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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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quando aluga uma casa.
Dispor é o poder que o possuidor tem de transmitir por venda, doação, permuta, dação, etc., o bem; gravá-lo, modificá-lo, transformá-lo, destruí-lo. É próprio de quem seja o proprietário.
2.2. Origem.
Duas teorias:
2.2.1. Teoria de Niebuhr, adotada por Frederich Karl Von Savigny: 
Surgiu da repartição de terras conquistadas pelos romanos. 
Essas terras eram loteadas. 
Parte desses lotes, denominados possessiones, era distribuída aos cidadãos romanos, a título precário. 
A outra parte era destinada à construção de novas cidades. 
Não sendo os que recebiam essas terras proprietários, não podiam eles manejar a ação reivindicatória contra invasões. 
Em conseqüência, surgiu o interdito possessório, para proteger o estado de fato, ou seja, a posse.
2.2.2. Teoria de Rudolph von Jhering:
A posse é explicada a partir das medidas arbitrárias tomadas pelo pretor. 
Na fase inicial da reivindicatória, era outorgada a uma das partes a guarda ou a detenção da coisa. 
Essa situação provisória acabava por se consolidar, ante a inércia das partes, pois aquele que recebia o bem objeto do litígio perdia o interesse na ação. Com o tempo, passou-se a usar um critério mais justo, beneficiando aquele litigante que apresentasse melhor prova. 
Com mais razão, aumentava o desinteresse das partes, a beneficiada porque já estava com o bem, a antagonista porque já antevia o malogro da pretensão. Esse procedimento preliminar foi ganhando caráter de mérito, passando a um processo declaratório do estado de fato existente, com o fito não só de garanti-lo, mas, também, de defendê-lo. 
2.3. Detenção.
Artigos 1.198 e 1.208, do Código Civil - Casos em que a posse não se configura. 
Alguém conserva a posse em nome de outro, de quem se acha em relação de dependência e sob suas ordens. 
É o chamado fâmulo da posse, ou servidor da posse. 
“São todos aqueles que estão unidos a um possuidor por um vínculo de subordinação, oriundo de relação de direito privado, como de direito público, pouco importando, ...”(Orlando Gomes).
São exemplos “os empregados em geral, os diretores de empresa, os bibliotecários, os viajantes em relação aos mostruários, o menores quando usam coisas próprias, o soldado, o detento” (Orlando Gomes).
Também, não induzem posse os atos de mera permissão, tolerância, indulgência, bem como, não autorizam sua aquisição os atos violentos ou clandestinos, antes de cessadas a violência e a clandestinidade (CC, art. 1.208).. Ex.: permissão para que o vizinho passe pelo jardim da outra casa,; o fazendeiro que permite a outro limítrofe que passe por sua propriedade, fazendo um atalho.
Vide:
- AC N° 70004519450 – 19ª CC – TJRS – Rel. Dr. Antonio Vinicius Amaro da Silveira – J. 22/2/2005. Trata de um imóvel público, onde há detenção e não posse;
- REsp N° 635.980 – Rel. Min. José Delgado – J. 03/8/2004. Trata de um pedido de manutenção de posse, referente a um Camping. Entendeu-se que a ocupação era precária, e não se reconheceu nem direito à retenção por benfeitorias.
2.4. Natureza jurídica. 
Há divergência doutrinária que vem desde o direito romano.
Há três correntes:
- a posse é um fato.
- a posse é um direito.
- a posse é, simultaneamente, um fato e um direito.
- A posse é um fato
A posse é um fato, “uma vez que não tem autonomia, não tem valor jurídico próprio. O fato possessório não está subordinado aos princípios que regulam a relação jurídica no seu nascimento” (Gonçalves). São partidários: Windscheid, Pacificci-Mazzoni, Bonfante, Dernrburg, Trabucchi, Cujacius, Planiol, Arnoldo Wald, Silvio Rodrigues.
- A posse é um direito real
É defendida por Jhering. Para ele, direitos são interesses juridicamente protegidos, e a posse, consistindo num interesse juridicamente protegido, é direito, no caso, um direito real. 
