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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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constitutivo deve constar o montante da dívida, o prazo para o pagamento, os juros e todos os dados necessário para a identificação da coisa. 
h) Outorga uxória e anuência do credor hipotecário
Não requer outorga uxória (Lei n.º 492/37, art. 11. § ún).
Também, para a formação do penhor, dispensa-se a anuência do credor hipotecário, se o imóvel estiver assim gravado (CC, art. 1.440).
A violação do artigo 12 da Lei referida, configura crime de defraudação do penhor, previsto no art. 171, § 2.º, III, do Código Penal.
i) Venda de animal empenhado
Só com o consentimento do credor (CC, art. 1.445).
Caso o devedor pretenda alienar o gado empenhado ou, de forma negligente, ameace prejudicar o credor, este pode requerer que os animais fiquem depositados sob a guarda de terceiro, ou exigir o pagamento imediato do débito (CC, art. 1445, § ún).
Os animais adquiridos para substituir os mortos ficarão sub-rogados no penhor, mas a substituição só valerá contra terceiros, se houver menção adicional ao contrato de penhor, averbada na respectiva inscrição (CC, art. 1.446 e § ún).
j) Prazo 
Para o penhor agrícola, não pode ser superior a 03 anos, prorrogáveis por mais 03 anos (CC, art. 1.439).
Tratando-se de financiamento para cultivo de café o prazo máximo é de 04 anos (Lei n.º 1.095/53, art. 6.º).
Para o penhor pecuário, o Decreto-lei n.º 167/67, arts. 61 e 62, e o Código Civil, art. 1.439, prevêem prazo de 04 anos, prorrogáveis por mais 04. 
Embora vencidos os prazos, as garantias subsistem enquanto subsistir a coisa empenhada.
k) Da cédula rural pignoratícia 
Prometendo pagar o débito em dinheiro, o devedor poderá emitir, em favor do credor, cédula rural pignoratícia (CC, art. 1.438, § ún).
Esta cédula é transferível por endosso (Lei n.º 492/37, art. 16).
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4.3.1.1.3 - Penhor industrial – CC, art. 1.447
Recai sobre “máquinas, aparelhos materiais, instrumentos, instalados e em funcionamento, com os acessórios ou sem eles; animais utilizados na indústria; sal e bens destinados à exploração das salinas; produtos de suinocultura; animais usados na industrialização de carnes e derivados; matérias-primas e produtos industrializados.”
Dispensa a tradição.
Constituído por instrumento público ou particular, que deve ser registrado no Registro de Imóveis (CC, art. 1.448)
4.3.1.1.4 - Penhor mercantil
Distingue-se do penhor civil, apenas, pelas natureza da obrigação, já que neste é comercial.
Apresenta as seguintes características:
- recai sobre coisa móvel, logo, não pode recair sobre estabelecimento comercial, que é imóvel, e marcas de fábrica, que são impenhoráveis, mas podendo sobre mercadorias, produtos, máquinas, etc.;
- não requer tradição;
- é acessório;
- é indivisível;
- constituído por instrumento público ou particular;
- deve ser registrado no Registro de Imóveis (CC, art. 1.448, Maria Helena Diniz);
- emissão de cédula de crédito mercantil, se o devedor prometer pagar em dinheiro;
- para alteração do bem empenhado, mudança de sua situação, alienação (caso em que deverá ser substituído), exige-se o consentimento por escrito do credor (art. 1.449);
- o credor tem o direito de inspecionar a coisa gravada, pessoalmente ou por pessoa credenciada (art. 1.450).
Vide:
REsp N° 20.002-0 – RJ – 4ª Turma – STJ – Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira. Penhor sobre matéria prima – Leite em pó.
AI N° 70015313778 – 17ªCC – TJRS – Rel. Des. Alexandre Mussoi Moreira – J. 14/9/2006.
4.3.1.1.5 - Penhor de direitos – CC. art. 1.452
Ao lado dos bens móveis corpóreos, podem ser gravados os bens incorpóreos. 
