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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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Transmissão 
 A transmissão das partículas víricas pode ser de dois tipos: transmissão directa, por 
contacto ou pelo ar, ou transmissão indirecta (ex: por fomitos). 
 
 
Tipos de Infecção 
 A infecção vírica é muito variável. Tanto a carga viral como a manifestação de sintomas 
variam de vírus para vírus. Na infecção aguda, após a inoculação do vírus, ele irá multiplicar-se até 
que o seu hospedeiro manifeste sintomas; a partir daí, o sistema imunitário do hospedeiro será o 
responsável pela diminuição da carga viral até que o vírus desapareça do organismo. Neste tipo de 
infecção é ainda possível que algum tempo depois do desaparecimento do vírus do organismo o 
indivíduo venha apresentar novamente sintomas, sem que o vírus esteja presente. 
 Uma infecção latente tem um início idêntico ao da infecção aguda. A diferença está no 
facto que o vírus nunca é eliminado totalmente do organismo, pois algumas das células ainda 
estão infectadas. Periodicamente há o surgimento de novos surtos de virémia, com manifestação 
de sintomas (ex: herpes zóster). 
 Nas infecções crónicas há uma virémia constante, embora seja possível que o hospedeiro 
só apresente sintomas no início da infecção (ex: hepatite B). No exemplo do HIV, que também 
causa uma infecção crónica, aparecem sintomas no início da infecção, mas existe uma pausa até 
que haja uma nova apresentação de sintomas (SIDA) – a denominada doença tardia. 
 Por fim, ainda existe um tipo de infecção comum nos priões: infecção lenta. Neste caso, 
após a inoculação da partícula infecciosa, vai havendo a sua multiplicação gradual até atingir um 
nível onde começa a manifestação de sintomas. 
 
 
Diagnóstico 
 Pode-se efectuar um diagnóstico presuntivo caso o clínico pense que esteja perante uma 
infecção vírica. Esse diagnóstico presuntivo baseia-se nos aspectos clínicos que o paciente 
apresenta, em aspectos epidemiológicos, entre outros. 
 O diagnóstico também pode ser feito a partir da detecção de/com anticorpos (detecção de 
IgM na fase aguda da infecção, seroconversão, titulação), de microscopia, de cultura, da detecção 
de antigénios e da detecção de ácidos nucleicos. 
 
 
Prevenção 
 O meio mais eficaz de prevenção de infecções é a vacinação. O Plano Nacional de 
Vacinação (PNV) permitiu que doenças como a poliomielite fossem quase totalmente erradicadas 
no nosso país. 
 
 
 
 
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Vírus de DNA 
 
Famílias Papillomaviridae e Polyomaviridae 
 Antigamente agrupados numa única família, Papovaviridae, estes vírus são de pequenas 
dimensões, nus, com cápside icosaédrica e com DNA de dupla cadeia. Da família Papillomaviridae 
destaca-se o Vírus do Papiloma Humano e da família Polyomaviridae destacam-se os Vírus BK e JC 
(nos humanos) e o SV40 (nos símios e murinos). 
 
Vírus do Papiloma Humano 
 Com um genoma de dupla cadeia circular, o Vírus do Papiloma Humano (HPV) concentra 
todos os seus genes na cadeia positiva (7 a 8 genes precoces, E1 a 8, e 2 genes estruturais ou 
tardios, L1 e 2). É um vírus resistente à inactivação, persistindo no organismo. 
 A sua transmissão dá-se por contacto directo, sexual ou por passagem através do canal de 
parto. 
 
Patogénese e Patologias 
O tipo de doença depende do tipo de HPV. O vírus é adquirido por contacto 
próximo, infectando as células epiteliais da pele ou das mucosas. A infecção fica escondida 
da resposta imune: o vírus persiste na camada basal e ele multiplica-se nas células 
diferenciadas, provocando um crescimento celular benigno – verrugas. 
A resolução é espontânea, embora alguns tipos (+16 e 18) estejam associados a dis-
plasias; isto é, já foi detectado em células tumorais DNA do HPV integrado no seu genoma. 
Dos mais de 100 tipos de HPV, cerca de 60 deles estão associados com a verruga 
comum e são transmitidos por contacto não sexual54, e cerca de 40 deles são transmitidos 
por contacto sexual. Destes últimos, há os tipos de baixo risco55 – nomeadamente o 6 e o 
11 – e os de alto risco – nomeadamente o 16 e o 18; estes últimos têm um espectro clínico 
variável de assintomático a precursores de neoplasias genitais (CIN 2 e 3). 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico é feito por citologia, por técnicas moleculares (hibridização in situ 
com sondas de DNA, PCR, Southern Blot), por imunofluorescência ou por imunoperoxidase 
ou por microscopia electrónica. 
 
