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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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de 
colonização: do tipo ectotrix, em que as colónias se formam à volta do 
cabelo, comum nas infecções por Microsporum; do tipo endotrix, em que as 
colónias se formam dentro do cabelo, comum nas infecções por 
Tricophyton; e do tipo fávico, em que as colónias se instalam dentro e na 
base do cabelo. Como já discutido, os Epidermophyton não infectam o 
cabelo. 
 As infecções por tinhas do couro cabeludo podem ser mais ou 
menos identificadas por fluorescência. 
 
Tinha da Pele Glabra 
 Também conhecida como Tinea corporis, a tinha da pele glabra é uma infecção fúngica 
causadora de lesões inflamatórias em forma de anel, com eritema e bordos descamativos. Ela é 
 
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 Alopécia – redução parcial ou total de pêlos ou cabelos numa determinada área da pele. 
 
 
 
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mais frequentemente causada por T. mentagrophytes, T. rubrum, T. megninii e M. canis. 
 
 Tinha das Virilhas 
 Também conhecida como Tinea cruris, a tinha das virilhas é uma infecção fúngica que se 
estabelece bilateralmente nas virilhas e que estende à região peri-anal e às nádegas. Ela é mais 
frequentemente causada por T. rubrum, T. mentagrophytes, e E. floccosum. 
 
 Tinha da Barba 
 Também conhecida como Tinea barbae, a tinha da barba é uma infecção fúngica que se 
estabelece na face causando foliculite da barba. Ela é mais frequentemente causada por T. 
verrucosum. 
 
Tinha das Mãos 
 Também conhecida como Tinea manuum, é uma infecção fúngica que se estabelece nas 
mãos. Ela é mais frequentemente causada por T. mentagrophytes var. granulare, T. rubrum, T. 
megninii e T. verrucosum. 
 
Tinha dos Pés – Pé de Atleta 
 Também conhecida como Tinea pedis, a tinha dos pés é uma infecção fúngica que se 
estabelece nos espaços interdigitais dos dedos do pé (no início entre o quarto e quinto dedos), na 
planta e no bordo do pé. Ela é mais frequentemente causada por T. mentagrophytes, T. rubrum e 
E. floccosum. 
 
Tinha das Unhas – Onicomicose 
 Também conhecida como Tinea ungium, a tinha das unhas é uma infecção fúngica que se 
estabelece nas unhas, tanto nas das mãos como nas dos pés. Nas unhas das mãos a infecção é 
mais frequentemente causada por T. rubrum e T. megninii e nas unhas dos pés a infecção é mais 
frequentemente causada por T. rubrum e T. mentagrophytes. 
 
 
 
 
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Micoses Subcutâneas 
 
Muitos patogénios fúngicos podem produzir lesões subcutâneas como parte dos seus 
processos infecciosos; no entanto, certos fungos são normalmente introduzidos traumaticamente 
pela pele e têm a propensão a invadir as camadas mais profundas da derme, tecido subcutâneo e 
osso, e a induzir a formação de granulomas. Fungos deste tipo raramente se espalham a órgãos 
distantes. Em geral, o curso clínico destas infecções tende para a cronicidade e, uma vez 
estabelecidas, as infecções são resistentes a terapia antifúngica. 
Tratam-se geralmente de agentes infecciosos do solo e de matéria orgânica em 
decomposição (ambientais). 
 
Esporotricose 
 Causada por um fungo dimórfico que é ubiquitário do solo e de vegetação em putrefacção, 
o Sporothrix schenckii, a esporotricose é uma infecção fúngica crónica que é caracterizada por 
lesões nodulares e ulcerativas na pele e gânglios linfáticos que se desenvolvem ao longo dos vasos 
linfáticos que drenam o local primário de inoculação do fungo. 
 
Patogénese e Patologias 
As lesões de esporotricose aparecem classicamente depois de um trauma numa 
extremidade. No local inicial de infecção aparece um pequeno eritema paponodular que 
pode posteriormente ulcerar. Os nódulos linfáticos subcutâneos secundários aparecem 
cerca de duas semanas depois, em cadeia; eles não são dolorosos. Os nódulos causados 
pela esporotricose são o resultado de uma reacção inflamatória, supurativa e 
granulomatosa, sendo por vezes acompanhada de hiperqueratose. 
 
