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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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de prosseguir um ciclo de desenvolvimento normal. Elas 
são capazes de penetrar no intestino humano e alcançar outros órgãos pela circulação 
sanguínea, procedendo a uma destruição tecidular. Embora a infecção possa ser 
assintomática, as manifestações clínicas estão relacionadas com os tecidos para onde as 
larvas migraram: 
 Eosinofilia; 
 Febre; 
 Hepatomegália; 
 Infiltrados pulmonares e tosse; 
 Alterações neurológicas; 
 Endoftalmite; 
 Destruição tecidular. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico é feito pela apresentação clínica da doença, por biopsia dos tecidos 
afectados ou por serologia. 
 
 
Nemátodes Musculares 
Trichinella spiralis 
 O Trichinella spiralis é um nemátodo parasita do Homem e de vários animais como o 
porco, o rato, o cão, o gato, etc. e é o agente etiológico da trichinose. A forma adulta deste 
parasita encontra-se na mucosa duodenal e jejunal, ao mesmo tempo que a forma larvar 
infestante está presente nos músculos estriados esqueléticos. 
 A transmissão dá-se por ingestão de carne infectada mal cozinhada. 
 
 
 
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Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais detalhes. A infecção inicia-
-se quando a carne que contém larvas enquistadas é 
digerida. Por acção dos sucos gástricos, as larvas 
desenquistam; em 48 horas os vermes adultos já estão no 
intestino do novo hospedeiro. Ocorre a cópula, com a 
morte do macho; a fêmea fertilizada produz mais de 1500 
larvas em um a três meses, sendo que as larvas eclodem 
in utero (partenogénese). As larvas movem-se da mucosa 
intestinal até à circulação sanguínea ou linfática, 
espalhando-se por todo o organismo; no entanto, estas só 
atingem a maturidade nos músculos estriados 
esqueléticos. O organismo reagem formando um quisto 
fibroso que envolve a larva, embora ela continue viável 
por muitos anos. 
A infecção por este organismo pode ser assintomática. Sintomaticamente, este 
pode causar: 
 Sindroma gripal; 
 Edema peri-orbital (os músculos extra-oculares são um 
alvo comum); 
 Vasculite; 
 Afecções a nível do SNC, miocardite e pneumonia. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico é feito por detecção de eosinofilia, por biopsia muscular e por 
pesquisa de anticorpos específicos. 
 
 
 
 
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Helmintas – Filárias 
 
 As filárias são nemátodes vivíparos com dimorfismo sexual que necessitam de um 
artrópode que lhes sirva como hospedeiro intermediário (quase todos são transmitidos por 
mosquitos ou moscas mordedoras). Elas são organismos longos que parasitam o sangue, a linfa e 
os tecidos subcutâneos e conjuntivos. 
 Muitas das filárias produzem vermes larvais chamados de microfilárias, e que são 
encontrados em sangue ou na pele. Já os vermes adultos, ou macrofilárias, parasitam o sistema 
circulatório, o linfático, os músculos e as cavidades serosas. 
 
 Nos hospedeiros intermediários, a microfilárias que foram 
sugadas de sangue contaminado perfuram a parede do 
estômago e passam para a sua cavidade geral; daí vão para os 
múlculos torácicos onde se transformam em larvas infestantes. 
Estas dirigem-se às peças bucais e serão depositadas na pele do 
novo hospedeiro. 
 Já no hospedeiro definitivo, as larvas vão penetrar na pele 
lesada (não são inoculadas pelo insecto) e, através da corrente 
sanguínea ou do sistema linfático, chegam aos vasos sanguíneos 
ou aos gânglios linfáticos sofrendo uma muda e transformando-
se em formas adultas. As fêmeas produzem os ovos e as larvas 
que daí eclodem desenvolvem-se como microfilárias na corrente 
sanguínea. 
 
