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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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a expressar sintomas: febre 
alta, tosse, coriza61, conjuntivite e fotofobia; é neste momento que o 
paciente é mais infeccioso. Os sinais de Koplik62 aparecem dois dias 
depois do início dos sintomas. 12 a 24 horas depois surgem as 
erupções cutâneas (ver imagem); é neste momento que a febre é mais 
 
61
 Coriza - inflamação aguda da mucosa nasal, rinite aguda e defluxo nasal. 
62
 Sinais de Koplik – Pequenos pontos irregulares e avermelhados, de centro esbranquiçado, que aparecem na mucosa 
bucal e lingual. 
 
 
 
75 
alta e o paciente está mais doente. 
Complicações: Encefalite pós-infecciosa (de origem imunopatológica), encefalite 
esclerosante subaguda (acontecendo em 7:1.000.000 pacientes, ocorre quando um vírus 
defectivo do sarampo persiste no cérebro e actua como um vírus lento) e não recuperação 
da infecção aguda (fatal). 
 
Diagnóstico 
As manifestações clínicas do sarampo são tão características que raramente é 
necessário fazer testes laboratoriais. 
O diagnóstico laboratorial é feito a partir da cultura de secreções respiratórias, 
urina, sangue e tecido cerebral em células humanas ou de macaco, embora seja difícil 
crescê-lo e isolá-lo. A detecção do vírus é feita por detecção de antigénio por 
imunofluorescência de células faríngeas ou do sedimento urinário, por RT-PCR ou por 
serologia. 
 
Prevenção 
No Plano Nacional de Vacinação está prevista a vacina anti-sarampo, administrada 
como vacina combinada – VASPR (vacina anti-sarampo, parotidite e rubéola) – que contém 
o vírus vivo atenuado. Esta vacina é administrada em duas doses (15 meses e 5-6 anos). 
 
Vírus Parainfluenza 
 O vírus parainfluenza pertence ao género Paramyxovirus e tem quatro tipos de serotipos – 
1, 2, 3 e 4 –, sendo o 4 o que provoca a doença mais ligeira. Os três primeiros tipos estão 
associados a infecções severas do tracto respiratório inferior em bebés e crianças jovens. 
 
Patogenicidade 
A infecção está restrita ao tracto respiratório, afectando mais comummente o 
superior, e raramente causa virémia. Os indivíduos infectados apresentam sintomas de 
constipação, bronquite e “croup” (laringotraqueobronquinte). 
A infecção induz uma imunidade protectora de curta duração. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico laboratorial é feito a partir de aspirados nasais em células de rim de 
macaco. A detecção do vírus é feita por detecção de antigénio por imunofluorescência ou 
imunoperoxidase, por RT-PCR ou por serologia. 
 
Vírus da Parotidite 
 O vírus da parotidite pertence ao género Paramyxovirus infecta células epiteliais do tracto 
respiratório. 
 
Patogenicidade e Patologias 
O vírus da parotidite depois de ser inoculado no tracto respiratório (há uma 
infecção local) causa virémia e infecta as glândulas parótidas (levando a um inchaço 
marcado), os testículos/ovários, o pâncreas (podendo estar associado com o início de 
diabetes juvenil), os olhos, o ouvido interno e o sistema nervoso central. 
Embora seja muitas vezes uma doença assintomática, quando não o é, o principal 
sintoma é a tumefacção da glândula parótida. A resposta celular é essencial no controlo da 
 
 
 
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doença, sendo responsável por alguns dos sintomas; como o vírus passa de célula em 
célula, os anticorpos não são suficientes. 
A infecção induz uma imunidade protectora de longa duração. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico laboratorial é feito a partir de cultura de saliva, urina, secreções 
faríngeas e líquido cefalorraquidiano em células humanas ou de macaco (com formação de 
células gigantes multinucleadas) e por serologia. 
 
Vírus Sincicial Respiratório 
O vírus sincicial respiratório (RSV) pertence ao género Pneumovirus e infecta células do 
tracto respiratório. Este vírus não causa virémia ou invasão sistémica. 
A sua transmissão dá-se por inalação de aerossóis com o vírus. 
 