São objetos de penhor de direitos:
- as ações das sociedades anônimas (Lei n.º 6.404/76, art. 39);
- as ações das companhias de seguros (Dec.-lei n.º 2.063/40, art. 13);
- as ações das companhias aeronáuticas (Dec.-lei n.º 32/66);
- as ações ou quotas de bancos de depósitos (Dec.-lei n.º 3.182/41);
- as patentes de invenções;
- direitos autorais
É constituído por instrumento público ou particular.
Deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos (CC, art. 1452).
O direito recai sobre crédito ordinário.
No caso, os direitos obrigacionais são tidos como móveis, e a transferência do direito se opera com a notificação do devedor do crédito empenhado.
Se o crédito for objeto de vários penhores, observar-se-á o direito de preferência.
4.3.1.1.6 - Penhor de títulos de crédito – CC, arts. 1.458-1.460
A lei anterior utilizava o vocábulo “caução”, porque se trata de crédito de bens incorpóreos.
O objeto do penhor de título de crédito é o próprio título, materializa-se no documento. Assim, o objeto é o título e não o respectivo direito (Maria Helena Diniz).
É constituído por instrumento público ou particular.
Produz efeito após a tradição do título ao credor (art. 1.458).
Incide tanto sobre títulos da dívida pública como sobre títulos de créditos particulares.
Recaindo sobre títulos da dívida pública, exige-se o registro no Registro de Títulos e Documentos (Lei n. 6.015/73, art.127, III), ainda que não tenham sido entregues ao credor; recaindo sobre títulos de crédito pessoal, a tradição é imprescindível, devendo o contrato instituidor ser registrado, também, no Registro de Títulos e Documentos (CC, art. 1458).
4.3.1.1.7 - Penhor de veículos – CC, arts. 1.461 – 1.466
Podem ser objeto de penhor veículos empregados de qualquer espécie de transporte ou condução por via terrestre. 
O prazo é de 02 anos prorrogáveis por mais 02 anos (art. 1.466).
Constitui-se por instrumento público ou particular.
Deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do devedor e anotada a restrição no DETRAN (art. 1.466)
O devedor poderá emitir cédula de crédito, se prometer pagar em dinheiro.
Exige-se que o veículo esteja segurado contra furto, danos, etc. (art. 1.463).
O credor tem direito de inspecionar o veículo (art. 1.464).
A alteração ou alienação do veículo importa em vencimento antecipado do crédito (art. 1.465).
4.3.1.1.8 - Penhor legal - CC, art. 1.467
a) Definição
É aquele que decorre da própria lei. 
Como já dito, é a própria norma jurídica que constitui o penhor, objetivando proteger determinados credores, dando-lhes o direito de tomar certos bens como garantia, até a obtenção do pagamento.
b) Exemplos:
- Dos hospedeiros ou fornecedores de pousadas ou alimentos, sobre as bagagens, móveis, jóias, dinheiro, dos clientes;
- Dos donos de prédios rústicos ou urbanos, sobre os móveis que os rendeiros ou inquilinos tiverem no prédio, pelas rendas e alugueres (CC, arts. 1.467, I e II).
c) Com relação aos hospedeiros e fornecedores de pousadas ou alimentos.
- A lei autoriza o credor a apreender as bagagens dos hóspedes que deixaram de pagar a hospedagem, até o valor da dívida, antes de recorrer à autoridade judiciária, se houver perigo na demora.
- Em seguida, deve pedir ao Juiz a homologação do penhor, dirigindo-lhe petição devidamente instruída com a conta, a tabela de preços e a relação dos objetos retidos.
“OBRIGAÇÃO DE FAZER – HOTEL – PENHOR LEGAL – NECESSIDADE DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. 
I – O penhor legal constitui medida excepcional, desde que demonstrada a possibilidade do hóspede se retirar das dependências da hospedaria sem pagar as despesas efetuadas, verificando-se o perito da demora, sendo lícito ao credor reter seus bens, observadas as disposições legais.
II – A medida não pode perdurar indefinidamente e depende de homologação judicial.
III – Recurso conhecido e não provido. Decisão unânime.
(Nº PROCESSO: 2004011085463-5 – 5ª CC – DF – Rel. Des. Haydevalda Sampaio – J. 07/04/2005).
APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE – PENHOR LEGAL - ESBULHO CARACTERIZADO – AÇÃO DE HOMOLOGAÇÃO NÃO AJUIZADA - REQUISITOS DO ART. 780 DO