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CÓDIGO CIVIL DE 1916 NÃO PREENCHIDOS – SENTENÇA REFORMADA – RECUSO PROVIDO.
A retenção dos bens que guarnecem o imóvel locado, com supedâneo no art. 776 do Código Civil de 1916, deve ser seguida do ingresso de ação homologatória,conforme disciplina o art. 780 do referido diploma legal. 
A inércia do locador torna a posse abusiva e ilegal, dando azo ao manejo da ação possessória.
(AC N° 2001.022407-0 – 3ª CC – TJSC – Rel. Dês. Wilson Augusto do Nascimento – J. 15/9/2006).
POSSE E PROPRIEDADE DE BENS MÓVEIS. ÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO.
Retenção, pelo hospedeiro, de bens de propriedade do hóspede, em garantia do pagamento das despesas efetuadas por este último.
O artigo 776 – I, do CC, confere ao hospedeiro a condição de credor pignoratício sobre os bens do hóspede, eu estejam nas suas dependências, para garantir as despesas de hospedagem e alimentação, até o valor da dívida e permitindo-lhe fazer efetivo o penhora, mesmo antes de recorrer à autoridade judiciária.
AGRAVO IMPROVID, POR MAIORIA.
(AI N° 70001934876 – 13ªCC – TJRS – Rel. Dês. José Antônio Cidade Pitrez – J.25/6/2002)
- CPC, arts. 874 a 876.
- A cobrança do débito deve ser feita no prazo de 1 (hum) ano, sob pena de prescrição (CC, art. 206, § 1.º, I).
d) Com relação aos donos de prédios rústicos ou urbanos
Tem o senhorio, ou o credor de alugueres, o direito de reter os bens que guarnecem o prédio. Feito o penhor, da mesma forma, terá que requerer a homologação pelo Juiz.
e) Os artistas e auxiliares teatrais podem reter o material cênico da empresa teatral, pelo preço de seus salários, se ela não os pagou (Lei n.º 6.533, art. 31).
f) O Decreto-lei n.º 4.191, de 18/03/1942, estabeleceu que o penhor industrial não tem preferência sobre o penhor legal. 
4.3.1.2 - Extinção do penhor – CC, art. 1.436
O penhor se extingue com:
a) Extinção da dívida, já que é um direito acessório.
b) Perecimento do bem empenhado, pois, no caso, o penhor se extingue por falta de objeto.
c) Renúncia do credor, já que, sendo capaz, pode abrir mão do seu direito real.
d) Adjudicação judicial ou a venda da coisa empenhada feita pelo credor ou por ele autorizada (CC, art. 1.436, V; Lei de Falências, art. 22, III, m). 
A adjudicação, prevista no artigo 714, e a remição, no artigo 787, ambos do CPC, sofreram grandes modificações. Esses artigos foram revogados pela Lei n° 11.382/2006, que alterou o processo de execução. A remição, que dava ao cônjuge, aos ascendentes e descendentes o direito de adquirir o bem penhorado, foi extinta. Também o foi a adjudicação do artigo 714, instituto que recebeu profundas alterações. Agora, a adjudicação está prevista no artigo 685-A, com redação nova dada pela Lei n° 11.382/2006. É feita depois da avaliação. Podem adjudicar o exeqüente, o credor com garantia real, outros credores que também tenham penhora sobre o mesmo bem, o cônjuge, descendente e ascendente. Estes três últimos são os antigos legitimados para a remição, que foi revogada, sendo que agora eles participam, com preferência, da adjudicação. A remissão (correto é remição) que consta no inciso V do artigo 1.436 do Código Civil, está em desacordo com a nova execução, porque desapareceu. Os manuais editados até 2007 não estão atualizados.
Antigo texto: Adjudicação judicial, remição (feita pelo cônjuge, descendente ou ascendente do devedor – CPC, art. 787) ou a venda da coisa empenhada feita pelo credor ou por ele autorizada (CC, art. 1.436, V; Lei de Falências, arts. 120, § 2.º, e 125, § 4.º). Requer que o bem seja levado a hasta pública.
e) Confusão. Operando-se a reunião das qualidades de credor e devedor na mesma pessoa, extingue-se o penhor pela confusão, porque extinta está a obrigação principal. Porém, se a confusão se der somente sobre parte da dívida, o penhor subsiste por inteiro, por causa da indivisibilidade, característica dos direitos reais de garantia.
f) Resolução da propriedade, como ocorre quando, por exemplo, a doação é revogada.
g) Nulidade da obrigação principal, observando-se, aqui, o princípio de que o acessório segue o principal.
h) Prescrição da obrigação principal.
i) Pelo decurso do tempo, chegando o penhor a seu termo.
j) A reivindicação do bem gravado julgada procedente.