Patologias 
Este vírus causa pneumonia (resultante do efeito citopatogénico) e bronquiolite 
(mediado pela resposta imunitária do hospedeiro). Em crianças jovens a patologia provoca 
a obstrução das vias aéreas e os anticorpos maternos não os protegem da infecção. 
A infecção natural não previne nova infecção. 
 
Diagnóstico 
Este vírus é difícil de ser cultivado. Normalmente é detectado por 
imunofluorescência. 
 
Prevenção 
Não há vacina. A imunização passiva faz-se com o uso de imunoglobulinas anti-RSV 
(anticorpo monoclonal humanizado) e é disponibilizado a recém-nascidos prematuros. 
 
Metapneumovirus Humano 
O metapneumovírus humano pertence ao género Pneumovirus e só recentemente foi 
identificado. É ubiquitário (quase todas as crianças até aos 5 anos são seropositivas). 
 
Patologias, Diagnóstico e Tratamento 
Pode ser assintomático ou causar constipação, bronquiolite e pneumonia; o 
tratamento é de suporte. Este vírus é detectado por RT-PCR. 
 
 
Família Orthomyxoviridae 
 Os Orthomyxoviridae são uma família de vírus de RNA que inclui os géneros Influenzavirus 
A (contém uma única espécie: vírus da Influenza A), Influenzavirus B (com uma única espécie 
respectiva) e Influenzavirus C (idem). Destes, apenas os vírus da Influenza A e B têm interesse 
clínico. 
Os vírus desta família têm um genoma de RNA de sentido negativo e segmentado (os da 
Influenza A e B têm oito segmentos) e possuem invólucro com duas glicoproteínas: hemaglutinina 
(HA) e neuraminidase (NA). A sua replicação dá-se no núcleo e no citoplasma da célula infectada. 
A transmissão do vírus dá-se por via aérea por aerossóis infectados, pois este estabelece-
se nos tractos respiratórios superior e inferior. 
 
 
 
77 
Genoma viral 
O genoma viral os vírus da Influenza A e B têm oito segmentos. Os três primeiros 
fragmentos codificam componentes da polimerase que vai ser responsável pela transcrição 
e replicação do genoma viral. O quarto segmento codifica a hemaglutinina, que é 
responsável pela ligação vírica e fusão (sendo por isso um alvo de neutralização por 
fármacos) e o sexto codifica a neuraminidase, que cliva o ácido siálico e promove a 
libertação. O quinto segmento codifica o nucleocapsídeo, o sétimo a proteína da matriz 
(M163) e a proteína membranar (M264) e o oitavo proteínas não estruturais. 
 
Método de Replicação 
Após ligar-se a receptores com ácido siálico da célula, o vírus é endocitado e funde-
se com a membrana vesicular. Ao contrário da maioria dos vírus de RNA, a transcrição e a 
replicação do genoma viral ocorre no núcleo. As proteínas virais são replicadas e o vírus 
liberta-se da célula por “budding”. 
 
 
 
Patologias 
Após 1 a 4 dias de incubação, o hospedeiro apresenta sintomas de síndrome 
gripal65. Dependendo de vários factores (estirpe, imunidade do hospedeiro), a infecção 
pode variar de entre assintomática a severa. 
Os sintomas sistémicos são causados pelo interferão e pela resposta linfocitária ao 
vírus. Sintomas locais devem-se a danos em células epiteliais. 
Várias doenças estão associadas com o vírus da Influenza: 
 Infecção aguda no adulto, com aparecimento rápido de febre, 
mialgias, mal-estar, odinofagia e tosse não produtiva; 
 Infecção aguda na criança, semelhante à do adulto, mas com febres 
mais altas, sintomas gastrointestinais, otite média, miosite e “croup”. 
 Outras complicações: pneumonia viral, pneumonia bacteriana, 
miosite, envolvimento cardíaco e síndromes neurológicas. 
 
63
 Proteína da matriz – proteína estrutural que interagem com a neuraminidase e o invólucro, promovendo a reunião. 
64
 Proteína membranar – canais de membrana (alvo da amantadina), facilita o desnudamento e a produção de 
hemaglutinina. 
65
 Sintomas clássicos da síndrome gripal – febre, dores de cabeça, mialgias e mal-estar. 
 
 
 
78 
Prevenção e Tratamento