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Textos - Estratégia e Planejamento II

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e continuidade; seus inimigos são os desvios e o seu 
comprometimento” (Porter, 1996). O planejamento cria uma esfera 
ordenada, como um interior controlável, confrontado a um exterior mais 
ou menos caótico que constantemente ameaça sua sobrevivência 
 
7. Disparidade entre meios e fins 
O conceito implícito que forma o planejamento estratégico e lhe 
proporciona poder constrói-se basicamente sobre a ignorância da 
pluralidade e da contradição entre os objetivos que uma organização 
endereça. em vez de se refletirem os entrelaçamentos e a recriação 
mutuamente constitutiva de meios e fins, o que se faz é separá-los e, 
desse modo, simplificar suas complexas inter-relações. 
 
 
Whittington apresenta dois objetivo: tratar a estratégia como uma 
importante prática social, que exige uma séria análise sociológica; e 
transformar esse conhecimento em uma maneira de melhorar o modo 
como as estratégias são conduzidas. Assim, procura-se afastar a agenda 
estratégica das limitadas preocupações de uma ciência obscura. Os 
contornos-chave de pesquisa para o desenvolvimento de uma perspectiva 
em estratégica baseada na prática incluem os seguintes focos: poder, 
identidade profissional, agentes não humanos, ética, linguagens e 
instituições. 
 
Poder 
O poder é central para a vida organizacional e sedimenta o processo de 
criação de estratégia. 
Serão as organizações democráticas a ponto de perceberem e aplicarem o 
que James March (1988a) apresentou como “a tecnologia da insensatez”, 
em que as pessoas marginalizadas nas organizações – como os jovens, os 
recém-contratados ou as minorias, ou simplesmente pessoas com 
perspectivas diferentes – contribuem para o processo de criação de 
estratégias? 
A criação de estratégias requer uma alternância das elites; requer novas 
idéias e sangue novo, o que pode abrir caminho para novas elites, mesmo 
que as novas idéias não funcionem. 
 
Identidade Profissional 
É preciso saber como os estrategistas são feitos e do que são feitos. 
Levantamos a questão sobre a ligação existente entre os cânones do 
conhecimento estratégico, os locais em que são disseminados e 
aprendidos e as mudanças que sofrem quando utilizados. Até que ponto o 
conhecimento codificado e aprendido pode ser considerado como arcano 
ou performático? 
 
Atores não Humanos 
Devemos ter cuidado quando nos concentramos excessivamente na ação 
de estrategistas de sucesso, o risco, de qualquer forma, da dramatização 
excessiva do papel do indivíduo. 
As falhas mecânicas que derrubaram o avião que levava o ator cujo 
conselho teria feito a diferença? Os vírus que apagaram as estratégias do 
computador do estrategista? Os colapsos dos mercados que levaram tudo 
pelos ares? Uma forma de nos protegermos dessas tendências é 
reconhecermos a existência de atores não humanos que podem 
desempenhar importantes papéis no desenvolvimento de estratégias. 
 
Ética 
Ao considerarmos as noções contemporâneas do pensamento estratégico, 
a questão da ética permanece visivelmente silenciada. Enquanto a ética 
pode escrutinar o valor de um “fim”, a estratégia foca o uso correto de 
“meios” para alcançar o “fim” estrategicamente mais favorável – 
independentemente de suas implicações éticas 
Entender a ética enquanto uma prática social mais do que um código de 
condutas abstrato ou uma lista para verificação é reconhecer a criação de 
estratégias como uma atividade influenciada pela ética. 
 
Linguagem 
A linguagem da estratégia oferece um mapa para o futuro e a habilidade 
de se formularem problemas que ela mesma procura solucionar. A 
estratégia, portanto, possui a capacidade de criar problemas: ela não 
responde simplesmente aos problemas já existentes. 
É a linguagem da estratégia que define suas características 
contemporâneas. É ela quem determina as estratégias “aqui e agora” em 
comparação com o que foram antes 
 
Instituições 
A ampla difusão de for- mas particulares de pensamento, altamente 
estilizadas, e representativas de estratégias, ilustra claramente a prática 
de isomorfismo em grande escala. 
Ao mesmo tempo que a estratégia comunica uma mensagem particular 
aos principais stakeholders, pode estar desalinhada do que realmente 
ocorre nas organizações. 
 
