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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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de uma erupção cutânea 
macular eritematosa; 
 Síndrome da pele escaldada (ou doença de Ritter’s). 
 
Estafilococos coagulase negativo 
Staphylococcus epidermidis, Staphylococcus lugdunensis 
São bactérias comensais da pele e são os responsáveis em algumas infecções 
hospitalares. Causam endocardites (em válvulas artificiais), bacteriémia, pústulas de acne, 
furúnculos, abcessos e ORL. 
 
 
 
10
 Citotoxinas – toxinas que lisam células sanguíneas e fibroblastos. 
11
 Hialuronidade – enzima que destrói o ácido hialurónico, constituinte do tecido conjuntivo. A destruição do tecido 
conjuntivo com esta enzima permite uma migração facilitada no organismo hospedeiro (disseminação). 
12
 Fomito – termo médico utilizado para designar substância ou material (ex: peça do vestuário) capaz de absorver e 
transmitir o contágio de uma doença infecciosa. 
13
 Septicémia – multiplicação das bactérias na corrente sanguínea. 
 
 
 
18 
Staphylococcus saprophyticus 
São bactérias que usualmente causam infecções urinárias em mulheres jovens. É 
resistente à novobiocina (β-lactâmico). 
 
 
Streptococcus 
 Os estreptococos são cocos gram-positivos em cadeia. São imóveis, não formam esporos e 
alguns são capazes de formar cápsula. Tal como os estafilococos, são anaeróbios facultativos, mas, 
por contrário, são catalase negativos. Produzem ácido láctico por fermentação de hidratos de 
carbono. Alguns são capnofílicos14. 
 Estas bactérias crescem em meios ricos como a gelose sangue. Nesse meio podem produzir 
diferentes padrões de hemólise (α-hemólise: hemólise incompleta, β-hemólise: completa, γ-
hemólise: inexistente). Para além desta forma de diferenciar espécies, utiliza-se a classificação 
serológica de Lancefield15 (A-W) e a análise de propriedades bioquímicas. 
 
Streptococcus pyogenes 
 O Streptococcus pyogenes é um estreptococo β-hemolítico do grupo A. Tem uma grande 
quantidade de factores de virulência: As proteínas M16, T17 e F18, o ácido lipoteicóico, a cápsula, 
exotoxinas pirogénicas, estreptoquinases A e B, DNases A-D, estreptolisinas (hemolisinas) O e S, a 
hialuronidase e a C5a peptidase. 
 A transmissão dá-se por contacto inter-pessoal ou pelo contacto com a pele infectada. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Doenças supurativas19: faringite, amigdalite, celulite, fasciite necrosante 
(mais conhecida como a “flesh eating bacteria”), erisipela (infecção 
aguda da pele), impetigo, piodermite, escarlatina20 (complicação da 
faringite); 
 Síndrome do choque tóxico estreptocócico, Infecção puerperal e 
Linfadenite; 
 Sinusite, Otite média, Rinite, Pneumonia; 
 Complicações pós-estreptocócicas não supuradas: febre reumática e 
glomerulonefrite aguda 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico pode ser feito a partir da observação microscópica do espécimen 
clínico proveniente da cultura em meios nutricionalmente ricos (ex. gelose sangue) e pela 
identificação pelo estudo das propriedades bioquímicas: sensibilidade à bacitracina ou a 
pesquisa da enzima PYR. Outros estudos como a detecção de antigénios ou a detecção de 
anticorpos (por exemplo, o teste ASO, que mede os anticorpos contra a estreptolisina O) 
 
14
 Crescimento capnofílico – o crescimento apenas se dá numa atmosfera rica em dióxido de carbono. 
15
 Classificação Serológica de Lancefield – está relacionada com a presença de carbohidrato C na membrana. 
16
 Proteína M – Usada na interiorização das bactérias na célula e na inactivação do complemento. 
17
 Proteína T - Trypsin-resistant protein 
18
 Proteína F – Usada na ligação às células epiteliais e interiorização. 
19
 Supurativo – que produz pus. 
20
 Só se for um S. pyogenes lisogénico (infectado por um fago). 
 
