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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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“A doutrina procura explicá-lo como uma propriedade periódica, propriedade sazonal, propriedade a tempo parcial ou a tempo repartido etc. Tudo leva a crer que se consagrará com o tempo o vocábulo inglês time sharing ou timeshare” (Venosa).
“A Grécia foi um dos primeiros países a regulamentar a multipropriedade por uma lei de l986, tratando-a como modalidade de locação (Venosa).
Na ausência de lei, a dificuldade, diz Sílvio Venosa, é conceituar a multipropriedade como direito real. 
Alguns sistemas tratam-na no campo do direito obrigacional. 
Contudo, na realidade, é um condomínio especial, onde os condôminos compartilham a mesma unidade habitacional em frações de tempo diversas. 
Todos os multiproprietários são condôminos, mas a exclusividade desse condomínio na unidade autônoma ocorre apenas no tempo fixado no contrato. 
Mas necessita-se de registro, e uma das soluções é registrar o empreendimento em nome de quem centraliza os contratos, denominado trustee, que é quem organiza a utilização periódica. 
Dessa forma, os multiusuários têm uma relação de direito obrigacional com o proprietário da coisa. 
“Outra solução é constar da escritura a aquisição por vários titulares de períodos de sete dias em cada ano, atribuindo-se a cada unidade cinqüenta e dois períodos compartilhados”. “Todos os adquirentes são comproprietários de fração ideal, não se identificando a unidade, a não ser no vínculo obrigacional. 
A administração fica a cargo de uma empresa
Mesmo que essa modalidade não seja regida por lei condominial, em muitas hipóteses, ela é aplicada analogicamente, como o rateio das despesas
Na multipropriedade, o titular tem direito de usar, gozar e dispor da coisa, mas com limitação condominial e temporal.
3.9. Shopping Centers
Têm características condominiais, quando cada unidade comercial é alienada a um titular. A convenção é o próprio contrato normativo do shopping.
Todavia, normalmente, o empreendedor mantém a propriedade de todo o imóvel para si, “dando as lojas em locação ou a outro título” (Venosa).
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3.10. PROPRIEDADE RESOLÚVEL – CC, arts. 1.359 – 1.360
3.10.1 Definição
A propriedade tem como princípio a duração ilimitada, ou seja, irrevogável. Porém, como exceção à regra, contrariando o princípio da irrevogabilidade, há situações em que a norma jurídica admite a temporariedade, subordinando sua duração a uma condição resolutiva ou termo final, já inseridos no próprio título constitutivo ou a uma causa superveniente.
Para Clóvis Beviláqua, propriedade resolúvel “é aquela que no próprio título de sua constituição encerra o princípio que a tem de extinguir, realizada a condição resolutória ou o termo extintivo, seja por força da declaração de vontade, seja por determinação da lei”.
3.10.2 Casos de propriedade resolúvel
3.10.2.1 Casos em que o elemento que põe termo à relação consta no próprio título constitutivo. Efeito ex tunc. CC, art. 1.359
a) Contrato de compra e venda com pacto de retrovenda – CC, art. 505.
Nessa modalidade, o vendedor se reserva o direito de recobrar a coisa alienada, dentro de determinado prazo (decadencial máximo de três anos, diz a lei), devolvendo o preço, acrescido das despesas experimentadas pelo comprador, inclusive as realizadas no período de resgate, com sua autorização, ou benfeitorias necessárias.
O comprador é o proprietário resolúvel. 
Com o resgate, o proprietário resolúvel é considerado como se nunca tivesse sido proprietário. O efeito é ex tunc, como prevê o próprio artigo 1.359.
Expirado o prazo, e não exercendo o vendedor o direito de resgate, o adquirente torna-se proprietário pleno.
b) Venda a contento – CC, art. 509
O contrato estipula que, se o comprador não se agradar, o negócio pode ser desfeito. A venda, aqui, é realizada sob condição suspensiva. 
