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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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parte). 
O construtor de má-fé é obrigado a demolir o que no terreno invadido construiu, respondendo, ainda, pelas perdas e danos em dobro (CC,art, 1.259, 2.ª parte).
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7.ª AULA - 10/04/2014
3.2.1.3. Aquisição da propriedade imóvel pelo (a) USUCAPIÃO
3.2.1.3.1. Definição genérica e generalidades
“É a aquisição do domínio pela posse prolongada”, segundo Clóvis Beviláqua (Rizzardo).
Contudo, como refere Caio Mário da Silva Pereira, não apenas o direito de propriedade é adquirido por usucapião, mas também outros direitos reais, embora não todos.
3.2.1.3.2. Histórico
No direito romano, regulado pela Lei das XII Tábuas, o usucapião abrangia tanto bens móveis quanto imóveis.
No início, o prazo era de um (1) ano, para bens móveis, e de dois (2) anos, para bens imóveis.
Mais tarde, esse prazo foi aumentado para dez (10) anos entre presentes e vinte (20) anos entre ausentes.
Era larga a abrangência dos bens que poderiam ser objeto de usucapião.
Mas sucessivas leis foram restringindo o campo de aplicação. Proibiu-se o usucapião de coisa furtada, tanto para o ladrão como para o receptador (Lei Atínia). 
Também, a proibição foi ampliada alcançando o usucapião de coisas obtidas mediante violência (Leis Júlia e Pláucia). 
Por fim, foi vedado o usucapião de servidões prediais (Lei Scribonia).
De início, o usucapião só poderia ser pleiteado por cidadão romano, mas depois o direito foi estendido ao peregrino.
Com Justiniano, foi desvendada a dupla face do usucapião, ou seja, a aquisitiva e a extintiva.
Essa dupla face é explicada por Washington de Barros Monteiro, citando Francisco Morato: “duas forças se fazem sentir na prescrição aquisitiva e na prescrição extintiva, a força geradora e a força extintora. Na prescrição aquisitiva, predomina a força que cria, na extintiva, a força que extermina; opera aquela criando o direito em favor de um novo titular e, por via oblíqua, extinguindo a ação, que para a defesa do direito tinha o titular antigo; na prescrição extintiva, a força extintora extermina a ação que tem o titular e, por via de conseqüência, elimina o direito pelo desaparecimento da tutela legal: na primeira, nasce o direito e, pelo nascimento do direito, fenece a ação; na segunda, fenece a ação e, pelo fenecimento da ação, desaparece o direito. Se a força geradora prepondera sobre a força extintora, temos a prescrição aquisitiva; se prepondera a força extintora sobre a força geradora, temos a prescrição extintiva. Salienta-se a primeira pela sua feição positiva, como modo de adquirir a propriedade pela posse prolongada; caracteriza-se a segunda pela sua feição negativa, pois consiste na perda da ação atribuída a um direito pelo não-uso dela durante certo lapso de tempo.”
Caio Mário refere-se ao usucapião, afirmando ser impróprio chamá-lo de prescrição aquisitiva�.
3.2.1.3.3. Aquisição originária ou derivada
Discute-se se o usucapião é modo originário ou derivado de aquisição da propriedade.
Washington de Barros Monteiro sustenta que se trata de modo originário de aquisição, já que, “para o usucapiente, a relação jurídica de que é titular surge como direito novo, independente da existência de qualquer vinculação com seu predecessor, que, se acaso existir, não será o transmitente da coisa”.
Neste sentido, Washington, referindo-se ao Nuovo Digesto Italiano, voc. “Prescrizione civile”, n.19, afirma: “O usucapiente torna-se proprietário não por alienação do proprietário precedente, mas em virtude da posse exercida. Uma propriedade desaparece e outra surge, porém, não se pode dizer que a propriedade se transmite”.