 
Filárias Linfáticas 
Wuchereria bancrofti e Brugia malayi 
 Devido às suas semelhanças, o Wuchereria bancrofti e o Brugia malayi serão 
discutidos juntos. As diferenças que são de assinalar é a sua diferente localização geográfica (no 
global, as áreas afectadas são extensas: América do Sul, África Central e Ásia) e o facto de a W. 
bancrofti ter o homem como único hospedeiro e a B. malayi ter outros hospedeiros animais como 
os gatos e os macacos. Estes parasitas são transmitidos pelos vectores Culex, Anopheles e Aedes. 
 As formas adultas destes parasitas medem 4 cm (macho) e 10 cm (fêmea) e vivem no 
sistema linfático. De qualquer forma, as microfilárias, para além de circularem na linfa, são 
detectadas também no sangue com periodicidade nocturna. 
 
Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais detalhes. A 
infecção humana é iniciada com a introdução 
da larva infecciosa presente num mosquito 
numa ferida de picada. A larva migra do local 
da picada para o sistema linfático, principal-
mente dos membros e das virilhas, onde se irá 
desenvolver. 3 a 12 meses depois ocorre a 
fertilização. As microfilárias daí resultantes vão 
para a corrente sanguínea durante o período 
 
 
 
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nocturno, onde poderão infectar um mosquito que venha a picar o hospedeiro. 
Em alguns hospedeiros, a infecção é assintomática. Noutros pacientes, a 
apresentação aguda da doença resulta da resposta inflamatória à presença dos parasitas; 
forma-se então um granuloma ao redor deles. A presença destes granulomas leva a uma 
linfangectasia (dilatação dos vasos linfáticos). Isto leva a um aumento exagerado dos 
membros ou do escroto, condição a que vulgarmente se dá o nome de elefantíase. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico é feito por detecção de eosinofilia, por esfregaços de sangue colhido 
entre as 22 e as 4 horas, corados pela coloração de Giemsa. Também é possível pesquisar 
por antigénios da filária através de ELISA. 
 
 
Filárias Cutâneas 
Onchocerca volvulus 
 O Onchocerca volvulus é uma filária endémica de África que afecta especificamente os 
humanos. As formas adultas podem chegar até aos 3 cm no macho e os 50 cm da fêmea. O vector 
deste parasita é a mosca preta (Simulium), que se encontra ao longo dos cursos de água corrente 
quer em zona de floresta quer em zona de savana, o que limita a localização das infecções por este 
agente. 
 
Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais detalhes. A 
infecção humana é iniciada com a introdução 
de larvas de Onchocerca volvulus pela pele 
durante a picada de um Simulium infectado. 
Da pele dirigem-se para o tecido subcutâneo 
onde se desenvolvem nas formas adultas 
(macho e fêmea). Após a reprodução, são 
libertadas até 2000 microfilárias por dia, os 
quais se irão dirigir para a pele (podem 
infectar os vectores a partir daqui), os olhos 
e outros tecidos – não há periodicidade 
sanguínea. O període de incubação vai de 
meses a cerca de um ano. 
Os primeiros sinais de doença são: 
 Febre, eosinofilia e urticária. 
Os vermes adultos causam a formação de: 
 Nódulos fibrosos na pele. 
Já as microfilárias são capazes de causar: 
 Lesões degenerativas; 
 Cegueira, mais conhecido como Cegueira dos Rios (5%). 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico é feito por biopsia da pele. Também é possível pesquisar por 
anticorpos contra os antigénios específicos desta filária. Técnicas de imagem como a 
ultrassonografia e a ecografia são úteis no diagnóstico. 
 
 
 
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Loa loa 
 Loa loa é uma filária africana, cujo vector é o Chrysops. As formas adultas medem 2 cm se 
forem do sexo masculino e 7 cm do feminino. Nesta espécie as microfilárias circulam o sangue, 
mas apenas durante o dia – periodicidade diurna. 
 
Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais detalhes. A infecção humana 
é iniciada com a introdução de larvas de Loa loa pela pele 
durante a picada de um Chrysops 
infectado. O período de incubação 
é superior a um ano. 
 As macrofilárias vivem no tecido 
subcutâneo e sobretudo no globo 
ocular. Patologicamente, estes 
organismos podem causar: 
 Nódulos dolorosos e pruriginosos. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico é feito por detecção de eosinofilia, por esfregaços de sangue colhido 
durante o dia, corados pela coloração de Giemsa. Também é possível pesquisar por