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vegetais que se encontram em águas dominiais são de domínio público.
Em águas particulares, o pescador precisa de autorização, sob pena de perder a pesca em favor do proprietário e responder pelos danos causados.
Em águas particulares, cada proprietário ribeirinho tem direito a pescar até o meio delas.
É regulada pelo direito civil e pelo direito administrativo.
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Aquisição por sucessão hereditária
Também é uma forma de aquisição da propriedade.
O Código Civil de 1916, em seu artigo 530, inciso IV, previa expressamente a aquisição da propriedade imóvel (esqueceu-se da móvel) pelo direito hereditário.
O artigo 1.572, ainda, do Código Civil de 1916, previa: “Aberta a sucessão, o domínio e a posse da herança transmitem-se desde logo aos herdeiros legítimos e testamentários.
O Código Civil de 2002, em seu artigo 1.784, dispõe: “Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários”.
Assevera Arnaldo Rizzardo: “O só fato da abertura da sucessão determina a transmissão da herança, isto é, da totalidade do patrimônio do de cujus. Não se concretizará a transferência com o registro do formal de partilha. O herdeiro adquire a propriedade dos bens que lhe tocam na herança independentemente do registro, que apenas se faz presente ao final, quando a expedição do formal de partilha” .
Essa matéria vai ser estudada em Direito Civil VIII.
		
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3.3. PERDA DA PROPRIEDADE – CC, art. 1.275 
I - Considerações gerais
O Código Civil anterior (1916) tratava a perda da propriedade imóvel e móvel em seções diferentes. A imóvel, nos artigos 589-591, e a móvel, nos artigos 592-622).
O Código Civil de 2002 fez referências às formas de perda da propriedade, tanto para bens móveis quanto para bens imóveis, num só capítulo, nos artigos 1.275 e 1.276. O elenco é meramente exemplificativo.
II – Formas de perda da propriedade:
a) Pela alienação: 
Alienação é o ato de que se utiliza o titular do bem para transferir a sua propriedade a outra pessoa. 
Pode ser a título gratuito (doação) ou a título oneroso (compra e venda). 
Pode ser voluntária (dação em pagamento) ou compulsória (arrematação, desapropriação). 
A alienação, para transferir o domínio, tratando-se de bens imóveis, subordina-se à transcrição; se de bens móveis, à tradição.
b) Pela renúncia
Renúncia é ato unilateral, pelo qual o titular, expressamente, abre mão de seus direitos. Mas, sendo o bem imóvel, necessita de transcrição no registro de imóveis (CC, art. 1.275, § único).
O exemplo mais comum de renúncia é a herança (Rizzardo).
c) Pelo abandono
	“O titular apenas larga o que é seu, com intenção de não o ter mais em seu patrimônio”, diz Washington de Barros Monteiro. 
Exige-se dois pressupostos: a derrelição (=abandono) e o propósito de não ter mais o bem para si.
Se o imóvel abandonado for urbano, pode ser arrecadado, como bem vago (CPC,art.1.170-1.176), e passar, 03 anos depois, à propriedade do Município, se não se encontrar na posse de outrem (CC, art. 1.276, “caput””).
Se se tratar de imóvel rural abandonado, pode também ser arrecadado , como bem vago, e passar, da mesma forma, 03 anos depois, à propriedade da União. 
Pelo Código Civil de 1.916, o imóvel abandonado era arrecadado como bem vago e passava para o domínio do Estado e dos Territórios, onde se situava. E, tratando-se de imóvel localizado na zona urbana, o prazo era de 10 anos; em zona rural, três anos (CC, art. 589, § 2º, modificado pela Lei nº 6.969, de 10.12.81). 
* “Não se confunde abandono e renúncia. Nesta, o sujeito do direito manifesta expressamente sua vontade; naquele, o titular apenas larga o que é seu, com intenção de não o ter mais em seu patrimônio” (Washington).
d) Pelo perecimento 
	Se o bem perece, ou desaparece, extingue-se o direito por falta de objeto (CC/16, art. 77. sdc). 
