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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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brevi manu e o constitutum possessorium 
a.3.1) a tradictio brevi manu 
É o caso de quem possui coisa que não lhe pertence e adquire a propriedade desta coisa, como, por exemplo, o arrendatário e o comodatário que adquire a coisa arrendada ou emprestada. 	
a.3.2) Constituto possessorio - CC, art. 1.267, § ún. 
Também, chamada cláusula constituti, tem significado contrário a tradictio brevi manu, porque ocorre quando alguém que possui o bem na condição de proprietário, aliena-o, mas continua na posse, agora, de um bem alheio. 
Nenhum ato exterior se opera em relação à posse. É o caso daquele que, possuindo um imóvel na qualidade de proprietário, vende-o passando a possui-lo como locatário.
CIVIL. POSSE. CONSTITUTO POSSESSÓRIO. AQUISIÇÃO FICTÍCIA (CC.ART.494,IV). REINTEGRAÇÃO DE POSSE. CABIMENTO. COMODATO VERBAL. NOTIFICAÇÃO. ESCOAMENTO DO PRAZO. ESBULHO. ALUGUEL, TAXS E IMPOSTOS SOBRE O IMÓVEL DEVIDOS. RECURSO PROVIDO.
I - A aquisição da posse se dá também pela cláusula constituti inserida em escritura pública de compra-e-venda de imóvel, o eu autoriza o manejo dos interditos possessórios pelo adquirente, mesmo que nunca tenha exercido atos de posse direta sobre o bem.
II – O esbulho se caracteriza a partir do momento em que o ocupante do imóvel se nega a atender o chamado da denúncia do contrato de comodato permanecendo no imóvel após notificado. 
III – Ao ocupante do imóvel, que se nega a desocupá-lo após a denúncia do comodato, pode ser exigido, a título de indenização, o pagamento de aluguéis relativos ao período, bem como de encargos que recaiam sobre o mesmo, sem prejuízo de outras verba a que fizer jus.
(REsp. N° 143.707-RJ – 4ª Turma – STJ - Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira – J.25/11/1997).
Obs.: Alguns autores incluem, ainda, como forma consensual, a tradictio longa manu. Nesta forma não é preciso que o adquirente ponha a mão na própria coisa, como é o caso de uma fazenda, bastando, para adquirir a posse, que ela esteja à sua disposição
b) Acessão
É a soma das posses do atual possuidor com a do anterior. 
É a sucessão, que se opera por ato mortis causa ou por ato inter vivos. 
b1) Inter vivos
Em geral, dá-se a título singular. 
“Entre o segundo e o primeiro possuidor deve haver uma relação jurídica” (Orlando Gomes). 
Está prevista na segunda parte do artigo 1.207 do Código Civil. 
A acessão a título singular é denominada de união.
Ex.: compra e venda, doação, dação, etc.
Normalmente, somam-se os tempos de posses para fins de usucapião.
b2) Mortis causa - CC, art. 1.784; CC, art. 1.206; CC, art. 1.207.
Com a morte, a posse de logo se transfere aos herdeiros. 
Não é necessário qualquer ato. 
A transferência é instantânea. 
Pode ser a título universal, como sempre ocorre na sucessão legítima, ou a título singular, como pode ocorrer na sucessão testamentária, quando o testador deixa em benefício de alguém um bem determinado, individualizado, denominado legado. 
A acessão a título universal é chamada de sucessão.
2.7.3. Legitimidade para adquirir a posse
A posse pode ser adquirida pela própria pessoa interessada; por seu representante; por terceiro sem procuração – CC, art. 1.205, I e II.
Na primeira hipótese, exige-se apenas que o adquirente esteja em pleno gozo de sua capacidade; na segunda, há duas vontades: a do representante e a do representado; na última, a aquisição da posse fica na dependência de ratificação do interessado em adquirir a posse.
2.8. Perda da posse 
Código Civil, art. 1.223 – “Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art.1.196)”. 
A doutrina mais tradicional tem entendido que o possuidor, vítima de esbulho, decorrente da violência e da clandestinidade, se nada faz no lapso temporal de ano e dia, não pode mais se valer do interdito possessório da reintegração de posse, beneficiando-se da liminar, restando-lhe apenas às vias ordinárias. Isso ocorre porque, passados ano e dia, essa posse convalesce dos vícios da violência e da clandestinidade. No entanto, isso não acontece com a posse contaminada pelo vício da precariedade, porque esse vício nunca cessa (Maria Helena Diniz). Neste sentido, Arnaldo Rizzardo cita Guido Arzua, porém, discorda, asseverando que: “..., esta ratio não se coaduna com a melhor interpretação. A partir do momento em que o verdadeiro titular do bem toma conhecimento, ou tem consciência do abuso de confiança, ou da retenção indevida pelo precarista, e mantém-se inerte, conta-se o prazo para perfazer o lapso prescricional da aquisição”. 
2.8.1. Perda da posse da coisa
 a) Pelo abandono 
Dá-se quando o possuidor afasta-se da coisa com o fito de se privar dela. 
b) Pela tradição 
É a perda por transferência. Ocorre quando o tradente (tradens) entrega a coisa ao adquirente (accipiens).
	
