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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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de eritromicina, tetraciclinas e fluoroquinolonas. 
 
Mycoplasma pneumoniae 
 A Mycoplasma pneumoniae é uma bactéria patogénica extracelular que adere ao epitélio 
respiratório por uma adesina e afecta as células ciliares, que são destruídas. Esta perda de células 
interfere com a limpeza normal do tracto respiratório, causando uma tosse persistente no 
portador. 
 Esta bactéria causa doença epidémica a cada 4 a 8 anos, afectando todos os grupos etários, 
especialmente crianças e adolescentes. É um parasita humano estrito. 
 A transmissão dá-se a partir das secreções nasais ou pela inalação de gotas de aerossóis 
infectados e o período de incubação pode chegar a ser vários meses. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Doença respiratória (do tracto respiratório superior); 
 Traqueobronquite; 
 Pneumonia atípica. 
 
Mycoplasma fermentans 
 A Mycoplasma fermentans é uma bactéria patogénica que coloniza o tracto respiratório e 
o tracto genitourinário. Esta bactéria pode originar patologias como a Síndrome gripal e 
Pneumonia. 
 
Micoplasmas urogenitais 
 São três: o Mycoplasma hominis, que afecta 15% da população sexualmente activa; o 
Mycoplasma genitalium e o Ureaplasma urealyticum, que afecta 45% dos indivíduos do sexo 
masculino e 75% dos indivíduos do sexo feminino. 
 
Organismo Local Patologia 
Mycoplasma hominis 
Tracto respiratório; 
Tracto genito-urinário. 
Pielonefrite; 
Doença inflamatória pélvica; 
Febre pós-parto. 
Mycoplasma genitalium Tracto genito-urinário. Uretrite 
Ureaplasma urealyticum 
Tracto respiratório; 
Tracto genito-urinário. 
Uretrite 
 
 
 
 
 
 
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Virologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Virologia Geral 
 
Características Gerais 
 Um vírus (do latim virus, significando toxina ou veneno) é um agente infeccioso sub-
microscópico incapaz de crescer ou reproduzir-se fora de uma célula hospedeira. As suas 
dimensões variam de 25 a 300 nm, sendo constituídos por proteínas – cápside – envolvendo uma 
molécula de ácido nucleico; podem possuir um invólucro lipídico com glicoproteínas. 
 Os vírus são agentes filtráveis, isto é, não são retidos por filtros que retêm bactérias. Como 
já dito implicitamente, são parasitas celulares obrigatórios, pois dependem de uma célula 
hospedeira que seja responsável pelas suas actividades metabólicas (energia e constituintes mole-
culares). O seu genoma pode ser de RNA ou DNA, mas não de ambos. Não replicam por divisão. 
 
Estrutura vírica 
 Um virião, ou partícula vírica completa, é constituído por material genético (DNA ou RNA), 
enzimas e proteínas não estruturais envolvidas por proteínas estruturais (cápside); ao conjunto 
anterior dá-se o nome de nucleocápside (vírus sem invólucro). Se a nucleocápside é envolvida por 
glicoproteínas e uma membrana lipídica, estamos então na presença de um vírus com invólucro. 
 Na superfície da cápside os vírus apresentam proteínas antigénicas específicas (peplómeros 
ou espículas) que se ligam a receptores da célula hospedeira e que são essenciais para a 
infecciosidade e especificidade do vírus. 
 
Invólucro 
Membrana lipídica que envolve a partícula vírica. Ele é adquirido durante a 
maturação por gemulação através da membrana celular da antiga célula hospedeira. 
 
 A cápside pode variar estruturalmente. Por exemplo, no vírus do mosaico do tabaco, a sua 
cápside é helicoidal, mas num adenovírus ela já é icosaédrica. 
 Se a partícula vírica é funcionalmente deficiente em algum aspecto da sua replicação, dá-se 
o nome de vírus defectivo. 
 
 
Classificação 
 Os vírus podem ser classificados por diferenças de: 
 estrutura: variações de tamanho, morfologia e ácido nucleico; 
 características bioquímicas: variações da estrutura e modo de replicação; 
 doença: dependente da doença que provocam (ex: vírus das encefalites); 
 modo de transmissão; 
 célula hospedeira: célula animal, vegetal ou bacteriana; 
 tecido ou órgão afectado. 
 
