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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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defesa fundada no domínio só é admissível nas ações possessórias em dois casos: a) quando duas pessoas disputam a posse a título de proprietárias; b) quando duvidosa a posse de ambos os litigantes” (RT, 86/96)”.
c) Outras ações ditas possessórias.
c1) Nunciação de obra nova (CPC, arts. 934 a 940).
“Pressupõe a existência de dois prédios contíguos, sendo o primeiro afetado ou prejudicado por obra nova realizada no segundo”, (Washington).
Visa a impedir que o domínio ou a posse de um imóvel seja prejudicada por obra nova do prédio vizinho. 
Ex.: Proibição de se construir janela a menos de metro e meio da divisa. Esta ação é possível se a obra ainda está em construção.
	
O artigo 935 do CPC, prevê o embargos extrajudicial, “verbis”: 
“Ao prejudicado também é lícito, se o caso for urgente, fazer o embargo extrajudicial, notificando verbalmente, perante duas testemunhas, o proprietário ou, em sua falta, o construtor, para não continuar a obra”. Parágrafo Único: “Dentro de 3 (três) dias requererá o nunciante a ratificação em juízo, sob pena de cessar o efeito do embargo”. 
c2) Ação de dano infecto (CC, art. 1.280)
É a medida preventiva que a lei coloca à disposição do possuidor que tenha fundado receio de que a ruína ou a demolição ou vício de construção do prédio vizinho ao seu venha causar-lhe prejuízos. O possuidor busca, na sentença, caução que lhe garanta eventual prejuízo.
Código Civil, artigo 1.280 - “O proprietário ou possuidor tem direito a exigir do dono do prédio vizinho a demolição, ou reparação deste, quando ameace ruína, bem como que lhe preste caução pelo dano iminente”. 
c3)Ação de imissão de posse
Busca a aquisição da posse via judicial. Não a contemplou o atual estatuto processual. Previa-a o Código de Processo Civil de 1939, nos seguintes casos, diz Sílvio Rodrigues:
- Aos adquirentes de bens, para haverem a respectiva posse, contra os alienantes ou terceiros, que os detenham;
- Aos administradores e demais representantes das pessoas jurídicas de direito privado, para haverem dos seus antecessores a entrega dos bens pertencentes a pessoa representada;
- Aos mandatários, para receberem dos antecessores a posse dos bens dos mandantes.
c4)Embargos de terceiro (CPC, art. 1.046)
É a ação de que se utiliza aquele que, não sendo parte num processo, sofre turbação ou esbulho em sua posse, ou direito, pelo meio da apreensão judicial, como a penhora, o depósito, o arresto, seqüestro, venda judicial, arrecadação, partilha, etc..
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	2.9.2. Direito à percepção dos frutos
	