c) Pela perda da própria coisa 
Caracteriza-se pela impossibilidade de encontrar a coisa, por exemplo, do anel que caiu no mar.
d) Pela destruição da coisa 
Decorre de um evento natural ou fortuito. É a inutilização definitiva do bem. A danificação parcial não implica em perda da posse. Ex.: Destruição total de um bem pela ação de um raio, pela ação do fogo ou da água.
e) Pela sua inalienabilidade 
Ocorre quando a coisa é colocada fora do comércio por motivo de ordem pública, moralidade, higiene, segurança. Torna-se impossível exercer os poderes inerentes ao domínio.
f) Pela posse de outrem 
Dá-se quando, mesmo contra a vontade do possuidor, um outro passa a exercer a posse. A inércia, permitindo o implemento do tempo de ano e dia, implica na perda da posse.
g) Pelo constituto possessório 
O possuidor que possuía a coisa como sua propriedade continua a possuí-la, mas não mais como sua. A situação, em relação ao corpus permanece inalterada, mas o affectio tenendi se extingue.
2.8.2. Perda da posse dos direitos
a) Pela impossibilidade de seu exercício (CC, art. 1.196)
Ocorre, por exemplo, quando se perde o direito de posse de uma servidão de passagem porque o prédio dominante ou serviente foi destruído.
b) Pela prescrição 
	
Decorre do desuso por determinado tempo. O direito de posse de um titular de servidão, se não usada por 10 (dez) anos, prescreve (CC, art. 1.389, III).
c) Perda da posse para o ausente, ou para o possuidor que não presenciou o esbulho (CC/02, art. 1.224).
O ausente, tendo notícia da ocupação, abstém-se de retomar o bem, abandonando seu direito. Ou tentando recuperá-lo é violentamente repelido. Nesta hipótese, o ausente não estaria sendo usado no sentido técnico.
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4.ª AULA – 20/03/2014
2.9. Efeitos da posse. 
	Efeitos da posse são as conseqüências legais dela decorrentes.
	Há divergência na doutrina quanto à discriminação dos efeitos. 
	Tapia atribuiu à posse 72 efeitos, enquanto Sintenis negou à posse qualquer efeito. 
	Savigny resumiu a dois os efeitos, o usucapião e os interditos possessórios. 
	Edmundo Lins e Vicente Rao sustentam ser a faculdade de invocar os interditos o único efeito da posse. 
	Maria Helena Diniz, seguindo Clóvis Beviláqua, diz que são sete os efeitos da posse. 
	Optamos pela seleção de Silvio Rodrigues, que afirma serem efeitos da posse: 
	
	I – Proteção possessória; 
	II – Percepção dos frutos; 
	III – Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa; 
	IV – Indenização por benfeitorias e o direito de retenção para garantir seu pagamento; 
	V – Usucapião.
2.9.1. Proteção possesória. 
a) A legítima defesa e o desforço imediato. CC, arts. 188, I, e 1.210, § 1.º.
	
Conquanto a defesa do direito violado ou ameaçado deva ser feita pelo Estado, por intermédio do Poder Judiciário, o legislador, por questão de celeridade, autorizou a vítima a defender-se diretamente, com seus próprios meios, desde que o faça logo e com uso de meios proporcionais