Caio Mário da Silva Pereira, em posição oposta, afirma tratar-se de modo derivado de aquisição da propriedade, pois, “considera-se originária a aquisição, quando o indivíduo, num dado momento, torna-se dono de uma coisa que jamais esteve sob o senhorio de outrem. Assim entendendo, não se pode atribuir ao usucapião esta qualificação, porque é modalidade aquisitiva que pressupõe a perda do domínio por outrem, em benefício do usucapiente. Levando, pois, em conta a circunstância de ser a aquisição por usucapião relacionada com outra pessoa que já era proprietária da mesma coisa, e que perde a titularidade da relação jurídica dominial em favor do adquirente, conclui-se ser ele uma forma de aquisição derivada”
Contudo, não se deve olvidar que o não exercício da posse por um determinado tempo, caracteriza o abandono, que é um dos fundamentos do usucapião, e a aquisição prescinde do ato de transmissão.
3.2.1.3.4. Pressupostos gerais
a) Posse (contínua, incontestada e com “animus domini”);
b) Tempo (pode haver acessão, a título singular e universal, ou seja, a soma da posse do antecessor); 
c) Boa-fé (que não seja adquirida de forma violenta, clandestina nem precária).
3.2.1.3.5. Coisas insuscetíveis de usucapião
Bens que se acham fora do comércio;
Bens públicos.
3.2.1.3.6. Espécies de usucapiões de bens imóveis
Usucapião extraordinário;
Usucapião ordinário
Usucapião especial rural
Usucapião especial urbano
Usucapião especial urbano contra cônjuge ou companheiro que abandonou o lar
Usucapião coletivo
Usucapião Indígena
* Há, ainda, o usucapião de coisas móveis que vai ser estudado no ponto “aquisição de bens móveis”.
3.2.1.3.6.1 - Usucapião extraordinário
	
I - Regulação: CC/16, art. 550; CC/02, art. 1.238, “caput” e § único
II - Requisitos: 
a) posse - pacífica, ininterrupta e com intenção de dono;
b) prazos: 
b1) 20 anos – prazo do Código Civil de 1.916. 
Aplica-se, ainda, por força do artigo 2.028 do novo Código, para os casos em que, na data da entrada em vigor do novo Código, já houver decorrido mais da metade do tempo de posse, ou seja, mais de 10 anos.. 
b2) 15 anos – É o novo prazo previsto pelo Código Civil de 2002. 
Aplica-se para os casos em que a posse é exercida a partir de 2003 
É de se indagar se esse prazo deve ser aplicado quando, na entrada em vigor do novo Código, não tenha, ainda, transcorrido mais da metade do tempo estabelecido no Código antigo, ou seja, mais de 10 anos. 	
O artigo 2.028, das disposições transitórias do novo Código, refere-se, expressamente, aos casos em que, na entrada em vigor do novo Código, já houver transcorrido mais da metade do prazo do Código antigo, mas nada fala se esse prazo, que já fluiu, for menos da metade. 
A doutrina até então vem se omitindo. 
Poucos autores se arriscam ao enfrentamento da questão. 
Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald sustentam a idéia de que se deva aplicar o Código novo, contados da sua entrada em vigor, acrescentando-se o tempo de posse exercido anteriormente, mas interrompendo-o quando alcançar o prazo de 20 anos previsto no Código revogado. 
Com efeito, o possuidor que contava com 09 anos de posse na data da entrada em vigor do novo Código, acrescentando-se o novo prazo – 15 anos - somaria 24 anos, o que não seria justo. 
Então, este prazo seria interrompido no momento em que alcançasse 20 anos.
Ilustrando: 15 anos + tempo anterior = até 20 anos 
Em sentido diverso, Marco Aurélio Bezerra de Melo, tratando-se de hipótese em que na data da entrada em vigor do novo Código, ainda não havia transcorrido a metade do prazo previsto no Código anterior, acena para o entendimento de que se aplica o prazo do Código Novo, aproveitando-se o tempo de posse já anteriormente exercido. 
Diz o autor: “Por outro lado, se uma pessoa tiver, na data em que entrou em vigor o Novo Código Civil (11/01/2003), nove anos de posse ad usucapionem, aplicar-se-á o prazo da lei nova e após seis anos ele será o proprietário do imóvel pela via originária da usucapião. 
Ilustrando: Tempo anterior + tempo atual = 15 anos 
A meu sentir, e assim venho me posicionando, o entendimento de Marco Aurélio Bezerra de Melo é o mais adequado. 
Logo, é meu entendimento, que deve ser aplicado o prazo de 15 anos,