São seguidores: Gans, Puchta e Beckker, na Alemanha; na França, Laurent; na Itália, Chironi, Filomusi-Guelfi, Ferrara; na Argentina, Salvat, Ovejero, Lafaile; no Brasil, Orlando Gomes, Caio Mário, Melhim Namem Chalhub, Serpa Lopes, Maria Helena Diniz).
A posse guardaria todas as características dos direitos reais: oponibilidade erga omnes, indeterminação do sujeito passivo, incidência em objeto obrigatoriamente determinado.
- A posse é, simultaneamente, um fato e um direito pessoal
Para Savigny, a posse é, ao mesmo tempo, fato e direito. 
Se considerada em si mesma é fato, mas se vista com relação aos efeitos que gera, como usucapião e interditos, é direito. Neste caso, direito pessoal, porque, para essa corrente, os interditos possessórios pertencem à teoria das obrigações. São seguidores: Marlin, Namur, Domat, Ribas, Lafayette, Pothier, 
* Clóvis Beviláqua, seguido por Carlos Roberto Gonçalves, afirma que a posse não é um direito real, mas direito especial.
* Paulo Nader afirma que “a posse, à luz do Direito pátrio, não configura direito real, mas pessoal, pois não incluída no elenco dos direitos reais, estabelecido no art. 1.225 .
2.5. Objeto da posse. 
Bens corpóreos e incorpóreos. 
Há doutrinadores que afastam do objeto da posse as propriedades literária, artística e científica.
O bem acessório, quando parte integrante da coisa principal, também, não pode ser objeto de posse, diz Maria Helena Diniz.
Alguns autores aceitam a posse dos direitos reais de fruição: uso, usufruto, habitação e servidões, discrepando quanto à enfiteuse, e dos direitos reais de garantia, penhor e anticrese, com exceção da hipoteca. 
Discute-se se pode haver posse de direitos pessoais. Aqueles que entendem ser a posse um fato, repelem a idéia de que os direitos pessoais possam ser seu objeto. 
Mas os seguidores de Ihering, como corolário lógico de que a posse é o exercício de um direito, aceitam-na. 
No entanto, alerta Orlando Gomes, que não pode ser a posse de qualquer direito pessoal. Exige-se que esse direito pessoal, para que seja objeto da posse, tenha conteúdo patrimonial, pois o que Jhering afirmou “foi que a posse é a exterioridade da propriedade; a condição de utilização econômica desse direito”. 
Nesse sentido, Orlando Gomes, que a razão está com Vicente Rao, quando ensina que os únicos direitos suscetíveis de posse são: a) o domínio; b) os direitos reais que do domínio se desmembram e subsistem como entidades distintas e independentes; c) os demais direitos que, fazendo parte do patrimônio da pessoa, podem ser reduzidos a valor pecuniário. 
A questão adquire interesse, no caso, quando se busca proteger o direito relativo ao exercício da função pública, mas perde a razão de ser quando existem outros remédios processuais, como o mandado de segurança. Contudo, há casos não abrigados pelo mandado de segurança, hipóteses em que, a princípio, caberia a proteção possessória.
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2.6. Classificação da posse 
2.6.1. Quanto à extensão da garantia: posse direta e posse indireta ou posses parelalas – CC/02, arts. 1.196, 1.197 
1.6.1.1. Posse direta
É a que tem o não-proprietário, a quem cabe o exercício de uma das faculdades do domínio, por força de obrigação, ou direito (Orlando Gomes). 
São possuidores diretos o usufrutuário, o usuário, o titular do direito real de habitação, o credor pignoratício, o enfiteuta, o promitente-comprador, o locatário, o comodatário, o depositário, o empreiteiro, o construtor, o inventariante, o ocupante do terreno do domínio do Estado, que paga taxa de ocupação, o transportador, o tutor, o curador, o titular do direito de retenção, o administrador de sociedade.
2.6.1.2. Posse indireta
É a posse que conserva o proprietário quando se demite, temporariamente, de um dos direitos elementares do domínio, cedendo a outro seu exercício. (Orlando Gomes). Ex.:o nu proprietário, o locador, o comodante
Coexistência das posses direta e indireta (Rizzardo)
A posse direta e a indireta coexistem. 
A posse indireta não subsiste sem a direta. 
Mas