* O cancelamento do penhor sempre deve ser averbado no Registro respectivo.
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4.3.2 DA HIPOTECA – CC, art. 1.473 – 1.505
a) Definição
É um direito real na coisa alheia de natureza civil, que grava um bem imóvel (ou móvel hipotecável por força de lei), pertencente ao devedor ou a terceiro, sem transferir a posse, para garantir o pagamento do débito. 
Não pagando o devedor voluntariamente a dívida, o credor promove a venda do bem onerado, para satisfazer o seu crédito.
O direito incide sobre o valor do bem gravado, mas não sobre a sua substância.
b) Características
b1) É um direito real de garantia.
b2) Natureza civil.
b3) É um negócio jurídico civil, que tem, como sujeitos, do lado ativo, o credor hipotecário, do lado passivo, o devedor hipotecante. 
b4) A propriedade do bem gravado pode ser, além do devedor, de terceiro.
b5) A posse do bem gravado permanece com o devedor, que só a perde, quando da excussão, se não pagar o débito.
b6) A cláusula que confira ao credor a posse do bem hipotecado (cláusula comissória) é nula (CC, art. 1.428).
b7) É indivisível, se for paga parte da dívida, o bem continua onerado por inteiro, isso porque a indivisibilidade é do vínculo, não do objeto. Obs.: Essa indivisibilidade pode ser afastada, desde que se estipule em convenção “que o pagamento parcial libera alguns bens gravados, principalmente se forem diversos e autônomos como unidades econômicas” (Maria Helena Diniz).
b8) É um direito acessório, no dizer de Lafayet, “um direito real criado para assegurar a eficácia de um direito pessoal” (apud, Maria Helena Diniz).
c) Requisitos
c.1) Requisitos objetivos
c.1.1) Incide sobre bens imóveis. Exceção: Em casos especiais, pode recair sobre bens móveis.
c.1.2) O bem onerado deve pertencer ao devedor, mas se não o for, e o devedor adquirir, posteriormente, a propriedade, a hipoteca fica revalidada.
c.1.3) Deve o bem ser alienável. 
Observação.: São inalienáveis, porque estão fora do comércio:
- os bens públicos de uso comum e especial (os dominiais podem ser alienados, desde que haja autorização legislativa); 
- os bens dotais; 
- o bem de família; 
- os bens de órfãos; 
- os bens de menores (podem ser hipotecados com autorização judicial, desde que se prove a necessidade); 
- os bens gravados com cláusula de inalienabilidade; 
- os direitos reais; 
- os direitos hereditários; 
- os bens futuros (mas tem-se admitido hipoteca de construção não realizada, para facilitar o financiamento para a aquisição de imóvel, desde que determinado o valor máximo do crédito a ser investido – CC, art. 1.487).
c.2) Requisitos subjetivos
c.2.1) Capacidade para alienar. Se constituída por quem não é proprietário, a hipoteca poderá ser revalidada, caso o devedor venha adquirir o bem (CC, art. 1.420, § 1.º)..
c.2.2) Os casados precisam de outorga uxória ou marital, exceto se o regime de casamento for de separação total (art. 1.647, I). Não sendo de separação total, negando o cônjuge a outorga, o pretendente pode requerer a autorização judicial (art. 1.648).
c.2.3) Os condôminos da coisa indivisa só podem hipotecar a coisa comum na totalidade, se houver consentimento de todos, mas cada um poderá gravar a sua parte ideal, se for divisível (art. 1.420, § 2.º).
c.2.4) Em edifício coletivo, cada condômino pode dar em garantia real sua unidade autônoma, sem depender da concordância dos demais.
c.2.5) Os menores sob poder familiar podem hipotecar, desde que representados no ato constitutivo por seus pais, com prévia autorização judicial, e provada a necessidade (CC, art. 1.691).
c.2.6) Os menores sob tutela ou curatela,