O agrupamento dos vírus está estabelecido, tal como os outros seres, no Sistema Universal 
de Taxonomia. Deste modo, os vírus estão agrupados em: 
 Famílias (nome + sufixo –viridae): onde estão agrupadas populações de vírus 
com características em comum (morfologia, estrutura e estratégias de 
replicação) que os distinguem de outras famílias, com similaridades 
genómicas e origem comum; 
 
 
 
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 Sub-famílias (nome + sufixo –virinae); 
 Género (nome + sufixo –virus): embora os critérios variem de família para 
família, estão agrupadas populações de espécies com características em 
comum (físico-químicas e serológicas) distintas de outras populações de 
espécies da mesma família; 
 Espécies. 
 
Ainda se pode classificar os vírus com base em critérios epidemiológicos. Para começar 
temos os denominados vírus entéricos (incluem-se as famílias Reoviridae, Coronaviridae, 
Picornaviridae, Adenoviridae e Caliciviridae); este grupo apenas inclui os vírus cuja infecção e 
replicação estão restritas ao tracto digestivo, sendo a sua transmissão por via fecal-oral. Temos 
também os vírus respiratórios (incluem-se as famílias Orthomyxoviridae, Coronaviridae, 
Adenoviridae, Caliciviridae, os géneros Paramyxovirus e Pneumovirus da família Paramyxoviridae e 
o género Rhinovirus da família Picornaviridae); neste grupo apenas se incluem os vírus com 
localização e replicação primária no tracto respiratório, sendo a sua transmissão por inalação ou 
fomitos (ex: mão – nariz/boca/olho). Outro grupo é o dos Arbovírus – arthropode-borne viruses 
(incluem-se as famílias Togaviridae, Flaviviridae, Bunyaviridae, Rhabdoviridae, o género Orbivirus 
da família Reoviridae e o vírus da febre suína Africana); incluem-se neste grupo os vírus 
transmitidos aos vertebrados por mordedura de artrópodes53 (sendo que após replicação no 
hospedeiro, o vírus pode infectar artrópodes hematófagos). Por fim, temos o grupo dos vírus 
oncogénicos (incluem-se as famílias Herpesviridae, Adenoviridae, Papovaviridae, Hepadnaviridae e 
as sub-famílias Oncovirinae e Lentivirinae da família Retroviridae); cuja infecção é persistente, 
podendo causar transformação celular e neoplasia, e são transmitidos por contacto próximo (ex. 
sexual ou percutâneo). 
 
 
Replicação Vírica 
 Inicialmente, o vírus efectua o reconhecimento e a ligação à célula alvo, por meio das 
proteínas víricas de ligação (ex: gp120 do HIV) que se ligam a receptores específicos nas células 
alvo. Dá-se a penetração do vírus, seguido da sua descapsidação: o conteúdo genómico fica então 
livre na célula hospedeira. 
Nos vírus de DNA o genoma viral é ligado ao cromossoma da célula hospedeira por meio de 
enzimas e de proteínas de ligação provenientes do vírus. Exceptuando os Poxvirus, a replicação do 
vírus dá-se concomitantemente com a replicação do genoma hospedeiro (utilizam o equipamento 
enzimático da célula hospedeira). A multiplicação do vírus dá-se com a síntese do genoma viral e 
das proteínas estruturais que, após a sua modificação, irão levar à montagem da partícula vírica. 
Os vírus de RNA replicam-se no citoplasma. Para isso, eles têm de codificar as enzimas 
necessárias para a sua replicação pois as células não têm meios de replicar RNA. Se o RNA for de 
polaridade positiva, este comparta-se como um mRNA, podendo ser imediatamente transcrito; se 
o RNA for de polaridade negativa, este tem primeiramente de ser convertido numa cadeia 
complementar para ser transcrito. 
Nos vírus com invólucros, a sua gemulação leva à libertação de vírus que poderão infectar 
outras células. 
 
 
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 Artrópodes - animais invertebrados caracterizados por possuírem membros rígidos e articulados. São o maior grupo 
de animais existentes, representados pelos insectos, aracnídeos, crustáceos, quilópodes (centopeias) e diplópodes.