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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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que estabelecer um condomínio que, além de ser difícil de administrar, não é, economicamente, vantajoso.
b) Se há formação de uma coisa nova é natural que a sua propriedade seja atribuída àquele dono da coisa anterior que for mais importante.
3.2.1.2.4. Natureza jurídica: Várias teorias.
a) Modo de adquirir:
O dono anterior da coisa acessória perde-a em favor daquele em que ela se incorporou. Crítica: Não observa a vontade do adquirente.
b) Faculdade inerente ao domínio:
Explica a cessão discreta, mas ignora a acessão contínua.
Não pode ser aplicada à acessão natural, porque a união de uma coisa a outra, sem a ação humana, não é exercício de domínio, diz Orlando Gomes.
c) Distingue a acessão contínua da discreta.
A acessão discreta está para o direito com vista ao domínio. A acessão contínua é modo de adquirir, por isso a verdadeira acessão.
d) Acessão como simples modificação.
É uma simples modificação do domínio, aumentando-o em volume ou valor. 
Essa alteração não pode ser faculdade de domínio nem modo de adquiri-lo.
Orlando Gomes sustenta que “a acessão há que ser entendida como um dos modos de aquisição do domínio”.
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3.2.1.2.5. Formas de acessão:
I – Formação de Ilhas(CC, art. 1.249).
a) Definição
É um dos casos de acessão, natural, de imóvel a imóvel.
As ilhas formadas nos rios pertencem aos proprietários ribeirinhos
b) Rios não navegáveis
Os rios não podem ser navegáveis, se forem, pertencem ao domínio público, e a ilha, então, é da pessoa de direito público (União, Estado, Município). 
No entanto, o TJRS reconheceu a propriedade particular de um imóvel localizado na Ilha das Flores, banhada pelo rio Guaíba, adquirida por usucapião, fundamentando-se no direito adquirido. Entendeu o Tribunal, em suma, que a posse é anterior a l895, quando o imóvel pertencia ao patrimônio privado, pois o ordenamento jurídico transferiu aos Estados o domínio sobre as ilhas fluviais, por força dos arts. 20, III, e 21, II, da Constituição de 1934; e arts. 4° e 5° da Constituição de 1967. 
APELAÇÃO CÍVEL. REEXAME NECESSÁRIO. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. IMÓVEL LOCALIZADO EM ILHA FLUVIAL.
Em tendo sido demonstrado que, apesar de o imóvel estar localizado em ilha fluvial, a posse é exercida por particulares desde, pelo menos, 1895, é possível a aquisição da propriedade pela usucapião. E isso porque a porção de terra já pertencia a patrimônio privado no momento em que o ordenamento jurídico transferiu o domínio das ilhas fluviais não pertencentes à União para o Estado. Circunstâncias da prova que revelam ser, o vínculo do autor com o imóvel, como se titular do domínio fosse, a caracterizar o animus domini. Posse mana, pacífica e ininterrupta por mais de 20 anos. 
APELAÇÃO DESPROVIDA. SENTENÇA MANTIDA EM REEXAME NECESSÁRIO.
(AC N° 70014662696. 20ª CC. TJRS. Rel. Dês. José Aquino Flores de Camargo J. 26/7/2006).
c) Ilha formada no meio do rio
A ilha formada no meio do rio pertence aos proprietários dos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha em que dividir o álveo em duas partes iguais.
d) Ilha formada entre a linha que divide o álveo e uma das margens
A ilha que se forma entre a linha que divide o álveo e uma das margens, pertence ao proprietário do terreno ribeirinho fronteiro do mesmo lado. Se for mais de um proprietário: Windscheid: A divisão é feita por uma linha perpendicular que vai do extremo das terras do proprietário até a linha central do rio. Denburg: a propriedade pertence ao dono do terreno ribeirinho que estiver mais próximo da ilha que se formou.
e) Ilha formada pelo desdobramento de um novo braço do rio
A ilha formada pelo desdobramento de um novo braço do rio não caracteriza acessão. O terreno ilhado continua a pertencer ao seu dono.
