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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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são 
confluentes, formando uma camada cremosa constituída 
por hifas e restos celulares. Pode ter manifestações 
clínicas: 
o Agudas (mais frequentes em doentes com SIDA) 
pseudomembranosas e eritematosas; 
o Crónicas pseudomembranosas, eritematosas e 
hiperplásicas; 
Com esta patologia estão associadas outras lesões: 
o Intertrigo, queilite angular ou boqueiras; 
o Candidose esofágica; 
 Vulvovaginite, na mulher, principalmente e estiver 
durante uma gravidez ou sofrer de diabetes; 
 Balanite, no homem, principalmente se ele sofre de 
diabetes. 
Associado com os fungos do género Candida está também a Candidíase 
Mucocutânea Crónica, um síndrome clínico caracterizado por candidoses resistentes a 
tratamentos convencionais e por estarem associados a deficiências parciais em linfócitos T. 
À infecção sistémica por cândidas dá-se o nome de Candidémia. É uma infecção 
generalizada (pode atingir até 100 ufc/mL de sangue) que causa um comprometimento 
multi-orgânico (pulmões, endocárdio, meninges, fígado, rins e sistema digestivo), muitas 
vezes acompanhada de lesões cutâneas. Na Europa é a 8ª causa de doença invasiva e é a 4ª 
causa de infecção nosocomial (tal como nos EUA). 
 
Diagnóstico 
Os fungos agentes de candidose podem ser identificados por kits Api 
(auxanograma). 
 
 
 
 
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Parasitologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Parasitismo Geral 
 
Definição 
 O parasitismo é toda a relação ecológica desenvolvida entre indivíduos de espécies 
diferentes, em que se observa, além de associação íntima e duradoura, uma dependência 
metabólica de grau variável do parasita, à custa do organismo hospedeiro. Ao contrário de uma 
relação de simbiose, esta relação só beneficia o parasita. 
 
 
Tipos de Hospedeiros 
 Existem quatro tipos de hospedeiros. O hospedeiro definitivo é aquele que alberga as 
fases sexuadas do parasita (onde ocorre formação do zigoto) ou a forma adulta (no caso do 
parasita ser assexuado). O hospedeiro intermediário é o hospedeiro que alberga as fases 
assexuadas ou é o hospedeiro invertebrado (visão antropocêntrica dos ciclos de vida). Temos 
ainda o hospedeiro natural, o primeiro tipo de hospedeiro que, para além de não sofrer com o 
parasitismo, garante a perpetuação da espécie, funcionando como fonte de infecção para os 
outros animais. Por fim, temos a considerar o hospedeiro acidental; este raramente alberga o 
parasita, pois não é um elo obrigatório no ciclo de vida do mesmo. 
 
 
Organograma dos Parasitas 
 
 
 
Protozoários
Amebas
Entamoeba 
hystolitica
Esporozoários
Cryptosporidium
Plasmodium
Toxoplasma
Flagelados
Giardia
Trichomonas
Trypanosoma
Leishmania
Ciliados Balantidium
Metazoários
Nematelmintas Nemátodes
Platelmintas
Tremátodos
Schistosoma
Fasciola hepatica
Céstodos
Ténias
Echinococcus
 
 
 
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Protozooses intestinais e urogenitais 
 
Amebiose 
 As amebas são microrganismos unicelulares primitivos, cujo ciclo de vida se 
divide em dois simples estágios: o trofozoíto [imagem em cima], que é a forma activa e 
móvel (por pseudópodes) e que se alimenta e reproduz com uma grande velocidade, 
instalando a infecção em pouco tempo; e o quisto [imagem em baixo], um estágio de 
inactividade e de resistência que é eliminado para o meio pelas fezes. A sua 
replicação dá-se por divisão binária (reprodução assexuada) do trofozoíto, no lúmen 
intestinal ou em lesões do hospedeiro. 
 
