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DIR. PROC. PENAL II

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Processo x Procedimento
Processo: remete à existência de uma pretensão acusatória deduzida em juízo, frente a um órgão jurisdicional, estabelecendo situações jurídico-processuais dinâmicas, que dão origem a expectativas, perspectivas, chances, cargas e liberação de cargas, pelas quais as partes atravessam rumo a uma sentença favorável (ou desfavorável, conforme o aproveitamento das chances e liberação ou não de cargas e assunção de riscos). No processo penal existem duas espécies: processo penal de conhecimento e processo penal de execução.
Procedimento: entende-se o lado formal da atuação judicial, o conjunto de normas reguladoras do processo ou ainda o caminho (iter) ou itinerário que percorrem a pretensão acusatória e a resistência defensiva, a fim de que obtenham a satisfação do órgão jurisdicional.
O processo penal admite distintas relações configuráveis entre os atos, fazendo com que o processo de conhecimento comporte diferentes ritos, em função da natureza do delito ou mesmo da pessoa envolvida (prerrogativa de função).
Ainda que todos os procedimentos iniciem com uma acusação e tenham como epílogo uma sentença, existem variações na ordem ou na forma dos atos que integram esse itinerário. A regra é que o procedimento tenha um efeito progressivo, sendo o regressivo uma EXCEÇÃO reservada para atender à necessidade de refazer o que foi feito com defeito, ou seja, repetição por defeito processual sanável.
Nexo genético -> o ato posterior depende da prática de um antecedente, de modo que da acusação depende todo o processo, o debate (oral ou escrito) é o necessário prelúdio da sentença e, principalmente, os vícios do ato antecedente passam aos conseguintes.
	No Código de Processo Penal encontramos os seguintes ritos/procedimentos:
Rito Comum:
1. Ordinário: crime cuja pena máxima cominada for igual ou superior a 04 anos e está disciplinado nos arts. 395 a 405 do CPP;
2. Sumário: crime cuja pena inferior cominada for inferior a 04 anos (e superior a 2, pois, se a pena máxima for inferior a 2 anos, segue-se o rito sumaríssimo) e está disciplinado nos arts. 531 a 538 do CPP.
3. Sumaríssimo: crime de menor potencial ofensivo (pena máxima igual ou inferior a 2 anos) está previsto no CPP, mas disciplinado na Lei nº 9.099/95. O rito sumaríssimo está disciplinado nos arts. 77 a 83 da Lei, além dos institutos da composição dos danos civis, transação penal e suspensão condicional do processo (arts. 74, 76 e 89 da Lei nº 9.099/95).
Rito Especial:
1. Dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos: arts. 513 a 518 CPP.
2. Dos crimes contra a honra: arts. 519 a 523 do CPP.
3. Dos crimes contra a propriedade imaterial: arts. 524 a 530-I e também Lei nº 9.279/96.
4. Rito dos crimes da competência do júri: arts. 406 a 497 do CPP.
Outros ritos especiais...
1. Crimes Falimentares: Lei nº 11.101.
2. Tóxicos: Lei nº 11.343.
3. Competência originária dos Tribunais: Lei nº 8.658/93, que remete para a Lei nº 8.038.
4. Abuso de Autoridade: Lei nº 4.898/65.
5. Crimes Eleitorais: Lei nº 4.737/65.
6. Lavagem de Dinheiro: Lei nº 9.613, segue o rito ordinário, mas existem algumas peculiaridades previstas na referida lei.
Alguns critérios orientadores...
Gravidade do crime: aqui foi adotada a quantidade de pena aplicada.
Natureza do delito: partindo da natureza do bem jurídico tutelado, estabelece o processo penal um rito especial para os crimes dolosos contra a vida (arts. 406 a 497); tóxicos (Lei nº 11.343); honra (arts. 519 a 523); crimes falimentares (Lei nº 11.101), entre outros.
Qualidade do agente: isso explica o rito especial para os crimes praticados por servidores públicos e também aquele desenhado pela Lei nº 8.038 para os que gozam de prerrogativa de função.
“Forma é garantia”, ou seja, os procedimentos são INDISPONÍVEIS e constituem uma verdadeira GARANTIA do réu.
Condições da Ação no Processo Penal
Art. 43 CPP (revogado)
- Fato narrado ter aparência de crime;
- Punibilidade concreta (não pode estar extinta a punibilidade);
- Legitimidade (ativa e passiva);
- Justa causa/Filtro (caráter fragmentário do direito penal – ultima ratio)
Caráter fragmentário: princípio da insignificância, conduta social, bem jurídico relevante.
Juiz recebe a denúncia, abre vista a defesa, abre prazo para resposta (art. 396-A).
A resposta a acusação é IMPRESCINDÍVEL.
“Art. 396-A § 2o Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias.”
Absolvição Sumária
Decisão de mérito que faz coisa julgada material e formal, art. 397 CPP. Causas TAXATIVAS, porém, o Juiz pode rejeitar a denúncia por justa causa após recebê-la.
“Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade;
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou
IV - extinta a punibilidade do agente.”
Se não absolver... CONTINUA o processo. O juiz deverá designar a audiência de instrução e julgamento.
Princípio da identidade física do juiz: art. 399, § 2º. Atualmente, é muito excepcionado.
“Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente.
§ 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.”
Audiência de Instrução e Julgamento
“Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado.”
1º Ofendido
2º Testemunha de Acusação
3º Testemunha de Defesa
4º Peritos/Acareações/Reconhecimento
5º Interrogatório
-> ESSA ORDEM NÃO PODE SER INVERTIDA <-
“Art. 212.  As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida.
Parágrafo único. Sobre os pontos não esclarecidos, o juiz poderá complementar a inquirição.”
Estrutura ACUSATÓRIA (de acordo com a CF) -> o juiz perdeu o protagonismo (a partir de 2008 o sistema deixa de ser inquisitório), passa a ter papel secundário, complementar (vide parágrafo único). As partes, então, assumem o protagonismo.
Se ausente o MP, o juiz NÃO pode assumir o papel acusatório.
Oitiva dos Peritos
“Art. 159, § 5o  Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia:
I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com  antecedência  mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar.”
“Art. 400, § 2o  Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio requerimento das partes.”
Testemunhas
Desistência (?) -> Não pode ser unilateral, deve estar sujeita ao contraditório. Considerando-se que as testemunhas são do processo (independente de por quem foram indicadas). 
“Art. 401, § 2o  A parte poderá desistir da inquirição de qualquer das testemunhas arroladas, ressalvado o disposto no art. 209 deste Código.”
Interrogatório
Ato pessoal do réu -> Defesa por excelência.
Defesa Pessoal Positiva: quando o réu fala.
Defesa Pessoal Negativa: silêncio. NÃO implica em condenação ou confissão (art. 186, p. único).
Diligências
“Art. 402.  Produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o assistente