II – Aluvião (CC, art. 1.250).
a) Definição
É o acréscimo de terras que lentamente o rio deixa nos terrenos ribeirinhos, assim, como o que se forma pelo recuo das águas. O incremento se realiza sem que se perceba, não se sabendo a quem pertence as terras trazidas pela corrente, nem de onde se desprenderam. 
b) Espécies: própria e imprópria
b1) Aluvião própria
A aluvião própria caracteriza-se pelo acréscimo que se forma pelos depósitos ou aterros naturais nos terrenos marginais do rio.
b2) Aluvião imprópria
A aluvião imprópria é quando o acréscimo se forma por parte do álveo que se descobre em razão do afastamento das águas. Necessário que sejam águas correntes. 
Não se verifica aluvião imprópria em águas dormentes (lagos, lagoas, tanques, açudes, represas), porque nunca perdem seus limites (Orlando Gomes). Em sentido contrário, Caio Mário� e Carlos Roberto Gonçalves�. Contudo os argumentos de Caio Mário e Carlos Roberto Gonçalves não se impõem, já que a reprodução da regra pelo Código Civil parece totalmente desnecessária, porque, como afirma Orlando Gomes, em águas dormentes, a propriedade nunca perde seus limites. 
Não interessa que o rio seja público ou particular.
III – Avulsão (CC, art. 1.251).
a) Definição
É o desprendimento de uma porção de terras que se vai juntar ao terreno de outro proprietário, por força natural e violenta.
b) Opções do proprietário do terreno acrescido
A lei atribui ao proprietário do terreno acrescido o direito de optar entre concordar com a remoção da parte acrescida ou indenizar o dono do terreno do qual se destacou a porção de terra.
Se preferir indenizar, então, verifica-se a acessão por avulsão, caso contrário, não há acessão.
As terras desprendidas continuam a pertencer ao proprietário do terreno das quais elas se desprenderam.
É necessário que a porção de terra destacada seja considerável. Se insignificante, tem-se a aluvião. Se não se souber a origem, não pode ser reclamada.
Embora alguns entendam que há aluvião, trata-se de avulsão a superposição de terra.
c) Prazo para o proprietário diminuído reclamar
O prazo para o proprietário do terreno diminuído reclamar é de um (1) ano, conforme artigo 1.251, do Código Civil. 
A reclamação não se compara à reivindicação. O proprietário do terreno do qual se desprendeu a porção de terra não tem direito de reivindicar, pois o dono do terreno acrescido pode não concordar com a remoção, propondo-se a indenizar.
d) Situações em que ocorre avulsão e o requisito da aderência
A avulsão ocorre em duas situações. A uma, quando o proprietário do terreno acrescido indeniza o dono do terreno diminuído. A duas, quando ocorre a decadência.
Exige-se, para a avulsão, o requisito da aderência. Não há acessão quando a coisa acessória não se consolida à principal. Assim, não era no direito romano.
Na nossa legislação, só há avulsão quando houver aderência natural de uma porção de terra. Sem esse requisito, as coisas levadas por força natural violenta são consideradas perdidas, e o proprietário do terreno onde foram parar obriga-se a restituí-las ao legítimo dono, tendo, contudo, direito de ser indenizado pelas despesas de conservação. No Código Civil de 1916, havia previsão no artigo 543, que mandava aplicar o disposto quanto às coisas perdidas. O Novo Código Civil foi omisso a respeito. Maria Helena Diniz sugere que se aplique ao caso o artigo 1.234 do Novo Código Civil, que trata da restituição da coisa achada (Descoberta).
IV – Álveo abandonado (CC,art. 1.252).
- Álveo é a superfície que as águas cobrem sem transbordar para o solo natural e ordinariamente enxuto (artigo 9º do código das águas). 
- Ocorre quando o leito do rio é total e permanentemente abandonado. 
- Assemelha-se à aluvião imprópria. A diferença é que na aluvião imprópria, há apenas um desvio das águas, descobrindo parte do álveo. No álveo abandonado, todo o leito é descoberto de modo definitivo.
- Exige-se que a ação seja por forças naturais. Se a mudança for artificial, não ocorre acessão, porque