Entamoeba histolytica 
A maioria das amebas encontradas em humanos são comensais, mas uma delas, a 
Entamoeba histolytica é um importante agente patogénico. Trata-se de organismos anaeróbios 
que se alimentam de bactérias, leucócitos ou hemácias e que não são possuidoras de 
mitocôndrias, complexo de Golgi ou retículo endoplasmático. São parasitas extracelulares; a E. 
histolytica pode aderir à membrana plasmática das células do hospedeiro e a sua citotoxicidade 
depende do contacto. 1% da população mundial está afectada (10 a 15% em áreas tropicais), 
sendo a terceira mais importante doença parasitária em número de óbitos no mundo (40 000 a 
110 000 de óbitos por ano). 
 A E. histolytica tem uma distribuição mundial, mas encontra-se preferencialmente em 
ambientes trópicos. O Homem e os macacos são os hospedeiros destes parasitas. 
 
Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais detalhes. O parasita 
entra no organismo hospedeiro pela ingestão de 
quistos em água ou alimentos contaminados com 
fezes, pela via sexual (oral-anal, com prevalência para 
populações homossexuais) ou por moscas ou baratas. 
Os quistos resistem ao pH baixo do estômago e às suas 
enzimas, o que, por si só, promove o 
desenquistamento. A infecção instala-se no cólon, com 
um período de incubação variável de 1 a 14 semanas; 
esta infecção é crónica: persiste de meses a anos. Os 
portadores destes parasitas excretam até 45 milhões 
de quistos nas fezes. 
No cólon, o parasita adere às células do epitélio 
intestinal através de receptores específicos (com o 
envolvimento de lecitinas). Procede-se então a um processo de destruição tecidular por 
meio de proteases: formação de úlceras (base para o diagnóstico endoscópico), ao qual se 
podem associar processos inflamatórios, hemorrágicos e infecciosos (infecção bacteriana 
secundária). O trofozoíto consegue desta forma entrar na circulação pelo sistema porta e 
instalar-se no fígado; é sabido que este transporte vascular pode provocar obstruções que 
levam a isquémia com subsequente necrose e formação de abcessos. 
Em condições ideais para o hospedeiro (sistema imunitário competente, baixa carga 
parasitária ingerida, baixa virulência), as E. histolytica podem reproduzir-se e os seus 
 
 
 
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quistos podem ser eliminados pelas fezes sem que o seu hospedeiro experimente algum 
sintoma – infecção assintomática. Os E. histolytica causam mais frequentemente doença 
com sintomas: 
 Amebiose intestinal luminal: pacientes com esta doença 
desenvolvem sintomas clínicos relacionados com a 
destruição localizada do intestino grosso – dor abdominal, 
cãibras e colite com diarreia; 
 Amebiose intestinal invasiva: numerosas dejecções 
sanguinolentas por dia são sinal de uma doença mais 
severa. É caracterizada por disenteria72 amebiana, colite 
fulminante com perfuração intestina, peritonite e 
amebomas73; 
 Amebiose extra-intestinal: com febre e leucocitose, esta 
vai depender da localização em que as amebas se 
instalam: 
o Amebiose hepática: [ver 
imagem] aguda e não 
supurativa, causa abcesso 
hepático, que se pode 
romper, levando a sépsis e 
à propagação para outros órgãos; 
o Amebiose cutânea; 
o Amebiose em outros órgãos: pulmão, cérebro, 
baço, rim, etc. 
 
Prevenção e Diagnóstico 
As infecções por amebas podem ser evitadas se cada pessoa tiver cuidado com a 
sua higiene pessoal e dos alimentos que consome. A nível geral da população, a educação 
sanitária (uso de fossas ou de uma rede de esgotos eficaz), o tratamento da água e o 
controlo de alimentos contribuem para a prevenção deste tipo de infecções. 
Os E. histolytica detectam-se por exame parasitológico das fezes: em fezes líquidas 
observam-se trofozoítos e em fezes sólidas quistos. Outros meios de detecção também 
podem ser utilizados: ELISA, por captura de antigénios específicos nas fezes; PCR e por 
serologia (formas extra-intestinais). 
 
 
Giardiose 
 Os organismos Giardia, tal como as amebas, têm os estágios de quisto e de trofozoíto, e 
ambos são detectados em fezes de pacientes infectados. A replicação é feita por divisão binária 
longitudinal. Ao contrário das amebas, estes organismos movem-se a partir de flagelos. O 
organismo patogénico mais comum deste tipo de organismos é o Giardia lamblia (duodenalis). 
 As espécies de Giardia têm uma distribuição mundial e têm uma distribuição