	“O objeto perece quando perde as suas qualidades essenciais ou o seu valor econômico, quando se confunde com outro, de modo a tornar impossível a identificação ou quando fica em lugar de onde não pode ser retirado”, diz Marco Aurélio Bezerra de Melo.
	“As hipóteses de perecimento não são comuns. Em geral, ocorrem por força da natureza. Assim acontece com o incêndio de um prédio, com a inundação de uma área de terras, e com a devastação causada por um terremoto” (Rizzardo).
	
e) Pela desapropriação
	É uma espécie de intervenção do Estado na propriedade privada, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social (CF,art.5.º,XXIV).
f) Outras formas além das hipóteses do artigo do artigo 1.275 do Código Civil
Usucapião; acessão; casamento sob regime de comunhão universal de bens; sentença (reivindicatória); implemento da condição resolutiva; leis penais.
g) Hipótese dos parágrafos 4.º e 5.º do artigo 1.228, do Código Civil/02.
Parágrafo 4.º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos de considerável número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante.
Parágrafo 5.º No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário: pago o preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores.
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3.4 DIREITOS DE VIZINHANÇA
3.4.1 Introdução
O direito de propriedade não tem mais aquele caráter absoluto de outrora. Na observação de Caio Mário, “mais do que antes, o direito moderno, que concebe a noção jurídica da propriedade como essencialmente relativa, assegura ao dominus o exercício dos seus direitos em subordinação aos interesses coletivos”.
“Está ele sujeito, na atualidade, a numerosas limitações, impostas no interesse público e no interesse privado, inclusive nos princípios de justiça e do bem comum”, diz Washington de Barros Monteiro. 
Temos, por exemplo, limitações constitucionais, como a função social (CF,art.5.º,XXIII), a desapropriação (CF,art.5.º, XXIV), no caso de perigo iminente (CF, art. 5º,XXV), desapropriação, sem indenização de gleba onde se encontra culturas ilegais de plantas psicotrópicas (CF, art. 243), confisco de bens apreendidos, relacionados ao tráfico ilícito de drogas e afins (CF, art.243, § ún). Administrativas, como as referentes ao patrimônio histórico e artístico (Decreto-lei nº 25, de 30-11-37, em seu artigo 17, regula a coisa tombada, que não pode ser destruída, demolida, mutilada, nem pintadas ou restauradas, sem autorização); as previstas nos Códigos de Minas, Florestal, Caça e Pesca; as impostas por motivos estéticos, urbanísticos e higiênicos, (Decreto-lei nº 8.938, de 26-1-46, em seu artigo 29, que proíbe mocambos, palhoças, casas de taipa e congêneres, dentro das zonas urbanas, e, no seu artigo 36, exige que os terrenos baldios sejam fechados e mantidos limpos); as que dispõe sobre a zona de proteção de aeroportos, proibindo certas edificações, torres, chaminés, reservatórios, linhas de transmissão telegráficas ou telefônicas (Decreto-lei nº 7.917, de 30-8-45). De natureza militar, como as requisições de móveis e imóveis necessários às forças armadas e à defesa do povo (Decreto-lei nº 4.812, de 8-10-42, modificado pelo Decreto-lei nº 5.452, de 30-4-43). 
Destinadas à proteção da lavoura, do comércio e da indústria; decorrentes das leis eleitorais (Código Eleitoral - Lei nº 4.737, de 15.07.65 -, art. 135, § 3º, que dispõe sobre a requisição de propriedades particulares, de forma obrigatória e gratuita, para funcionamento das mesas receptoras de votos nos dias de eleição); de natureza penal (CP, art. 91, II, letras “a” e “b” , que prevê a perda pelo criminoso dos instrumentos do crime em favor da União); Da lei civil, entres as tantas, temos a do artigo 548 do Código Civil, que considera nula a doação de todos os bens,