 
 
19 
também são úteis na identificação desta bactéria. 
 
Terapêutica 
A maioria dos Streptococcus pyogenes é sensível à penicilina. Caso contrário, pode-
-se adoptar o uso de eritromicina ou de cefalosporinas. 
 
Streptococcus agalactiae 
O Streptococcus agalactiae é um estreptococo β-hemolítico (raramente são não-
-hemolíticos) do grupo B e é capsulado. A sua colonização efectua-se a nível do tracto respiratório, 
gastrointestinal e da vagina. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Infecção puerperal, Infecção urinária, Endometrite: na grávida; 
 Bacteriémia, Meningite, Pneumonia: no recém-nascido; 
 Também pode afectar pessoas idosas. 
 
Streptococcus viridans 
Os Streptococcus viridans são um grupo de estreptococos α-hemolítico ou não-hemolítico 
e têm um crescimento fastidioso. A sua colonização ocorre na orofaringe e nos tractos 
gastrointestinal e genitourinário. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Endocardite em indivíduos com válvulas cardíacas anormais; 
 Infecções intra-abdominais; 
 Cárie dentária. 
 
Streptococcus pneumoniae 
Os Streptococcus pneumoniae, pertencente ao grupo viridans, são diplococos lanceolados 
com uma cápsula polissacarídica com 90 serotipos21;22. São α-hemolíticos em aerobiose e β-
hemolítico em anaerobiose. O seu crescimento é fastidioso e só crescem em meios enriquecidos 
com produtos sanguíneos. Metabolicamente, esta bactéria pode degradar vários hidratos de 
carbono, sendo o produto final o ácido láctico. A acumulação de ácido láctico inibe o crescimento 
desta bactéria, logo os meios ricos em glucose não são adequados. Como todos os estreptococos, 
este organismo não produz catalase; logo, se não for providenciado uma fonte externa com 
catalase, como o sangue, a acumulação de peróxido de hidrogénio também inibirá o crescimento 
desta bactéria. 
Os factores de virulência desta espécie são a pneumolisina (enzima que degrada 
hemoglobina), a protease da IgA, H2O2 e a fosforilcolina
23. 
Esta bactéria coloniza a naso-orofaringe (5-75%) e a daí, em situações específicas, é capaz 
de se espalhar para os pulmões, seios paranasais ou para o ouvido médio. Também pode ser 
 
21
 Serotipo – subdivisões de uma espécie, de acordo com os antigénios de superfície. 
22
 Os polissacarídeos capsulares purificados dos serotipos mais comummente isolados são usados numa vacina 
polivalente. 
23
 Fosfocolina – serve para a adesão e entrada nas células. 
 
 
 
20 
transportado pelo sangue para locais mais distantes como o cérebro. A sua transmissão dá-se por 
via endógena24 ou por inalação. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Pneumonia, com elevada mortalidade; 
 Meningite; 
 Bacteriémia; 
 Otite e Sinusite. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico pode ser feito a partir da detecção de antigénios por imuno-ensaios 
ou da observação microscópica do espécimen clínico (a cultura terá de ser feita em meios 
enriquecidos e mais selectivos) que, após reacção de Quellung, a cápsula torna-se visível. 
Também é possível a sua identificação a partir das suas propriedades bioquímicas, pois 
estes estreptococos são sensíveis à bílis e à optoquina. 
 
Prevenção e Terapêutica 
Já existe uma vacina direccionada a esta bactéria, a vacina PNUIMUNE 23 (contra 23 
serotipos). Mas se o indivíduo já estiver doente com esta bactéria, o tratamento 
normalmente utilizado passa pelo uso de penicilina. Mas se estiverem presentes bactérias 
com PBPs (Penicillin Binding Proteins), isto é, resistentes à penicilina, pode-se optar por um 
tratamento com eritromicina e cefalosporinas. 
 
 
Enterococcus 
 Os Enterococcus eram antigamente classificados como estreptococos de grupo D por 
possuírem o antigénio de parece celular grupo D, um ácido teicóico que está associado com a 
membrana citoplasmática, mas foram reconhecidos como um grupo à parte. Este género, 
diferenciado a partir das suas propriedades fisiológicas