O artigo contribui para um melhor entendimento da linha epistemológica 
da gestão estratégica contemporânea. Uma dívida para com Descartes foi 
caracterizada como resultante em sete falácias do planejamento 
estratégico. No lugar da ortodoxia estratégica, o artigo propõe seis áreas 
que vemos como fundamentais para o esforço de compreender a 
“estratégia como prática”. Essas áreas são: poder; identidade 
profissional; agentes não humanos; ética; linguagem; e instituições 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TSOUKAS, CHIA – 
Sobre o vir a ser organizacional: repensando a mudança organizacional: 
As abordagens tradicionais de mudança organizacional se baseiam em 
pressuposições dominantes tem privilegiado estabilidade, rotina e ordem. 
Como resultado, a mudança organizacional é retificada, tratada como algo 
mais excepcional do que natural 
Quais seriam os benefícios se a mudança organizacional fosse um objeto 
de estudo e uma (...) 
A menos que se mude a imagem da mudança como um processo 
contínuo, uma linha de interações, um fluxo de iniciativas, o que se opõe 
a uma série de eventos episódicos, será difícil superar os problemas de 
implementação de programas de mudança relatados na literatura. 
Criticam a ideia de a que a mudança são momentos de exceção da 
organização, na verdade, a organização é mudança; e os padrões são 
produções da mente para facilitar a compreensão. 
Problemas ontológicos estão na base dessa mudança. Seria o que a 
organização é, e como ela muda, a pergunta correta. A organização deve 
ser entendida como uma emergente propriedade de mudança. 
A pergunta não deve ser o que é a organização, mas sim, quando ela é; o 
momento é o que irá determinar a organização. 
 
Corrente nominalista: o mundo como o mundo é uma realidade sempre 
interpretada pelo meu olhar. Sempre vou trabalhar o mundo como eu 
vejo e o interpreto. 
 
O movimento historicamente é definido como a ocupação de pontos 
sucessivos do espaço em uma série sucessiva de instantes no tempo, o 
que falha em capturar o que é distintivo do movimento, ir de A para B. 
Nessa definição, o movimento é feito de uma série de imobilidades, pois 
um objeto ocupa uma posição agora, outra depois, e assim 
indefinidamente. 
A mudança sempre pressupõe estágios? De que forma isso se relaciona 
com a dinâmica da estratégia nas organizações? 
A noção de estratégia é dinâmica, a estratégia formalizada portanto não 
terá forças para lidar com as mudanças da organização. Trabalhe com a 
estratégia como dinâmica. 
 
De organização a organizing 
Giulia Berbel
(aula)
O modelo convencional de organização implica tipos de comportamentos 
em tipos de situações conectadas a tipos de atores, o que os leva a 
apresentarem um grupo de categorias cognitivas e uma tipologia de 
ações. Organizing consiste em reduzir as diferenças entre os atores, 
sendo o processo de gerar comportamentos correntes por meio de 
representações cognitivas institucionalizadas. “organização enquanto 
processo”, lidando com práticas ao invés de estrutura; a hierarquia é 
menos importante do que sua contribuição para o processo. É possível 
encontrar em diversas organizações cargos e posições que não 
contribuem para nada no processo. Enxergar a pirâmide hierárquica de 
cima, em que o importante é quem contribui para o processo, e não a 
hierarquia. Entretanto, é mais fácil pensar no controle do que na rapidez, 
por isso as organizações não são dessa maneira. 
Organizing implica generalização, isto é o processo de submeter 
categorias particulares a genéricas. E a estabilidade de significados 
dessas categorias é precariamente mantida. A organização é