Diz Orlando Gomes que “a venda a contento pode ser feita, pois, sob condição suspensiva ou resolutiva. Quando realizada no pressuposto de que não haverá venda se a coisa não agradar ao comprador, subordina-se a condição suspensiva. Efetuada, porém, sob a condição de que ficará desfeita se a coisa vendida não for do agrado do comprador, é sujeita à condição resolutiva. Somente neste caso, há que cogitar de propriedade resolúvel.”
c) Doação com cláusula de reversão – art. 547
“Pode o doador estipular que os bens doados voltem ao seu patrimônio, se sobreviver ao donatário. O evento determinante da revogação é a morte do doador. Não sobrevivendo ao donatário, a propriedade dos bens doados consolida-se no seu patrimônio” (Orlando Gomes).
d) Condômino de coisa indivisível que vende sua quota ideal a estranho, sem observar o direito de preferência – CC, art. 504
O condômino que deseja vender sua quota ideal de coisa comum indivisível, deve oferecer aos demais comunheiros. Não o fazendo, qualquer deles, no prazo de 180 dias, pode requerer a quota vendida, resolvendo-se, assim, a propriedade de quem adquiriu a coisa.
e) Fideicomisso – CC, art. 1.953
No fideicomisso, alguém (fideicomitente) deixa a outrem, legatário, (fiduciário) um imóvel, sob a condição de que, por sua morte, ou num tempo determinado, esse imóvel seja transferido a um terceiro (fideicomissário).
Ocorrendo o evento previsto, a propriedade do fiduciário é revogada, porque é transmitida ao fideicomissário.
Todavia, falecendo o fideicomissário antes de se implementar a condição resolutiva, a propriedade consolida-se com o fiduciário, passando a exercer o direito de proprietário plenamente.
f) Alienação fiduciária em garantia – CC, arts. 1.361 – 1.368
A propriedade fica vinculada a um negócio jurídico, para garantir o adimplemento da prestação.
O credor-fiduciário é o proprietário resolúvel. No momento em que o devedor-fiduciante quitar a dívida, o domínio da coisa resolve-se.
3.10.2.2 Casos em que a causa da resolução é superveniente – CC, art. 1.360
Nesse caso, a propriedade resolve-se por circunstância impossível de ser antevista.
O exemplo mais característico é a revogação da doação devido à ingratidão do donatário (CC, art. 557).
Tal revogação, no entanto, não prejudica direitos de terceiros (CC, art. 563). Assim, “a pessoa, em cujo favor se opera a resolução, terá ação contra aquele cujo domínio se resolveu para haver a coisa, se esta ainda continua em suas mãos. Mas terá apenas ação para haver o seu valor se a coisa houver sido alienada. O que é certo, entretanto – repito -, é que falta legitimidade àquele para reivindicar a coisa de adquirente de boa-fé” (Silvio Rodrigues).
O efeito da revogação é, pois, ex nunc. 
Vide: 
- Apelação Cível n. 2001.008202-0, da Capial – 1ª CC – TJSC – Rel. Des. Orli Rodrigues – J. 4/9/2001.
- Apelação Cível n. 70021749353 – 20ª CC/TJRS – Rel. Dês. Ruben Duarte. J. 6/8/08. 
- Apelação Cível n. 70003561552 – 18ª CC/TJRS – Rel. Dês. Cláudio Augusto Rosa Lopes Nunes – J.  16/10/2003.
11.ª AULA – 22/05/2014
3.11 PROPRIEDADE INTELECTUAL
3.11.1. Introdução 
A propriedade intelectual compreende a propriedade literária, artística ou científica, que compõem o direito autoral, e a propriedade industrial, que congrega a invenção, o modelo de utilidade, o desenho industrial e a marca, protegida pelo direito industrial.
Como diz Arnaldo Rizzardo, “a propriedade intelectual é o gênero, do qual aparecem como espécies o direito de autor e o direito industrial”.
“Tanto a propriedade literária, artística ou científica, como a propriedade industrial, emanam da produção do espírito, ou da inteligência e do engenho humano” (Rizzardo).
A propriedade literária, artística ou científica, ou direito autoral, e a propriedade industrial, ou direito industrial, distinguem-se na utilidade. Enquanto o a propriedade literária, artística ou científica tem um fim estético em si, a propriedade industrial tem uma utilidade técnica. (Rizzardo).
A propriedade industrial está regulada