Micetomas Eumicóticos 
 Os micetomas eumicóticos, também conhecidos como Pé de Madura, provêm de uma 
infecção fúngica crónica de tecidos cutâneo e subcutâneo, caracterizada pela formação de fístulas 
de onde são eliminados grânulos (semelhante a micetomas actinomicóticos, que são provocados 
por bactérias do grupo dos actynomicetes). Este processo de drenagem pode ser muito extenso e 
deformante, com destruição muscular. 
 Os agentes etiológicos incluem o Madurella mycetomatis e o Monosperium apiospermum 
(fungos polimórficos, demaciáceos, que formam anélides ou fiálides) ou o Aspergillus nidulans. 
 
Patogénese e Epidemiologia 
A infecção dá-se por introdução do agente por traumatismo percutâneo, e é típica 
das regiões tropicais. 
 
Cromomicose 
 A cromomicose, ou cromoblastomicose, é uma infecção fúngica crónica que afecta a pele e 
os tecidos subcutâneos, caracterizada pelo desenvolvimento de lesões verrugosas e escamosas 
(hiperqueratose e hiperplasia), superficiais ou subcutâneas, de crescimento lento. 
 Esta doença, mais prevalente nos trópicos, é causada por fungos demaciáceos (dimórficos, 
com melanina), como o Fonsecaea pedrosoi e o Phialophora verrucosa, que nos hospedeiro 
apresentam corpos escleróticos. 
 
 
 
 
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Feohifomicose 
 Feohifomicose é um termo usado para descrever um conjunto heterogéneo de infecções 
fúngicas causado por fungos que existem na Natureza como saprófitas do solo, madeira e 
vegetação em putrefacção, como por exemplo: Exophiala jeanselmei, Phialophora richardsiae, 
Wangiella dermatitidis, Bipolaris spp., Alternaria spp., Cladophialophora spp. 
 Os processos feohifomicóticos podem ser superficiais, subcutâneos ou profundamente 
invasivos (tecido cerebral ou outros órgãos) e caracterizam-se pela formação de quistos, 
normalmente não dolorosos, resultantes da resposta inflamatória (estes podem ser removidos por 
meio cirúrgico), que aparecem principalmente nas pernas e nos pés (mãos e outros locais também 
podem ser envolvidos). Pensa-se que as infecções mais profundas tenham como porta de entrada 
as vias respiratórias. 
 
Zigomicose 
 Causada por zigomicetes (fungos com hifas cenocíticas), a Zigomicose é provocada pela 
resposta inflamatória aos invasores; esta resposta inflamatória é do tipo granulomatosa e é muito 
rica em eosinófilos. É mais frequente em transplantados. A zigomicose é uma infecção muito rara 
mas extremamente perigosa, tendo uma mortalidade a rondar os 90 %. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico pode ser feito por exame histopatológico, por PAS (ácido periódico-
Schiff), por Gomori (sais de prata) ou por Giemsa; o objectivo é a visualização de 
fragmentos de hifas rodeadas por eosinófilos. 
A cultura é possível por meios convencionais. 
 
Zigomicose Rino-facial 
A zigomicose rino-facial, ou mucormicose, é uma forma de zigomicose a nível facial 
com comprometimento ósseo. Com igual diagnóstico histopatológico, o seu tratamento 
faz-se com excisão cirúrgica, seguida de regeneração e transplante ósseo. 
 
 
 
 
 
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Micoses Sistémicas 
 
As micoses sistémicas são causadas por dois tipos de fungos: os fungos agentes de micoses 
primárias e os fungos oportunistas, definidos na primeira secção da parte da micologia desta 
sebenta. 
 
Micoses Primárias 
Os agentes causadores de micoses primárias são fungos dimórficos responsáveis por 
infecções profundas ou sistémicas. O seu foco inicial de infecção é, de forma assintomática, nos 
pulmões, de onde segue para os outros órgãos. O dimorfismo destes organismos resulta no facto 
de eles possuírem uma fase saprófita, caracterizada por apresentarem-se como hifas filamentosas 
septadas e por se encontrarem no solo ou em vegetação em putrefacção, e uma fase parasítica, 
em que, a 37 °C, os fungos são capazes de crescer e reproduzir-se assexuadamente na mucosa 
respiratória do hospedeiro com sucesso. 
 
Histoplasmose 
Existem duas variantes de histoplasmose: uma americana, em que