordo com as 
novas condições. A linguagem e as práticas discursivas são vistas como mais um tipo de prática, e só fazem 
sentido dentro do contexto da prática. Também contém padrões de atividades corporais e mentais rotinizadas e 
objetos intimamente interligados, através dos quais os participantes atribuem significados e compreendem o 
mundo, acima de tudo para fazer alguma coisa. Na rotina há espaço para mudanças, devido à variedade de 
interpretações dos indivíduos. O indivíduo é praticante, nem totalmente autônomo, nem totalmente submisso. 
São capazes de entender a si próprios e o mundo. A noção de praticante depende do engajamento em uma 
determinada prática e na medida que nos engajamos em diversas práticas diferentes ao mesmo tempo nossa 
condição de indivíduo existe. Somos um ponto onde convergem diversas atividades mentais e corporais. A