Prevenção 
Existem vacinas para o HPV contendo a proteína L1 (maior proteína da cápside 
expressa numa levedura por tecnologia do DNA recombinante). Podem ser quadrivalentes 
(para os tipos 6, 11, 16 e 18) ou divalentes (16 e 18). 
 
Vírus BK 
 O Vírus BK é um vírus ubiquitário que estabelece infecção latente no rim. Nos 
imunodeprimidos dá-se uma reactivação viral causando infecção renal. 
 
 
54
 Destaca-se deste grupo o vírus da verruga comum (Verrucae vulgaris) e o vírus da verruga plantar profunda 
(Verrucae plantaris). 
55
 Com espectro clínico variável: de assintomático, passando por papilomas respiratórios, a alterações cervicais de 
baixo grau [CIN 1] (onde se incluem as verrugas genitais). 
 
 
 
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Vírus JC 
 O Vírus JC é um vírus ubiquitário que estabelece infecção latente no rim, nos linfócitos B e 
nos monócitos. Nos imunodeprimidos dá-se uma reactivação viral causando leucoencefalite 
multifocal progressiva. 
 
 
Família Adenoviridae 
 Dos 100 serotipos de adenovírus identificados, 47 infectam o homem. A homologia do DNA 
e o serotipo dos vírus desta família serve para os agrupar de A a F. Este é um vírus nu, de cápside 
com fibras (proteínas de adesão) nos vértices, e de DNA de dupla cadeia linear que codifica DNA 
polimerase. 
 O tropismo destes vírus e as diferenças na estrutura proteica da cápside (que é resistente) 
e fibras determinam o tipo de doenças que estes irão provocar. São responsáveis por infecções líti-
cas, persistentes e latentes no ser humano, podendo algumas estirpes imortalizar células animais. 
 A transmissão dá-se, na infecção faríngea, por inalação de aerossóis infectados, por 
contacto ou por meio fecal-oral e na infecção ocular por contacto com as mãos. O vírus é capaz de 
infectar as células epiteliais do aparelho respiratório, gastrointestinal e conjuntiva/córnea; no 
tecido linfóide a infecção é persistente. 
 
Replicação 
Os adenovírus entram na célula sobre forma de endossoma. A cápside entra no 
núcleo e liberta o DNA viral. Um RNA inicial é responsável pela produção de proteínas virais 
que serão responsáveis pela replicação do vírus, pela modificação do ciclo celular da célula 
hospedeira e pela supressão da resposta imunitária. Os RNA tardios produzidos pelas novas 
cópias de DNA contribuem para a montagem do virião e pela produção de proteínas líticas 
(libertação do vírus). 
 
Patologias 
Os adenovírus têm uma distribuição mundial, não tendo uma incidência sazonal. 
Tem uma maior incidência em indivíduos menores de 14 anos, muitas vezes como infecção 
nosocomial. 
Podendo ter uma eliminação assintomática, num indivíduo este vírus pode causar: 
 Febre faringo-conjuntival, com uma maior incidência em crianças, 
surge em surtos com uma duração de 3 a 5 dias. 
 Doença respiratória aguda, com febre, tosse, faringite e adenite 
cervical; 
 Conjuntivite; 
 Gastroenterite e diarreia; 
 Outras complicações como cistite hemorrágica e pneumonia e 
hepatite nos imunodeprimidos. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico de adenovírus pode ser directo (imunofluorescência e ELISA) ou 
molecular. É possível fazer cultura em células epiteliais (2 a 20 dias, havendo infecção lítica 
com corpos de inclusão). 
A serologia é útil em estudos epidemiológicos. 
 
 
 
 
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Família Parvoviridae 
 Os Parvoviridae são a família dos vírus de DNA de menor tamanho, não tendo invólucro. O 
genoma é linear, de cadeia única, sentido negativo ou positivo