Definição de frutos: 
	São utilidades produzidas periodicamente pela coisa, que podem ser percebidas sem perda da sua substância.
	b) Classificação dos frutos quanto à natureza:
	b1) Naturais – renovam-se devido à força da própria natureza. Ex.: Animais, plantas.
	b2) Industriais – são criados pela atuação do homem. Ex.: Fábricas.
	b3) Civis – advém de rendas de coisa frugífera. Ex.: juros, dividendos, aluguéis.
	c) Classificação dos frutos quanto ao seu estado: 
c1) Pendentes: quando unidos à coisa principal;
c2) Percipiendos: quando ainda não foram colhidos, mas deviam ter sido 
c3) Percebidos: quando colhidos;
c4) Estantes: quando armazenados para a venda;
c5) Consumidos: quando já utilizados pelo possuidor.
	d) Conseqüências:
d1) O possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos (CC, art. 1.214, “caput”).
d2) O possuidor de boa-fé, explica Orlando Gomes, não tem direito aos frutos pendentes, no momento em que cessa sua boa-fé.
d3) A princípio, a posse deixa de ser de boa-fé com a citação. 
d4) O possuidor de má-fé responde, não só por todos os frutos colhidos e percebidos, mas também pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé. Contudo, para que não haja enriquecimento ilícito, tem direito às despesas de produção e custeio (CC,art.1.216).
O extinto Tribunal de Alçada do RGS, pela sua Primeira Câmara Cível, na AC N° 193 198 223, julgada em 07/12/1993, tratando de crias de animais bovinos, explicitou com clareza este tema.
2.9.3. Responsabilidade pela perda ou deterioração.
O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa. (CC, art. 1.217; CC/16, art. 514). Beviláqua, Washington e outros interpretam a expressão “a que não der causa” como a ausência de culpa e dolo. Silvio Rodrigues aceita a responsabilidade do possuidor no caso de culpa grave e dolo.
O possuidor de má-fé , ao contrário, responde pela perda ou deterioração da coisa, mesmo que acidental, porém se livra da responsabilidade, provando que o mesmo teria acontecido se a coisa estivesse na posse do requerente (CC, art. 1.218)
2.9.4. Indenização por benfeitorias e o direito de retenção.
a) Conceito de benfeitorias: 
Benfeitorias são obras ou despesas efetuadas numa coisa para conservá-la, melhorá-la ou, simplesmente, embelezá-la. (Washington de Barros Monteiro, citando Clóvis).
São acessórios da coisa (Orlando Gomes).
Umas aderem à coisa de modo a tornar impossível a separação. Outras comportam a separação, mas não podem ser levantadas sem detrimento da coisa principal. Algumas suportam a separação sem prejuízo para o bem principal.
b) Classificação das benfeitorias:
As benfeitorias podem ser classificadas em necessárias, úteis e voluptuárias (CC, art. 96)
	
b1) Benfeitorias necessárias. 
São as que visam à conservação da coisa. Objetivam evitar que ela se deteriore.
b2) Benfeitorias úteis. 
São as que aumentam ou facilitam o uso da coisa.
b3) Benfeitorias voluptuárias. 
Servem para tornar a coisa mais agradável. Correspondem a um mero deleite ou recreio (Orlando Gomes e Washington de Barros Monteiro).
c) Direito à indenização das benfeitorias:
c1) O possuidor de boa-fé tem direito (CC, art. 1.219): 
- à indenização das benfeitorias necessárias; 
- à indenização das benfeitorias úteis; 
- ao levantamento das benfeitorias voluptuárias, se com a sua extração a coisa não sofre dano, mas o proprietário pode se opor e impedir a retirada, se puderem ser extraídas, pagando o preço delas; se não puderem ser extraídas, o proprietário da coisa, também, não precisa indenizar (Orlando Gomes). 
Contudo, Arnaldo Rizzardo, citando Renan Falcão de Azevedo, diz que a benfeitoria voluptuária deve ser indenizada quando: 
- existir boa-fé;
- a benfeitoria não puder ser levantada sem detrimento do bem principal ou dela própria;
- houver considerável valorização do bem principal em razão da benfeitoria;
- a benfeitoria tenha sido realizada antes da reivindicação da coisa.
c2) O possuidor de má-fé tem direito:
- apenas à indenização das benfeitorias necessárias (CC, art. 1.220).
d) Direito de retenção (CC, art. 1.219)
É o direito que tem o possuidor de boa-fé de reter a coisa enquanto não for indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis realizadas na coisa. 
Quando não exercido o direito de retenção, a indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis poderá ser pleiteada em ação autônoma.
O possuidor de má-fé tem direito à indenização pelas benfeitorias necessárias, somente, mas não tem direito de retenção pelo valor delas (CC, art. 1.220). 
Por fim, as benfeitorias são ressarcidas se existirem ao tempo da evicção (CC, art. 1.221). E o reivindicante, para indenizar o possuidor de má-fé, pode optar entre o valor atual e o custo da benfeitoria (CC, art. 1.222, 1.ª parte), para o possuidor de boa-fé, a indenização vai ser sobre o valor atual da benfeitoria (CC, art. 1.222, 2.ª parte)
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5ª AULA - 27/03/2014
3. Direitos reais na coisa própria: Propriedade
3.1. Propriedade em geral. Noções gerais
3.1. 1.Breve histórico
a) Propriedade comunitária ou coletiva. 	
Inicialmente, temos a propriedade comunitária ou coletiva (tribal), como era a dos nossos índios.